OUTRA PROMESSA INCUMPRIDA
Quero desde já deixar bem claro que sou totalmente favorável ao Tratado Europeu que foi assinado no passado dia 13 de Dezembro em Lisboa. Considero-o aliás, um passo fundamental para fortalecer a Europa e consolidar o projecto europeu. Uma Europa unida e vencedora é hoje indispensável, e desse contexto, todos os países europeus retirarão vantagens, incluindo naturalmente Portugal.
Porém, do meu ponto de vista, é muito diferente, para os portugueses, que a ratificação do Tratado de Lisboa seja feita através de um referendo ou por via parlamentar. Enquanto pelo referendo teriamos uma Europa dos cidadãos e com estes a saber, do que efectivamente trata, o Tratado de Lisboa, sem referendo, teremos uma Europa dos Estados, com mais de 90% da população a "jogar" no escuro, por imposição do senhor Sarcozy e da senhora Merkel.
Nem sequer vou usar o argumento - e poderia fazê-lo -, de que nunca foi realizado nenhum referendo europeu no nosso país, e que portanto, esta seria uma óptima ocasião para o fazer, tanto mais que a vitória do “sim”, seria garantida praticamente a 100%, segundo rezam as sondagens, e ainda porque a esmagadora maioria da população, sendo favorável ao projecto europeu, assim o garantia. A questão coloca-se noutra perspectiva: O referendo, foi uma promessa eleitoral feita pelo dois maiores Partidos Portugueses, na última campanha para as eleições legislativas. E o que é prometido aos seus eleitores deve – tem que!... – ser cumprido.
Já estamos todos cansados de ver promessas feitas durante campanhas eleitorais, serem depois colocadas no lixo, ou metidas na gaveta, porque “as circunstâncias se alteraram”. Lembram-se do “choque fiscal” de 2002?... Das promessas de não introduzir portagens nas SCUT e de não aumentar os impostos em 2005?... Ou, cá está, da promessa de referendar o Tratado Europeu, que quer PS-Partido Socialista, quer PSD-Partido Social Democrata, fizeram na última campanha para as legislativas, em Fevereiro de 2005?...
Tem sido referido pelos nossos digníssimos politícos, que o Tratado de Lisboa é muito diferente do Tratado Constitucional que franceses e holandeses, fizeram abortar em referendos realizados na Primavera de 2005; que a promessa eleitoral dizia respeito a “esse” Tratado Constitucional; que o facto de Portugal poder referendar o Tratado de Lisboa poderia tornar mais difícil a vida em outros países “menos europeístas” - cujo expoente máximo é o Reino Unido -, no sentido em que poderia ser mais fácil reivindicar a realização de um referendo, que poderia levar à rejeição deste Tratado; que com ratificação parlamentar em todos os países da União Europeia (excepto na Irlanda em que, por imperativos constitucionais tem que ser realizado um referendo, mas aí o resultado não será problemático), o problema não se coloca; que não há nenhum exemplo referendário “voluntário” a que recorrer e que – imagine-se -, "as pessoas", não tendo lido o Tratado, não são capazes de se pronunciar sobre ele...
Nada mais falacioso. Por um lado, basta uma leitura atenta, para percebermos que o essencial do conteúdo do Tratado Constitucional, está presente no Tratado de Lisboa. Numa percentagem, digamos, não inferior a 90%, nada de substancial muda do Tratado Constitucional, apenas “Alterações de circunstância” e pelo outro, pretendo questionar o seguinte:
Primeiro: Não deverá cada país tomar a decisão que julgar mais adequada e não optar por esta ou aquela solução apenas porque outro(s) país(es) a tomou. Não é cada um dos Estados em causa soberano?!...
Segundo: Mesmo tendo o Tratado de Lisboa sido assinado em Portugal, poderá o nosso país ser a referência para a Europa em matéria de referendo?!...
Será que o peso e a influência de Portugal é de tal ordem que outros Estados-Membros se veriam impelidos a imitá-lo?!...
Será que o peso e a influência de Portugal é de tal ordem que outros Estados-Membros se veriam impelidos a imitá-lo?!...
Terceiro: Honrando os irlandeses a sua Constituição, não seria de “BOM TOM”, que "este" Partido Socialista e "este" Partido Social Democrata, em vez de formarem uma nova "União Nacional", honrassem também a palavra dada aos Portugueses, promovessem o debate público, em vez de enveredar pela MENTIRA?... Então a PALAVRA dos HOMENS, já vale apenas, aquilo que vale?... Lembrar-se-ão os chefes destes Partidos, do exemplo de Egas Moniz, que se apresentou ao rei de Leão, de corda ao pescoço, pelo incumprimento da sua palavra?!... AO QUE ISTO CHEGOU...
Então e essa, de que "as pessoas", não tendo lido o Tratado, não são capazes de se pronunciar sobre ele, não será de chamar-nos “otários”?...
Meus senhores: Por essa ordem de ideias, como "as pessoas" não costumam ler os programas eleitorais dos partidos, também não serão capazes de se pronunciar em eleições legislativas. E por muito que isso talvez agradasse a José Sócrates, ainda não ouvi ninguém avançar com a hipótese de acabar com elas. É verdade ou não?...
Sinceramente!... Por mais argumentos que os nossos “queridos políticos” invoquem, a minha opinião, é que nenhum deles se sobrepõe à HONRA, à DIGNIDADE, à PALAVRA dos HOMENS, e aos compromissos assumidos internamente, entre quem vota e quem é escolhido.Creio que não andarei longe da verdade, se disser que poucos factores existirão, que distanciem ainda mais o eleitorado e os eleitos, e que mais descredibilizem a classe política, do que prometer e depois não cumprir.
Isto, para além, de que proceder assim, é um total desrespeito para com os portugueses. E sendo assim resta-me perguntar: Que motivos terão as populações para confiar em eleições seguintes e naqueles que prometeram e depois não cumpriram?!... E se este sentimento for generalizado, que motivos existem realmente para se ir votar?!... Pois é, não há mesmo volta a dar: o que se promete aos eleitores nas campanhas tem mesmo, depois... que ser cumprido. Se assim não acontecer, é a DESILUSÃO TOTAL e é a própria democracia que é colocada em xeque.
Isto, para além, de que proceder assim, é um total desrespeito para com os portugueses. E sendo assim resta-me perguntar: Que motivos terão as populações para confiar em eleições seguintes e naqueles que prometeram e depois não cumpriram?!... E se este sentimento for generalizado, que motivos existem realmente para se ir votar?!... Pois é, não há mesmo volta a dar: o que se promete aos eleitores nas campanhas tem mesmo, depois... que ser cumprido. Se assim não acontecer, é a DESILUSÃO TOTAL e é a própria democracia que é colocada em xeque.







