Não!... Não vou aqui falar sobre ILUSIONISMO, sobre a OTA, nem tão pouco sobre os interesses imobiliários (ad eternum) que lhe estão subjacentes. Também não vou falar, sobre a “Feira de Velharias” que foi o debate parlamentar, sobre o orçamento de estado para 2008, no qual os respectivos figurantes, não fizeram outra coisa, senão falar do passado. Também não vou falar sobre o actual lider parlamentar do PPD/PSD, nem da lição que este distinto Partido, tem de tirar, do que se passou nesse mesmo debate e do facto de se pretender lançar um “novo ciclo”, fazendo reaparecer um velho figurante, quando se sabe, que para o bem e para o mal, é a pessoa errada, no momento errado e no sitio errado, para ajudar Menezes, o PPD/PSD e o país.Esta semana, darei conta isso sim, através de algumas – poucas - notas soltas, as quais constituem exemplos concretos, de como se “alimenta” um gigantesco “MONSTRO”, causa próxima do DÉFICE SOCIAL, que atormenta a grande maioria dos portugueses.
Aí vão elas...
1.ª NOTA:- 61,6 milhões de euros ( 12,5 milhões de contos). Esta é a verba que o Governo prevê gastar só em deslocações e estadias no próximo ano, valor que ultrapassa em cerca de dez milhões de euros, o montante orçamentado em 2006 para o corrente ano e que foi de 51,8 milhões.
Este aumento de dez milhões de euros (mais 18,8%) das verbas para viagens e alojamentos acontece num ano em que Portugal já não presidirá à União Europeia e, pelo menos teoricamente, os titulares de cargos políticos e equiparados não necessitarão – penso eu - de viajar tanto. Se é assim que se combate o défice, vai lá vai..., mas não se assustem!... O contribuinte resolve...
2.ª NOTA:- Diz o Governo, através do Ministério das Obras Públicas, que Seiscentos milhões de euros ( 120 milhões de contos), foi o total das adjudicações directas feitas pela Estradas de Portugal (EP) em 2005, naturalmente pagas nos anos subsequentes. A estes dados, contrapõe o relatório do Tribunal de Contas (TC), com 2,5 mil milhões. Não!... não é engano. São mesmo, 2,5 mil milhões. Só resta saber uma coisa: QUEM FALA VERDADE?
Refira-se como curiosidade, que entre estas contratações, está a minuta da Resolução do Conselho de Ministros, aprovada a 11 de Julho, feita pelo escritório Jardim, Sampaio, Caldas & Associados e paga com 200 mil euros e que a consultora F9 Consulting, recebeu só à sua conta, um total de 480 mil euros. Mais: Refere ainda o Tribunal que os custos para o refinanciamento das concessões das SCUTS atingiram os 2,000 milhões de euros.
O que é certo, e que independentemente de quem fale verdade, até parece que o valor astronómico de seiscentos milhões de euros, 120 milhões de contos ( a ser esta a verba correcta), agora divulgado pelo ministro, é uma ninharia. Quem não se lembra das posições anti-corrupção, do General Garcia dos Santos e de João Cravinho?... Mas... o pior de tudo isso, é que esses, já foram “trucidados” e os esquemas continuam. Quem paga: O contribuinte...
3.ª NOTA:- A EGEAC (Empresa e Gestão de Equipamentos e Animação Cultural) assinou dois contratos com a Eventos Ibéricos em 2007 – Janeiro e Abril – para os espectáculos “Carmina Burana” e “Lisboa Lírica”. O primeiro custou 100 mil euros e o segundo implicou um contrato por três anos – 2007, 2008, 2009 – cujos valores são: 200 mil, 170 mil e mais 170 mil euros respectivamente (números com IVA), o que perfáz a “módica” quantia de 640.000 euros.
O engraçado, é que o presidente do Conselho de Administração da EGEAC (empresa municipal), José Amaral Lopes (que assinou os contratos) constava no dia 29 de Outubro na ficha técnica da empresa Eventos Ibéricos (empresa privada) no cargo de “assessoria, jurídica, relações internacionais e apoio à programação”.
Este é mais um exemplo do “obscuro” mundo em que vivem as empresas municipais por esse país fora. Todos sabemos porque vieram ao mundo, sobretudo de há uma década para cá, assim como, os Institutos e outros órgãos do Estado, criados avulso e por motivações muito pessoais dos vários ministros, e como elas constituem um antro de corrupção, um cancro da nossa Administração Pública, um esbanjamento e sorvedouro dos dinheiros públicos. A má gestão aliada à corrupção, das empresas municipais e múltiplos órgãos da Administração do Estado, constituem hoje –salvo opinião mais avalizada - o mais sério e o maior dos problemas da Democracia portuguesa, e quem paga? O contribuinte...
4.ª NOTA:- Como se sabe, os estudos para a implementação do TGV em Portugal continuam. Ninguém na “Feira de Velharias”, se lembrou do facto. Ninguém lembrou, que o TGV, é um transporte adaptado a países de dimensão continental extensos, onde o comboio rápido, é numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países, considerados como ricos.
Tirar 20 ou 30 minutos numa viagem Lisboa – Porto, à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros, não terá qualquer repercussão na economia do País.Segundo os entendidos, com esses 7,5 mil milhões de euros poder-se-ão construir, 1.000 escolas Básicas e Secundárias de primeiríssima qualidade a 2,5 milhões de euros cada uma, 1.000 creches a 1 milhão de euros cada uma e 1.000 centros de dia para os nossos idosos a 1 milhão de euros cada um.
De todo este investimento, ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros, para aplicar em muitas outras carências, designadamente no combate à desertificação e na reabilitação de toda a degradada rede viária secundária. Mas sobre isto também ninguém falou!... Para quê?... O contribuinte paga...
CONCLUSÃO:- Com todo o respeito pelas pessoas, uma coisa tenho presente: Um debate parlamentar sobre uma coisa tão importante como o Orçamento de Estado para 2008, não pode esquecer estas e outras coisas, e ser mimetizado por uma palavra: PASSADO.
O PS falou do passado. O PSD, ficou preso ao passado. O resto da oposição falou da discussão a que assistiu... sobre o passado.
Questões relevantes que mexam com a nossa vida, pouco ou nada ouvimos. Tudo por causa da importância dada à discussão... sobre o passado, PASSADO ESSE, QUE O POVO JÁ JULGOU. De facto é uma pena, que a oposição – toda ela – não tenha e não use, os argumentos necessários, que desmistifiquem, as respostas dadas pelo governo aos problemas nacionais, designadamente, à paralisia do desenvolvimento económico, à cada vez maior desigualdade social de rendimentos entre os cidadãos, aos dois milhões de pobres a que chegamos, às listas de espera para cirurgias e primeira consulta, ao desemprego, à cada vez maior degradação da educação e da justiça, entre muitos outros que todos nós conhecemos.
Um governo que usa como álibi o combate ao défice, para agravar o DÉFICE SOCIAL de todos os portugueses; um governo insensível e hostil às múltiplas situações de dificuldade porque atravessa a sociedade portuguesa e que continuadamente conduz o País para o maior pântano da sua História, merecia melhores respostas da oposição. Não!... Assim não vamos lá...




