01 outubro 2007

A CRISE DO "MAIS PORTUGUÊS"...

A CRISE DO “MAIS PORTUGUÊS”...
DE TODOS OS PARTIDOS POLITÍCOS PORTUGUESES


Muitas reflexões se podem fazer, sobre a vitória de Luís Filipe Menezes no PSD!...pela parte que me toca, parece-me, que Menezes não tem existência política própria (pelo menos na tradição histórica do partido); por culpa própria, tem falta de capacidade de atracção dos sulistas e das elites; e por último, funcionou nestas directas, como uma espécie de federador de descontentes. É óbvio, e tal ficou amplamente demonstrado durante a campanha, que Menezes representa o populismo sem ideologia; um populismo basista e perigoso; por outras palavras: é o santanismo sem Santana, sem o “charme” e sem a “graça” de um representante do “Jet Set” nacional.
Ao longo de mais de três décadas, o PSD cresceu como partido institucional, com sentido de Estado; conseguirá Menezes mantê-lo?... Creio bem que não. E creio bem que não, porque os responsáveis pelo “mais português de todos os Partidos portugueses”, têm dado ultimamemente mostras, de sofrerem de crónicos males: a incapacidade de viver longe do poder e das suas benesses; a impaciência dos que acreditam que o sucesso não precisa de trabalho, tempo e talento; e a tentação de imaginar que a agitação e a guerrilha permanente e sem sentido, podem esconder a incapacidade de fazer mais e melhor oposição. Pois bem.... este, é efectivamente um dos males a que Menezes, não foi imune. O diagnóstico está feito, a terapêutica adequada, fica por sua conta e risco...
Notas finais: Mas o que separa afinal Menezes de Sócrates? Ora vejamos:
1. Contrariando o seu discurso, na defesa da classe média, Menezes não quer descidas nos impostos (tal como Sócrates);
2. Contrariando a grande maioria do eleitorado do PSD, não quer um referendo europeu (tal como Sócrates);
3.Aguarda pelo estudo do LNEC sobre o novo aeroporto de Lisboa (tal como Sócrates);
4. Defende a regionalização (tal como Sócrates);
Sendo assim, pergunta-se: como é que o novo PSD de Menezes promete ser mais oposição do que o PSD de Mendes? Ou será tudo, só uma questão de "estilo"?...

Na vitória de Menezes, há no entanto algo de positivo. Uns senhores (e umas senhoras) tidos como cavaquistas e barrosistas, estavam calmamente à espera que Mendes se estatelasse em 2009, para depois, de passadeira vermelha, conquistarem o partido, sem nada fazer por ele. Agora das duas uma: Esses(as) senhores(as) vão ter esperar, ou então dar corda aos pedais, que é algo que não demonstraram saber fazer em tempo útil
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25 setembro 2007

CONTAS PÚBLICAS...

A GRANDE MISTIFICAÇÃO DAS CONTAS PÚBLICAS!...

A forma transparente de aferir o cumprimento dos objectivos do Governo, em termos de contas públicas, seria a apresentação dos valores da execução orçamental comparativamente aos valores orçamentados. Todavia, os valores continuam a ser apresentados comparativamente com o ano anterior. Assim, custa mais a perceber se os objectivos estão a ser ou não cumpridos, e onde se situam os principais desvios.
Um analista exterior tem dificuldades em fazê-lo, tanto mais que não é total a correspondência entre os mapas do orçamento e os da execução orçamental. Com os elementos ao dispor, e ressalvando alguns ajustamentos derivados da distinção entre contabilidade pública e nacional, em relação ao mês de Agosto e ao Sub-Sector Estado(não inclui Administração Regional e Local, Segurança Social e Fundos e Serviços Autónomos), a situação é a seguinte:
1. Era previsto que as despesas com o pessoal aumentassem 0,25%. Estão a aumentar 3,4%.
2. Era previsto que as aquisições de bens e serviços correntes aumentassem 3,5%. Estão a aumentar 10,2%.
3. Era previsto que as despesas correntes aumentassem 1,2%. Estão a aumentar 4,5%.
4.Era previsto que as despesas de capital aumentassem 2,1%. Estão a diminuir 2,9%.
5.Era previsto que a despesa total aumentasse 1,2%. Está a aumentar 3,9%.
6. Era previsto que a receita dos impostos aumentasse 4,9%. Está a aumentar 8,6%.
7. Era previsto que as receitas correntes aumentassem 1,6%. Estão a aumentar 10,4%.
8. Era previsto que as Receitas totais aumentassem 1,6%. Estão a aumentar 10,1%.
A situação explicita a enorme mistificação que o governo tem vindo a fazer, afirmando o controle das finanças públicas e do défice, pela compressão da despesa. Não é verdade. O governo não está a controlar nada. Quem tem acudido ao défice é o contribuinte, através do aumento dos impostos. No caso, para o dobro do previsto!...