20 janeiro 2008

A GESTÃO DA CRISE E O VELHO RECEITUÁRIO

Aqui há uns dias, em conversa com um amigo, que por acaso é deputado do PSD, questionei-o sobre uma coisa muito simples: “Quando é que o seu Presidente se decidia a fazer uma verdadeira oposição ao Governo?”. A resposta foi pronta e sarcástica até: “ Oh... companheiro!... O meu Presidente anda muito ocupadooo!...”

Tais palavras dizem tudo, isto é: Para além de muito ocupado, - como disse o meu amigo -, anda também distraído e a gerir a crise, com velhos receituários, senão vejamos:

É ou não incompreensível, a estratégia de aproximação do PSD ao PS, levada a cabo por Luís Filipe Menezes?... Ota/Alcochete, Tratado Europeu, política do “estado mínimo”, nova lei eleitoral das autarquias, aprovada na última sexta-feira na assembleia da Republica, entre tantas outras matérias, são apenas alguns exemplos?...
Quando tudo faria prever uma estratégia baseada na acentuação das diferenças, única via - julgo eu -, para a formulação de uma alternativa política sólida à governação de Sócrates, eis que, depois dos ameaços da “oposição hoje, de manhã, à tarde e à noite” o que o cidadão nota é uma aproximação política cada vez mais acentuada entre os dois partidos do bloco central.
Isso mesmo, esteve patente nas jornadas parlamentares do PSD do passado fim-de-semana. Nenhuma das intervenções escutadas ali, se apresentou como uma verdadeira alternativa ao Governo. Todas se voltaram para o interior do Partido, onde pelos vistos e aí sim, parecem residir os verdadeiros adversários do leader. Todas se propunham gerir a crise, mas nenhuma exibiu qualquer proposta capaz de ultrapassar a crise económica e social que o País atravessa.
Parece ser desta forma, que o líder do PSD pretende convencer o eleitorado (votem em mim, porque eu, seguindo a politica de Sócrates, serei na sua aplicação ainda mais eficiente).
É de facto lamentável, a constatação, de que em boa verdade, o PSD de hoje, nada tem a apresentar e a acrescentar, à política de Sócrates, cada vez mais nas "nuvens", dada a ausência de alternativas. E tanto assim é, que Luis Filipe Menezes, nas ditas Jornadas Parlamentares do PSD, insistiu, insistiu e voltou a insistir, em apresentar-se uma vez mais, como vítima – só lhe faltou mesmo chorar -, de uma contestação interna, mantendo-se em guerra com os seus próprios fantasmas. Quanto ao resto, nem uma palavra sobre o combate à despesa pública parasita, ao parasitismo de múltiplos órgãos do Estado, que em nada contribuem para a eficácia e melhoria das prestações da Administração Pública para com os cidadãos, e elevam a despesa pública para défices insuportáveis, sendo responsável tal desgoverno pelos aumentos de impostos, pelos cortes sociais a que todos os dias assistimos, e pela paralisia do desenvolvimento económico nacional. Nada de novo portanto, no receituário do PPD/PSD.

Diga-se aliás em abono da verdade, que este PSD, tem sido mesmo ultrapassado pelo CDS/PP em matéria de oposição, em muitos dos assuntos em discussão, como aconteceu na última semana -, na avaliação externa da política da saúde, requerida pelo Ministro da tuiela, fazendo lembrar ao executivo, que é ao Parlamento, que cabe a tarefa de fiscalizar a sua acção, acusando mesmo Correia de Campos de “pretender legitimar a desastrosa condução da sua política”, com o inedetismo, de pretender ser fiscalizado, escolhendo o seu fiscalizador, ao contratar para o efeito uma universidade estrangeira. Do PSD, que apenas faz alarde de questões acessórias, nem uma palavra.

Ora perante tudo isto, este PSD e este leader, apresentam-se como sendo uma alternativa muito modesta, uma alternativa disposta apenas a gerir a crise, mas não a ultrapassar a crise, o que estará muito longe de uma verdadeira e mobilizadora alternativa ao Governo.

13 janeiro 2008

PS E PSD MENTIRAM AOS PORTUGUESES

RATIFICAÇÃO PARLAMENTAR
OUTRA PROMESSA INCUMPRIDA

Quero desde já deixar bem claro que sou totalmente favorável ao Tratado Europeu que foi assinado no passado dia 13 de Dezembro em Lisboa. Considero-o aliás, um passo fundamental para fortalecer a Europa e consolidar o projecto europeu. Uma Europa unida e vencedora é hoje indispensável, e desse contexto, todos os países europeus retirarão vantagens, incluindo naturalmente Portugal.

Porém, do meu ponto de vista, é muito diferente, para os portugueses, que a ratificação do Tratado de Lisboa seja feita através de um referendo ou por via parlamentar. Enquanto pelo referendo teriamos uma Europa dos cidadãos e com estes a saber, do que efectivamente trata, o Tratado de Lisboa, sem referendo, teremos uma Europa dos Estados, com mais de 90% da população a "jogar" no escuro, por imposição do senhor Sarcozy e da senhora Merkel.
Nem sequer vou usar o argumento - e poderia fazê-lo -, de que nunca foi realizado nenhum referendo europeu no nosso país, e que portanto, esta seria uma óptima ocasião para o fazer, tanto mais que a vitória do “sim”, seria garantida praticamente a 100%, segundo rezam as sondagens, e ainda porque a esmagadora maioria da população, sendo favorável ao projecto europeu, assim o garantia. A questão coloca-se noutra perspectiva: O referendo, foi uma promessa eleitoral feita pelo dois maiores Partidos Portugueses, na última campanha para as eleições legislativas. E o que é prometido aos seus eleitores deve – tem que!... – ser cumprido.

Já estamos todos cansados de ver promessas feitas durante campanhas eleitorais, serem depois colocadas no lixo, ou metidas na gaveta, porque “as circunstâncias se alteraram”. Lembram-se do “choque fiscal” de 2002?... Das promessas de não introduzir portagens nas SCUT e de não aumentar os impostos em 2005?... Ou, cá está, da promessa de referendar o Tratado Europeu, que quer PS-Partido Socialista, quer PSD-Partido Social Democrata, fizeram na última campanha para as legislativas, em Fevereiro de 2005?...
Tem sido referido pelos nossos digníssimos politícos, que o Tratado de Lisboa é muito diferente do Tratado Constitucional que franceses e holandeses, fizeram abortar em referendos realizados na Primavera de 2005; que a promessa eleitoral dizia respeito a “esse” Tratado Constitucional; que o facto de Portugal poder referendar o Tratado de Lisboa poderia tornar mais difícil a vida em outros países “menos europeístas” - cujo expoente máximo é o Reino Unido -, no sentido em que poderia ser mais fácil reivindicar a realização de um referendo, que poderia levar à rejeição deste Tratado; que com ratificação parlamentar em todos os países da União Europeia (excepto na Irlanda em que, por imperativos constitucionais tem que ser realizado um referendo, mas aí o resultado não será problemático), o problema não se coloca; que não há nenhum exemplo referendário “voluntário” a que recorrer e que – imagine-se -, "as pessoas", não tendo lido o Tratado, não são capazes de se pronunciar sobre ele...

Nada mais falacioso. Por um lado, basta uma leitura atenta, para percebermos que o essencial do conteúdo do Tratado Constitucional, está presente no Tratado de Lisboa. Numa percentagem, digamos, não inferior a 90%, nada de substancial muda do Tratado Constitucional, apenas “Alterações de circunstância” e pelo outro, pretendo questionar o seguinte:
Primeiro: Não deverá cada país tomar a decisão que julgar mais adequada e não optar por esta ou aquela solução apenas porque outro(s) país(es) a tomou. Não é cada um dos Estados em causa soberano?!...
Segundo: Mesmo tendo o Tratado de Lisboa sido assinado em Portugal, poderá o nosso país ser a referência para a Europa em matéria de referendo?!...
Será que o peso e a influência de Portugal é de tal ordem que outros Estados-Membros se veriam impelidos a imitá-lo?!...

Terceiro: Honrando os irlandeses a sua Constituição, não seria de “BOM TOM”, que "este" Partido Socialista e "este" Partido Social Democrata, em vez de formarem uma nova "União Nacional", honrassem também a palavra dada aos Portugueses, promovessem o debate público, em vez de enveredar pela MENTIRA?... Então a PALAVRA dos HOMENS, já vale apenas, aquilo que vale?... Lembrar-se-ão os chefes destes Partidos, do exemplo de Egas Moniz, que se apresentou ao rei de Leão, de corda ao pescoço, pelo incumprimento da sua palavra?!... AO QUE ISTO CHEGOU...

Então e essa, de que "as pessoas", não tendo lido o Tratado, não são capazes de se pronunciar sobre ele, não será de chamar-nos “otários”?...
Meus senhores: Por essa ordem de ideias, como "as pessoas" não costumam ler os programas eleitorais dos partidos, também não serão capazes de se pronunciar em eleições legislativas. E por muito que isso talvez agradasse a José Sócrates, ainda não ouvi ninguém avançar com a hipótese de acabar com elas. É verdade ou não?...
Sinceramente!... Por mais argumentos que os nossos “queridos políticos” invoquem, a minha opinião, é que nenhum deles se sobrepõe à HONRA, à DIGNIDADE, à PALAVRA dos HOMENS, e aos compromissos assumidos internamente, entre quem vota e quem é escolhido.Creio que não andarei longe da verdade, se disser que poucos factores existirão, que distanciem ainda mais o eleitorado e os eleitos, e que mais descredibilizem a classe política, do que prometer e depois não cumprir.
Isto, para além, de que proceder assim, é um total desrespeito para com os portugueses. E sendo assim resta-me perguntar: Que motivos terão as populações para confiar em eleições seguintes e naqueles que prometeram e depois não cumpriram?!... E se este sentimento for generalizado, que motivos existem realmente para se ir votar?!... Pois é, não há mesmo volta a dar: o que se promete aos eleitores nas campanhas tem mesmo, depois... que ser cumprido. Se assim não acontecer, é a DESILUSÃO TOTAL e é a própria democracia que é colocada em xeque.

06 janeiro 2008

“LIDERES” E “LIDERES”...

Começo por confessar que ando tão descrente com a política, que a única voz que me apetece ouvir é a do senhor Presidente da República. Pelo menos, este não engana ninguém!... Ou é, ou não é. Aliás, estou mesmo convicto, de que actualmente, poucas serão as vozes audíveis - porque credíveis -, neste nosso Portugal do século XXI.

Ora vejamos: Quando determinados gestores da nossa “praça”, auferem salários mensais a rondar os 22.000 €, o que significa, 30 vezes mais que o vencimento médio nacional - 779 € nos serviços; 636 € na indústria, construção e energia; e 489 € na agricultura, silvicultura e pesca, segundo dados do INE -, quando 41% da população portuguesa tem vencimentos que variam entre os 310 e os 600 Euros, quando a justiça, a segurança e o desemprego, andam pelas ruas da amargura, e quando o CONFORMISMO REINANTE, de quem devia denunciar esta calamidade e não o faz, prolifera, é perfeitamente natural e normal, que o senhor Presidente da República se interrogue, se tais salários não serão desproporcionados à média nacional; do porquê de tantas injustiças no meio da justiça; do número de mortes que vão acontecendo, como consequência da insegurança em crescendo por este país inteiro e de tanta pobreza, cada vez mais enraízada na nossa sociedade.
Cavaco Silva, na sua mensagem de Ano Novo, demonstrou assim, as suas preocupações aos políticos, que da política fazem o seu ganha-pão e aos cidadãos do seu país, preocupações essas, que a meu ver, são aliás inteiramente legítimas. Tão legítimas, como igualmente outras, que também não esqueceu, designadamente o caminho traçado para os cuidados de saúde, que hoje constitui uma tremenda inquietação para toda a comunidade.

Neste seu discurso, o Presidente falou para os portugueses o entenderem. Aliás, falou pela voz dos portugueses, com quem tem contactado por esse País fora, apontando as mesmas preocupações do povo e os mesmos problemas por resolver, e falou pela voz daqueles, que antes da chegada ao poder tudo prometem e depois se vão esquecendo, e pela de outros, que outrora prometeram fazer oposição de manhã, à tarde, à noite, onde fosse necessário, mesmo que na rua, mas que hoje consideram populismo, fazer essa mesma oposição, à porta das fábricas, pactuando assim, com o sistema vigente ...
Em boa verdade, Cavaco Silva, quase parecia o líder da oposição!...
Face a todo este "entrelaçado", lembrei-me dum Sermão do Padre António Vieira que reza assim:
" uma das cousas de que se devem acusar e fazer grande escrúpulo os ministros é dos pecados do tempo, porque fizeram no mês que vem o que se devia fazer no passado; porque fizeram amanhã o que havia de se fazer hoje; porque fizeram depois o que se havia de fazer agora; porque fizeram logo o que haviam de fazer já...e o tempo não tem restituição alguma."
Daqui se depreende, que na hora, o Presidente não se esconde nem tem medo das palavras. Não promete, nem inventa uma coisa de manhã e diz outra à tarde, para se contradizer à noite. O Presidente não mandou dizer por ninguém, de que é preciso explicar com verdade às pessoas; de que é preciso explicar porque são necessárias as mudanças; com que garantias elas se vão executar; e que benefícios delas virão a colher as populações.
É que pelo andar da carruagem, SÓCRATES JÁ NÃO TEM QUE SE PREOCUPAR EM CUMPRIR AS SUAS PROMESSAS. OS PORTUGUESES É QUE TERÃO QUE FAZER POR MERECÊ-LAS, uma coisa mais ou menos parecida, como ganhar o "reino dos céus"...
Mas vamos ao que interessa:
Serão razoáveis, vencimentos tão díspares, como aqueles que se verificam em Portugal, que o colocam nos primeiros lugares -pela negativa -, no ranking da UE?... Quando o nosso governo, vais buscar exemplos que lhe convém, a outros países da Comunidade, porque não faz o mesmo nesta matéria?... Porque não cita o caso alemão, francês, inglês e tantos outros?...
Será razoável, que o governo apenas saiba conjugar o verbo encerrar, no que respeita à área da saúde?... Se quanto aos SAP`s, até admito que alguns sejam encerrados, já que foram uma verdadeira aberração quando criados, consumidores de recursos e incapazes de acudir a uma situação verdadeiramente grave, que normalmente terá de culminar no hospital, certo é, que o Governo prometeu soluções alternativas, antes de os encerrar e não cumpriu!... Portanto, se não cumpriu... não os devia encerrar!...
Aliás tal como no caso dos SAP`s, o Governo antes de encerrar urgências de alguns hospitais concelhios, de maternidades, de blocos de partos, prometeu garantir reforços na área do socorro pré-hospitalar, ou não é verdade?... O Governo prometeu, mas não cumpriu... e se não cumpriu, não os devia encerrar!...
E na justiça?... Não há nada a fazer?.... É preciso o Presidente chamar o PGR, para que determinados escândalos, não se tornem ainda mais monstruosos?...
Vamos continuar a assistir aos atropelos por todos conhecidos?...

E quanto á segurança?... Vamos continuar passivos e serenos como até aqui, "metendo a cabeça na areia", como que nada se esteja a passar?...
Vamos ficar à espera de mais uma “presidência aberta para a inclusão” em áreas como o emprego?
Ora foi exactamente a estas situações que o Presidente da República se referiu, ao alertar ser "importante que os Portugueses percebessem para onde vai o País...”.
O que é certo, é que duvido que as suas palavras produzam qualquer efeito...
E é pena, porque quando um Povo se sente alheado, distante, sem se rever em lideranças, porque nelas já não acredita, prevê-se um futuro morno, num tipo de gestão imediata e de técnica de "navegação à vista". Na verdade há "LIDERES" e "LIDERES".

30 dezembro 2007

1- BEM VINDO ANO 2008 ..//.. 2-ESCÂNDALO ASSOLA BARROSO

1.BEM VINDO ANO DE 2008


Bom ANO 2008!...
Feliz ANO 2008 para Todos

O primeiro Dia de um Ano Novo, é sempre um dia especial. É um Dia de cores diferentes, que nos lança para mais uma viagem da vida, em que todos, desejamos a todos, que aconteçam coisas boas, muitas alegrais e boas surpresas, os maiores sucessos pessoais e profissionais, em que fazemos votos para que todos os desejos e sonhos se concretizem, que aconteça o que há de melhor, e em que esperamos que haja paz, saúde e felicidade.
Neste momento do Ano, alimentamos uma vontade especial, que as nossas vidas, das nossas famílias e dos nossos amigos sejam muito felizes, e sentimos uma força particular, de que podemos fazer mais e melhor, para que assim seja.
Da chuva de mensagens de votos que recebi nesta Quadra, gostei especialmente de um pensamento, que,para mim, espelha de forma sublime o que podemos e devemos ser, para que não sejamos o que não devemos ser. É um poema sempre intemporal, mas que assenta bem neste Dia, que se quer levezinho, sem dramatismos mas com os "pés bem assentes na terra".
Aqui fica o poema "DEFICIÊNCIA", de Mário Quintana, considerado um dos maiores poetas brasileiros do século xx:
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: A amizade é um amor que nunca morre.

2.ESCÂNDALO ASSOLA BARROSO
Em 13 de Dezembro de 2007, isto é, há pouco mais de 15 dias, o todo-poderoso jornal inglês Finantial Times, numa referência ao nosso país, de duas páginas, publicava o mapa que a figura documenta, como tratando-se do “reino Lusitano"!...
Se dou de barato tal analfabetismo, e a ideia, que esses ingleses têm do seu velho aliado, dos tempos de D. João I, o que não posso aceitar, é que um Governo do meu país, o não conheça. E decididamente, que Correia de Campos, o distinto Ministro da Saúde, o não conhece...E digo que o não conhece, porque afinal de contas, Barroso também é Portugal, e não Espanha, como parece ser para os nossos "amigos" ingleses.
Vem tudo isto, a propósito do recente encerramento do Bloco de Partos do Hospital de Chaves. Como é possível?... Por acaso saberá o distintíssimo Ministro, que o dito bloco - que fazia em média, cerca de 400 partos/ano -, não se encontra apenas circunscrito ao concelho de Chaves?... Saberá o distinto Ministro, onde ficam situadas aldeias como, FAFIÃO, PINCÃES, CABRIL, FIÃES-DO-RIO, PARADELA, PADROSO, SENDIM, PADORNELOS, GRALHAS, SANTO ANDRÉ, e tantas outras que igualmente fazem parte do concelho de Montalegre, também este, servido pelo Bloco de Partos do Hospital de Chaves?...
Saberá esse senhor, que Fafião, dista cerca de 50 Kms de Montalegre; que de Montalegre a Chaves vão mais 45; e que para chegar a Vila Real, ainda é preciso "dar ao pedal" mais 60 kms?...
Que condições foram oferecidas às grávidas de barroso, em troca desta monstruosidade? De que forma lhes vai ser prestada a necessária assistência, durante o período de gravidez? E em tempo de neve como vai ser?
Só falta mesmo, que o senhor Ministro venha dizer às grávidas de Barroso, que as fêmeas do mundo animal, dão à luz sem ajuda de médicos e parteiras. E olhem que pelo andar da carruagem, não vai dar para esperar sentado...
Mas sendo este, um dos maiores escândalos que assola Barroso nos tempos modernos, certo é, que apenas o Presidente da Câmara Municipal de Chaves, que até é dos menos prejudicados, e a quem presto desde já a minha homenagem, veio a terreiro contestar tal medida, propondo-se avançar com uma providência cautelar, junto do Tribunal Adminnistrativo e Fiscal de Mirandela, no sentido de evitar aquilo que parece irreversível. Oxalá, venha a ter pelo menos, o apoio dos autarcas vizinhos...
Mas a hipocrisia deste Governo, não se fica por aqui!... É que ainda têm o descaramento de publicamente vir afirmar, que tal só acontece, para benefício dos cidadãos? Realmente é preciso ter lata: Quando um Governo ou um Ministro, se propõem poupar 300 Milhões de euros na área da saúde em 2008; que desde 2006 já procedeu ao encerramento de 56 SAPs – Serviços de Assistência Permanente; que encerra Hospitais; que procedeu ao encerramento de 16 Maternidades; e diz que tudo isto é para benefício dos cidadãos, das três, uma: ou se trata de um MILAGRE digno de se lhe tirar o chapéu, ou estamos perante mais um embuste, igual a tantos outros com que nos tem presenteado, ou então, sou eu que estou maluco...

16 dezembro 2007

O NEOLIBERALISMO PURO E O GRANDE EMBUSTE DO DÉFICE…

Pelo teor dos meus comentários, já todo o mundo percebeu que detesto Sócrates e o seu governo!... E detesto-o, não por se tratar do "dito cujo", ou do Partido que no Parlamento o "sustenta", mas sim, porque abomino a mentira. Ninguém tem dúvidas, que ao longo da legislatura, os enganos e desenganos têm sido mais que muitos, e hoje é claro, que o figurino defendido por esta equipa governativa, é nem mais nem menos que o chamado neoliberalismo puro, muito longe ideologicamente das concepções socialistas, defendidas por Mário Soares –que já disse publicamente gostar de ver o seu pupilo governar mais à esquerda - e outros conceituados democratas.
Com estas palavras, não pensem que pretendo retirar Sócrates da órbita da democracia, longe disso!... Porém uma coisa tenho presente: Sócrates, não é Socialista, nem anda lá perto. O chefe de um governo, que defende uma politica a que chamou de “Esquerda Moderna”, que ninguém sabe o que é; que subverte o país; que subverte o próprio Partido Socialista e os seus deputados; que tendo feito promessas e as fez constar nos programas eleitoral e de governo e que não as cumpre; que consegue partir a sociedade portuguesa ao meio, criando autênticas crispações entre os trabalhadores da administração pública e do sector privado; que desactiva o interior, contribuindo de sobremaneira para a sua desertificação galopante; que faz do Alentejo um deserto; que fecha escolas; maternidades; centros de saúde; que promove o desemprego e a fome; que cria fossos cada vez mais acentuados entre ricos e pobres; que faz aprovar um Código Penal e um Código de Processo Penal, para benefício dos criminosos e para a promoção da criminalidade; e que agora se prepara para rasgar mais uma das suas promessas eleitorais e de governo, negando aos portugueses o referendo ao Tratado Europeu, não pode ser considerado um socialista. Este figurino, este comportamento e esta politica têm um nome: NEOLIBERALISMO.

Neoliberalismo, cujo fundamento ideológico reside em considerar o indivíduo como factor único e determinante no desenvolvimento das sociedades. Para esta politíca, o ser social não existe, é uma abstracção criada por “esquerdistas” e “marxistas”. Para tal doutrina apenas o ser individual faz girar o mundo. O individualismo é erguido ao seu mais elevado expoente. A solidariedade, a fraternidade, a abnegação, a tolerância, a benevolência e a indulgência, são conceitos riscados da sua cartilha. É esta a politica do governo de Sócrates, politica essa, que atribui à participação do Estado em políticas sociais, a fonte de todos os males da situação económica, como o défice público, a fraca produtividade da economia, a inflação e a ineficiência dos serviços, devido aos "privilégios" dos funcionários. Politica essa, que defende reformas na Administração Pública, fala em reengenharia do Estado para criar um "Estado mínimo", afirmando que sem essas reformas o país corre o risco de não ingressar na "nova ordem mundial", apresentando-se como o paladino da Democracia, da distribuição da riqueza e da redução das desigualdades sociais, embora promova exactamente e activamente o contrário, como provam os números apresentados nas mais diversas vertentes, pelo INE, EUROSTAT, OCDE, UNESCO, ou mesmo até, pelo sempre suspeito Banco de Portugal, de Constâncio.

Mas Sócrates é um “artista”!... E numa coisa em que é inegavelmente bom é nas grandes encenações, desde as Cimeiras, à distribuição de quadros interactivos para turmas de figurantes, ou à poderosa magia do controlo das contas públicas. Eu, gostava mais de um Primeiro-Ministro que falasse a verdade aos portugueses, apresentasse os problemas e as soluções, e falasse das dificuldades em as atingir, que são reais e que as mesmas fossem "pagas" por todos (mas mesmo por todos) de forma equitativa. Como não o faz, não posso gostar do senhor.
Todavia, para o 1º Ministro tudo é um êxito, as medidas tomadas ultrapassaram os objectivos e os insucessos são sempre negados!... Se o desemprego aumenta, diz que o emprego também, qualquer fracasso é desqualificado face a outro qualquer ganho virtual. O Melhor exemplo: Quando tomou posse, em 2005, Sócrates disse que receitas extraordinárias, jamais!... Quem não se lembra?... Mandou reavaliar o défice do ano anterior sem esse tipo de receitas. Em consequência, o défice de 2,9%, em 2004, ajustado das receitas extraordinárias, subiria para 5,2% do PIB. Com outros ajustamentos virtuais do BP na receita e na despesa, fixar-se-ia acima dos 6%.
Em 2005, primeiro ano do governo de Sócrates, sem receitas extraordinárias, o défice foi de 6%, superior aos 5,2% de 2005, e... depois de forte aumento de impostos. Inêxito evidente, mas que foi mascarado de sucesso rotundo, com aplauso geral.
Em 2006, o défice oficial foi de 3,9%. No entanto, veio depois a verificar-se, por informação que o Ministério das Finanças foi forçado a dar, que as “receitas extraordinárias” (as tais a que Sócrates dissera de... jamais) de 2006 ascenderam a mais de 2.121 milhões de euros, equivalendo a 1,4% do PIB. Conclui-se que o défice sem receitas extraordinárias seria de 5,3% do PIB, mais do que em 2004!... O facto foi esquecido e mais um êxito aconteceu!... O défice de 2007 foi anunciado ser de 3%. Todavia, soube-se agora que este valor só pôde ser atingido mercê da receita extraordinária proveniente da cedência à EDP da exploração da barragem de Alqueva durante 35 anos. A política de consolidação das contas públicas é um êxito. E sem receitas extraordinárias. Os professores e economistas encartados justificam a magia, os comentadores domados aplaudem o mágico!... O "show" vai continuar em crescendo!... Connosco a fazer cada vez mais sacrifícios e a pagar o espectáculo, com novos e mais impostos!... A isto se chama "O GRANDE EMBUSTE".
NOTA: Com a aproximação da quadra natalícia, o "Comentário da Semana", regressará no início do próximo ano.

09 dezembro 2007

MENEZES NÃO QUER, NEM VAI SER 1.º MINISTRO

Aguiar Branco, acaba de fazer soar o alarme, dizendo que “...o PSD está no mau caminho”!... Pela minha parte, já o ando a dizer, desde que foi formada aquela dupla, que a curto/médio prazo, tende a destruir a credibilidade do Partido. Aliás, vou mesmo mais longe: Menezes não quer, nem vai ser 1.º Ministro. É isso mesmo!... Luis Filipe Menezes, não quer que o PSD ganhe as próximas eleições legislativas de 2009.

Quando das directas laranjas, muita gente - incluindo eu próprio – pensou, que caso viesse a ser eleito - como aconteceu -, Luís Filipe Menezes faria o que prometera, e iniciaria uma campanha de agitação permanente, de um populismo e demagogia como não se via em Portugal, desde que Portas vendia as suas bochechas pelas feiras de Portugal. Puro engano!... Depois de vencer, Menezes remeteu-se a um pacato silêncio, não aparecendo de manhã nas fábricas em greve, à tarde nos centros de saúde que fecham, e à noite em jantares com os militantes, preferindo fazer a ocasional crítica ao Governo e optando por procurar fazer acordos de "dez anos" com o PS.

Tendo em conta que dificilmente Menezes terá escolhido o suicídio político, este abismo entre as expectativas de há uns meses – quando diariamente fazia oposição a Marques Mendes - e a realidade de hoje, apenas poderá significar que todos estavamos enganados em relação ao Presidente do PSD e que a sua estratégia é outra. E é outra, porque Menezes quer a subordinação do PSD ao PS, para garantir a sobrevivência dos vários PSD's autárquicos que são a sua base de apoio e de sustentação do seu poder.

A insegurança crescente, designadamente o aumento dos crimes violentos e as guerras da noite, que fazem lembrar as histórias dos gangs de Chicago, do tempo de Al Capone; as disputas de territórios nas grandes cidades, aliadas aos crimes de extorsão e assassinatos; o desemprego; a pobreza; a segurança nas escolas; as "visitas" das policias às sedes dos sindicatos; o encerramento de hospitais e centros de saúde; os negócios do betão; a indefinição da Ota/Alcochete; o TGV; a reforma da administração pública e das forças de segurança; o pacto da justiça e os novos Códigos Penal e de Processo Penal, não são assuntos que mereçam a atenção de Filipe Menezes, tal como acontece com o governo, que pese embora todas as "desgraças" que por aí vão ocorrendo, não vê a situação como alarmante.

Face a tamanha indefinição, voltemos então um pouco atrás, e vejamos por que razão caiu Marques Mendes.
Mendes iniciara um caminho de elaboração de propostas alternativas ao PS, por isso não poderia ser acusado de fazer pouca oposição. A pressão de meses sobre a questão da Ota havia sido bem sucedida, depois de o Governo ter sido obrigado a recuar na sua inflexibilidade. A sua oposição não poderia, portanto, ser acusada de falta de eficácia. Nos confrontos eleitorais em que esteve envolvido, conseguiu conquistar uma maioria de câmaras para o partido, e vira Cavaco Silva ser eleito para a Presidência. Dadas as circunstâncias, é bom que se diga que teve algum êxito. Mas então, porquê a queda?
Por duas razões: Por um lado, porque promovera no seio do Partido, uma alteração de regras que retirava aos aparelhos locais, os instrumentos obscuros de perpetuação do poder das suas clientelas. Pelo outro, porque afastara do partido Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Carmona Rodrigues, opções políticas que representavam para os PSD's autárquicos, um tenebroso aviso: o PSD nacional tem um droit de regard sobre a condução dos PSD's autárquicos, que pode implicar - como implicou em Lisboa -, que os interesses dos PSD's autárquicos sejam sacrificados à estratégia nacional. Esta é que é a verdade!...

Menezes, por conseguinte, não foi, como eu pensei e certamente alguns dos seus eleitores também pensaram, uma reacção do PSD, ansioso por chegar ao poder, e ainda não convencido de que o "santanismo" não era a panaceia eleitoralista do mito do "candidato invencível". Menezes surgiu como uma revolta, não do PSD "descamisado" dos dependentes do Estado central afastados pela corte socrática, mas da "elite" actual do PSD, dos seus autarcas e da rede de dependentes das estruturas municipais que os vários PSD's autárquicos dominam, e que se viram ameaçadas pela tentativa mendista de as subordinar à São Caetano.

No seu velhinho livro de 1993 "O Nome e a Coisa", Pacheco Pereira incluía um artigo, em que chamava a atenção para a "incompatibilidade entre a modernização económica, social e cultural, resultante das políticas governamentais, e uma acção política partidária, a nível intermédio e local" e que "as dificuldades do PSD a nível autárquico" vinham daí. Por outras palavras, um "bom governo" do PSD seria incompatível com bons resultados autárquicos, pois a simples realização de reformas duras, para além de ver reflectido nas eleições autárquicas - geralmente a meio do círculo eleitoral - o descontentamento que provocam, destrói as estruturas de perpetuação do poder de que esses aparelhos locais dependem para sobreviver. E se os dezasseis anos (1979-95) consecutivos de poder tornaram o PSD um partido de dependentes do Estado, os sete anos de "jobs" para os “boys” socialistas do guterrismo fizeram com que essa dependência apenas fosse satisfeita a nível local.

O PSD, neste momento, é um partido de dependentes das empresas municipais, não de "self-made men" que querem conduzir a sua vida livremente, e a sua “elite”, longe dos homens de negócios de cultura empreendedora e dos homens de ideias para o país, é composta por pequenos caciques especializados na pequena chantagem e na promoção pessoal.

Ribau Esteves é um bom exemplo desta "elite". Aliás, até nem seria de espantar que, longe de ser uma estratégia de Menezes, a nova linha do PSD não fosse o "bebé querido" do homem de Ílhavo. Seja como for, essa estratégia é agora clara: entregar ao PS o Governo, para que o ónus da acção governamental se reflicta nos PS's locais, garantindo assim aos senhores do feudalismo laranja as suas respectivas bases de poder. Daí a ausência de uma visão alternativa para o país - o país pouco interessa a estes senhores -, e daí a ocasional crítica meramente conjuntural ao Governo - para provocar o tal desgaste -.
Á federação de partidos autárquicos que constitui o actual PSD, não interessa ir para o Governo, cujas necessidades apenas prejudicariam os seus reais objectivos, a conquista e manutenção de Câmaras Municipais. E se porventura, o poder nacional lhes cair em cima, é bom que esteja tudo arrumadinho (distribuição de lugares, as grandes opções políticas, etc.), para que o PS não provoque muita agitação, nem o PSD tenha de governar em "vacas" demasiado "magras". Assim se percebe, por exemplo, as propostas de "pactos de dez anos" nas Obras Públicas, e o "rasgar" (logo seguido de reaplicação de super-cola) do "Pacto da Justiça", que mais não significaram do que uma artimanha para ganhar força negocial, e assim exigir, em troca da manutenção do "pacto", uns quantos lugares, uma lei autárquica que agrade aos feudos laranja, e quem sabe, uma regionalização feita à sua medida.

Se Menezes talvez não tenha inteligência suficiente para elaborações destas, Ribau Esteves tem de certeza. A forma como se tem promovido a nível pessoal ultimamente mostra que sabe o que está a fazer. E se Menezes pode parecer parvo o suficiente para andar à deriva, tentando imitar o inimitável Sá Carneiro, lá pelas ilhas dos Açores, Ribau nunca se deixaria afundar com ele.
Assim, a aparentemente errática condução política de Menezes certamente corresponde a uma estratégia coerente, e a única é esta: a subordinação do PSD ao PS (tornando o PS o "partido natural" de governo e garantindo ao PSD condições relativamente pacíficas na eventualidade de este lhe vir a cair no colo), para que, aproveitando o desgaste que esse papel provocará ao PS, o PSD garanta o seu domínio a nível autárquico.
Nas nossas costas, PS e PSD preparam o terreno para dividir o país, entregando o Estado central aos rosas e o Estado local aos laranjas, e obrigando o contribuinte a pagar a conta. Se quando Menezes avisou ir continuar em Gaia, toda a gente pensou que ele pretendia usar a autarquia para se promover a nível nacional, na realidade, ele ficou(?)em Gaia, porque é Gaia que lhe interessa. O país é apenas uma moeda de troca que ele usa para perpetuar o seu poder e o dos seus amigos.