11 outubro 2018

VIVA A REPÚBLICA…


Foi a 5 de Outubro de 1910, que finalmente terminou o poder vitalício e hereditário. Exactamente há 108 anos, quando às 12H00 deste dia, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, foi proclamada e aclamada a República, perante o júbilo de milhares de cidadãos.
República que aboliu os privilégios e os títulos da nobreza; que à hereditariedade fez suceder o escrutínio do voto; que aos registos paroquiais consagrou o Registo Civil obrigatório; que ao direito divino fez prevalecer a vontade popular; que à indissolubilidade do matrimónio permitiu o direito ao divórcio; que à conivência entre o trono e o altar estabeleceu a separação da Igreja e do Estado; e que aos súbditos transformou em cidadãos de pleno direito.
Foram os heróis da Rotunda que libertaram Portugal da monarquia e da ditadura a que João Franco imprimiu a crueldade e o rei a cumplicidade.
Para o efeito a Franco-Maçonaria divulgou os ideais repúblicanos e a Carbonária foi o braço armado para a sua vitória. Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e Miguel Bombarda, foram os mais destacados desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução.
É por tudo isto, que agora se celebra neste 5 de Outubro, o dia em que se exige ser cidadão e se recusa a vassalagem.
Merecem-no os seus heróis que nos deixaram o legado, e merecem-no todos aqueles que amam e prezam os que servem honradamente a República.
Viva o 5 de Outubro
Viva a República…

21 setembro 2018

A SUBSTITUIÇÃO DA PROCURADORA GERAL DA REPÚBLICA


A normal nomeação da nova Procuradora Geral da República, Lucília Gago, com a dupla confiança do Governo e do Presidente da República, pôs termo à guerrilha da direita que a doutora Cristas, os  sectores radicais do PSD ligados a Passos Coelho e Marques Mendes se esforçaram por partidarizar. felizmente que a "bem da nação", a Pátria, a democracia e a isenção partidária prescindiram da inédita recondução, sem sobressalto. Com a sua natural substituição, a Dr.ª Joana Marques Vidal não abdicou da sua reiterada convicção de que o mandato era único, em sintonia com a opinião do constitucionalista, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestada de forma clara, na liderança do PSD e em livro, sobre a Revisão Constitucional de 1997. E a ministra da Justiça viu o seu entendimento sobre o mandato único, embora omisso na lei, plenamente confirmado. Pessoalmente, talvez tenha sido severo a apreciar o mandato da doutora Marques Vidal, sem saber o que foi mérito seu e o que se deve aos Procuradores que investigaram os processos mais mediáticos, cujo êxito dependerá ainda das acusações e decisões judiciais, mas o que está à vista "escusa candeia"!... Joana Marques Vidal não pôs termo à violação do segredo judicial; não decidiu reabrir - como admitiu, o caso Tecnoforma; não averiguou a corrupção no caso dos submarinos; não evitou que imagens de um ex-Ministro, nos interrogatórios aos vistos Gold, fossem parar à televisão; não mandou investigar as empresas, algumas de fachada, e os autarcas e dirigentes do PSD, Marco António Costa, Luís Filipe Menezes, Hermínio Loureiro, Agostinho Branquinho, Virgílio Macedo e Valentim Loureiro, que viciaram contratos públicos, ludibriaram o Estado e terão ocultado financiamentos proibidos para campanhas eleitorais, segundo uma grande investigação de Miguel Carvalho, Visão n.º 1278, de 31-8/a 6-9-2017, que revela indícios de tráfico de influências e corrupção destapados com o fim da agência Webran. Da investigação dos esquemas de corrupção escabrosos, relativa às teias de interesses que os municípios tecem, não houve qualquer investigação ou emissão de um comunicado sobre tão graves e alarmantes suspeitas. Talvez agora a próxima PGR esclareça o País. E já agora, também não parece que os processos contra os arguidos nos casos do BPN, BCP, BES, Banif, BPP e por aí fora, estejam a decorrer da melhor maneira, muito menos se as coisas não poderiam ter funcionado de outro modo.
A renomeação de Joana Marques Vidal dependia apenas por isso do Primeiro-Ministro e do Presidenteda República como se sabe. Não estava nas mãos de Deus, de quem Marques Mendes queria ser o Arcanjo Gabriel. De qualquer modo, quem fez chantagem com o Governo e o PR saiu derrotado.

19 setembro 2018

O GRANDE TABU DA RECONDUÇÃO OU NÃO DA PGR!...

O assunto continua na agenda politica, mas a verdade é por demais óbvia: este debate devia ser considerado como um "não assunto". Em primeiro lugar pela prática anterior - que aponta para mandatos únicos; em segundo, pelo que sob a sua tutela investigou, deixou investigar, ou “chutou para canto”, fazendo vista grossa ou ordenando até o arquivamento de determinados processos, quando os indícios recomendavam exactamente o contrário; e em terceiro, porque, por muito que se tente, não se vislumbra qualquer acusação de jeito durante o seu mandato.
Dito isto, importa por isso questionar o seguinte: a quem deu caça esta figura tão apreciada por toda a direita politica?!... A todos os corruptos?!... A todo o político que mexe, como tentam fazer crer os populistas?!... Diga-se em abono da Justiça, que nem por isso. Aquilo a que se assistiu nos últimos anos, foi à mediatização da Justiça, à sua tabloidização e ao reinstituir do “pelourinho”.
Apesar do alarido, onde “moram as condenações” que respeitam às grandes operações lançadas nos últimos seis anos?!.... Na “Fizz”, uma vergonha que envolvia um ex-Procurador foi o que se viu; na “Marquês”, apesar do show off quando das detenções a que todos assistimos em directo pelas televisões, idem, idem, aspas aspas, e nos “Vistos Gold”, a “montanha pariu um rato”.
Tudo factos que todos sabemos constituíram verdadeiros “circos” impróprios de um Estado de Direito. E nem sequer será preciso lembrar Novembro de 2017, quando se ponderou reabrir o Processo Tecnoforma, que envolvia Miguel Relvas e Passos Coelho, após a investigação da Comissão Europeia ter detectado fraudes graves de milhões na utilização de dinheiros comunitários – obrigando mesmo à sua devolução, muito menos o processo arquivado a Dias Loureiro, as buscas ao Ministério das Finanças, por aquele “terrível crime” que implicava de imediato um assalto policial aos gabinetes, só pelo facto do Ministro ter ido assistir a um jogo do Benfica em lugar mais protegido e confortável, do que o terceiro anel do Estádio da Luz, ou a outras actuações extraordinariamente “louváveis” tanto quanto estas, como é a recente acusação no processo ”e-toupeira” rodeada de contornos com muitas “nuvens negras no ar”, o “roubo de Tancos” a aguardar por “melhor oportunidade”, ou os “incendiários” do Pinhal de Leiria em 2017.
Afinal onde está a dúvida?!... No meio disto tudo, o que se sabe isso sim, é que os lugares nas cadeias reservados aos “tubarões” fruto das investigações tuteladas pelo MP se encontram todos vagos e que continuamos a assistir a uma Justiça para ricos e a outra para pobres.
Mas mesmo que assim não fosse, outros valores se levantam!... Por um lado, em Março de 2016, foi a própria senhora Procuradora a declarar, ser o mandato de PGR único. Pelo outro o próprio texto da Constituição da República Portuguesa, ao considerá-lo como sendo de seis anos, duração aliás mais longa do que o habitual em cargos institucionais, para evitar mudanças demasiado precoces ou permanências demasiado prolongadas, permitindo assim a necessária rotatividade. Dois mandatos significam doze anos – e doze anos, é muito ano. Porquê então esta febre e paixão na recondução da PGR, que ataca toda a direita portuguesa?!...
Resumindo e concluindo: O que os factos apontados – e apenas estes - nos dizem, é que a actual Procuradora não só não controlou as fugas de informação escandalosas em diversos processos, violando-se sistematicamente o segredo de justiça com fugas óbvias oriundas da sua instituição; como falhou rotundamente na instauração de vários inquéritos internos às ditas fugas, das quais se salienta a transmissão pública dos interrogatórios aos arguidos, testemunhas, e pessoas lateralmente envolvidas nos já referidos processos; e se alheou de responsabilidades perante uma situação tão
aviltante, repugnante e totalmente inédita.
Não!... Tenho muita pena, mas esta não é a “minha Justiça”, muito menos o modelo de Justiça que se deseja num Estado de Direito Democrático, onde prevalece a Separação de Poderes.
Se Joana Marques Vidal quisesse provar de uma vez por todas a sua total independência - ganhando por via disso, aí sim a minha simpatia e admiração - e arrumar de vez com os articulistas/propagandistas da direita que desejam às escâncaras politizar a Justiça – como muito bem refere Rui Rio - e fazer luta política agarrando-se a ela enquanto escrevem nos jornais e debitam nas televisões, viria a público dizer simplesmente que procurou cumprir com dignidade as suas funções; que espera ter lançado as bases para isto e para aquilo; mas que reafirma que considera o seu mandato único, como aliás foram os de todos os seus antecessores, com excepção de Cunha Rodrigues.
Outros tempos e uma excepção em mais de 80 anos, que não merece ser reeditada. É de crer aliás e atendendo ao que Joana já disse sobre o assunto, que só muito a custo Costa, Marcelo e até Rui Rio, lhe peçam para ficar.
(Crónica de Opinião para o Jornal Planalto Barrosão)

06 setembro 2018

“QUO VADIS” OPOSIÇÃO DESTE PAÍS?!...


Após três anos de Governo do Partido Socialista, com o apoio parlamentar do PCP, Bloco e Verdes, a direita chegou a uma conclusão que não pára de a atormentar – a ausência de antídotos. Quando governou, estava tão convencida da inevitabilidade da austeridade, que actualmente e face às politicas seguidas pelo executivo e seus pares, ainda não se encontrou consigo própria, muito menos  com um programa que a possa guindar de novo ao Poder.
No PSD, Rui Rio tem consciência do estado de alma do seu Partido, hoje acomodado, tanto a nível de direcção, como localmente – aliás, localmente e em determinados lugares nem sequer sabe se ainda existe. Resta-lhe estar burocratizado e disponível para lutas internas, e por postos que assegurem a vidinha aos seus membros, designadamente àqueles que se mobilizam em torno do líder, alimentando a esperança de não serem esquecidos na hora de fazer as contas. Depois, vem a desconfiança!... A aproximação de Rio ao PS - que por acaso até conta com alguma gente dentro dos socialistas, constitui para os anteriores círculos dirigentes do PSD uma “traição á pátria” e ao projecto “passista” que defenderam no passado recente, pois a tal se verificar, sabem que não têm, num eventual bloco central, lugar reservado. E é isso que os une - o galope contra essa possibilidade e a aposta na continuidade da senda neoliberal.
Ora foi exactamente por tudo isto, que Santana abandonou a “família”, para se arvorar em ser o único e legítimo filho do que alegadamente - segundo o seu discurso populista - era o PPD de Sá Carneiro. Esqueceu porém Santana, que os cismas foram já vários sobre o verdadeiro pensamento do seu fundador, e que nenhum vingou, porque todos eles eram falsos como Judas.
Mas como sempre “gostou de andar por aí”, congeminou que pode ter um resultado eleitoral para lhe dar capacidade de contar na cena política, o que obviamente não sucederia com Rio, que tal como um dia aconteceu como já referido Sá Carneiro, sempre quis ver-se livre do “menino”. É que a Santana não lhe basta – nunca lhe bastou - um cargo proeminente em qualquer instituição pública. Não!... Santana quer sempre mais, muito mais, e esse mais, o PSD de Rio não lho dava agora nem no futuro próximo. Santana, Pedro Duarte, Carreiras, Hugo Soares, Montenegro e outros, largaram por isso fogo no PSD, e agora, são já tantos os incendiários que o “chefe” enfrenta, que só “com a ajuda de meios aéreos” vai conseguir – se conseguir - resolver tais demandas. Enquanto isso e noutra onda, vai tentando de per si e a custo, apagar outros focos, fazendo desta malfadada época dos incêndios, a sua oposição ao Governo.
Mas o PSD não está só nesta onda!... O CDS por sua vez, está também tolhido. Coitada da Cristas!... A visibilidade que Portas lhe deu no Governo de Passos, vira-se agora contra o próprio Partido, ainda que a senhora nos dias que correm, proclame tudo e o seu contrário do que aprovou no Governo de que fez parte. Foram os cortes nos salários, nos subsidios e pensões de reforma, foram os aumentos nas taxas moderadoras, o corte nos dias de férias, o aumento da carga de horas de trabalho na função pública, a extinção dos Guardas Florestais, os cortes nas quotas do pescado, a malfadada lei do arrendamento que levou pessoas singulares e colectivas à insolvência, a reforma dos tribunais afastando os cidadãos da justiça, as privatizações sem rei nem roque vendendo tudo ao desbarato, e até o pavor que era viver sob o chicote dos “mandarins” impiedosos, tendo em conta que todos os dias os bilionários tinham boas notícias e o resto da população tudo e o seu contrário. Foi o período em que uma ínfima minoria ficou mais rica e a imensa maioria com menos rendimentos, e foi o período em que se espalhou deliberadamente a pobreza, que poderia ter até reflexos ainda mais graves, se o seu compromisso com Bruxelas relativo ao corte de 600 milhões de euros aos reformados não tivesse sido travado pelo actual Governo. Tudo isto não pode ser esquecido, e hoje, enquanto o PSD lambe as feridas, o CDS sem vergonha e arrogantemente chega-se à frente sem qualquer nexo nas críticas ao Governo. Depois, enquanto Rio ensaia o Bloco Central, o CDS preterido demarca-se, marcando o seu próprio terreno, cavalgando a crise do parceiro de tantas ocasiões para ganhar estaleca e procurar “namoriscar” outros que andam por aí. Porém, não parece que venha a ter sorte, ainda que possa surpreender o facto de um Partido como o PSD se encerre dentro de si próprio por falta de um programa que una quadros e dirigentes. Rio bem tenta unir as suas “tropas” e fazer da aproximação ao PS um guião rumo ao Bloco central, mas o terreno está minado.
Em conclusão: é algo inesperada a incapacidade destes Partidos terem um programa e um guião para apresentarem. Vivem dos incêndios, dos roubos de armas, da degradação da ferrovia que o colega de Cristas, Manuel Queiró desbaratou, do que a imprensa publica para chamarem Ministros ao Parlamento ou solicitarem a formação de Comissões de Inquérito e pouco mais. Pobre Oposição, que nem sequer ousa ter vida própria. Como dizia o seu protector Cavaco - chocam com a realidade…

A DEMISSÃO TARDIA E A MÁS HORAS DE RICARDO ROBLES; O "TIRO NO PÉ" DE CATARINA MARTINS; E A HIPÓCRISIA DO "CENTRÃO E DA DIREITA"...


Diz-se por aí, que Ricardo Robles, então vereador do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Lisboa, adquiriu em hasta pública, um prédio na zona histórica de Lisboa que foi pertença da Segurança Social, por 347 mil euros.Muito bem!... Até aqui nada de anormal. Diz-se também, que no dito prédio realizou obras de requalificação no valor de 650 mil euros e que posteriormente o colocou no mercado para venda, pelo montante de 5,7 milhões de euros. Tudo normal para qualquer cidadão comum, que tem todo o direito não só de rentabilizar o seu património, como de enriquecer – desde que tudo seja feito de acordo com as Leis do Estado. Só que aqui o caso é diferente!... E sendo diferente, o Vereador não poderá nunca usufruir ao mesmo tempo de “sol na eira e chuva no nabal”!... Ou opta pela sua condição de cidadão comum e é livre de fazer os seus negócios como muito bem entender, ou escolhendo a politica fica sujeito aos principios ideológicos que determinaram a sua escolha e permitiram a sua eleição, mediante o voto dos cidadãos que em si acreditaram. Ora Ricardo Robles não fez isso – e pior, misturou “alhos com bugalhos”, propondo-se “navegar em ambas as águas ao mesmo tempo”, seguindo o velho lema, “olha para o que eu digo, não olhes para o que faço”. Depois, após o despoletar público do caso – por todos conhecido, Catarina Martins e o próprio Ricardo Robles, vieram afirmar que o Vereador não tinha feito nada de errado. Porém, face à pressão mediática, “deram o dito por não dito” e Robles apresentou a sua demissão e segundo algumas notícias, também de todos os cargos políticos no Partido.
Conclusões: de facto, do ponto de vista processual - excluindo eventual confirmação de notícias que afirmam que Ricardo Robles não cumpriu totalmente, obrigações fiscais motivadas pela ampliação do imóvel - não há nada de errado no caso. Um cidadão, situe-se em que área politica se situar, adquire determinada propriedade de forma claramente legítima e transparente, recupera-a, e face àquilo que é o mercado imobiliário tem todo o direito a vendê-la realizando mais-valias. Onde é que está a dúvida?!... Este, é pois um processo natural em qualquer sociedade e para qualquer cidadão investidor e por conseguinte nem sequer devia ser noticia, ou então devia ser uma não noticia. Porém a realidade é outra!... E aqui é que a “porca torce o rabo”, ganhando o caso contornos do ponto de vista da ética política. E porquê?!... Porque o dito – agora ex.Vereador, foi pelo menos desde as eleições de Outubro de 2017, um dos fortes porta-vozes bloquistas da bandeira ideológica no combate à especulação imobiliária, ao descontrolado aumento do alojamento local, à gentrificação dos centros históricos nas grandes cidades, e às políticas nacionais para a habitação. Ora é exactamente deste “confronto”, que deriva da crença político-ideológica, e a forma como ocorreram os factos, que permite concluir a qualquer cidadão isento, que Ricardo Robles errou. E errou de forma contundente!... Qualquer politico que se preze, não pode – não tem esse direito, de apregoar uma coisa e na prática, ter comportamentos exactamente opostos, retirando-lhe toda a legitimidade politica. Numa Assembleia Municipal, Ricardo Robles nunca mais teria – sob pena de chacota, moral para defender o que sempre defendeu, e sendo assim a sua demissão só pecou por tardia. O problema, é que agora o caso ultrapassou já a esfera pessoal ou individual e “sobrou” para o Bloco de Esquerda, por mais que Catarina Martins tenha querido desviar as atenções, utilizando um discurso totalmente despropositado, que veio enfatizar ainda mais a realidade. Dito de outro modo: um verdadeiro tiro no pé, que em dois ou três dias de forte exposição mediática, conseguiu fazer mais pela queda da máscara populista de um político, que muitos anos de combate e confronto ideológico. Ricardo Robles demitiu-se por isso tarde e a más horas, e Catarina Martins, não se deveria ter prestado ao que se prestou!... Deveria pelo contrário ter “pegado o touro e retirá-lo da arena”. Se o tivesse feito, teria concerteza marcado pontos e nem um nem outro teriam causado embaraços ao BE, deixando até de contribuir para o espectáculo miserável protagonizado pela direita indignada – vejam lá, com o comportamento do deputado e vereador. Direita indignada para quem problemas destes sobram por aí - politicos e até não políticos, ao ponto – se calhar, de muitas figuras do PSD, do PS ou do CDS deverem estar "engavetados" se a justiça funcionasse neste país. Ou será que alguém ignora os arguidos envolvidos em escândalos de milhões que envolvem verbas dos contribuintes e se andam por aí a pavonear, recusando demitir-se dos seus cargos alegando inocência, e na primeira oportunidade voltam a candidatar-se aos lugar de onde deveriam ter sido exonerados para toda a vida?!... E a esses importa perguntar: Como é que essa gente que usa todos os mecanismos que a Lei lhe proporciona para atrasar os processos até chegar o tempo da prescrição, ainda tem lata para condenar um problema politico como o de Ricardo Robles?!... Como diria Bento da Cruz - o maior escritor Barrosão de todos os tempos, a um Homem “até aos trinta anos exige-se-lhe ser valente, e depois dos trinta ser honrado”. Neste caso, nem ninguém foi valente, muito menos honrado. Pessoalmente e no que me diz respeito, prefiro chamar os "bois pelos nomes" dôa a quem doer...

29 junho 2018

O TRIBALISMO NÃO VINGOU E FOI ESCORRAÇADO DE ALVALADE!...


O Sporting Clube de Portugal é um clube português, eclético por natureza e multi-desportivo. Foi fundado a 1 de Julho de 1906, tem sede em Lisboa no Complexo Alvalade XXI e é um dos chamados "três grandes" do futebol português, com mais de 160.000 sócios registados, cerca de 3,5 milhões simpatizantes em território nacional, e muitos outros a nível mundial.
Até aos dias de hoje, transcorrido mais de um século de existência, as equipas e atletas do Sporting ganharam nove medalhas olímpicas - duas de ouro, seis de prata e uma de bronze. O Clube conquistou 29 taças europeias em cinco modalidades distintas, bem como diversos títulos nacionais e distritais.
No Museu Mundo Sporting, encontram-se em exposição mais de duas mil taças e troféus de trinta e duas modalidades desportivas, que reflectem a riqueza do percurso do clube, com objectos históricos desde o já longínquo ano de 1902, até à actualidade.
Apesar de competir em vários desportos, o Sporting é porém mais conhecido, sobretudo pela sua equipa principal de futebol, que foi campeã nacional da Liga Portuguesa por 18 vezes, sendo também detentor de 16 Taças de Portugal, 19 Campeonatos de Lisboa, 8 títulos da Supertaça Cândido de Oliveira e 1 Taça da Liga, num total de 66 títulos nacionais até à época de 2017-18.
Internacionalmente, o Sporting venceu a Taça dos Vencedores de Taças em 1963-64, caso único no panorama desportivo português, foi vice-campeão da Taça UEFA 2004-05, e campeão da Taça Ibérica em 2000. Ocupa actualmente a 37.ª posição do ranking de clubes da UEFA e o 78.º lugar no ranking IFFHS.
Mas não há bela sem senão!... Nos últimos meses, a tese de que o tribalismo social anda por aí e vem pela mão do populismo desportivo - em particular do mundo do futebol profissional, confirmou-se. O que se passou na Academia de Alcochete e na semana que antecedeu a final da Taça de Portugal, foi grave demais para ser relativizado.
Primeiro, uma milícia de cara vendada atacou o Centro de Estágio, suspeitando-se seriamente de que o acto terá sido encomendado a partir de dentro do próprio clube. Tratou-se claramente duma acção terrorista – porque pretendia aterrorizar jogadores e equipa técnica, como veio a acontecer – tanto através de actos de violência, destruição de equipamentos e agressões físicas, como de palavras - insultos e até ameaças de morte.
Depois, nada disto teria a gravidade que veio a revela-se, não fora a postura reiterada do presidente do clube e da SAD, de hostilização dos jogadores e treinador, através de prolixas declarações públicas lançadas com o objectivo óbvio de incendiar os ânimos dos adeptos mais fanatizados, como se viu. Bruno de Carvalho nada fez para amenizar ao ânimos!... Tão pródigo em avançar com processos de toda a ordem, nunca se lhe ouviu a intenção de processar administrativamente os energúmenos e expulsá-los do seio do clube. Bruno de Carvalho calou, e quem cala consente.
Bruno de Carvalho preferiu ao invés, enveredar por um tipo de liderança mentirosa, populista e demagógica, que teve sempre como objectivo manipular as emoções do “mundo sportinguista” e até do país em geral, mentindo a toda a hora e a todo o momento, sempre que lhe dava jeito.
Porém e como sempre, a “mentira tem perna curta” e Bruno de Carvalho teve o fim que merecia!... Saíu pela porta pequena dos fundos, com uma arrebatadora derrota de mais de 70% dos votos em urna no Altice Arena. Nem o seu deprimente comportamento durante a Assembleia Geral, comandando feito "general" - numa atitude previamente concertada - as suas tropas arregimentadas via Facebook lhe valeu. Bruno esqueceu que o “povo é quem mais ordena” e que o “povo sportinguista” era o único que tinha em mãos a possibilidade de decidir sobre o futuro desta gloriosa Instituição.
E depressa esqueceu também, que o nosso clube é o "melhor de todos", ainda que não ganhe nada. A superioridade moral está do lado das nossas cores, não do lado de quem uma vez derrotado depressa hipoteca a sua condição de sócio e até de simples adepto – Bruno de Carvalho não presta e as suas atitudes demonstraram-no “ontem e hoje”.
Uma coisa é porém certa: todo este enredo, serviu pelo menos para uma coisa boa!... Para se desmascarar a falácia do modelo presidente-adepto, que não passa duma aberração populista aplicada ao desporto em Portugal. Hoje Bruno de Carvalho, nem lugar tem na “turba donde proveio”. Deus nos livre de gente deste calibre...

17 maio 2018

-O MANANCIAL DISCURSIVO E BÉLICO DE UM LOUCO!... SERÁ QUE DEMORA MUITO?!... É PARA HOJE OU ÀMANHÃ?!…


1- Junho de 2014: Após uma reunião da Liga comparou Benfica e FC Porto a duas nádegas. "Enfrentam-se para ver quem é melhor e entre algo fisiológico como o ânus, ou sai vento malcheiroso ou trampa. É disto que o futebol português está cheio por dentro e por fora: trampa", disse.
2- Novembro de 2014: Num dos primeiros actos polémicos no Facebook arrasa as equipas sénior e B pelas derrotas sofridas com Guimarães (3-0) e Atlético (5-0), respetivamente. Relação com Nani e Marco Silva nunca mais foi a mesma após este episódio.
3- Junho de 2015: Uma semana após ter vencido a Taça de Portugal rescindiu o contrato com Marco Silva por justa causa, alegando, entre outras coisas, que o treinador não usou a indumentária oficial do clube num jogo da Taça da Liga. Estava aberto o caminho para Jorge Jesus.
4- Setembro de 2015: Suspende Carrillo face às constantes recusas do peruano em acertar a renovação de contrato. O jogador acabaria por sair livre para o rival Benfica.
5- Novembro de 2016: No final do Sporting-Arouca envolve-se com Carlos Pinho no túnel de Alvalade e, durante o bate-boca, ficam dúvidas se o líder dos leões cospe ou expele fumo do cigarro electrónico na direcção do homólogo do Arouca. Na altura, Bruno foi suspenso seis meses, mas foi mais tarde absolvido.
6- Janeiro de 2017: Envolveu-se numa acesa troca de palavras no balneário com Dost, Bryan Ruiz, Patrício, William e Adrien após o empate com o Chaves. Um dia depois, os dois últimos foram obrigador a ir à Sporting TV pedir desculpa aos adeptos.
7- Março de 2017: Arrasa Pedro Madeira Rodrigues nas eleições (86,13% contra 9,49%) e no discurso de vitória, feito a altas horas de madrugada, mandou "bardamerda" todos os comentadores que não são do Sporting.
8- Maio de 2017: Na ressaca da goleada frente ao Inter Movistar (7-0), na UEFA Futsal Cup, arrasa equipa técnica e jogadores, classificando a exibição de "deprimente" e a época de "péssima".
9- Fevereiro de 2018: No dia 5 abandona uma AG, após a retirada de dois pontos relativos ao código disciplinar, marca nova reunião-magna para dia 17 e ameaça demitir-se se todos os pontos não fossem aprovados por mais de 75% dos votos, algo que acontece. Revela no Facebook uma extensa lista de "sportingados", mistura de sportinguistas e aziados, que estariam a mais no clube, após um SMS relativo à sua festa de aniversário, com o número de telefone da sua esposa, ter caído em domínio público.
10- Março de 2018: Perde as estribeiras e inflama o Braga-Sporting ao chamar "trolha, labrego e aldrabão" a António Salvador. Leões acabam por perder 1-0.
11- Abril de 2018: Critica os jogadores após a derrota com o Atlético de Madrid e recebe resposta pronta de quase todo o plantel através de comunicado. Situação "desaba" em processos disciplinares a todos os atletas que mostraram o seu desagrado, mais tarde retirados. Na recepção ao Paços é vaiado pelos adeptos e abandona o terreno de jogo amparado por elementos da equipa técnica devido a uma lombalgia.
12- Maio de 2018: A poucos dias da final da Taça de Portugal suspende Jorge Jesus e restante equipa técnica. Decisão leva alguns jogadores a ameaçaram boicotar presença no Jamor.
13- 15 de Maio de 2018:  cerca de 50 energúmenos invadem a Academia do Sporting e agridem membros da equipa técnica, médica e jogadores. Para Bruno de Carvalho "estão a querer transformar num caso desportivo aquilo que é um caso de polícia". Referindo-se aos atacantes, Bruno de Carvalho disse que "se não estão todos presos, estarão quase todos. Felizmente, a polícia está a fazer bem o seu trabalho"
Pelo meio fica o caso do despedimento de Jesualdo Ferreira, Doyen, Adrien, o carro vermelho de Alan Ruiz e o castigo de meia época a Brien Ruiz, ainda não esclarecidos. Tudo actos que deveriam envergonhar qualquer cidadão decente. Não sendo Bruno de Carvalho um cidadão decente e que apenas semeia tempestades só lhe resta uma saída: deixar o Sporting em páz. Em 112 anos de existência, este é o dia mais negro da História do meu clube - o Sporting Clube de Portugal.


- HAJA CORAGEM!... SPORTING SEMPRE...

O que ontem se passou na Academia do Sporting, em Alcochete é gravíssimo e pode querer dizer que a loucura em que se transformou o futebol em Portugal bateu no fundo - se é que tem fundo. E não foi apenas “chato” como descarada e cinicamente referiu o ainda arrogante e louco Presidente do Sporting Clube de Portugal!... Foi isso sim, o dia mais negro que atingiu uma Instituição digna e centenária, que já o era antes de Bruno Carvalho e da seita donde provém lá terem chegado.  O legado que esta gente - se é de gente que se trata - deixa no clube, é o de um Presidente que fomenta o ódio e de um número restrito de adeptos que espalham o terror, agredindo jogadores dentro das instalações do clube que é de todos, e não apenas do “senhor” Bruno de Carvalho e dos seus correlegionários. O que se espera agora do sucedido, é desde logo e em primeira instância, que o Sporting “limpe a casa” e resolva os seus problemas, a começar por se livrar do clima INSUSTENTÁVEL QUE O SEU PRESIDENTE INSTALOU no seio do clube, e dele próprio.
Bruno de Carvalho premeditou tudo!... Premeditou o discurso bélico que vem usando e do qual fez eco no jornal Expresso antes do jogo com o Maritimo; premeditou a sua ausência na Madeira, para daí poder tirar dividendos se as coisas não corressem bem; e premeditou até a manipulação dos sócios e adeptos, ao afirmar que o SCP perdera 24 milhões que já estavam CONTABILIZADOS - contando com o ovo no cú da galinha -, quando toda a gente sabe, que o Clube estava tão próximo do 2.º, como do 4.º lugar da classificação, e que caso chegasse a 2.º, para chegar à Liga dos Campeões ainda teria que disputar a 3.ª pré-eliminatória e o play-off de acesso. A isto chama-se manipulação das “massas”…
Depois aquilo que se espera também, é que este caso venha a servir como exemplo!... E para servir como exemplo, é preciso que o poder político enfrente de vez as alarvidades que reinam no futebol, sancionando severamente todos os comportamentos socialmente inaceitáveis, criando instrumentos que impeçam o acesso aos recintos desportivos de todos os adeptos que façam da violência o seu modo de vida; não “fechar os olhos e os ouvidos” às declarações de incitamento à violência dos dirigentes; não ignorar a promiscuidade existente entre a política e o futebol; e finalmente, actuar através da regulação sobre as televisões, no que respeita à pouca vergonha dos programas de supostos debates sobre o futebol, que são transmitidos a toda a hora e a todo o momento, pondo em causa, se necessário for, as licenças que lhes estão atribuídas.
Se o que ontem se passou em Alcochete servir para isto, em VEZ DO DIA MAIS NEGRO DA HISTÓRIA DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, este poderá ser um dos dias mais importantes da História do Futebol no país – por sinal hoje Campeão da Europa e em vésperas de disputar o mundial na Rússia. O desafio é grande!... Haja coragem…

10 abril 2018

A CORRUPÇÃO MORAL QUE REINA NO FUTEBOL PORTUGUÊS


Não sei se houve ou não dinheiro envolvido naquilo que o árbitro Luís Godinho fez no último jogo Setúbal – Benfica!... Suponho que não. Pelos mails, percebemos que esse não é o “modus operandi” do Benfica. Ou pelo menos, não é o principal. O esquema é tão simples que corre por si próprio sem que sejam necessários contactos entre as partes. O Conselho de Arbitragem é apoiado pelo Benfica e dele depende para se manter no cargo – do qual fazem parte José Fontelas Gomes, que pelos ditos mails sabemos que tinha um camarote privativo no Estádio da Luz nos tempos da APAF e João Ferreira, o tal que “pode ser” numa das escutas que a equipa do Apito Dourado decidiu ignorar Luís Filipe Vieira, que então negociava, com Valentim Loureiro, a escolha do árbitro para um jogo do Benfica. Sabendo que está nas mãos do Benfica, que por sua vez tem nas suas mãos um conjunto alargado de clubes, conseguidos através de diversas “prendas” que vão desde o empréstimo de jogadores, ao pagamento de verbas avultadas pelo direito de opção de um determinado jogador “a escolher” que nunca chega a ser exercida, o Conselho de Arbitragem faz as nomeações dos árbitros que mais interessam ao clube. Era assim no tempo de Vítor Pereira e nada mudou com Fontelas Gomes. Neste processo, têm um papel fulcral os classificadores de árbitros, e entre eles, o seu responsável máximo. Até há dois anos, era Ferreira Nunes – com pseudónimo de Franck Vargas, a quem o Benfica pagou pareceres jurídicos, bilhetes e noites em hotéis. Hoje em dia, deve ser um outro Ferreira Nunes qualquer. É que os árbitros sabem que se quiserem ter uma boa nota dos seus classificadores, têm de favorecer o Benfica. Melhores notas são o garante de nomeações para mais jogos, o que significa mais dinheiro. Não é por acaso, que Luís Godinho é o líder das nomeações nesta temporada.
Exactamente!... Um dos internacionais-proveta do tempo de Vítor Pereira, que na época passada foi contra um jogador do FC Porto, Danilo Pereira, e expulsou-o por causa disso, num episódio anedótico que correu mundo. Aliás, nesse jogo em que era preciso arrumar o FC Porto da Taça da Liga, conseguiu-o: expulsou Danilo e Brahimi e escamoteou um penalty descarado ao clube azul e branco.
A recompensa pelo bom trabalho que tem feito aí está!... Na presente época, foi nomeado para mais jogos do que todos os seus colegas de profissão. Entre eles, tocaram-lhe três jogos do Benfica, dois dos quais contra o Setúbal. Jornada de pré-clássico é pois jornada de Godinho – Fontelas Gomes sabe-a toda.  Nestas duas últimas semanas, foi o que se viu: em Braga arredou definitivamente o Sporting da corrida para o título ao escamotear-lhe um penalty flagrante por falta do guarda-redes Mateus sobre Bas Dost e logo a seguir manteve o Benfica em primeiro lugar com a pouca-vergonha que se viu no Bonfim em Setúbal. Luís Godinho chegou à cidade do Sado com a lição bem estudada!... Sabia que Jardel e Fejsa não poderiam ver cartões amarelos, caso contrário não jogariam contra o FC Porto, e o resultado viu-se: nem que arrancassem os olhos aos seus adversários, os iriam levar. E não levaram, mesmo que tivesse havido razões mais do que suficientes para isso. Isto, para além de Rúben Dias não ter sido expulso como devia ter sido. Até –  pasme-se, o sectário Duarte Gomes o disse. Depois o penalty inventado aos 90 minutos foi apenas a cereja no topo do bolo. Alguém acredita que ele marcaria aquela falta se fosse na grande área do Benfica, ou numa grande área qualquer de um adversário do FC Porto ou do Sporting?!... Alguém esquece que em Outubro, no Benfica – Feirense, que terminou com 1-0, o mesmo senhor não marcou um penalty contra o Benfica  ainda que mais flagrante que o de Setúbal?!... E que dizer do de Dost em Braga?!... Não os marcou, nem  nunca os marcaria, porque conhece as regras do jogo. Da mesma forma que as conhece Rui Costa, aquele a quem temos de dar cabo da nota, quando também aos 90 minutos não marcou um penalty escandaloso a favor do FC Porto na Vila das Aves.
Corrupção é isto!... Marcar-se a favor de uns o que não se marca a favor de outros. Luís Godinho sabia que devia dar cartões, mas não o fez porque prejudicava os interesses do Benfica no próximo jogo. Sabia que não era penalty, mas marcou para dar a vitória ao Benfica. Não recebeu certamente dinheiro por isso, mas vai dar ao mesmo. Deu cabo da verdade desportiva, mas a sua carreira vai de vento em popa. Aos 32 anos, é hoje o mais digno sucessor de Bruno Paixão. esse árbitro que tem espalhado magia pelos relvados portugueses desde os tempos de Campo Maior. Quanto a Luís Godinho, é o futuro da arbitragem portuguesa. É por isso que árbitros portugueses em Mundiais e Europeus, nem vê-los. Mas isso é o que menos lhes importa. Dito isto e perante tantas evidências, acredito por isso  que a corrupção existe e dá títulos. No final, muitas vezes, não ganha o que jogou melhor, ganha o que corrompeu mais. Os benfiquistas sabem disso e a prova de que sabem é que mal são acusados de corrupção, vêm logo com a conversa do Apito Dourado. Reparem: os mesmos que acham mal o FC Porto ter pago putas a árbitros, são os mesmos que não vêm mal nenhum no facto de o Benfica ter pago vouchers, bilhetes, pareceres jurídicos e noites em hotéis ao chefe classificador dos árbitros.
Sei o que o Sporting andou a fazer nos anos 50 e porventura 60, sei o que o Porto andou a fazer nos anos 90, e sei também o que andou a fazer durante o Apito Dourado. Coisas que não só não me agradam, como me incomodam – e sinto ainda hoje vergonha, pela forma como alguns jogos foram ganhos durante esses anos. Mas também sei o que o Benfica tem andado a fazer. E ao contrário de mim, não vejo nenhum benfiquista incomodado com a forma como ganhou em Setúbal e como ganhou este campeonato - sim, porque é impossível não ganhar, nem o sistema permitiria um desfecho diferente. Nem vejo nenhum benfiquista incomodado pela forma como ganhou o campeonato da época 2014/2015. Para esses, existe o Apito Dourado e existem os anos 50, 60 e 90. O resto é um mar de rosas e de gente impoluta. Os portistas são corruptos, os sportinguistas idem, e os benfiquistas são sérios. Pobre futebol que tão mal tratado és.
Como nota final, repare-se e comparem-se os conteúdos das fotos

14 março 2018

OUSAR LUTAR PARA VENCER...


Maquiavel considerava que um príncipe nunca deveria fazer uma aliança com alguém mais poderoso do que ele. E porquê?!... Porque assim, em caso de vitória, acabaria inevitavelmente como prisioneiro do seu aliado.
 Rui Rio e Assunção Cristas devem tê-lo lido!... É que nos últimos tempos, ambos andaram entretidos a tentar demonstrar quem serão os melhores "chefes" da gastronomia política nacional. No caso concreto, sabem também ambos, que para serem califas no lugar do califa António Costa, terão de conspirar contra este, como fez Iznogoud, mas também um contra o outro, para aquilatarem quem é o Mister ou Miss Músculo do centro/direita nacional. Assunção Cristas tem ideias, mas parte de um número de votos pequeno para conquistar o Evereste, e Rui Rio tendo o apesar de tudo sólido volume eleitoral do PSD, faltam-lhe ideias. Para já Cristas e Rio vão clamando, para quem os quer ouvir, que são os melhores candidatos a Primeiro-Ministro. No Congresso em Lamego, onde foi entronizada e afastou a sombra de Paulo Portas, Cristas disse mesmo que "não há impossíveis." Claro que existem, mas na política é bom não acreditar que o Pai Natal é uma figura de ficção.
 Só que os tristes não ganham eleições. Por isso, o Congresso do CDS foi por momentos, uma espécie de Ibiza das "balearic beats". Assunção Cristas convenceu os congressistas que é possível conquistar o mundo, agrupar a direita e o centro à volta do CDS e, claro, ultrapassar o PSD. Por isso não quer listas conjuntas: há que medir a musculatura e apostar na maleabilidade do CDS perante um PSD que parece neste momento um elefante numa sala de porcelana. Nikesh Arora dizia que: "A competência no futuro não será entre a grandes e pequenos, mas entre rápidos e lentos." Ou seja, um pequeno rápido (o CDS) pode ganhar a um grande lento (o PSD). Derrotar o PS virá depois.
Abriu a época de caça para saber quem, entre o centro e a direita, pode ser o líder da alternativa a António Costa. No Parlamento e no espaço público, o CDS já ganhou a contenda. Resta saber o que dirão os votos.

08 março 2018

O “PROFESSOR” PASSOS


No início de Janeiro, Passos Coelho informou o país que tencionava colocar a acção política em “banho-maria” e iria tratar da vida. Se exceptuarmos um ex-político que foi estudar para Paris após saída de cena, e considerando os usos e costumes do “reino”, também Passos Coelho, com base no seu “extenso e sólido currículo profissional” era suposto ir ocupar lugares de administração em alguma empresa onde desempenharia a emergente e relevantíssima função profissional de facilitador, tal como aconteceu com tantos outros. Mas não!... Estranhamente tal não se verificou. Supostamente por uma questão de tempo - talvez aquilo a que na gíria se chama de um pequeno período de nojo - que palavra mais desadequada nestes tempos. Surpresa das surpresas porém, é que essa de desempenhar funções numa empresa está fora de causa, mas poroutro lado – pudera - tem já lugar garantido em três universidades públicas e privadas como docente. É que como os amigos são para as ocasiões, não faltou sequer Manuel Meirinho – convidado de Passos e eleito como independente nas listas do PSD nas legislativas de 2011 que o levou ao Governo – a quem sabe, resolveu dar uma mãozinha. Meirinho que abandonou a AR em Maio de 2012, para assumir a presidência do ISCSP, onde aguardou Passos Coelho para o juntar ao catedrático Sousa Lara - o censor de Saramago - e ao também professor-auxiliar António José Seguro, formando na dita Universidade o defunto arco do poder, semi-círculo antidemocrático que o actual Governo converteu em círculo. Quer dizer: o Governo de Passos Coelho extinguiu as carreiras profissionais, mas pelos vistos não apagou completamente as “Novas Oportunidades”, e assim, em vez de iniciar um Mestrado decente que fizesse esquecer a vulgar licenciatura, começa por dar aulas em cursos de doutoramento, mesmo sem as necessárias qualificações. Mais: o Conselho Científico do ISCSP de que Meirinho fáz parte, não se ficou por aqui: reuniu e deu provimento, para Passos fazer parte da presidência da Universidade. Motivo invocado: O ISCSP valoriza a experiência de Passos como Primeiro-Ministro. Manuel Meirinho pagou assim e deste modo uma dívida, sem gastar um tostão. Mas a parte mais esquisita da coisa, nem sequer está na (falta de) competência académica!... Em última análise, quem serviu para governar o pais ainda que mal, também servirá para dar umas aulas ainda que sem cadeiras atribuídas e que alguém se encarregará de validar. A parte esquisita da coisa, está no “papismo mais papista que o papa” da qualificação que lhe foi entregue, isto é: professor catedrático, no escalão mais alto de vencimento, sem as exigências e as dificuldades que as Universidades colocam a quem nelas faz profissão e carreira. Um verdadeiro despudor e um insulto à generalidade dos docentes universitários. A polémica está por isso instalada!... Por um lado os professores universitários que acham que anda aqui proteccionismo a mais. Pelo outro, certos políticos que defendem esta “brilhante ideia” de ex-governantes irem para as universidades assim de repente. Antes isso do que irem para as grandes empresas para a prática do lobismo - dizem. Ou seja: a solução estará entre uma coisa e outra. Fazer pela vida é que está fora de questão. Conclusão: um cidadão sem grande qualificação académica, licenciado após arrastada frequência, pode, desde que passe por funções executivas, ingressar pela porta grande de uma universidade mesmo sem saber muito bem ler e escrever. Pergunta-se então: De que falamos quando tanto se propagandeia a qualificação do ensino no país Portugal?!... Alguém  fica muito mal neste retrato e o “professor-auxiliar” Tozé Seguro, também não foge à regra. E assim se cumpre o Portugal dos Pequeninos.

DIA INTERNACIONAL MULHER – 8 DE MARÇO | PARA QUE SERVE AFINAL ESTE DIA?!...

Não sou adepto de que haja “dias de tudo”, que muitas vezes têm outros objectivos que não o de chamar a atenção para causas maiores. Sou adepto sim, de que as mulheres sejam tratadas com dignidade e sem a violência a que todos os dias assistimos e fazem noticia.
Gostava até, que o Dia Internacional da Mulher fosse um desses dias com “D” maiúsculo, o dia em que as mulheres do mundo inteiro pudessem comemorar os passos que foram dados ao longo de séculos, para que hoje tivessem os mesmos direitos que os homens. Infelizmente porém, ainda há um longo caminho a percorrer, não apenas em países do chamado terceiro mundo, como também nos países ditos desenvolvidos, como o nosso.
Em Portugal depois do 25 de Abril de 1974, foi-lhes estabelecido o direito universal de voto; lutaram durante décadas para poderem ingressar nas universidades; careciam da autorização do marido para transpôr a fronteira; não tinham acesso à carreira diplomática; à magistratura; à administração de bens próprios; e só em meados do século XX lhes foi autorizado acederem ao lugar de deputadas, embora com restrições e escolhidas a dedo pela então denominada União Nacional.
Apesar dos avanços verificados, existem ainda hoje um conjunto de factos que continuam a discriminar a mulher, alguns que de tão ridículos, se não fossem coisa tão séria nos fariam rir. Quem sabe por exemplo, que os homens após divórcio podem recasar mais depressa do que as mulheres se assim o desejarem?!... Trata-se de uma lei de 1967 que foi mantida na pós-revolução e que perdura até hoje. Após um divórcio, os homens podem voltar a casar 180 dias depois, as mulheres por sua vez, só ao fim de 300 dias, prazo “justificado” segundo os nossos legalistas, para evitar conflitos de resolução de paternidade, ou seja, para não haver dúvidas de quem é o pai da criança, em caso de gravidez.
Uma verdadeira aberração nos dias de hoje!... Que sentido faz ainda uma lei deste tipo, quando existem testes de paternidade simples, rápidos e eficazes?!... Outro exemplo: em 1954, a ceifeira alentejana Catarina Eufémia, na sequência de uma greve de assalariadas rurais, foi assassinada por pedir mais dois escudos por jorna. Sessenta e três anos depois, as mulheres portuguesas continuam a ganhar menos que os homens e a ter menos possibilidades de acesso a posições de chefia na administração pública, nas empresas privadas, como titulares de cargos públicos e claro está a nível salarial em geral.
Infelizmente, ainda hoje existe quem as procure subestimar e até humilhar só porque são mulheres, isto, apesar de muitas serem mais qualificadas que os homens - 59% das pessoas com diploma de ensino superior e 55% das pessoas doutoradas em Portugal são mulheres. Quer tudo isto dizer, que há ainda um longo caminho a percorrer para a sua verdadeira emancipação e que um século depois do direito à igualdade de remuneração ter sido reconhecido internacionalmente, ainda hoje não é cumprido.
Em Portugal, a diferença salarial entre homens e mulheres segundo as estatísticas oficiais, cifra-se nos 14,9% e no conjunto da União Europeia, a média é ainda maior – 16,7%. Mau de mais numa Europa que se diz civilizada e defensora e subscritora dos Direitos Humanos.
Estas são pois as razões que aqui me levam a evocar o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher e com uma saudação muito especial para todas as mulheres do Mundo. Como homem, não me preocupa o seu avanço na sociedade, antes pelo contrário. O Dia Internacional da Mulher deve servir por isso, para chamar a atenção para a persistente discriminação de género em inúmeras sociedades. Não o desvirtuemos de modo a endeusar as mulheres um dia em cada ano e a pisá-las, activa ou passivamente nos restantes 364.
Numa perspectiva de futuro, devemos pensar-nos como espécie e como um todo que habita um planeta singular que nos foi legado. Não há países livres sem igualdade entre os sexos...

- UM PARTIDO, “PARTIDO AO MEIO”!... FOI O CONGRESSO QUE O DISSE…


O 37.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata já era!... Foram três dias de discursos, de aplausos, de apupos e até de alguma tensão intercalada com momentos de alegada união que culminou na transição da liderança.
Pedro Passos Coelho saiu de cena e entrou Rui Rio. Na lista para o Conselho Nacional, Rio ficou sem maioria e só conseguiu 34 dos 70 eleitos, e no Conselho de Jurisdição conseguiu apenas 4 dos 9 lugares que o compõem. Pior só aconteceu mesmo com Luis Filipe Menezes em toda a História do PSD. Apesar de tudo, Rio deu um sinal de mudança de ciclo, o que quer dizer, que não muda apenas o líder, mas muda também o estilo, muda o posicionamento do Partido e muda o discurso e a forma de fazer Oposição. Durante o Congresso, foi porém patente a forma como as Distritais que apoiaram Rio se mostraram “magoadas” por terem ficado excluídas das suas escolhas – como em todo o lado, não há “almoços grátis”. Depois, ficaram os avisos de quem ainda não foi a eleições, mas parece querer ir agora, e pelo meio, muitos não acreditam nas palavras de Rio rejeitar a possibilidade de um bloco Central.
Um Rio, que perante todos os problemas que foram e são visíveis, se augura ter que vir a navegar em águas muito turvas. É que à Direcção chegaram também caras novas, que muitos nem sequer sabiam que eram militantes. É o caso de Elina Fraga, que juntamente com Luis Montenegro marcaram como toda a gente viu o Congresso. No caso da primeira, uma “imprudência” que os Passistas não perdoam a Rio pelas razões que são conhecidas, e no caso do segundo, um “risco” face à vóz dos órfãos de Passos, que disseram claramente ver em Rio, um líder de transição, olhando para ele como um pai em potência.
Se não lhes juntarmos a ausência para já de ideias, num contexto em que a esquerda continua a surpreender, estes serão os dois maiores problemas para o novo Presidente. Com Montenegro, Amorim, Soares e Marco António a encabeçarem o exército daqueles que não hesitaram em dizer ao que vinham, o regresso à matriz ideológica do PSD não se afigura por isso fácil.
As “teorias saídas das madrassas do neoliberalismo” ganharam força nos últimos anos, e quando assim é, tudo se espera de um Partido que nem em Congresso conseguiu evitar o “contar de espingardas” quando a procissão ainda vai no adro.

02 fevereiro 2018

PROCESSO "DA BOLA" A CENTENO OBVIAMENTE ARQUIVADO E EM TEMPO RECORD!... TERÁ SIDO POR VERGONHA OU ALGUÉM REPAROU NA SALOIADA?!...

Já se sabia que a agenda politica da Oposição PSD/CDS se rege à falta de melhor, pelo que se diz nos jornais e televisões. A melhor prova ocorreu hoje: face às noticias anunciadas durante a manhã pela comunicação social a propósito das novas comissões cobradas pela Caixa Geral de Depósitos, à tarde durante o debate quinzenal na Assembleia da República, lá estava Assunção Cristas a questionar o Primeiro-Ministro sobre o assunto. O que não se sabia, era que o Ministério Público alinhava pela mesma bitola, senão vejamos: há dias a propósito do assunto Centeno, um jornal dava a noticia de que o Ministro pedira dois bilhetes ao Benfica para ir à bola!... Passado pouco tempo, já se estavam a fazer buscas no seu Gabinete e o mesmo jornal a (des)informar, que Centeno estava a ser investigado e se apontava mesmo para a sua demissão.
Ao ler isto nem queria acreditar e julguei até, que tal “embrulhada” se pudesse passar em Portugal!... A verdade é que se passou. E pior ainda: tenho que concluir, que estas situações tendem a aumentar de acordo com a agenda política de quem as comanda.
Perante os factos – que são graves - os portugueses não podem por isso deixar de se interrogar sobre o verdadeiro objectivo deste tipo de diligências, já que não haverá certamente um único cidadão que no seu perfeito juízo possa acreditar que o Ministro das Finanças da República Portuguesa se pudesse vender por dois bilhetes para ir ao futebol – o que até nem foi o caso.
Agora, o que todos os portugueses sabem, é que o Ministro das Finanças desempenha um papel fundamental na actual solução política governativa. E sendo assim, é para todos os que dela discordam, um alvo a abater, senão mesmo o principal. Como todos se recordarão, este exemplo relativamente à pessoa em causa não é inédito!... Houve noutro contexto, uma primeira tentativa embora sem êxito para o derrubar, como não conseguiram, agora voltaram à carga. E sendo assim, nada melhor do que uma suspeita sobre a sua honorabilidade pessoal, como via para o atingir na sua idoneidade e competência política e levar até o assunto a Bruxelas.
Dito isto, os portugueses não podem por isso ficar descansados e deixar de se interrogar!... Como podem as autoridades judiciais perder tempo e gastar o dinheiro dos contribuintes com casos de lana-caprina, quando noutros casos de magna importância nada fizeram, ou o que fizeram, ou do modo como o fizeram nada resultou?!... E não falámos de suspeitas!... Falámos de factos judicial e administrativamente comprovados por instâncias internacionais. Afinal em que ficamos?!...
O Ministério Público com o “caso Centeno” - agora arquivado em tempo recorde - pisou manifestamente a linha vermelha!... Aquela linha que nas relações entre as autoridades de investigação criminal e os membros dos diversos Orgãos de Soberania separa a defesa do princípio da legalidade e da vinculação a critérios de objectividade da pura acção política. E quando assim acontece, é o regular funcionamento das instituições que é posto em causa, cabendo por isso ao Governo, tudo fazer para o assegurar e garantir, tanto mais que essa é a única causa prevista na Constituição que permite ao Presidente da República demiti-lo.
Cabe-lhe por isso, através da Ministra da Justiça o dever de participar numa das próximas reuniões do Conselho Superior do Ministério Público, e fazer uma comunicação sobre estes temas, bem como para solicitar os esclarecimentos que considere necessários, e dar dessa participação bem como do seu conteúdo, público conhecimento.
É preciso colocar um ponto final em casos como este e com os escândalos continuados da violação do segredo de justiça, e de colocar a investigação na praça pública como tem acontecido em múltiplas ocasiões. Somente assim se defenderá o princípio da legalidade democrática consagrado na Constituição da República Portuguesa.

16 janeiro 2018

FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS A HIPÓCRISIA DO CDS E O RICOCHETE DE UMA LEI

Sobre a lei de financiamento partidário, entretanto vetada pelo Presidente da República, nunca me pronunciei!... Desconheço-a em concreto, porém, o veto presidêncial depois de um consenso tão alargado na esfera parlamentar, pareceu-me mais condicionado pela pressão da opinião pública, do que por qualquer outra coisa. Marcelo poderia ter recorrido ao Tribunal Constitucional e não o fez, e ao não fazê-lo, toda a gente sabe – pelo menos os mais informados, que a sua atitude é “chover no molhado”!... Se a lei lhe fôr devolvida pela AR com ou sem alterações, vai ter mesmo que a promulgar.
 Ainda assim e pelo que conheço da mesma, o que mais me escandalizou nem foi processo, foi a postura e a hipocrisia do CDS e a lata de Assunção a proposta de isenção do IVA aos Partidos, algo que é concedido a Igrejas, IPSS, e a mais algumas milhares de Instituições cuja utilidade pública está longe de se lhes poder comparar, mas enfim. No meio da embrulhada, o que de facto foi vergonhoso neste Cristas, a qual apesar de se ter apresentado como virgem isenta de pecado, toda a gente sabe que o seu Partido vive quase exclusivamente do financiamento dos contribuintes e ocupa uma sede pela qual nem paga renda ao Patriarcado, nem este gasta o que quer que seja com o IMI de tão relevante espaço. E sendo assim, exigia-se-lhe no mínimo, ter tento na língua e não esquecer o velho lema, de que, “quem tem telhados de vidro não deve andar à pedrada”. Telhados de vidro que não se ficam por aqui!... Que o diga a Policia Judiciária quando entrou em acção para descortinar doadores que sabe-se lá porquê e com que fins, depositaram milhões nas contas bancárias do CDS. E a “estória” é por demais conhecida!... Corria o final do ano de 2004 quando funcionários do CDS-PP depositaram mais de 1 milhão de euros em notas na conta do Partido em quatro dias foram feitos 105 depósitos para evitar que os alarmes anti-corrupção disparassem. O CDS-PP estava então no Governo demissionário de Santana Lopes e nunca se soube – mas desconfia-se - de onde vieram as notas depositadas nesses dias. Posteriormente, e depois das descobertas da Policia Judiciária na sua contabilidade, o CDS-PP parece ter apostado em deixar de recolher fundos – entre 2011 e 2015, em média, registou apenas 75.700 euros de receitas próprias, entre donativos, quotização, angariação de fundos e outras. Se cada militante pagasse uma quota de um euro, bastavam 6.300 para compôr a totalidade das receitas do CDS-PP. Perante factos tão concretos com que moral vem agora a chefe Assunção Cristas, acusar os restantes Partidos de “cobras e lagartos”, quando o seu próprio Partido é o maior pecador nesta matéria?!.. Fico por isso muito satisfeito por ver o Partido Socialista submeter novamente o diploma à Assembleia da República não lhe alterando sequer uma vírgula. Nesse sentido porta-se com bastante mais inteligência que o Bloco de Esquerda, uma vez mais na lógica de uma imaturidade política, que parece custar-lhe a superar. É que tratando-se de uma legislação que já na altura em que fora revista anteriormente não disfarçava a intenção de prejudicar o PCP a propósito da sua festa anual – Festa do Avante -, não merece que seja tida como contestável por outras forças políticas, que não as da direita, que pretendem ao mesmo tempo ter o sol na eira e a chuva no nabal, sendo por isso as principais interessadas em mantê-la tal qual está. Agora, será também interessante constatar a reacção do PSD liderado por Rui Rio, perante um diploma que os seus próprios deputados votaram favoravelmente no mês passado. Será que mantém a coerência do seu juízo ou vai render-se á demagogia de Cristas e da imprensa tablóide?!...

VIDA DURA PROMETE SER A DOS “PASSISTAS” COM RIO

Para quem gosta de política, os próximos tempos prometem ser interessantes para as bandas do PSD. Tivesse sido Santana Lopes o vencedor das directas e deparar-nos-íamos com o nível rasteirinho a que nos habituaram Passos e a sua tralha nestes últimos anos, não enjeitando usar a mentira, a manipulação grosseira e a exploração populista para porem em causa o rumo definido pela governação de António Costa.
Rui Rio é manifestamente diferente de Santana Lopes!... Poder-se-à  até não gostar do seu projecto para o país, mas pelo menos toda a gente sabe que o tem e que sabe o que quer. Por isso mesmo se torna mais “perigoso” para o actual Governo, porque se Santana obrigaria a usar os nem sempre eficazes antídotos que o veneno populista exige, Rio retoma a estratégia cavaquista de reduzir o peso do Estado na economia, pondo as empresas a pagar menos impostos, limitando os direitos de quem trabalha e cortando nas pensões e reformas em função do crescimento, para diminuir o peso da Segurança Social nos custos orçamentais. Apesar de tudo e muito provavelmente até 2019, ver-se-á um Grupo Parlamentar a agir de modo diferente do que tem sido a sua conduta até aqui, dando pelo menos a aparência de querer discutir as questões substantivas do país em vez de explorar apenas os casos mediáticos de lana caprina que fazem manchete em jornais ou noticias de abertura das televisões. Nesse sentido, será provável que mesmo contando com as peixeiradas mal-educadas de Cristas, os debates ganhem outro tipo de dignidade na Assembleia da República.
O interesse não se ficará porém por aqui!... Não sendo Rui Rio um político vocacionado para consensos - ao contrário de António Costa, que logo após a vitória contra Seguro, soube trazer para o seu lado muitos dos que haviam estado a militar no campo contrário - encontrará por certo uma oposição cerrada por quem o pretende condenar a um caminho pedregoso e facilitador do regresso à ribalta de quantos se escusaram agora vir a jogo. Ora Rio já avisou o que se prepara para fazer: o tom ameaçador com que disse aos jornalistas para estarem atentos ao que iria concretizar internamente logo após ganhar as eleições, pressupõe que quantos alinharam com Santana Lopes não terão vida fácil nos próximos tempos. Daí que de fora, seja curioso olharmos para a contínua contagem das espingardas que se irão fazendo de um e do outro lado, manietando o PSD nas suas lutas fratricidas em vez de o orientar para os problemas do país.
Face às circunstâncias, prevê-se por isso ser calmo o futuro do Governo socialista não só a médio prazo, como também após as eleições de 2019. E porquê?!... Porque mesmo que Rio neutralize as acções projectadas pelos opositores na sombra, poderá encetar novo ciclo político com um Grupo Parlamentar mais consonante com a sua visão do que deve ser o PSD do que o actual. Porém, tudo ficará dependente do resultado das legislativas de 2019, que não sendo favoráveis a Rui Rio, poderão precipitar o declínio de um Partido que dentro do seu campo ideológico, ainda não conseguiu ultrapassar a aparência de nem ser carne, nem peixe. Luis Montenegro e o exército Passista sob o Comando do “invisível” mas fundamental Relvas, não deixarão de estar atentos.

ELEIÇÕES NO PSD!... TRÊS CARTÕES VERMELHOS!... OS VISADOS, SÃO: LUIS MONTENEGRO, PASSOS COELHO E PSD-MONTALEGRE .

Rui Rio é o novo Presidente do PPD/PSD!... É o 18.º Presidente Social-Democrata desde a fundação do Partido em Maio de 1974. O acto eleitoral foi protagonizado por 42.254 militantes votantes - dos 70.692 inscritos nos cadernos eleitorais e espelhou a preferência de 54,73% dos votos por Rui Rio, contra 45,63% em Pedro Santana Lopes. 
Nada que surpreendesse!... Entre Rui Rio e Santana Lopes a diferença é enorme e a escolha afigurava-se como sendo óbvia.
Se olharmos para o interior do Partido nos últimos anos e para Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Luís Filipe Meneses, Passos Coelho e Manuela Ferreira Leite, apenas esta se “safou”, ao não manchar o nome do PSD. Finalmente agora, parece que Rui Rio pretende seguir-lhe as pisadas, ao conseguir ganhar o apoio de gente séria que obviamente existe no Partido, cansada que estava dos desvarios dos últimos anos.
Apesar de tudo, persiste do ponto de vista pessoal, um enorme sabor amargo a vazio, que me levam como “árbitro desta contenda” e desde já, à amostragem de três “cartões vermelhos”:
O PRIMEIRO vai obviamente para Luis Montenegro!… Inqualificável o facto da “procissão ainda ir no adro” e estar já a posicionar-se para 2019. Quando se sabe que os sete anos de liderança desastrosa de Passos Coelho afundaram o Partido, quando se sabe que corromperam a sua identidade e que feriram os seus princípios ideológicos, quando se sabe que perdeu militantes, que perdeu simpatizantes e que perdeu uma das suas particularidades políticas que é a expressão autárquica que sempre o acompanhou, Luis Montenegro ao afirmar em entrevista que “esta é uma oportunidade perdida” – fazendo do Presidente eleito uma lebre, quando ao invés deveria, e era sua obrigação, pugnar pela defesa de uma verdadeira reflexão interna e reposicionamento ideológico do Partido, acabou a dar um verdadeiro tiro no pé e a esfrangalhar o próprio PSD potenciando clivagens contra-naturas bem escusadas.
Dito isto, é muito difícil prever qual vai ser o futuro politico de Rui Rio, que obviamente estará nas mãos dos militantes do PSD, uma coisa é porém certa: o seu futuro poderá até ser de curta duração, mas o país fica desde já a dever-lhe no mínimo que seja, o desmantelamento da máquina infernal que o antecedeu. Tentar “fazer-lhe a folha” a destempo é que não!... Em politica não pode valer tudo, e Montenegro e a sua tralha deviam saber e pugnar por isso.
O SEGUNDO cartão vermelho vai para Pedro Passos Coelho!... Não vale a pena tentar tapar o sol com uma peneira. O resultado da eleição de Rui Rio é espelho categórico e claro: os militantes que votaram nele, disseram por clara maioria "NÃO" à governação de Passos Coelho e pediram claramente uma mudança no Partido e o fim do "Passismo".
E é exactamente por isso e por pensar que o Partido será sempre aquilo que os militantes quiserem que seja, que ao contrário do que afirmou Miguel Relvas – eterno aliado de Montenegro, acredito que Rui Rio não será um Presidente a prazo e à espera dos resultados eleitorais de 2019. O que se espera dele para já, nem será tanto a “vitória no campeonato”, mas isso sim, a redefinição programática do PSD, que o Partido se repense como uma forte e construtiva Oposição, e acima de tudo, que procure recuperar o tempo perdido sem muletas à direita. A ver vamos se Rui Rio cumpre o prometido e o que nos traz o debate ideológico e programático após 18 de Fevereiro, com as conclusões saídas do 37.º Congresso Nacional.
O meu TERCEIRO cartão vermelho vai para o PSD-Montalegre!... Inqualificável. Nem uma palavra!... Como é possível, que quer durante o tempo que antecedeu a campanha, durante esta, e após a publicação dos resultados eleitorais, não se tenha dedicado uma única linha que fosse nas páginas oficiais da concelhia às eleições internas e ao novo Presidente eleito?!... Esperei, esperei e voltei a esperar para ver, mas nada.
Será que o PSD-Montalegre existe, ou apenas se trata de um “grupo de amigos”, que abusivamente utiliza a sigla do Partido para fins pessoais?!... Será que os militantes e simpatizantes não terão direito a saber em que águas "navega" o Partido localmente e a pronunciarem-se sobre tão importante evento?!...
Diga-se em abono da verdade, e isso não é novidade para ninguém, que no PSD-Montalegre também existem os tais “ninhos de cobras” a fazerem parte do quotidiano e a tentarem “esmagar” a liberdade e a democracia - estão bem identificados.
Ainda assim e no mínimo, exigia-se aos seus dirigentes, não só mais, como muito mais. Exigia-se pelo menos, que ao invés do entretenimento com fait-divers caseiros, se dissesse, “nós existimos”, “nós estamos aqui” e queremos ser parte de um acto eleitoral que sendo nacional, passa também por esta terra que é Montalegre, desde sempre abandonada pelo Poder Central.
Infelizmente o silêncio tem sido sepulcral e cheira mesmo a funeral. Cabe por isso - tal como ocorreu em termos nacionais – aos verdadeiros Sociais-Democratas do concelho, o desmantelamento da “máquina” que tem minado o PSD local e que “orgulhosamente” se apresentavam como ideólogos da direita.
A filosofia de Sá Carneiro assim o dizia e ficou perpetuada: “Nós, Partido Social-Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita” - afirmou. (festa do 4.º Aniversário do PSD). Rio prometeu agora seguir-lhe as pisadas, falta saber o que pensa o PSD-Montalegre.

06 dezembro 2017

O IRREVOGÁVEL E A GERINGONÇA

A 21 de Junho de 2011, Paulo Portas assumia oficialmente as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo liderado por Pedro Passos Coelho, fechadas que estavam as negociações entre os dois partidos, que resultaram na atribuição de três ministérios aos centristas: para além do já referido Ministério dos Negócios Estrangeiros, Assunção Cristas assumia a tutela da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do território, e Pedro Mota Soares ficava com a pasta da Solidariedade e Segurança Social.
Tudo corria de feição, com privatizações a rodos, aumentos gorduchinhos de impostos, listas VIP e vistos dourados para qualquer mafioso que quisesse “investir” no país. Havia tachos para todos os boys e ia-se alegremente além do exigido pela Troika, que aquilo era uma data de bons alunos, com excepção do Relvas e do Passos, o primeiro pelos motivos que todos sabemos, o segundo porque andava muito ocupado a colar cartazes na década de 80 e só lhe deu para estudar no final da década seguinte. Prioridades.
Até que, 742 dias depois da tomada de posse, Paulo Portas sacou uma demissão irrevogável da cartola, da qual todos nos lembramos, apanhando o seu comparsa de calças na mão, que na sua mais recente biografia o acusou de se ter demitido por SMS, versão imediatamente desmentida por Portas. Foi um bonito romance de primavera daqueles que partem corações, mas não os coibiu de ir a votos bem juntinhos, poucos meses depois, em absoluta harmonia.
Acontece que reza a lenda, a demissão de Portas fez disparar os juros da dívida, provocando a terceira pior abertura de sempre da Bolsa de Lisboa, que iniciou a sessão de 3 de Julho de 2013 a cair 7%, o resultado mais desastroso desde Outubro de 1998. Uma arrombo colossal, na casa dos 2,3 mil milhões de euros, que não impediu o eterno líder do CDS-PP de colher os devidos dividendos da situação por si provocada: depois de ter engrossado a gigantesca lista de desempregados que caracterizou aqueles anos, ainda que apenas por algumas horas, Paulo Portas foi promovido, teve direito a um novo palácio, e ainda enfiou Pires de Lima na pasta da Economia. De génio.
Amanhã, se o governo não implodir e se o Bloco e o PCP e PEV não anunciarem o fim da parceria estratégica frutuosa com os socialistas, assinalam-se 742 dias desde que o governo minoritário do PS iniciou funções, apoiado parlamentarmente pelos partidos à sua esquerda. Muitos foram aqueles que profetizaram sobre o desastre que aí viria, sobre sanções e resgates, intrigas e traições, e que se esforçaram, arduamente, por criar divisões e atritos no seio deste pacto singular, que permitiu devolver rendimentos e esperança a quem já não a tinha, enquanto se assistiu à redução do desemprego, dos juros da dívida e do défice, perante o desespero de uma horda de fanáticos, assessorada por observadores fascistas e por uma imprensa sectarista, que não poupou recursos para minar a opinião pública. Como se o pesadelo Centeno não fosse, por si só, terrível, ainda vão ter que aguentar com o facto de esta solução ser mais estável que a caranguejola que a antecedeu. Alguém terá ainda dúvidas?!...