Aguiar Branco, acaba de fazer soar o alarme, dizendo que “...o PSD está no mau caminho”!... Pela minha parte, já o ando a dizer, desde que foi formada aquela dupla, que a curto/médio prazo, tende a destruir a credibilidade do Partido. Aliás, vou mesmo mais longe: Menezes não quer, nem vai ser 1.º Ministro. É isso mesmo!... Luis Filipe Menezes, não quer que o PSD ganhe as próximas eleições legislativas de 2009. Quando das directas laranjas, muita gente - incluindo eu próprio – pensou, que caso viesse a ser eleito - como aconteceu -, Luís Filipe Menezes faria o que prometera, e iniciaria uma campanha de agitação permanente, de um populismo e demagogia como não se via em Portugal, desde que Portas vendia as suas bochechas pelas feiras de Portugal. Puro engano!... Depois de vencer, Menezes remeteu-se a um pacato silêncio, não aparecendo de manhã nas fábricas em greve, à tarde nos centros de saúde que fecham, e à noite em jantares com os militantes, preferindo fazer a ocasional crítica ao Governo e optando por procurar fazer acordos de "dez anos" com o PS.
Tendo em conta que dificilmente Menezes terá escolhido o suicídio político, este abismo entre as expectativas de há uns meses – quando diariamente fazia oposição a Marques Mendes - e a realidade de hoje, apenas poderá significar que todos estavamos enganados em relação ao Presidente do PSD e que a sua estratégia é outra. E é outra, porque Menezes quer a subordinação do PSD ao PS, para garantir a sobrevivência dos vários PSD's autárquicos que são a sua base de apoio e de sustentação do seu poder.
A insegurança crescente, designadamente o aumento dos crimes violentos e as guerras da noite, que fazem lembrar as histórias dos gangs de Chicago, do tempo de Al Capone; as disputas de territórios nas grandes cidades, aliadas aos crimes de extorsão e assassinatos; o desemprego; a pobreza; a segurança nas escolas; as "visitas" das policias às sedes dos sindicatos; o encerramento de hospitais e centros de saúde; os negócios do betão; a indefinição da Ota/Alcochete; o TGV; a reforma da administração pública e das forças de segurança; o pacto da justiça e os novos Códigos Penal e de Processo Penal, não são assuntos que mereçam a atenção de Filipe Menezes, tal como acontece com o governo, que pese embora todas as "desgraças" que por aí vão ocorrendo, não vê a situação como alarmante.
Face a tamanha indefinição, voltemos então um pouco atrás, e vejamos por que razão caiu Marques Mendes.
Mendes iniciara um caminho de elaboração de propostas alternativas ao PS, por isso não poderia ser acusado de fazer pouca oposição. A pressão de meses sobre a questão da Ota havia sido bem sucedida, depois de o Governo ter sido obrigado a recuar na sua inflexibilidade. A sua oposição não poderia, portanto, ser acusada de falta de eficácia. Nos confrontos eleitorais em que esteve envolvido, conseguiu conquistar uma maioria de câmaras para o partido, e vira Cavaco Silva ser eleito para a Presidência. Dadas as circunstâncias, é bom que se diga que teve algum êxito. Mas então, porquê a queda?
Por duas razões: Por um lado, porque promovera no seio do Partido, uma alteração de regras que retirava aos aparelhos locais, os instrumentos obscuros de perpetuação do poder das suas clientelas. Pelo outro, porque afastara do partido Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Carmona Rodrigues, opções políticas que representavam para os PSD's autárquicos, um tenebroso aviso: o PSD nacional tem um droit de regard sobre a condução dos PSD's autárquicos, que pode implicar - como implicou em Lisboa -, que os interesses dos PSD's autárquicos sejam sacrificados à estratégia nacional. Esta é que é a verdade!...
Menezes, por conseguinte, não foi, como eu pensei e certamente alguns dos seus eleitores também pensaram, uma reacção do PSD, ansioso por chegar ao poder, e ainda não convencido de que o "santanismo" não era a panaceia eleitoralista do mito do "candidato invencível". Menezes surgiu como uma revolta, não do PSD "descamisado" dos dependentes do Estado central afastados pela corte socrática, mas da "elite" actual do PSD, dos seus autarcas e da rede de dependentes das estruturas municipais que os vários PSD's autárquicos dominam, e que se viram ameaçadas pela tentativa mendista de as subordinar à São Caetano.
No seu velhinho livro de 1993 "O Nome e a Coisa", Pacheco Pereira incluía um artigo, em que chamava a atenção para a "incompatibilidade entre a modernização económica, social e cultural, resultante das políticas governamentais, e uma acção política partidária, a nível intermédio e local" e que "as dificuldades do PSD a nível autárquico" vinham daí. Por outras palavras, um "bom governo" do PSD seria incompatível com bons resultados autárquicos, pois a simples realização de reformas duras, para além de ver reflectido nas eleições autárquicas - geralmente a meio do círculo eleitoral - o descontentamento que provocam, destrói as estruturas de perpetuação do poder de que esses aparelhos locais dependem para sobreviver. E se os dezasseis anos (1979-95) consecutivos de poder tornaram o PSD um partido de dependentes do Estado, os sete anos de "jobs" para os “boys” socialistas do guterrismo fizeram com que essa dependência apenas fosse satisfeita a nível local.
O PSD, neste momento, é um partido de dependentes das empresas municipais, não de "self-made men" que querem conduzir a sua vida livremente, e a sua “elite”, longe dos homens de negócios de cultura empreendedora e dos homens de ideias para o país, é composta por pequenos caciques especializados na pequena chantagem e na promoção pessoal.
Ribau Esteves é um bom exemplo desta "elite". Aliás, até nem seria de espantar que, longe de ser uma estratégia de Menezes, a nova linha do PSD não fosse o "bebé querido" do homem de Ílhavo. Seja como for, essa estratégia é agora clara: entregar ao PS o Governo, para que o ónus da acção governamental se reflicta nos PS's locais, garantindo assim aos senhores do feudalismo laranja as suas respectivas bases de poder. Daí a ausência de uma visão alternativa para o país - o país pouco interessa a estes senhores -, e daí a ocasional crítica meramente conjuntural ao Governo - para provocar o tal desgaste -.
Á federação de partidos autárquicos que constitui o actual PSD, não interessa ir para o Governo, cujas necessidades apenas prejudicariam os seus reais objectivos, a conquista e manutenção de Câmaras Municipais. E se porventura, o poder nacional lhes cair em cima, é bom que esteja tudo arrumadinho (distribuição de lugares, as grandes opções políticas, etc.), para que o PS não provoque muita agitação, nem o PSD tenha de governar em "vacas" demasiado "magras". Assim se percebe, por exemplo, as propostas de "pactos de dez anos" nas Obras Públicas, e o "rasgar" (logo seguido de reaplicação de super-cola) do "Pacto da Justiça", que mais não significaram do que uma artimanha para ganhar força negocial, e assim exigir, em troca da manutenção do "pacto", uns quantos lugares, uma lei autárquica que agrade aos feudos laranja, e quem sabe, uma regionalização feita à sua medida.
Se Menezes talvez não tenha inteligência suficiente para elaborações destas, Ribau Esteves tem de certeza. A forma como se tem promovido a nível pessoal ultimamente mostra que sabe o que está a fazer. E se Menezes pode parecer parvo o suficiente para andar à deriva, tentando imitar o inimitável Sá Carneiro, lá pelas ilhas dos Açores, Ribau nunca se deixaria afundar com ele.
Assim, a aparentemente errática condução política de Menezes certamente corresponde a uma estratégia coerente, e a única é esta: a subordinação do PSD ao PS (tornando o PS o "partido natural" de governo e garantindo ao PSD condições relativamente pacíficas na eventualidade de este lhe vir a cair no colo), para que, aproveitando o desgaste que esse papel provocará ao PS, o PSD garanta o seu domínio a nível autárquico.
Nas nossas costas, PS e PSD preparam o terreno para dividir o país, entregando o Estado central aos rosas e o Estado local aos laranjas, e obrigando o contribuinte a pagar a conta. Se quando Menezes avisou ir continuar em Gaia, toda a gente pensou que ele pretendia usar a autarquia para se promover a nível nacional, na realidade, ele ficou(?)em Gaia, porque é Gaia que lhe interessa. O país é apenas uma moeda de troca que ele usa para perpetuar o seu poder e o dos seus amigos.
Nas nossas costas, PS e PSD preparam o terreno para dividir o país, entregando o Estado central aos rosas e o Estado local aos laranjas, e obrigando o contribuinte a pagar a conta. Se quando Menezes avisou ir continuar em Gaia, toda a gente pensou que ele pretendia usar a autarquia para se promover a nível nacional, na realidade, ele ficou(?)em Gaia, porque é Gaia que lhe interessa. O país é apenas uma moeda de troca que ele usa para perpetuar o seu poder e o dos seus amigos.






