02 março 2008

1- “À BEIRA DE UMA CRISE SOCIAL..." 2- NA CAUDA DA EUROPA...

1) - “À beira de uma crise social de contornos difíceis de prever
Com a expressão que faz o título deste comentário, a Sedes-Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, sintetizou nesta última semana, uma longa reflexão em torno da situação política e social do País.

A Sedes é provavelmente a associação cívica mais prestigiada entre nós, reunindo no seu seio, um grupo de ilustres cidadãos, que são certamente dos que melhor pensam em torno dos problemas actuais da nossa sociedade e do sistema político e de governo que a incorporam.No período anterior ao 25Abril74, a Sedes notabilizou-se pelas tertúlias que organizou e das quais saíram importantes contributos para o diagnóstico da acentuada decadência do sistema de governo que então vigorava. Construiu ao longo do tempo, uma reputação ímpar dos acontecimentos políticos e sociais da sociedade portuguesa, mostrando-se mesmo capaz de prever com grande sagacidade, as grandes mudanças sociais, que viriam a ocorrer.Sem embargo do que antecede, a análise divulgada por esta prestigiada organização suscita-me no entanto duas reservas fundamentais:
- A primeira, quanto ao diagnóstico em si mesmo. Diz a Sedes:
Que "... nos encontramos à beira de uma crise social" ;
Que se "... sente hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional";
Que “... outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista, com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas”;
Que "... é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural";
Que “...estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses”;
Que " ... outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas";
Que " ... a criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência”;
E que “ ...mais cedo ou mais tarde, emergirá, uma crise social de contornos difíceis de prever ”.
Pela parte que me toca, considero que não nos encontramos à beira de uma crise social, mas... isso sim, “em plena crise”. Os próprios sintomas destacados na análise da Sedes, são tanto quanto percebo, provas claras da existência, hoje, que não amanhã, de uma séria crise social e política, que não pode ser escamoteada.

- A segunda quanto ao estilo apocalíptico da premonição.
Este tipo de premonições são muito típicas dos nossos analistas político/sociais, desde os mais vulgares aos mais brilhantes, como é manifestamente o caso dos autores do documento da Sedes. Não partilho no entanto, esta visão apocalíptica no caso vertente. Parece-me que o diagnóstico da Sedes está correcto, no essencial, com a primeira ressalva acima feita, mas não vejo que a próxima etapa seja o apocalipse social. Inclino-me a pensar, que a situação continuará – infelizmente - a degradar-se por mais alguns anos, sem por em causa o regime e o sistema de governo, no essencial – democracia política, de base parlamentar – embora admita, que possam ocorrer em futuro não muito distante, modificações orgânicas para reforço dos poderes presidenciais e também para um papel mais visível de alinhamentos sociais não partidários.
Não assistimos a um sinal dessa mudança, na famosa e recente controvérsia em torno da localização do novo Aeroporto, em que o Presidente e organizações sociais não-partidárias tiveram papel muit(íssim)o mais relevante do que o dos Partidos?
Quanto à tal “crise social de contornos difíceis de prever”, parece-me que, como acima disse, essa crise já existe e os seus contornos não só não são difíceis de prever, como foram muito bem analisados e identificados pela Sedes…
(O relatório da organização está disponível em: http://www.sedes.pt/)

2) - Outra vez na cauda da Europa...

Esta é uma situação que não me podia passar ao lado. E não me podia passar ao lado, porque sendo as crianças, do melhor que há em qualquer sociedade, é inconcebível, que no nosso país, um país da Europa, da Liberdade e dos Direitos Humanos, um quinto dessas mesmas crianças estejam em risco de pobreza. Segundo um relatório da Comissão Europeia, divulgado no passado dia 25FEV, Portugal é o segundo país da União onde o risco de pobreza infantil é maior (pior mesmo, só a Polónia), acrescentando mesmo que a situação havia piorado desde 2004.
Para mal dos nossos pecados, este retrato não apanhou de surpresa o País!...
Sentimos, percebemos, suspeitamos, temos a certeza, que por entre as famílias que nos rodeiam, nos bairros, nas aldeias, nas vilas e nas cidades, há pobreza. Ainda que porventura, não contactando directamente com ela, ela está lá, silenciosa, envergonhada, discreta, disfarçada, escondida. É que onde há pessoas, há crianças. E elas também estão lá.
Se os números e as estatísticas, para alguma coisa servem, é justamente para confirmarem o que muitas vezes aparentemente não se vê. O Instituto Nacional de Estatística tinha divulgado em Janeiro passado indicadores graves sobre o risco de pobreza ( a que nesta página fiz referência) e sobre a desigualdade dos rendimentos monetários aferidos. Este massacre de pobreza que rouba às crianças a possibilidade de serem crianças e condiciona o seu futuro como adultos, é desesperante e deve ser motivo de tristeza.
Vivemos num País, que não assegura os mais elementares direitos das crianças. Não podemos, ano após ano, constatar que não fomos capazes de atacar o problema e que os esforços para reduzir a pobreza infantil não foram suficientes.
Sejamos sérios e procuremos saber onde é que estão os erros cometidos e que medidas correctivas poderiam ser introduzidas nas actuais políticas de protecção social, num contexto de políticas fiscais sólidas, de modo a combater e a prevenir com maior eficácia a pobreza infantil. Discutamos estes assuntos com a mesma intensidade com que discutimos os “aeroportos” e os “TGVs” deste pobre País.
Ao escrever este pequeno texto, fui-me questionando sobre se alguém sabe - partindo do princípio que os nossos governantes e políticos sabem -, quais são as medidas em vigor que incidem sobre as crianças mais desfavorecidas e sobre os resultados que se esperam em concreto atingir?... Eu não sei. E não sei, porque das duas uma: Ou ando muito distraído, ou pura e simplesmente não existem...

24 fevereiro 2008

POLÍTICA RASCA / A ENTREVISTA DE SÓCRATES

A)-POLITICA RASCA...
Por fraqueza, muitas vezes os mais fracos, “falam grosso” na presença dos seus chefes. Por fraqueza, ou por uma incontrolável vontade de agradar ao chefe, é comum assistirmos a estes exercícios de adulação na política. O jovem presidente da Câmara de Alvaiázere, não fugiu à regra e nos últimos dias, na presença de Filipe Menezes, em jantar de acção política naquela vila, referiu-se a Sócrates afirmando: «António Oliveira Salazar era um aprendiz de ditador ao pé de José Sócrates». Naturalmente que há exageros na comparação!... Os momentos históricos do salazarismo e do sócretismo são inequivocamente distintos e não podem ser comparáveis seguramente. Contudo, sob a capa de uma democracia formal, não deixa de ser assustador os avanços de um certo “totalitarismo democrático” que Sócrates advoga e apadrinha. Avanços que se tornam visíveis e se concretizam na promulgação legislativa. O recente diploma sobre carreiras e vínculos da Função Pública, que me deixam cheio de interrogações, são disso um exemplo concreto. Sob a capa da modernidade, esconde-se nele um inequívoco “totalitarismo” partidário, numa nova concepção daquilo que é, e do que deve ser, a Administração do Estado, que pelos vistos, agora se pretende totalmente dependente dos partidos. Com a nova lei, o funcionário público, passa a ser um agente do governo e não do Estado. A independência política da Administração Pública deixa definitivamente de existir e passa a ser substituída pela dependência partidária governamental.
Neste sentido, e aí sim, tem razão naquilo que afirma, o presidente da Câmara de Alvaiázere. Por outras razões, a legislação relativa à Administração Pública do tempo de Salazar, colocava-a ao serviço do Estado, e assim, indubitavelmente mais democrata que esta agora parida pelos políticos desta segunda geração do 25 de Abril.
B)- A ENTREVISTA
O aspecto mais evidente da entrevista de José Sócrates à SIC e ao Expresso, para dissecar os seus três anos de governação, foi o de ter estado mais perto de ser "uma sessão de propaganda" do que verdadeiramente "uma entrevista". É verdade que ela abordou temas incómodos ao Primeiro-Ministro, como o emprego, a política fiscal, a Saúde, a Educação e a polémica em torno dos projectos do "engenheiro técnico da Câmara da Covilhã". Mas não sejamos ingénuos: Pela forma como a entrevista se desenrolou, serviu essencialmente para o Primeiro-Ministro "explicar" as suas políticas, isto é: Em vez de ser confrontado com resultados objectivos e dificuldades futuras, Sócrates pôde discorrer àcerca de como tudo era maravilhoso, e de como todas as críticas à política governamental não passam de "falsidades" e "demagogia".

Aliás, é de notar como o Primeiro-Ministro não teve de responder a qualquer questão sobre a conjuntura internacional, cujas perspectivas pouco entusiasmantes poderiam pôr a descoberto o irrealismo do discurso socrático.
Isto é mesmo, o que de mais relevante teve a entrevista. Ela mostrou, a quem ainda não tivesse percebido ou querido ver, o gigantesco abismo entre o Portugal dos portugueses e o Portugal da retórica governamental. No Portugal dos portugueses, o fisco dispara primeiro (presume a culpa primeiro) e faz perguntas depois. Os contribuintes, por seu lado, caso sejam prejudicados, têm de esperar anos por uma decisão do tribunal. No país de Sócrates, os contribuintes não perderam qualquer direito, têm "todas as garantias" e "meios de recurso" a tribunais no caso de se sentirem lesados.

No país dos portugueses, o desemprego sobe, e as pessoas ficam mais pobres, sobrecarregadas pela pesada carga fiscal imposta pelo Estado. No país de Sócrates, a despesa está a ser controlada (apesar do Estado gastar mais do que gastava anteriormente), a economia cria emprego e cresce como o feijão mágico da lenda (como se esse crescimento não se devesse a um efeito de arrasto, promovido pelo crescimento da economia internacional, e portanto particularmente frágil numa altura em que se teme um significativo abrandamento da dita).
No país dos portugueses, a educação não gera mais do que desempregados ignorantes. No país de Sócrates, a educação é uma "aposta no futuro" que está a "ser ganha" pelo Governo.
No país dos portugueses, àcerca do futuro, só há incerteza e desespero. No país de Sócrates, tudo corre às mil maravilhas e nada do que se passa "lá fora" nos afectará, de tão "bem preparados" que estamos (como a estagnação dos salários, o desemprego e as falências certamente comprovam).
No país do Primeiro-Ministro, só habitam os membros do seu Governo, assessores bajuladores e jornalistas receosos de o confrontarem com a realidade, e a única preocupação de Sócrates são as eleições às quais ele finge não saber se vai concorrer. No país real, cada vez mais devemos temer que Sócrates comece mesmo a acreditar na fantasia que quer vender aos eleitores. Pois serão estes últimos a pagar o preço.

17 fevereiro 2008

GOVERNO E “OPOSIÇÃO” VESTEM DE ROSA!...

Sócrates, está agora mais preocupado que nunca!...
Temendo a renascida alma socialista, que está a contagiar grande parte do Partido, e que por arrastamento se pode apoderar do Primeiro-Ministro, não deixa também indiferente o Presidente da República.
Quer tudo isto dizer, que no espaço de duas semanas, o deputado Manuel Alegre, se transformou na mais destacada figura da nação. E transformou-se na mais destacada figura da nação, porque durante a última semana, se discutiu a possibilidade do ex-candidato presidencial voltar a romper com o Partido Socialista, desta vez promovendo uma cisão, que presumivelmente impediria uma maioria, ou mesmo a vitória socialista em 2009.
Na sexta-feira passada, Alegre deu uma entrevista ao jornal “Público”, onde deixou bem clara a insatisfação, já evidente no seu comportamento na Assembleia da República, ao longo dos últimos meses, com a governação de José Sócrates. Para além disso, no fim de semana cessante, reuniu-se com os socialistas pertencentes ao seu “movimento”, que alegadamente, pretende agora transformar numa “corrente de opinião” no seio do PS, que terá como objectivo, discutir o que é “ser socialista hoje” e formas de “revitalizar” a democracia.
Depois de lhe perguntarem se se candidataria à liderança do PS, Alegre garantiu que não. Porém horas depois, garantia que “se” os dirigentes socialistas “o desafiarem”, não se esconderá, mas que os enfrentará “no país”, e não onde o aparelho por eles dominado o possa controlar.
O discurso de Alegre, em si, nada tem de novo. Mas é tudo menos irrelevante. A sua importância não está no seu conteúdo, mas no facto de existir. A particular insistência de Alegre, e a forma agressiva como se pronuncia, mostram como a governação de Sócrates está dependente de uma frágil base de apoio social. Sócrates governa, em parte, com o “apoio” de gente que não concorda com a sua governação. Alegre manifesta-se (e manifesta-se assim tanto) porque sente que fala por muita gente a quem Sócrates deve o poder. Porque sente que, se Sócrates cair, é por ali que cai, e que portanto, se quer sobreviver, tem que dar ouvidos a Alegre e à “corrente de opinião” que ele quer representar.
Este, é mesmo o aspecto mais triste da realidade que a oposição de Alegre põe a nu: ele é que é, a oposição. A atenção, que durante toda a semana, foi dada a uma reunião que juntaria alguns obscuros militantes socialistas, tudo porque um singular deputado os convidou a participar, só é compreensível à luz da total inactividade do resto da oposição: o PCP, apesar da força social que ainda vai tendo, não tem a simpatia das televisões; o BE, apesar da simpatia das televisões, não tem força social; o CDS/PP, apesar da hábil escolha de temas com que ataca o Governo, sofre com a sua pequenez e a falta de credibilidade de Portas e o PSD opta deliberadamente por não fazer oposição, nem marcar a agenda politica.
Manuel Alegre transformou-se assim, pura e simplesmente, no rosto da única alternativa a Sócrates, que é oferecida aos portugueses e o resto é conversa fiada. E ao transformar-se na única alternativa, que é oferecida aos portugueses, “pintou o país de rosa”. Isto é: o governo é do PS, e a oposição também. À sua volta, está a irrelevância, o vazio, o silêncio, a vaidade e a falta de capacidade, para o combate político eficaz e responsável, de uma oposição cada vez mais desacreditada, que leva ao espírito dos cidadãos, a indiferença, a resignação, a insegurança e o sentimento de inevitabilidade, em que se vêem envolvidos.
Para a democracia e para os cidadãos, é o pior que pode acontecer num país.


10 fevereiro 2008

O POVO NÃO É ESTÚPIDO

GENERAL GARCIA LEANDRO E AS DECLARAÇÕES À SIC
As declarações do general Garcia Leandro, esta semana, na estação de televisão SIC, ainda que de algum modo inesperadas, foram seguramente frontais e lúcidas.
Ninguém estaria à espera que um General das nossas forças armadas, que à semelhança de seus camaradas de armas, têm mantido nesta terceira república uma “prudente” reserva, publicamente e para surpresa de todos, viesse afrontar de uma forma tão contundente e precisa, o sistema político vigente, passados que são trinta e quatro anos do 25 de Abril.
Garcia Leandro não é um qualquer General, é uma figura relevante e altamente conceituada nos meios militares, pelo que a convicção, o rigor, a clareza e o desassombro que manifestou nas suas afirmações às perguntas da jornalista, deixa antever que a análise política que descreveu da evolução política do País das últimas décadas, não será fruto de um impulso repentino, nem exclusivamente sua, mas comum aos mais altos corpos das forças armadas.
Disse o General: "Vivemos numa democracia de má qualidade, empobrecida, com a corrupção institucionalizada, com uma classe política gozando de privilégios obscenos, que eles próprios souberam criar e que ampliam ano após ano, à custa de mais impostos e cortes sociais, para seu exclusivo proveito. E, desta classe política que assim procede, não podem os portugueses esperar uma alteração radical dos seus comportamentos, das suas políticas". "Na verdade, o sistema político está podre, caduco e esgotado e a manter-se a sua continuação só poderá agravar continuadamente o desenvolvimento económico e as condições de vida dos cidadãos".
Bem hajam portanto as palavras de Garcia Leandro, que nos permitem pensar, que porventura, a mudança não estará tão longe como se afigura ao comum dos portugueses. As movimentações já começaram e Sócrates só tem uma solução: Ou arrepia caminho, ou já teve melhores dias. É que o povo, não é estúpido.

03 fevereiro 2008

A ESCOLA DEMOCRÁTICA...

No noticiário da Antena 1, de um dia desta última semana, que ia ouvindo na lentidão do IC19, quando me deslocava para Lisboa, avultava a notícia da manifestação dos alunos do ensino secundário.
Um “estudante” lá ia explicitando o nobre motivo da manifestação: razões várias e ponderosas!...
Em primeiro lugar, a luta contra o excesso de tempo passado na escola. O aluno referiu mesmo a sua experiência pessoal, a violência extrema de ter que se levantar todos os dias às sete horas e meia da manhã, para ter a primeira aula às oito horas e só sair às 16 horas e quarenta minutos!...
Em segundo lugar, a luta por uma verdadeira educação sexual, disciplina básica dada de forma insuficiente.
Em terceiro lugar, a luta contra as aulas de substituição.
Em quarto lugar, a luta contra os exames. E havia mais uma ou duas razões muito justas, mas que agora me escapam.
À noite, no sentido inverso, e também na Antena 1, a inefável Dr.ª Ana Benavente, antiga Secretária de Estado da Educação de um Governo de Guterres, representando um qualquer grupo ad-hoc, não sei se formado apenas para a entrevista, também perorava exaltadamente sobre o tema, nomeadamente sobre a falta de democracia nas escolas.
Não resisti e pus música. Visto tudo isto e concluído, a escola como local de ensino JÁ FOI. Modernamente, em Portugal, a escola é para se passar por lá, assistir a umas aulas facultativas, porque se pode faltar à vontade, ter umas aulas teóricas de educação sexual, e sair rapidamente, para ter tempo de praticar. Respeito pelos Professores?... Aulas obrigatórias?... Possibilidade de reprovar por faltas?... Exames?... Possibilidade de reprovar por falta de conhecimentos?... Quem é que ainda fala nessas excentricidades?...
Mas não basta: há ainda muito para aprofundar na escola democrática!... Cá por mim, estou de acordo e aprofundava-a de vez.
Aprofundava-a de vez, num buraco profundo e bem fechado, mas bem assinalado, para não esquecer a imbecilidade dos que a vêm promovendo.
BASTA DE TANTA POUCA VERGONHA...

27 janeiro 2008

1-APOIO AOS IDOSOS // 2- OPOSIÇÃO PRECISA-SE...

1- APOIO AOS IDOSOS


O Presidente da Câmara Municipal de Chaves, Dr. João Baptista, distinto barrosão, natural da aldeia de Vila da Ponte, concelho de Montalegre, anunciou, que vai iniciar as obras, para adaptar a maioria das 50 escolas do primeiro ciclo, que fecharam devido à falta de alunos, em Centros de Convívio para idosos.
E João Baptista disse mais: Que as ditas escolas, vão ter obrigatoriamente uma finalidade de âmbito social, cultural ou recreativo, de acordo com o que ficou estipulado, na Carta Social de Chaves, que com uma população de 45.000 habitantes, tem 8.526 idosos, com mais de 65 anos.


Segundo o autarca, na Páscoa, “já haverá espaços a receber os mais idosos”.
Ora aqui está um belo exemplo!... E sendo assim, qual a razão, porque muitas outras Câmaras da região, não seguem esta magnifica atitude, por forma a rentabilizar os espaços das escolas encerradas, colocando-os ao serviço dos idosos das nossas aldeias, contribuindo assim e ao mesmo tempo, para a preservação de um património que dia a dia se vai degradando?...

2- OPOSIÇÃO PRECISA-SE

Recebi na última semana, um email de um digníssimo leitor desta página, muito indignado, pelo facto de alguns dos meus comentários, terem como alvo preferêncial, o actual Presidente do PSD, por quem, segundo o dito leitor, não deveria morrer de “amores”.

Puro engano!... O PSD – onde aliás tenho alguns amigos -, é um Partido que respeito, tal como outros, sejam eles o PS, o PCP, o CDS/PP, ou mesmo aqueles chamados “de minoritários”, que agora os “tubarões da política ”, parecem querer mandá-los às malvas.

Todavia, uma coisa é o respeito e a consideração, que se tem por qualquer deles e outra bem diferente, é dizer-se o que efectivamente se pensa. Já acreditei nos políticos!... Em grandes políticos como Sá Carneiro, Mário Soares, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral e tantos outros, que faziam da política a sua vida, defendendo principios e concepções, segundo os respectivos ideais.
Mas por ter acreditado em toda essa gente, não sou obrigado a acreditar na nova vaga. Uma nova vaga, que tudo tem feito, para a descridibilização da classe.

Ora é nessa perspectiva e não com qualquer outra intenção, que dirimo os meus comentários, e ao dirimi-los, todos – para o bem e para o mal – comem por tabela. A tabela de um desalinhado, que felizmente ainda preserva os valores, que devem reger a vida em sociedade.

Mas já agora, e voltando ao PSD - a este PSD se o dito leitor quiser -, é ou não verdade que é um saco de “gatos”?... Todos se arranham!... A alternância democrática é o sangue do regime.Usando uma imagem militar: Tem sempre de haver tropas de reserva. Mas como toda a gente já viu, Luis Filipe Menezes, ou está mal assessorado ou não encontrou ainda o caminho para ser alternância política.O PSD é assim como um saco com muitos gatos: todos se arranham a ver qual sai primeiro do saco. E sendo assim, o PSD tem de mudar de estratégia. A política é algo muito sério, muito complexo. Tem de haver sacrifícios pessoais , tem de haver planeamento, gabinetes de estudos, gente disponível para assumir o combate político sem olhar a benefícios económicos. Luis Filipe Menezes tem de ser profissional como Presidente do PSD, e não o é.
A primeira ruptura, deveria ser com a Câmara de Gaia e dedicar-se a tempo inteiro ao combate político.O chefe da oposição não pode fazer uma perninha em Gaia, e depois liderar a oposição. Fica sem credibilidade, sem tempo e sem espaço.Luis Filipe Menezes está fragilizado com esta situação, não tem tropas prontas para o ataque, para o cerco ao castelo do Poder. Não as consegue treinar nem comandar. E depois há os outros!... Os outros, a começar por Rui Rio, Aguiar Branco ou mesmo Durão Barroso. E das duas uma: ou avançam e dão a cara sem tibiezas, ou então calam-se e apoiam Menezes. A estratégia de bate e foge, a estratégia de sim, mas não , é própria de uma certa mentalidade portuguesa, mas hoje, ou o PSD acerta o passo e se constitui como alternativa ou é derrotado por "burrice" e por lhe faltar a disponibilidade para o debate, para a estratégia, para construir uma alternativa credível, arriscando-se mesmo a tornar-se na terceira força politica, caso Manuel Alegre avance com um novo partido.
O PSD tem de perceber que o tempo dos messias - tipo Cavaco Silva que chegou à Figueira da Foz, fazendo a rodagem ao seu carro, reuniu tropas e ganhou - acabou. A este PSD, faz falta:

1- Não inventar;
2- Ouvir quem tem que ouvir;
3- Não se fazer de vítima;
4- Não sonhar com fantasmas, e pegar o “boi pelos cornos”;
5- Fazer sentir a quem de direito, que quem faz leis no Parlamento, não pode ter clientes privados;
6- Denunciar os vergonhosos negócios que ocorrem em certas zonas “mal iluminadas” do nosso sistema de justiça;
7- Atacar o combate à corrupção;
8- Um programa verdadeiramente social-democrata, que víncule todo o "exército" em vez do pensamento único;
9- Um gabinete de estudos alargado;
10- A criação de um movimento de reflexão e debate nacional aberto a personalidades independentes para alargar a base de apoio;
11- Apresentar propostas alternativas, num combate homem a homem, numa “defesa à linha e com grande profundidade do meio campo”;
12- Apresentar um "Governo Sombra", dando a cara sector a sector, com propostas bem estruturadas e arrojadas;
13- Inspirar a confiança nos portugueses;
14-E dizer aos potenciais candidatos, que podem aspirar a ser Presidentes do Partido. Não podem é minar o Partido por dentro...
Afinal de contas, têm de perceber, que ser Presidente de uma Câmara, de um Banco ou da Comissão Europeia, é só isso, nada mais. Quanto ao resto, são militantes do PSD.
Está mais que visto, que hoje, os portugueses exigem que haja Oposição. Uma Oposição credível, com propostas alternativas, e que os Partidos, a começar pelo PSD, deixem de ser esse saco de gatos e se transformem em gente afinada, responsável e com militantes dispostos a fazer sacrifícios pessoais pelo país e pelos cidadãos.

ESTA, É QUE É A VERDADE...