20 abril 2008

1. O ESPÍRITO DE ABRIL... - 2. FINAL TRISTE...

O ESPIRITO DE ABRIL... OS TRABALHADORES... E AS VOZES DO DONO.

No momento em que se celebra mais um aniversário do 25 de Abril, e perante as profundas transformações que na última década vêm fustigando o campo do trabalho no nosso país, fará sentido interrogarmo-nos se valeu a pena e onde pára o espírito da Revolução dos Cravos!...
Há que dizer com toda a frontalidade, que nenhum português de boa fé, poderá colocar em causa a LIBERDADE.
Em boa verdade, vão longe os tempos das velhas ilusões colectivistas e dos ideais socialistas da época – a solidariedade, a igualdade, a justiça social. Porém, também não tenho dúvidas, que estamos longe do equilibrio e que o actual cenário social e laboral é marcado pelo individualismo, pela indiferença e por sentimentos de vulnerabilidade, de insegurança e de dependência. Hoje, é corrente verificar-se, que em vez de formas de gestão modernas e democráticas, da responsabilidade social das empresas, do diálogo social, da autonomia individual, do respeito pela cidadania – salvo as poucas e honrosas excepções – prevalece o autoritarismo e um absoluto seguidismo imposto pelas hierarquias.
Hoje, revolta-me verificar, que sejam os próprios subordinados, trabalhadores e funcionários, a abdicar dos seus direitos, na expectativa de com isso preservarem o emprego, ou consolidarem a sua posição. Com tal postura, o elo fraco está cada vez mais fraco e a aversão ao sindicalismo – ou a qualquer outra forma de associativismo autónomo – tornou-se a regra. A cultura anti-sindical ou associativa, vai-se impondo a partir do topo, e estende-se já, a algumas franjas da base da pirâmide. A luta que resta é hoje meramente individual e pela segurança, ou seja, regressámos às necessidades primárias.
É por tudo isto, que penso ser inaceitável, que mais de três décadas após o 25 de Abril, o espírito obediente, submisso e acrítico, seja premiado, em clara contraposição à verdade, à lealdade e à frontalidade! A falta de verticalidade tem hoje grandes vantagens, contrariamente ao espírito livre e autónomo. E obviamente que quem ascende pela obediência, jamais pode aceitar que abaixo de si, subsista a mais leve irreverência. Resulta daí, que aqueles que mostrem a mais pequena veleidade em questionar as opções da cadeia hierárquica, embora competentes, entram de imediato nas listas de candidatos à “prateleira” ou à eterna estagnação na posição subalterna ou burocrática que ocupam, quando não são simplesmente despedidos no final do contrato. Este tipo de comportamentos, é hoje perfeitamente visível e são os próprios Partidos, sustentáculos da nossa Democracia, que muitas vezes os promovem e incentivam. Esta é a verdade, e quer se queira ou não, a obediência cega, vem-se tornando um padrão, um requisito já não para progredir, mas tão somente para agarrar o emprego a todo o custo.

O ponto nevrálgico de toda esta situação, está pois nas lideranças e no espectro do desemprego. Estamos perante uma lógica em cadeia, imposta de cima, que penetra nos níveis intermédios e atinge os inferiores, isto é, num processo em que as chefias, os directores, os coordenadores, no fundo, aqueles que centralizam o poder em diferentes sectores, sobem e ganham protagonismo, não pelas suas qualidades e talento, não porque possuam reconhecido mérito ou grandes competências técnicas, não porque sejam inovadores e tenham mais iniciativa do que os outros, mas pelo contrário, eles sobem justamente, quando já deram repetidas provas de que obedecem à “voz do dono”, de que seguem até ao “tutano”, a vontade e a estratégia de poder daqueles que os promoveram ou os propuseram.
É sobretudo por isso que são nomeados, chamados para encabeçar listas, para assumir cargos públicos e controlar posições-chave dentro das instituições. A “lealdade” e a “confiança”, em vez de traduzirem dedicação à instituição, à sociedade e às causas, tornam-se meros paliativos para esconder obediências pessoais.
Este é um poder social que não possui um único centro. É um poder que se dissemina no mundo empresarial, na administração pública, no parlamento, nas universidades, assumindo formas distintas e cobrindo âmbitos diversos.

Perante isto, aos cidadãos e trabalhadores – dos que já esqueceram as promessas de Abril e aos mais jovens que as ignoram –, cabe perguntar se o discurso tecnocrático, hoje novamente dominante, sobre a aposta nas pessoas, nas qualificações, nas oportunidades e no mérito, não será uma enorme falácia e o que é feito do espírito de Abril?...
Pela minha parte e como sempre, não me resigno!... Por circunstâncias da vida, participei activamente na “revolta” e jamais esquecerei a noite maravilhosa de 25 de Abril, as peripécias que a envolveram e os dias que se lhe seguiram. È por tudo isto, que continuo a pensar... VALEU, E VALE A PENA LUTAR POR ABRIL!...



2. FINAL TRISTE...

A candidatura e posterior eleição de Menezes, para a presidência do PSD, foi sem sombra de dúvida, um erro de casting na história do Partido.
A sua carreira politica, tem uma marca da qual jamais se livrará, e essa marca tem um nome: "Congresso do Coliseu" em Lisboa.
Aí, Menezes mostrou o tipo de pessoa que é, e o seu estilo, que decisivamente viria a pesar e a comprometer o seu percurso politico. Parece que ainda hoje estou a ouvir, a tremenda assobiadela com que ali foi contemplado, e as suas "lágrimas" de "Madalena arrependida"...
Mas Menezes não aprendeu!... Pela parte que me toca, havia-lhe dado como tempo limite para a manutenção do seu mandato, o final do ano, porém, para bem do PSD e do próprio país, folgo, que tal tenha acontecido a destempo.
É que em boa verdade, os genuínos Sociais Democratas - notáveis ou bases -sofriam e sentiam-se incomodados com os sucessivos episódios...

Os comentadores comentavam...

Os críticos criticavam...

Os tácticos calculavam...

E os "sucessores" ameaçavam...

Não sei o que vai seguir-se no PSD. O que sei isso sim, é que como estava, o estiolamento era o próximo passo. Sei eu, e sabe toda a gente, excepto Ribau, Santana & C.ª!...

Porém e há que dizê-lo, foi triste ao que assistimos. Luis Filipe Menezes desabafou um putativo “basta” de proporções magnânimas. De seguida, "amigo" do Partido e do «povo» social-democrata, marcou eleições directas para 24 de Maio de 2008, concedendo um prazo de 37 dias, para os «terroristas» e respectivos «mandantes», bem como outros «quejandos» (repare-se na elegância do estilo utilizado), se organizarem.

Meus senhores:

O que impressiona em Menezes já não é tanto a nulidade doutrinária que o habita, a vocação para franco-atirador de ideias erráticas, desgarradas e ininteligíveis, o péssimo gestor de conflitos, o agitador por interposta pessoa. O que mais impressiona é a forma como este homem não percebeu, que como líder de um partido com ambições de poder, foi um tremendo e horrendo erro de casting. O que perturba, é ele não perceber ainda, quem foi, quem o acompanhou, e o mal que fez ao PSD.
Até na saída, Menezes foi ridículo, triste, injurioso e abjecto.

PARA TERMINAR, UM VOTO:
Que o patriotismo Social-Democrata, do PSD – e não do PPD/PSD, entenda-se - obrigue, agora e já, a centrar esforços numa "lufada" de credibilidade. de um partido que nunca esteve ausente das grandes reformas no Portugal pós 25 Abril, de um partido que traçou uma matriz ideológica e demarcou um espaço político que só ele preencherá.
Haja coragem e autenticidade

11 abril 2008

DUAS "ANEDOTAS" NO PAÍS DAS MARAVILHAS / O REGRESSO ANUNCIADO...

1 - DUAS " ANEDOTAS" NO PAÍS DAS MARAVILHAS...
A ideia de colocar estas duas imagens lado a lado, tem como objectivo recordar, não só o atraso em que o país se encontra, mas também chamar a atenção de dois belos exemplos, de homens de PROMESSAS, senão vejamos:
Um prometeu 150.000 empregos, durante a legislatura e o outro colocar o Benfica na Europa dos campeões. Nem mais, nem menos...
Fomos todos nós, que ajudamos as respectivas personagens, a ocupar os cargos a que actualmente presidem. Porém, apesar do descalabro, ainda nos querem fazer acreditar nas promessas vãs e fantasiosas, com que ambos nos vão brindando todos os dias. E nem sequer a taxa de desemprego que a 1 de Abril se cifrava nos 7,5% e o facto de o F.C.Porto se ter sagrado tricampeão com 18 pontos de avanço, a cinco jornadas do fim do campeonto, os faz corar de vergonha, se é que de facto a têm. Uma coisa é certa: Digam lá que a COMPARAÇÃO não é perfeita?....


2 -O "REGRESSO" ANUNCIADO ...
No PSD, toda a gente parece estar a viver fechada no quarto como Estaline depois da invasão alemã. As últimas sondagens, dão os piores resultados de sempre para o PSD, mas Menezes parece continuar a achar que "o povo" continua com ele (talvez por o líder do PSD não querer vencer as próximas legislativas). Enquanto a credibilidade do partido aos olhos dos eleitores bate no fundo, os seus responsáveis entretêm-se a comentar a escolha de uma jornalista da moda, por parte da RTP, para apresentar um programa televisivo. Enquanto o país vai vivendo no seu marasmo habitual, o PSD e os seus responsáveis caminham alegremente para o abismo, sem perceberem para onde estão a ir, e como arrastam todos os portugueses com eles. Não há melhor exemplo da alienação da realidade do PSD que o momento do debate parlamentar de ontem (11 ABR), em que Pedro Santana Lopes anunciou, com visível deleite, que o Primeiro-Ministro estava "de saída", e ele, "guerreiro-menino", estava já "de regresso".
O homem, escusado será dizer, achou a tirada genial, e decerto que os seus parceiros de bancada lhe garantiram que ele não estava enganado. O problema é que foram os únicos a pensarem assim. Se alguém estivesse ouvir, já que não são muitos os que têm paciência para ouvir este PSD, hoje em dia, certamente se desatou a rir com as palavras de Santana. E Sócrates, como seria de esperar, não desperdiçou qualquer oportunidade de ridicularizar ainda mais o partido laranja e o líder da sua bancada parlamentar.
A cada intervenção, os responsáveis do PSD contribuem para uma futura reeleição de Sócrates em 2009. O pior é que, como se vê pelo entusiasmo com que Santana quinzenalmente se atira para o fundo de um poço, nem sequer se apercebem do que estão a fazer. Como Estaline, daqui a um ano acabarão a fechar-se num quarto a chorar o que lhes vai acontecer. Mas na realidade, já há muito que estão lá fechados, sem um mínimo de ligação ao mundo real em que todos os outros portugueses têm de viver.

04 abril 2008

CONSERVADORISMO DE MERKEL Versus SOCIALISMO DE SÓCRATES

Foi notícia esta semana no F. Times um acordo entre sindicatos da Função Pública e Governo Federal da Alemanha para uma actualização salarial de 8%, válida para 2 anos (2008 e 2009).
Este acordo, traduz a mais elevada variação salarial no sector público na Alemanha desde 1992. Com base nele, os funcionários públicos alemães (a notícia refere 1,3 milhões) vão receber:- Em 2008, um aumento mensal igual para todos de € 50,00 acrescido de um aumento da tabela salarial de 3,1%; - Em 2009, um aumento igual para todos de € 225, pago de uma só vez, acrescido de um aumento da tabela salarial de 2,8%.

Significa isto, que os aumentos são bastante mais generosos para os salários mais baixos, valorizados pela componente fixa dos aumentos, tanto em 2008 como em 2009. Em contrapartida, os funcionários - só na parte correspondente à antiga Alemanha Ocidental - aceitam um aumento do horário de trabalho de 30 minutos/dia.

Trata-se de mais um acordo salarial relativamente generoso no corrente ano, que se segue aos dos trabalhadores da industria do aço (aumento de 5,2% para 2008) e dos maquinistas de comboios (+11% também para 2008), esperando-se para breve um outro acordo, com os trabalhadores da industria química, de +7% igualmente para 2008. O Ministro dos Assuntos Administrativos (o MAI lá do sítio) e negociador por parte do Governo, Wolfgang Schauble, conhecido dirigente cristão-democrata explicou a razão de ser desta generosidade salarial: “O aumento tem custos elevados mas é aceitável, pois os funcionários públicos têm o direito a partilhar, com justiça, da evolução positiva do crescimento económico da Alemanha”...

A inflação na Alemanha terá subido de 2,9% em Fevereiro para 3,2% em Março e, segundo as indicações mais recentes, deverá, pelo menos nos meses mais próximos continuar a subir... E todos sabemos quanto a Alemanha preza, como mais nenhum outro país, a estabilidade de preços...

Perante isto, apetece perguntar: São os Democratas-cristãos alemães conservadores ou os Socialistas de cá progressistas?... QUE CONFUSÃO....

28 março 2008

1- 2009 NO HORIZONTE!... 2- NÃO ESTOU PREPARADO PARA ISTO!...

1- 2009 NO HORIZONTE!...
Está dito e esta página é disso testemunha!... Os “trazeiros”, como mostra a figura ao lado, iniciaram o seu processo de emagrecimento. E se dúvidas houvesse, de que o Governo norteia parte da sua acção, pelo horizonte das eleições legislativas de 2009, o anúncio de uma descida de 1% do IVA para daqui a uns meses vem certamente dissipá-las e dar razão ao meu vaticinio.
Mas o mais grave, é que depois de o Governo (e o sempre prestável Vitor Constâncio) repetir incessantemente que uma descida de impostos na actual situação das finanças públicas seria uma "irresponsabilidade", Sócrates vem fazer aquilo que sempre vinha condenando. A razão, claro, é a campanha eleitoral que o Primeiro-Ministro tem vindo a conduzir e a programar, desde o dia em que foi eleito. Será isto legitimo?... Claro que sim. Mas tendo em conta o défice de 2,6% apresentado pelo Governo, não seria também legitimo, haver mais contenção, nos pedidos de sacrificios feitos aos portugueses?...
Uma coisa é certa: Ao contrário, da quase totalidade da obscura Oposição que temos, este Governo e Sócrates em particular, sabem o que fazer. Astúcia e pensamento à distância, não lhes faltam. É que para além da propaganda, que o assunto trouxe ao debate politico, o anúncio desta descida para o mês de Julho, serve-lhe como analgésico, permitindo-lhes, viver durante um largo período a "fazer render o peixe", pelo menos até ao dia em que uma qualquer outra medida propagandística seja lançada nas televisões e nos jornais.
Em boa verdade, o que o país precisa, não é de medidas propagandisticas sem qualquer significado. O que o país precisa, não é de um retoque na imensa carga fiscal que alimenta um gigantesco monstro de desperdício estatal, mas sim de uma reavaliação do que é que deve caber ao Estado, e qual a carga fiscal necessária para financiar essas áreas de intervenção estatal, tendo sempre em conta que o actual modelo do "Estado Social" está falido a longo prazo e condena os portugueses ao empobrecimento relativo.Anunciar pequenas descidas do IVA e falar do "fim da crise orçamental" é atirar areia para os olhos dos portugueses. Afinal de contas, 2009 não deveria justificar tudo...

2- NÃO ESTOU PREPARADO PARA ISTO!...
Esta não lembra ao diabo!...
Verdade ou não, é o Diário de Noticias que o relata!... Mas vamos à “estória”...
Nasceu mulher, mas sentia-se homem...
Submeteu-se a tratamentos para mudar de sexo...
Tornou-se homem, mas manteve os órgãos sexuais femininos...
Casou com uma mulher e quiseram ter filhos. Não através do elemento feminino do casal, mas através do elemento masculino, que “no passado fora feminino”.
Compraram esperma a um doador anónimo e fizeram inseminação. Resultado: O homem que foi mulher está grávido de 5 meses.
Francamente não estou preparado para anormalidades destas, nem para aceitar que a ética médica, possa colaborar em tal aberração.
A ser verdade, valha-nos Santa Engrácia!...

16 março 2008

O FUTURO DA POLITICA PORTUGUESA...

Os acontecimentos das últimas semanas são um pequeno sinal do que caracterizará a política portuguesa nos próximos tempos.
A manifestação dos professores (com a quantidade de gente que nela participou), os protestos de Augusto Santos Silva contra as vaias de que foi alvo em Chaves (e a preparação da "contra-manifestação" do PS), e a conflitualidade interna no PSD (com Menezes e Santana reagindo às críticas com mais violência, do que aquela com que os críticos os atacam) deixam antever, uma significativa radicalização do debate político nos próximos tempos, sem que, ao mesmo tempo, haja entre as partes em confronto, uma verdadeira diferenciação, sem que apareça uma verdadeira alternativa ao caminho proposto pelo Governo.

A manifestação dos professores, aliada a outras cenários de participação da "rua", mostra como o Governo se encontra num equilíbrio precário: a sua propaganda assentava na sua "coragem", "firmeza" e recusa em "recuar". Mas, obcecado com nova maioria em 2009, está condenado a desiludir se recuar e a enfurecer se insistir.
O recurso à "rua", principalmente depois do precedente do afastamento de Correia de Campos, torna-se assim apetecível, o que fará cada vez mais gente sair para protestar, sem no entanto ter esperança num caminho alternativo. No entanto, o "barulho" que fazem é suficiente para incomodar o Governo, como se viu pela histeria de Augusto Santos Silva, que na mesma semana em que a Policia andou (mais uma vez) a espiolhar manifestantes, teve o desplante de acusar uns quantos cidadãos, de falta de democraticidade, só porque, desconhecedores das subtilezas da ciência política, cometeram o erro de o apelidar de fascista.

Apesar do seu ridículo, a intervenção de Santos Silva não é motivo de riso, mas sim um indicador de como o PS, à radicalização da "rua", responderá com a radicalização do seu próprio discurso, acusando, tal como no tempo da outra senhora, a oposição de "esquerda" de querer fazer uma ditadura comunista em Portugal, e a oposição de "direita" (se é que ela vai aparecer) de querer, tal como no Verão Quente de 1975, de "voltar ao 24 de Abril".
No meio de toda esta embrulhada, só falta mesmo Manuel Alegre e o seu movimento, para colocar "ordem na casa"!...

Enquanto isso, o maior partido da oposição, continuando a sua já longa travessia no deserto, encarrega-se de se anular a si próprio. Menezes, preocupadíssimo em conservar o poder interno, não se incomoda com o estrago que faz à imagem do partido junto dos eleitores. Ao querer apressar a votação das novas regras de funcionamento interno, apesar da fortíssima contestação de vários opositores, Menezes apenas mostrou que a manutenção desse poder interno é a sua prioridade política, e que mais importante que fazer oposição ao PS, é anular os críticos internos.

Com tal conduta e sem meias palavras, diz assim aos cidadãos e aos militantes de base, que dali não virá uma verdadeira alternativa, pois para Menezes parece haver coisas piores que um Governo PS. E quando Santana Lopes, vem acusar esses críticos de estarem "em conluio" com o PS, nota-se aqui, um fenómeno semelhante ao de Santos Silva: uma radicalização da linguagem provocada por uma percepção de fragilidade à qual é impossível dar a volta.
Ora, essa radicalização do confronto interno do PSD, apenas dificultará a sua afirmação como líder da oposição, perpetuando a ausência de uma verdadeira alternativa ao PS, que por sua vez, também fragilizado contribui para o sentimento de vazio dos portugueses, que os conduz à "rua", numa luta cada vez mais radicalizada, levando o partido do governo, a igualmente radicalizar o seu próprio discurso.
O debate, está assim a entrar num ciclo vicioso de degradação progressiva, que na ausência de uma oposição séria e eficaz, combinará no pior de dois mundos: teremos radicalização sem diferenciação, e homogeneidade sem estabilidade. A democracia ficará mais frágil, e nenhuma reforma que inverta o empobrecimento dos portugueses poderá ser promovida.

(DEVIDO AO PERIODO PASCAL, ESTA RUBRICA SOFRERÁ O PEQUENO INTERREGNO DE UMA SEMANA)

09 março 2008

1-ESQUIZOFRENIA POLITICA 2-EDUCAÇÃO-REFORMA OU CONTRA-REFORMA? 3-ONDE CHEGA O RIDICULO...

1-ESQUIZOFRENIA POLITICA
Sabiam por acaso, que o senhor da foto é ministro do Governo da República?... Sabiam que tem seu cargo as relações do Governo com o Parlamento e que já foi ministro da Educação?...
Pois bem!... O senhor da foto, foi aquele que na minha terra, proferiu estas inacreditáveis declarações (Click), e é o mesmo, que em plena campanha eleitoral para a Presidência da República disse que a eleição do Professor Cavaco Silva corresponderia a um golpe de Estado. Nem mais nem menos!... A um golpe de Estado.
Ao que consta, não se retratou nem pediu desculpa, e até foi á posse do Chefe de Estado de quem receava o dito golpe... Não estaremos, perante mais um caso de esquizofrenia politica?
Estou-me literalmente nas tintas, para o revolucionário passado mais ou menos remoto deste senhor, que não justifica os dislates. O que me incomoda isso sim, é ver nos mais altos cargos, pessoas sem um pingo de sentido de Estado e sem respeito, por aqueles que anos a fio, deram o "corpo ao manifesto"....
2 -EDUCAÇÃO - REFORMA OU CONTRA-REFORMA
Não é uma reforma mas uma contra reforma para a educação, as medidas políticas que estão a ser implantadas por este governo no nosso ensino. Os professores são culpabilizados, não por serem menos exigentes, mas por serem exigentes de mais; não por saberem de menos, mas por saberem de mais.

A “raiva” que esta contra-reforma sente pelos professores, é seguramente pela dimensão humanista que a maioria dos professores possuem, pela sua abnegação, pelo ensino que praticam, pelos valores éticos que transmitem aos seus alunos, por serem intelectuais e não apenas transmissores de conhecimentos desprovidos de valores de cidadania. O “desprezo” que a ministra manifesta por estes “professorzecos” - como os trata em privado -, é por sentir que estes professores possuem uma dimensão humana incompatível com a sua “reforma”. Uma contra-reforma, onde não se deseja que os professores sejam educadores mas sim apenas instrutores; onde não se deseja um ensino humanista e universalista mas ao contrário um ensino vazio e alheio aos valores da cidadania, um ensino puramente tecnicista e utilitário. Um ensino onde não se formem cidadãos mas consumidores. Um ensino onde a socialização do aluno não se faça por padrões éticos e morais, de fraternidade, solidariedade, tolerância, abnegação, mas por uma socialização em que apenas conte o espírito individualista, egoísta e utilitário. E neste projecto neoliberal do governo Sócrates para o ensino, a avaliação dos professores é apenas um pequeno fragmento do puzle. O Estatuto do aluno, a nova organização da escola, o Estatuto da carreira docente, a nova configuração pedagógica, são as outras peças que o complementam. É preciso competir, e uma sociedade moderna é aquela na qual só os melhores triunfam; a crise do ensino resulta assim, de um problema cultural provocado pela ideologia dos direitos sociais, e a falsa promessa de que uma suposta condição de cidadania, nos coloca a todos em igualdade de condições, para exigir o que só deveria ser outorgado àqueles, que graças ao mérito e ao esforço individual, se consagram como consumidores empreendedores. É este o pensamento neoliberal. É esta a “modernidade” que se pretende para o ensino em Portugal. Retirar a Educação do campo social e político e ingressá-la no mercado para funcionar à sua semelhança; adequar a escola aos mecanismos do mercado.
A manifestação de ontem, dos 80 ou 100.000 professores, não foi apenas uma lição de cidadania que os professores deram ao governo.Foi uma lição de cidadania que deram ao País.

3- ONDE CHEGA O RIDICULO...
Na corrente e deliciosa polémica em torno das alterações ao Regulamento de Disciplina Militar do PSD (RDM/PSD), terá sido agora suscitada uma das mais "extraordinárias" sugestões: um suposto novo sistema de pagamento de quotas, vir a ser manipulado como instrumento de branqueamento de capitais... Tanto quanto estou informado, a quota mensal paga pelos “militares” do PSD é de 1€... Quer isto dizer que se terá levantado a suspeita, de através do pagamento de 1€/mês efectuado por terceiro não co-obrigado nesse pagamento, poder estar - não apenas um gesto de cínica generosidade ou de aquisição mercantil de preciosos votos – mas um canal de branqueamento de capitais! A coisa foi ao ponto de na edição de hoje de um dos jornais gratuitos, aparecer como título de primeira página exactamente a ligação entre as alterações do RDM/PSD e o branqueamento de capitais... Segundo a sugestão em causa, o branqueamento de capitais ter-se-á transformado em fenómeno de tal modo popularizado ou democratizado que até as pessoas de baixíssimos rendimentos estarão a servir-se desta infamante prática! A possibilidade de se registarem operações múltiplas de branqueamento de capitais de €1/mês via quotas do PSD deverá assim constituir, doravante, mais uma preocupação para as Autoridades encarregadas da investigação criminal, quiçá como primeira prioridade... Admite-se até que as brigadas de combate ao banditismo tenham de ser consideravelmente reforçadas para atacar este novo e deletério fenómeno que ameaça a coesão social e nacional!... Diz-se às vezes que o ridículo mata...

Neste caso, suspeito de que a intensidade letal é de tal ordem, que justifica a adopção de providências extraordinárias para protecção do fenómeno...
Para os opositores de Menezes um conselho: Se não gostam do Homem, não divaguem, caso contrário, será pior a "ementa que o soneto..."