As críticas ao Governo de Sócrates não param!... Sem contar com as que lhe dirigiu Filipe Menezes, no seu discurso de encerramento, do XXX Congresso do PSD, a última “ripada”, saíu da boca de Manuel Alegre, que numa das recentes tertúlias do Casino da Figueira, afirmou mais ou menos isto: “Si tivesse sido eleito as minhas relações com o Governo seriam mais complicadas do que as do actual Presidente”.Pois bem, o que é certo – como dizem na minha terra -, é que, o que não tem remédio, remediado está, e sendo assim, não será de todo difícil pensarmos, que uma longa travessia no deserto nos espera.
Tendo em conta o Orçamento de Estado que aí vem, estou em crer, que os próximos tempos não irão ser fáceis!... Para além de não acreditar, nem sequer um poucochinho, em Sócrates e nos seus parceiros, é óbvio, que também não acredito, que se àmanhã Menezes fosse Primeiro-Ministro, melhoraria o que quer que fosse. E não acreditaria, porque de facto não há muito mais para melhorar – e o pouco que resta, politíco ou partido algum, teria coragem para o fazer.
Como as coisas se apresentam, e contrariando o discurso de Menezes, acredito, que efectivamente nos dias que correm, não se vislumbra qualquer "chefe-de-fila", capaz de se atrever a terminar com a promiscuidade entre o Estado e os grandes negócios privados; acredito que ninguém se atreve a promover uma política de ordenamento territorial e ambiental, que proteja o interesse público, derrotando os predadores imobiliários; tendo em conta as novas normas judiciárias, é ponto assente, que acredito, ninguém se atrever a colocar a justiça ao serviço das pessoas e da economia contrariando os lóbis instalados que todos nós conhecemos, assim como acredito, que ninguém ousaria cortar o que quer que fosse nas despesas correntes do Estado, sob pena das expectativas dos respectivos arautos serem de sobremaneira defraudadas.
O PCP, seguramente que não mudaria nada que tivesse a ver com “os legitimos interesses dos trabalhadores”. O PP, de certeza que não mexeria uma palha, para afectar os inúmeros interesses, dos seus dirigentes e afins, e o PS e o PSD de Sócrates e Menezes, com mais ou menos “Social”, obviamente que nunca chegariam ao fundo da reforma de um sistema, que eles próprios criaram, alimentaram e que está a criar uma péssima digestão ao povo de Portugal.
Já todos percebemos, que o Governo de Sócrates é um mal menor e que governa em obediência, a um principio de equilibrios entre contrários, isto é: Concede à chamada esquerda, as questões de moralidade e costumes , tais como o aborto, a introdução das seringas nas prisões (seguindo o “rico” exemplo dos seis países subscritores, que dão pelo nome de Espanha, Suiça, Alemanha, Moldávia, Quirguistão e Bielorrússia), a manutenção de um sistema laboral que protege os maus trabalhadores e fecha as portas do mercado aos jovens, e se calhar em breve o casamento entre homossexuais; e à também chamada direita, o sossego de leis que acautelem a paranóia securitária e a garantia de manter vivo e actuante, o consagrado sistema do tráfico de influências politicas nos grandes negócios dos privados com o Estado, o que significa que ao actuar desta forma, mantém imutável o essencial, ou seja : a protecção dos “direitos adquiridos” contra o mérito, contra a mudança e contra o risco, quer à direita quer à esquerda.
Mas... quer se queira ou não, esta é a realidade, o melhor que temos, o melhor que conseguimos e o mais a que pode aspirar o povo português.
Cá por mim, que não embarco nesta Esquerda, ou nesta Direita, vou mais pelos empresários que correm riscos, que investem, que tentam competir num mercado global cada vez mais adverso, e que não vivem de pagar salários de miséria e de fazer batota com a Segurança Social ou com o Fisco; vou mais pelos agricultores que não abandonaram as suas terras, nem as venderam aos espanhóis e que investiram, modernizaram, investigaram, sem ficar sentados à espera do subsídio que nunca é suficiente; vou mais pelo médicos, arquitectos, cientistas, juízes e tantos outros trabalhadores sérios, competentes, empenhados em fazer melhor, aprender e progredir profissionalmente. Para estes sim, vai o meu VOTO DE ESPERANÇA. Quanto àqueles com mentalidades de “big spender” dos dinheiros públicos, que o diabo os leve, quanto mais depressa melhor...


