17 fevereiro 2008

GOVERNO E “OPOSIÇÃO” VESTEM DE ROSA!...

Sócrates, está agora mais preocupado que nunca!...
Temendo a renascida alma socialista, que está a contagiar grande parte do Partido, e que por arrastamento se pode apoderar do Primeiro-Ministro, não deixa também indiferente o Presidente da República.
Quer tudo isto dizer, que no espaço de duas semanas, o deputado Manuel Alegre, se transformou na mais destacada figura da nação. E transformou-se na mais destacada figura da nação, porque durante a última semana, se discutiu a possibilidade do ex-candidato presidencial voltar a romper com o Partido Socialista, desta vez promovendo uma cisão, que presumivelmente impediria uma maioria, ou mesmo a vitória socialista em 2009.
Na sexta-feira passada, Alegre deu uma entrevista ao jornal “Público”, onde deixou bem clara a insatisfação, já evidente no seu comportamento na Assembleia da República, ao longo dos últimos meses, com a governação de José Sócrates. Para além disso, no fim de semana cessante, reuniu-se com os socialistas pertencentes ao seu “movimento”, que alegadamente, pretende agora transformar numa “corrente de opinião” no seio do PS, que terá como objectivo, discutir o que é “ser socialista hoje” e formas de “revitalizar” a democracia.
Depois de lhe perguntarem se se candidataria à liderança do PS, Alegre garantiu que não. Porém horas depois, garantia que “se” os dirigentes socialistas “o desafiarem”, não se esconderá, mas que os enfrentará “no país”, e não onde o aparelho por eles dominado o possa controlar.
O discurso de Alegre, em si, nada tem de novo. Mas é tudo menos irrelevante. A sua importância não está no seu conteúdo, mas no facto de existir. A particular insistência de Alegre, e a forma agressiva como se pronuncia, mostram como a governação de Sócrates está dependente de uma frágil base de apoio social. Sócrates governa, em parte, com o “apoio” de gente que não concorda com a sua governação. Alegre manifesta-se (e manifesta-se assim tanto) porque sente que fala por muita gente a quem Sócrates deve o poder. Porque sente que, se Sócrates cair, é por ali que cai, e que portanto, se quer sobreviver, tem que dar ouvidos a Alegre e à “corrente de opinião” que ele quer representar.
Este, é mesmo o aspecto mais triste da realidade que a oposição de Alegre põe a nu: ele é que é, a oposição. A atenção, que durante toda a semana, foi dada a uma reunião que juntaria alguns obscuros militantes socialistas, tudo porque um singular deputado os convidou a participar, só é compreensível à luz da total inactividade do resto da oposição: o PCP, apesar da força social que ainda vai tendo, não tem a simpatia das televisões; o BE, apesar da simpatia das televisões, não tem força social; o CDS/PP, apesar da hábil escolha de temas com que ataca o Governo, sofre com a sua pequenez e a falta de credibilidade de Portas e o PSD opta deliberadamente por não fazer oposição, nem marcar a agenda politica.
Manuel Alegre transformou-se assim, pura e simplesmente, no rosto da única alternativa a Sócrates, que é oferecida aos portugueses e o resto é conversa fiada. E ao transformar-se na única alternativa, que é oferecida aos portugueses, “pintou o país de rosa”. Isto é: o governo é do PS, e a oposição também. À sua volta, está a irrelevância, o vazio, o silêncio, a vaidade e a falta de capacidade, para o combate político eficaz e responsável, de uma oposição cada vez mais desacreditada, que leva ao espírito dos cidadãos, a indiferença, a resignação, a insegurança e o sentimento de inevitabilidade, em que se vêem envolvidos.
Para a democracia e para os cidadãos, é o pior que pode acontecer num país.


10 fevereiro 2008

O POVO NÃO É ESTÚPIDO

GENERAL GARCIA LEANDRO E AS DECLARAÇÕES À SIC
As declarações do general Garcia Leandro, esta semana, na estação de televisão SIC, ainda que de algum modo inesperadas, foram seguramente frontais e lúcidas.
Ninguém estaria à espera que um General das nossas forças armadas, que à semelhança de seus camaradas de armas, têm mantido nesta terceira república uma “prudente” reserva, publicamente e para surpresa de todos, viesse afrontar de uma forma tão contundente e precisa, o sistema político vigente, passados que são trinta e quatro anos do 25 de Abril.
Garcia Leandro não é um qualquer General, é uma figura relevante e altamente conceituada nos meios militares, pelo que a convicção, o rigor, a clareza e o desassombro que manifestou nas suas afirmações às perguntas da jornalista, deixa antever que a análise política que descreveu da evolução política do País das últimas décadas, não será fruto de um impulso repentino, nem exclusivamente sua, mas comum aos mais altos corpos das forças armadas.
Disse o General: "Vivemos numa democracia de má qualidade, empobrecida, com a corrupção institucionalizada, com uma classe política gozando de privilégios obscenos, que eles próprios souberam criar e que ampliam ano após ano, à custa de mais impostos e cortes sociais, para seu exclusivo proveito. E, desta classe política que assim procede, não podem os portugueses esperar uma alteração radical dos seus comportamentos, das suas políticas". "Na verdade, o sistema político está podre, caduco e esgotado e a manter-se a sua continuação só poderá agravar continuadamente o desenvolvimento económico e as condições de vida dos cidadãos".
Bem hajam portanto as palavras de Garcia Leandro, que nos permitem pensar, que porventura, a mudança não estará tão longe como se afigura ao comum dos portugueses. As movimentações já começaram e Sócrates só tem uma solução: Ou arrepia caminho, ou já teve melhores dias. É que o povo, não é estúpido.

03 fevereiro 2008

A ESCOLA DEMOCRÁTICA...

No noticiário da Antena 1, de um dia desta última semana, que ia ouvindo na lentidão do IC19, quando me deslocava para Lisboa, avultava a notícia da manifestação dos alunos do ensino secundário.
Um “estudante” lá ia explicitando o nobre motivo da manifestação: razões várias e ponderosas!...
Em primeiro lugar, a luta contra o excesso de tempo passado na escola. O aluno referiu mesmo a sua experiência pessoal, a violência extrema de ter que se levantar todos os dias às sete horas e meia da manhã, para ter a primeira aula às oito horas e só sair às 16 horas e quarenta minutos!...
Em segundo lugar, a luta por uma verdadeira educação sexual, disciplina básica dada de forma insuficiente.
Em terceiro lugar, a luta contra as aulas de substituição.
Em quarto lugar, a luta contra os exames. E havia mais uma ou duas razões muito justas, mas que agora me escapam.
À noite, no sentido inverso, e também na Antena 1, a inefável Dr.ª Ana Benavente, antiga Secretária de Estado da Educação de um Governo de Guterres, representando um qualquer grupo ad-hoc, não sei se formado apenas para a entrevista, também perorava exaltadamente sobre o tema, nomeadamente sobre a falta de democracia nas escolas.
Não resisti e pus música. Visto tudo isto e concluído, a escola como local de ensino JÁ FOI. Modernamente, em Portugal, a escola é para se passar por lá, assistir a umas aulas facultativas, porque se pode faltar à vontade, ter umas aulas teóricas de educação sexual, e sair rapidamente, para ter tempo de praticar. Respeito pelos Professores?... Aulas obrigatórias?... Possibilidade de reprovar por faltas?... Exames?... Possibilidade de reprovar por falta de conhecimentos?... Quem é que ainda fala nessas excentricidades?...
Mas não basta: há ainda muito para aprofundar na escola democrática!... Cá por mim, estou de acordo e aprofundava-a de vez.
Aprofundava-a de vez, num buraco profundo e bem fechado, mas bem assinalado, para não esquecer a imbecilidade dos que a vêm promovendo.
BASTA DE TANTA POUCA VERGONHA...

27 janeiro 2008

1-APOIO AOS IDOSOS // 2- OPOSIÇÃO PRECISA-SE...

1- APOIO AOS IDOSOS


O Presidente da Câmara Municipal de Chaves, Dr. João Baptista, distinto barrosão, natural da aldeia de Vila da Ponte, concelho de Montalegre, anunciou, que vai iniciar as obras, para adaptar a maioria das 50 escolas do primeiro ciclo, que fecharam devido à falta de alunos, em Centros de Convívio para idosos.
E João Baptista disse mais: Que as ditas escolas, vão ter obrigatoriamente uma finalidade de âmbito social, cultural ou recreativo, de acordo com o que ficou estipulado, na Carta Social de Chaves, que com uma população de 45.000 habitantes, tem 8.526 idosos, com mais de 65 anos.


Segundo o autarca, na Páscoa, “já haverá espaços a receber os mais idosos”.
Ora aqui está um belo exemplo!... E sendo assim, qual a razão, porque muitas outras Câmaras da região, não seguem esta magnifica atitude, por forma a rentabilizar os espaços das escolas encerradas, colocando-os ao serviço dos idosos das nossas aldeias, contribuindo assim e ao mesmo tempo, para a preservação de um património que dia a dia se vai degradando?...

2- OPOSIÇÃO PRECISA-SE

Recebi na última semana, um email de um digníssimo leitor desta página, muito indignado, pelo facto de alguns dos meus comentários, terem como alvo preferêncial, o actual Presidente do PSD, por quem, segundo o dito leitor, não deveria morrer de “amores”.

Puro engano!... O PSD – onde aliás tenho alguns amigos -, é um Partido que respeito, tal como outros, sejam eles o PS, o PCP, o CDS/PP, ou mesmo aqueles chamados “de minoritários”, que agora os “tubarões da política ”, parecem querer mandá-los às malvas.

Todavia, uma coisa é o respeito e a consideração, que se tem por qualquer deles e outra bem diferente, é dizer-se o que efectivamente se pensa. Já acreditei nos políticos!... Em grandes políticos como Sá Carneiro, Mário Soares, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral e tantos outros, que faziam da política a sua vida, defendendo principios e concepções, segundo os respectivos ideais.
Mas por ter acreditado em toda essa gente, não sou obrigado a acreditar na nova vaga. Uma nova vaga, que tudo tem feito, para a descridibilização da classe.

Ora é nessa perspectiva e não com qualquer outra intenção, que dirimo os meus comentários, e ao dirimi-los, todos – para o bem e para o mal – comem por tabela. A tabela de um desalinhado, que felizmente ainda preserva os valores, que devem reger a vida em sociedade.

Mas já agora, e voltando ao PSD - a este PSD se o dito leitor quiser -, é ou não verdade que é um saco de “gatos”?... Todos se arranham!... A alternância democrática é o sangue do regime.Usando uma imagem militar: Tem sempre de haver tropas de reserva. Mas como toda a gente já viu, Luis Filipe Menezes, ou está mal assessorado ou não encontrou ainda o caminho para ser alternância política.O PSD é assim como um saco com muitos gatos: todos se arranham a ver qual sai primeiro do saco. E sendo assim, o PSD tem de mudar de estratégia. A política é algo muito sério, muito complexo. Tem de haver sacrifícios pessoais , tem de haver planeamento, gabinetes de estudos, gente disponível para assumir o combate político sem olhar a benefícios económicos. Luis Filipe Menezes tem de ser profissional como Presidente do PSD, e não o é.
A primeira ruptura, deveria ser com a Câmara de Gaia e dedicar-se a tempo inteiro ao combate político.O chefe da oposição não pode fazer uma perninha em Gaia, e depois liderar a oposição. Fica sem credibilidade, sem tempo e sem espaço.Luis Filipe Menezes está fragilizado com esta situação, não tem tropas prontas para o ataque, para o cerco ao castelo do Poder. Não as consegue treinar nem comandar. E depois há os outros!... Os outros, a começar por Rui Rio, Aguiar Branco ou mesmo Durão Barroso. E das duas uma: ou avançam e dão a cara sem tibiezas, ou então calam-se e apoiam Menezes. A estratégia de bate e foge, a estratégia de sim, mas não , é própria de uma certa mentalidade portuguesa, mas hoje, ou o PSD acerta o passo e se constitui como alternativa ou é derrotado por "burrice" e por lhe faltar a disponibilidade para o debate, para a estratégia, para construir uma alternativa credível, arriscando-se mesmo a tornar-se na terceira força politica, caso Manuel Alegre avance com um novo partido.
O PSD tem de perceber que o tempo dos messias - tipo Cavaco Silva que chegou à Figueira da Foz, fazendo a rodagem ao seu carro, reuniu tropas e ganhou - acabou. A este PSD, faz falta:

1- Não inventar;
2- Ouvir quem tem que ouvir;
3- Não se fazer de vítima;
4- Não sonhar com fantasmas, e pegar o “boi pelos cornos”;
5- Fazer sentir a quem de direito, que quem faz leis no Parlamento, não pode ter clientes privados;
6- Denunciar os vergonhosos negócios que ocorrem em certas zonas “mal iluminadas” do nosso sistema de justiça;
7- Atacar o combate à corrupção;
8- Um programa verdadeiramente social-democrata, que víncule todo o "exército" em vez do pensamento único;
9- Um gabinete de estudos alargado;
10- A criação de um movimento de reflexão e debate nacional aberto a personalidades independentes para alargar a base de apoio;
11- Apresentar propostas alternativas, num combate homem a homem, numa “defesa à linha e com grande profundidade do meio campo”;
12- Apresentar um "Governo Sombra", dando a cara sector a sector, com propostas bem estruturadas e arrojadas;
13- Inspirar a confiança nos portugueses;
14-E dizer aos potenciais candidatos, que podem aspirar a ser Presidentes do Partido. Não podem é minar o Partido por dentro...
Afinal de contas, têm de perceber, que ser Presidente de uma Câmara, de um Banco ou da Comissão Europeia, é só isso, nada mais. Quanto ao resto, são militantes do PSD.
Está mais que visto, que hoje, os portugueses exigem que haja Oposição. Uma Oposição credível, com propostas alternativas, e que os Partidos, a começar pelo PSD, deixem de ser esse saco de gatos e se transformem em gente afinada, responsável e com militantes dispostos a fazer sacrifícios pessoais pelo país e pelos cidadãos.

ESTA, É QUE É A VERDADE...

20 janeiro 2008

A GESTÃO DA CRISE E O VELHO RECEITUÁRIO

Aqui há uns dias, em conversa com um amigo, que por acaso é deputado do PSD, questionei-o sobre uma coisa muito simples: “Quando é que o seu Presidente se decidia a fazer uma verdadeira oposição ao Governo?”. A resposta foi pronta e sarcástica até: “ Oh... companheiro!... O meu Presidente anda muito ocupadooo!...”

Tais palavras dizem tudo, isto é: Para além de muito ocupado, - como disse o meu amigo -, anda também distraído e a gerir a crise, com velhos receituários, senão vejamos:

É ou não incompreensível, a estratégia de aproximação do PSD ao PS, levada a cabo por Luís Filipe Menezes?... Ota/Alcochete, Tratado Europeu, política do “estado mínimo”, nova lei eleitoral das autarquias, aprovada na última sexta-feira na assembleia da Republica, entre tantas outras matérias, são apenas alguns exemplos?...
Quando tudo faria prever uma estratégia baseada na acentuação das diferenças, única via - julgo eu -, para a formulação de uma alternativa política sólida à governação de Sócrates, eis que, depois dos ameaços da “oposição hoje, de manhã, à tarde e à noite” o que o cidadão nota é uma aproximação política cada vez mais acentuada entre os dois partidos do bloco central.
Isso mesmo, esteve patente nas jornadas parlamentares do PSD do passado fim-de-semana. Nenhuma das intervenções escutadas ali, se apresentou como uma verdadeira alternativa ao Governo. Todas se voltaram para o interior do Partido, onde pelos vistos e aí sim, parecem residir os verdadeiros adversários do leader. Todas se propunham gerir a crise, mas nenhuma exibiu qualquer proposta capaz de ultrapassar a crise económica e social que o País atravessa.
Parece ser desta forma, que o líder do PSD pretende convencer o eleitorado (votem em mim, porque eu, seguindo a politica de Sócrates, serei na sua aplicação ainda mais eficiente).
É de facto lamentável, a constatação, de que em boa verdade, o PSD de hoje, nada tem a apresentar e a acrescentar, à política de Sócrates, cada vez mais nas "nuvens", dada a ausência de alternativas. E tanto assim é, que Luis Filipe Menezes, nas ditas Jornadas Parlamentares do PSD, insistiu, insistiu e voltou a insistir, em apresentar-se uma vez mais, como vítima – só lhe faltou mesmo chorar -, de uma contestação interna, mantendo-se em guerra com os seus próprios fantasmas. Quanto ao resto, nem uma palavra sobre o combate à despesa pública parasita, ao parasitismo de múltiplos órgãos do Estado, que em nada contribuem para a eficácia e melhoria das prestações da Administração Pública para com os cidadãos, e elevam a despesa pública para défices insuportáveis, sendo responsável tal desgoverno pelos aumentos de impostos, pelos cortes sociais a que todos os dias assistimos, e pela paralisia do desenvolvimento económico nacional. Nada de novo portanto, no receituário do PPD/PSD.

Diga-se aliás em abono da verdade, que este PSD, tem sido mesmo ultrapassado pelo CDS/PP em matéria de oposição, em muitos dos assuntos em discussão, como aconteceu na última semana -, na avaliação externa da política da saúde, requerida pelo Ministro da tuiela, fazendo lembrar ao executivo, que é ao Parlamento, que cabe a tarefa de fiscalizar a sua acção, acusando mesmo Correia de Campos de “pretender legitimar a desastrosa condução da sua política”, com o inedetismo, de pretender ser fiscalizado, escolhendo o seu fiscalizador, ao contratar para o efeito uma universidade estrangeira. Do PSD, que apenas faz alarde de questões acessórias, nem uma palavra.

Ora perante tudo isto, este PSD e este leader, apresentam-se como sendo uma alternativa muito modesta, uma alternativa disposta apenas a gerir a crise, mas não a ultrapassar a crise, o que estará muito longe de uma verdadeira e mobilizadora alternativa ao Governo.

13 janeiro 2008

PS E PSD MENTIRAM AOS PORTUGUESES

RATIFICAÇÃO PARLAMENTAR
OUTRA PROMESSA INCUMPRIDA

Quero desde já deixar bem claro que sou totalmente favorável ao Tratado Europeu que foi assinado no passado dia 13 de Dezembro em Lisboa. Considero-o aliás, um passo fundamental para fortalecer a Europa e consolidar o projecto europeu. Uma Europa unida e vencedora é hoje indispensável, e desse contexto, todos os países europeus retirarão vantagens, incluindo naturalmente Portugal.

Porém, do meu ponto de vista, é muito diferente, para os portugueses, que a ratificação do Tratado de Lisboa seja feita através de um referendo ou por via parlamentar. Enquanto pelo referendo teriamos uma Europa dos cidadãos e com estes a saber, do que efectivamente trata, o Tratado de Lisboa, sem referendo, teremos uma Europa dos Estados, com mais de 90% da população a "jogar" no escuro, por imposição do senhor Sarcozy e da senhora Merkel.
Nem sequer vou usar o argumento - e poderia fazê-lo -, de que nunca foi realizado nenhum referendo europeu no nosso país, e que portanto, esta seria uma óptima ocasião para o fazer, tanto mais que a vitória do “sim”, seria garantida praticamente a 100%, segundo rezam as sondagens, e ainda porque a esmagadora maioria da população, sendo favorável ao projecto europeu, assim o garantia. A questão coloca-se noutra perspectiva: O referendo, foi uma promessa eleitoral feita pelo dois maiores Partidos Portugueses, na última campanha para as eleições legislativas. E o que é prometido aos seus eleitores deve – tem que!... – ser cumprido.

Já estamos todos cansados de ver promessas feitas durante campanhas eleitorais, serem depois colocadas no lixo, ou metidas na gaveta, porque “as circunstâncias se alteraram”. Lembram-se do “choque fiscal” de 2002?... Das promessas de não introduzir portagens nas SCUT e de não aumentar os impostos em 2005?... Ou, cá está, da promessa de referendar o Tratado Europeu, que quer PS-Partido Socialista, quer PSD-Partido Social Democrata, fizeram na última campanha para as legislativas, em Fevereiro de 2005?...
Tem sido referido pelos nossos digníssimos politícos, que o Tratado de Lisboa é muito diferente do Tratado Constitucional que franceses e holandeses, fizeram abortar em referendos realizados na Primavera de 2005; que a promessa eleitoral dizia respeito a “esse” Tratado Constitucional; que o facto de Portugal poder referendar o Tratado de Lisboa poderia tornar mais difícil a vida em outros países “menos europeístas” - cujo expoente máximo é o Reino Unido -, no sentido em que poderia ser mais fácil reivindicar a realização de um referendo, que poderia levar à rejeição deste Tratado; que com ratificação parlamentar em todos os países da União Europeia (excepto na Irlanda em que, por imperativos constitucionais tem que ser realizado um referendo, mas aí o resultado não será problemático), o problema não se coloca; que não há nenhum exemplo referendário “voluntário” a que recorrer e que – imagine-se -, "as pessoas", não tendo lido o Tratado, não são capazes de se pronunciar sobre ele...

Nada mais falacioso. Por um lado, basta uma leitura atenta, para percebermos que o essencial do conteúdo do Tratado Constitucional, está presente no Tratado de Lisboa. Numa percentagem, digamos, não inferior a 90%, nada de substancial muda do Tratado Constitucional, apenas “Alterações de circunstância” e pelo outro, pretendo questionar o seguinte:
Primeiro: Não deverá cada país tomar a decisão que julgar mais adequada e não optar por esta ou aquela solução apenas porque outro(s) país(es) a tomou. Não é cada um dos Estados em causa soberano?!...
Segundo: Mesmo tendo o Tratado de Lisboa sido assinado em Portugal, poderá o nosso país ser a referência para a Europa em matéria de referendo?!...
Será que o peso e a influência de Portugal é de tal ordem que outros Estados-Membros se veriam impelidos a imitá-lo?!...

Terceiro: Honrando os irlandeses a sua Constituição, não seria de “BOM TOM”, que "este" Partido Socialista e "este" Partido Social Democrata, em vez de formarem uma nova "União Nacional", honrassem também a palavra dada aos Portugueses, promovessem o debate público, em vez de enveredar pela MENTIRA?... Então a PALAVRA dos HOMENS, já vale apenas, aquilo que vale?... Lembrar-se-ão os chefes destes Partidos, do exemplo de Egas Moniz, que se apresentou ao rei de Leão, de corda ao pescoço, pelo incumprimento da sua palavra?!... AO QUE ISTO CHEGOU...

Então e essa, de que "as pessoas", não tendo lido o Tratado, não são capazes de se pronunciar sobre ele, não será de chamar-nos “otários”?...
Meus senhores: Por essa ordem de ideias, como "as pessoas" não costumam ler os programas eleitorais dos partidos, também não serão capazes de se pronunciar em eleições legislativas. E por muito que isso talvez agradasse a José Sócrates, ainda não ouvi ninguém avançar com a hipótese de acabar com elas. É verdade ou não?...
Sinceramente!... Por mais argumentos que os nossos “queridos políticos” invoquem, a minha opinião, é que nenhum deles se sobrepõe à HONRA, à DIGNIDADE, à PALAVRA dos HOMENS, e aos compromissos assumidos internamente, entre quem vota e quem é escolhido.Creio que não andarei longe da verdade, se disser que poucos factores existirão, que distanciem ainda mais o eleitorado e os eleitos, e que mais descredibilizem a classe política, do que prometer e depois não cumprir.
Isto, para além, de que proceder assim, é um total desrespeito para com os portugueses. E sendo assim resta-me perguntar: Que motivos terão as populações para confiar em eleições seguintes e naqueles que prometeram e depois não cumpriram?!... E se este sentimento for generalizado, que motivos existem realmente para se ir votar?!... Pois é, não há mesmo volta a dar: o que se promete aos eleitores nas campanhas tem mesmo, depois... que ser cumprido. Se assim não acontecer, é a DESILUSÃO TOTAL e é a própria democracia que é colocada em xeque.