Pelo teor dos meus comentários, já todo o mundo percebeu que detesto Sócrates e o seu governo!... E detesto-o, não por se tratar do "dito cujo", ou do Partido que no Parlamento o "sustenta", mas sim, porque abomino a mentira. Ninguém tem dúvidas, que ao longo da legislatura, os enganos e desenganos têm sido mais que muitos, e hoje é claro, que o figurino defendido por esta equipa governativa, é nem mais nem menos que o chamado neoliberalismo puro, muito longe ideologicamente das concepções socialistas, defendidas por Mário Soares –que já disse publicamente gostar de ver o seu pupilo governar mais à esquerda - e outros conceituados democratas.Com estas palavras, não pensem que pretendo retirar Sócrates da órbita da democracia, longe disso!... Porém uma coisa tenho presente: Sócrates, não é Socialista, nem anda lá perto. O chefe de um governo, que defende uma politica a que chamou de “Esquerda Moderna”, que ninguém sabe o que é; que subverte o país; que subverte o próprio Partido Socialista e os seus deputados; que tendo feito promessas e as fez constar nos programas eleitoral e de governo e que não as cumpre; que consegue partir a sociedade portuguesa ao meio, criando autênticas crispações entre os trabalhadores da administração pública e do sector privado; que desactiva o interior, contribuindo de sobremaneira para a sua desertificação galopante; que faz do Alentejo um deserto; que fecha escolas; maternidades; centros de saúde; que promove o desemprego e a fome; que cria fossos cada vez mais acentuados entre ricos e pobres; que faz aprovar um Código Penal e um Código de Processo Penal, para benefício dos criminosos e para a promoção da criminalidade; e que agora se prepara para rasgar mais uma das suas promessas eleitorais e de governo, negando aos portugueses o referendo ao Tratado Europeu, não pode ser considerado um socialista. Este figurino, este comportamento e esta politica têm um nome: NEOLIBERALISMO.
Neoliberalismo, cujo fundamento ideológico reside em considerar o indivíduo como factor único e determinante no desenvolvimento das sociedades. Para esta politíca, o ser social não existe, é uma abstracção criada por “esquerdistas” e “marxistas”. Para tal doutrina apenas o ser individual faz girar o mundo. O individualismo é erguido ao seu mais elevado expoente. A solidariedade, a fraternidade, a abnegação, a tolerância, a benevolência e a indulgência, são conceitos riscados da sua cartilha. É esta a politica do governo de Sócrates, politica essa, que atribui à participação do Estado em políticas sociais, a fonte de todos os males da situação económica, como o défice público, a fraca produtividade da economia, a inflação e a ineficiência dos serviços, devido aos "privilégios" dos funcionários. Politica essa, que defende reformas na Administração Pública, fala em reengenharia do Estado para criar um "Estado mínimo", afirmando que sem essas reformas o país corre o risco de não ingressar na "nova ordem mundial", apresentando-se como o paladino da Democracia, da distribuição da riqueza e da redução das desigualdades sociais, embora promova exactamente e activamente o contrário, como provam os números apresentados nas mais diversas vertentes, pelo INE, EUROSTAT, OCDE, UNESCO, ou mesmo até, pelo sempre suspeito Banco de Portugal, de Constâncio.
Mas Sócrates é um “artista”!... E numa coisa em que é inegavelmente bom é nas grandes encenações, desde as Cimeiras, à distribuição de quadros interactivos para turmas de figurantes, ou à poderosa magia do controlo das contas públicas. Eu, gostava mais de um Primeiro-Ministro que falasse a verdade aos portugueses, apresentasse os problemas e as soluções, e falasse das dificuldades em as atingir, que são reais e que as mesmas fossem "pagas" por todos (mas mesmo por todos) de forma equitativa. Como não o faz, não posso gostar do senhor.
Todavia, para o 1º Ministro tudo é um êxito, as medidas tomadas ultrapassaram os objectivos e os insucessos são sempre negados!... Se o desemprego aumenta, diz que o emprego também, qualquer fracasso é desqualificado face a outro qualquer ganho virtual. O Melhor exemplo: Quando tomou posse, em 2005, Sócrates disse que receitas extraordinárias, jamais!... Quem não se lembra?... Mandou reavaliar o défice do ano anterior sem esse tipo de receitas. Em consequência, o défice de 2,9%, em 2004, ajustado das receitas extraordinárias, subiria para 5,2% do PIB. Com outros ajustamentos virtuais do BP na receita e na despesa, fixar-se-ia acima dos 6%.
Em 2005, primeiro ano do governo de Sócrates, sem receitas extraordinárias, o défice foi de 6%, superior aos 5,2% de 2005, e... depois de forte aumento de impostos. Inêxito evidente, mas que foi mascarado de sucesso rotundo, com aplauso geral.
Em 2006, o défice oficial foi de 3,9%. No entanto, veio depois a verificar-se, por informação que o Ministério das Finanças foi forçado a dar, que as “receitas extraordinárias” (as tais a que Sócrates dissera de... jamais) de 2006 ascenderam a mais de 2.121 milhões de euros, equivalendo a 1,4% do PIB. Conclui-se que o défice sem receitas extraordinárias seria de 5,3% do PIB, mais do que em 2004!... O facto foi esquecido e mais um êxito aconteceu!... O défice de 2007 foi anunciado ser de 3%. Todavia, soube-se agora que este valor só pôde ser atingido mercê da receita extraordinária proveniente da cedência à EDP da exploração da barragem de Alqueva durante 35 anos. A política de consolidação das contas públicas é um êxito. E sem receitas extraordinárias. Os professores e economistas encartados justificam a magia, os comentadores domados aplaudem o mágico!... O "show" vai continuar em crescendo!... Connosco a fazer cada vez mais sacrifícios e a pagar o espectáculo, com novos e mais impostos!... A isto se chama "O GRANDE EMBUSTE".
NOTA: Com a aproximação da quadra natalícia, o "Comentário da Semana", regressará no início do próximo ano.






