01 maio 2008

1. A "RADIOGRAFIA" DE UM PSD MORIBUNDO... 2. O ESTADO FALHA NA MAIS BÁSICA DAS SUAS RESPONSABILIDADES...

1. Manuela Ferreira Leite anunciou a sua candidatura à liderança do PSD. É certo, que vai ser ainda preciso esperar um pouco, para saber com que programa a ex-Ministra pretende conduzir a acção do seu Partido, mas a sua disponibilidade, abre portas, para no mínimo o credibilizar aos olhos dos eleitores. Claro que para isso, Ferreira Leite - ou até Passos Coelho, outro dos candidatos a dizer coisas interessantes mas sobre o qual persiste alguma desconfiança, lá para os lados da S. Caetano -, terá de ser eleita e vencer os restantes candidatos que entraram nesta corrida.
Esta(s) candidatura(s), dizem-nos que finalmente, os candidatos a "salvadores" do PSD (e o PSD precisa mesmo de salvação), perceberam que Menezes não era o problema do PSD, mas antes um sintoma da doença que afecta o partido, e que portanto, a sua demissão, por si só, não significa o fim da crise.
O conflito interno no Partido, tem sido caracterizado como sendo travado pelas "elites" contra as "bases". Dizê-lo é não perceber o significado de Menezes. Ao contrário do que argumenta, Menezes não é, como nunca foi, uma emanação "das bases", mas sim de uma parte dessas "bases", exactamente aquela, que depende das redes clientelares, que as autarquias laranjas tão habilmente construíram.
O conflito interno do PSD, em boa verdade, é travado, de um lado pelas "elites" e "bases" que têm como objectivo vencer as legislativas, e do outro pelas "elites" e "bases" que não tendo o poder como objectivo, lutam desenfreadamente pela manutenção dessas fontes de empregos e benefícios, que são as autaqruias que o PSD controla. Isto é: Enquanto os primeiros se preocupam com as hipóteses de o PSD vencer em 2009, os segundos, receiam que na difícil conjuntura económica actual, o desempenho de funções governativas por parte do Partido, provoque um desgaste que lhes custe as autarquias e os empregos.
Foi este conflito e não a "ineficácia" na oposição ao Governo, que derrubou Marques Mendes: Mendes não só promoveu uma série de alterações das regras internas do Partido, que retiraram aos aparelhos locais os instrumentos obscuros de perpetuação do poder das clientelas, como afastou Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Carmona Rodrigues e outros malabaristas, a braços com acusações de corrupção, tudo numa tentativa de credibilizar o Partido aos olhos dos eleitores, já de si muito danificado com a fuga de Durão Barroso para Bruxelas e as "trapalhadas" de Santana Lopes, que teima em não ter o mínimo respeito, por quem ao longo dos anos o projectou na sua carreira política.
Por outras palavras, Marques Mendes sacrificou os interesses de alguns aparelhos locais do Partido, ao interesse da estratégia nacional do PSD. Ao contrário, Menezes que na verdade nunca teve como objectivo ser Primeiro-Ministro, mais não foi do que a "cabeça" de um PSD autárquico, que quis retirar ao PSD nacional o "droit de regard" sobre os seus paroquiais assuntos.
Veja-se aliás, quais as àreas em que o PSD de Menezes, cortou com as posições da liderança de Marques Mendes!... Em tudo o que eram os alicerces da oposição a Sócrates - referendo ao Tratado Europeu, Ota e impostos -, Menezes aproximou-se do Governo. Depois rasgou os pactos da lei autárquica (que retirava poderes às juntas de freguesia) e do mapa judicial (que poderia implicar o fecho de alguns tribunais no interior do país), ou seja, tentou a todo o custo, realinhar o PSD nacional, com os interesses dos seus aparelhos locais.
Por alguma razão muitos militantes não parecem preocupados com os valores quase insignificantes que o PSD consegue nas sondagens: as legislativas de 2009 pouco lhes interessa. Nesse ano, o que capta as suas atenções são as autárquicas e o clientelismo, porque quanto às legislativas, pouco mais serão que uma distracção.
É por isso, que por muito reconhecida e prestigiada que seja Manuela Ferreira Leite ou a aposta Passos Coelho, por muitas esperanças que haja em vencer as legislativas em 2009, nada garante que as respectivas candidaturas possam vir a ser "consensuais". Para uma parte significativa no Partido, Manuela Ferreira Leite é apenas e só uma "lebre" para Rui Rio, ou um regresso à orientação "mendista", subordinando toda a sua acção à "credibilização", com os olhos postos no assalto ao Governo, e à realização de medidas impopulares, se e quando o poder governativo vier a ser conquistado, isto para não falar de Passos Coelho, que é para os mesmos “olheiros” uma verdadeira incógnita.
O sucesso eleitoral do PSD ao longo dos anos, foi fruto do facto, de na prática, o Partido mais não ser que uma vasta coligação de interesses muito variados. No fundo, o PSD funcionava mais como um partido americano (uma "federação" de grupos distintos, que sem uma ideologia coerente e uniforme, se juntam em torno de um líder e seguem o programa que este quer promover) do que como um partido europeu como o PP espanhol (uma força política ideologicamente definida e representativa de uma de parte da sociedade).
O actual conflito, entre o Partido com ambições nacionais e os vários "partidos" locais com ambições autárquicas, é mais grave que qualquer outro até hoje, pois na realidade, estes dois interesses parecem ser neste momento inconciliáveis. E é em função disso mesmo, que não tardará muito, que o PSD tenha de se definir, para que dessa definição saia um “novo e saudável partido” capaz de "mudar Portugal", em contraponto a outro, que ou muito me engano, ou estará já na forja.
2. O Público noticiou esta semana, que um homem foi espancado no interior de uma Esquadra da PSP em Moscavide, numa altura em que estaria a apresentar uma queixa, presumivelmente contra alguém do grupo, que invadindo a Esquadra (onde estava apenas um polícia), o agrediu. Nos próximos tempos, parte do debate político, assentará muito provavelmente neste episódio. É sempre assim: A "agenda da segurança", entre a histeria generalizada que surge sempre que acontece alguma coisa, por um lado, e a mais completa ignorância e obscuridade na matéria, pelo outro, farão de certeza sorrir os experts na matéria.
Apesar de tudo, não será de espantar, que nada se faça ou mude, a não ser o sentimento de insegurança das pessoas, que cresce à medida que o tempo passa. O slogan de “MAIS POLICIAS NA RUA” continuará a tentar “comprar” votos, e as regras mais elementares de articulação dos meios, por parte de quem sabe e o deve fazer, fazem já parte das “calendas gregas”. Foram os diversos Governos que assim o quiseram!... E se assim o quiseram, assim o têm...
Em boa verdade, considero ser particularmente grave, que assim seja!... E considero ser particularmente grave que assim seja, porque a segurança sem quaisquer rodeios ou artimanhas, deveria ser uma das funções prioritárias do Estado de Direito, isto é: proteger os cidadãos do uso coercivo da força por parte daqueles que não a devem usar. É que, quando uma pessoa não se sente segura para fazer uma queixa numa Esquadra de Policia, os criminosos, sentir-se-ão de certeza seguros para infringir a lei. Não basta a Policia garantir que o indivíduo agredido, apenas se havia "refugiado" no interior da Esquadra, não pretendendo apresentar qualquer queixa. Mesmo que seja verdade, não serve de atenuante. Se uma pessoa nem numa Esquadra se pode sentir segura da ameaça de criminosos, se nem numa Esquadra de Polícia uma pessoa pode estar a salvo dos criminosos de quem se pretende queixar, não se poderá sentir segura em mais lado nenhum.
Os criminosos, não são “toscos”!... O sentimento de impunidade reinante, aliado aos recentes diplomas legislativos que os protegem, está em crescendo. O aumento da criminalidade, tal como o sentimento, por parte dos cumpridores da lei, de que o melhor para eles é não ajudar a penalizar os que não a cumprem, idem, idem, aspas, aspas... Fazer uma queixa, testemunhar contra um criminoso, é colocar a sua própria segurança em risco e pelos vistos em qualquer lugar. E disto, NÃO SE CULPE A POLICIA, que à custa do brio, da abnegação e do profissionalismo, da esmagadora maioria dos seus profissionais, vai procurando remar contra a maré. É que na mais básica das suas responsabilidades, o Estado falhou. Resta a esperança do actual Ministro, não ter trilhado – segundo parece – o caminho de alguns dos seus antecessores. Aguardemos para ver...

20 abril 2008

1. O ESPÍRITO DE ABRIL... - 2. FINAL TRISTE...

O ESPIRITO DE ABRIL... OS TRABALHADORES... E AS VOZES DO DONO.

No momento em que se celebra mais um aniversário do 25 de Abril, e perante as profundas transformações que na última década vêm fustigando o campo do trabalho no nosso país, fará sentido interrogarmo-nos se valeu a pena e onde pára o espírito da Revolução dos Cravos!...
Há que dizer com toda a frontalidade, que nenhum português de boa fé, poderá colocar em causa a LIBERDADE.
Em boa verdade, vão longe os tempos das velhas ilusões colectivistas e dos ideais socialistas da época – a solidariedade, a igualdade, a justiça social. Porém, também não tenho dúvidas, que estamos longe do equilibrio e que o actual cenário social e laboral é marcado pelo individualismo, pela indiferença e por sentimentos de vulnerabilidade, de insegurança e de dependência. Hoje, é corrente verificar-se, que em vez de formas de gestão modernas e democráticas, da responsabilidade social das empresas, do diálogo social, da autonomia individual, do respeito pela cidadania – salvo as poucas e honrosas excepções – prevalece o autoritarismo e um absoluto seguidismo imposto pelas hierarquias.
Hoje, revolta-me verificar, que sejam os próprios subordinados, trabalhadores e funcionários, a abdicar dos seus direitos, na expectativa de com isso preservarem o emprego, ou consolidarem a sua posição. Com tal postura, o elo fraco está cada vez mais fraco e a aversão ao sindicalismo – ou a qualquer outra forma de associativismo autónomo – tornou-se a regra. A cultura anti-sindical ou associativa, vai-se impondo a partir do topo, e estende-se já, a algumas franjas da base da pirâmide. A luta que resta é hoje meramente individual e pela segurança, ou seja, regressámos às necessidades primárias.
É por tudo isto, que penso ser inaceitável, que mais de três décadas após o 25 de Abril, o espírito obediente, submisso e acrítico, seja premiado, em clara contraposição à verdade, à lealdade e à frontalidade! A falta de verticalidade tem hoje grandes vantagens, contrariamente ao espírito livre e autónomo. E obviamente que quem ascende pela obediência, jamais pode aceitar que abaixo de si, subsista a mais leve irreverência. Resulta daí, que aqueles que mostrem a mais pequena veleidade em questionar as opções da cadeia hierárquica, embora competentes, entram de imediato nas listas de candidatos à “prateleira” ou à eterna estagnação na posição subalterna ou burocrática que ocupam, quando não são simplesmente despedidos no final do contrato. Este tipo de comportamentos, é hoje perfeitamente visível e são os próprios Partidos, sustentáculos da nossa Democracia, que muitas vezes os promovem e incentivam. Esta é a verdade, e quer se queira ou não, a obediência cega, vem-se tornando um padrão, um requisito já não para progredir, mas tão somente para agarrar o emprego a todo o custo.

O ponto nevrálgico de toda esta situação, está pois nas lideranças e no espectro do desemprego. Estamos perante uma lógica em cadeia, imposta de cima, que penetra nos níveis intermédios e atinge os inferiores, isto é, num processo em que as chefias, os directores, os coordenadores, no fundo, aqueles que centralizam o poder em diferentes sectores, sobem e ganham protagonismo, não pelas suas qualidades e talento, não porque possuam reconhecido mérito ou grandes competências técnicas, não porque sejam inovadores e tenham mais iniciativa do que os outros, mas pelo contrário, eles sobem justamente, quando já deram repetidas provas de que obedecem à “voz do dono”, de que seguem até ao “tutano”, a vontade e a estratégia de poder daqueles que os promoveram ou os propuseram.
É sobretudo por isso que são nomeados, chamados para encabeçar listas, para assumir cargos públicos e controlar posições-chave dentro das instituições. A “lealdade” e a “confiança”, em vez de traduzirem dedicação à instituição, à sociedade e às causas, tornam-se meros paliativos para esconder obediências pessoais.
Este é um poder social que não possui um único centro. É um poder que se dissemina no mundo empresarial, na administração pública, no parlamento, nas universidades, assumindo formas distintas e cobrindo âmbitos diversos.

Perante isto, aos cidadãos e trabalhadores – dos que já esqueceram as promessas de Abril e aos mais jovens que as ignoram –, cabe perguntar se o discurso tecnocrático, hoje novamente dominante, sobre a aposta nas pessoas, nas qualificações, nas oportunidades e no mérito, não será uma enorme falácia e o que é feito do espírito de Abril?...
Pela minha parte e como sempre, não me resigno!... Por circunstâncias da vida, participei activamente na “revolta” e jamais esquecerei a noite maravilhosa de 25 de Abril, as peripécias que a envolveram e os dias que se lhe seguiram. È por tudo isto, que continuo a pensar... VALEU, E VALE A PENA LUTAR POR ABRIL!...



2. FINAL TRISTE...

A candidatura e posterior eleição de Menezes, para a presidência do PSD, foi sem sombra de dúvida, um erro de casting na história do Partido.
A sua carreira politica, tem uma marca da qual jamais se livrará, e essa marca tem um nome: "Congresso do Coliseu" em Lisboa.
Aí, Menezes mostrou o tipo de pessoa que é, e o seu estilo, que decisivamente viria a pesar e a comprometer o seu percurso politico. Parece que ainda hoje estou a ouvir, a tremenda assobiadela com que ali foi contemplado, e as suas "lágrimas" de "Madalena arrependida"...
Mas Menezes não aprendeu!... Pela parte que me toca, havia-lhe dado como tempo limite para a manutenção do seu mandato, o final do ano, porém, para bem do PSD e do próprio país, folgo, que tal tenha acontecido a destempo.
É que em boa verdade, os genuínos Sociais Democratas - notáveis ou bases -sofriam e sentiam-se incomodados com os sucessivos episódios...

Os comentadores comentavam...

Os críticos criticavam...

Os tácticos calculavam...

E os "sucessores" ameaçavam...

Não sei o que vai seguir-se no PSD. O que sei isso sim, é que como estava, o estiolamento era o próximo passo. Sei eu, e sabe toda a gente, excepto Ribau, Santana & C.ª!...

Porém e há que dizê-lo, foi triste ao que assistimos. Luis Filipe Menezes desabafou um putativo “basta” de proporções magnânimas. De seguida, "amigo" do Partido e do «povo» social-democrata, marcou eleições directas para 24 de Maio de 2008, concedendo um prazo de 37 dias, para os «terroristas» e respectivos «mandantes», bem como outros «quejandos» (repare-se na elegância do estilo utilizado), se organizarem.

Meus senhores:

O que impressiona em Menezes já não é tanto a nulidade doutrinária que o habita, a vocação para franco-atirador de ideias erráticas, desgarradas e ininteligíveis, o péssimo gestor de conflitos, o agitador por interposta pessoa. O que mais impressiona é a forma como este homem não percebeu, que como líder de um partido com ambições de poder, foi um tremendo e horrendo erro de casting. O que perturba, é ele não perceber ainda, quem foi, quem o acompanhou, e o mal que fez ao PSD.
Até na saída, Menezes foi ridículo, triste, injurioso e abjecto.

PARA TERMINAR, UM VOTO:
Que o patriotismo Social-Democrata, do PSD – e não do PPD/PSD, entenda-se - obrigue, agora e já, a centrar esforços numa "lufada" de credibilidade. de um partido que nunca esteve ausente das grandes reformas no Portugal pós 25 Abril, de um partido que traçou uma matriz ideológica e demarcou um espaço político que só ele preencherá.
Haja coragem e autenticidade

11 abril 2008

DUAS "ANEDOTAS" NO PAÍS DAS MARAVILHAS / O REGRESSO ANUNCIADO...

1 - DUAS " ANEDOTAS" NO PAÍS DAS MARAVILHAS...
A ideia de colocar estas duas imagens lado a lado, tem como objectivo recordar, não só o atraso em que o país se encontra, mas também chamar a atenção de dois belos exemplos, de homens de PROMESSAS, senão vejamos:
Um prometeu 150.000 empregos, durante a legislatura e o outro colocar o Benfica na Europa dos campeões. Nem mais, nem menos...
Fomos todos nós, que ajudamos as respectivas personagens, a ocupar os cargos a que actualmente presidem. Porém, apesar do descalabro, ainda nos querem fazer acreditar nas promessas vãs e fantasiosas, com que ambos nos vão brindando todos os dias. E nem sequer a taxa de desemprego que a 1 de Abril se cifrava nos 7,5% e o facto de o F.C.Porto se ter sagrado tricampeão com 18 pontos de avanço, a cinco jornadas do fim do campeonto, os faz corar de vergonha, se é que de facto a têm. Uma coisa é certa: Digam lá que a COMPARAÇÃO não é perfeita?....


2 -O "REGRESSO" ANUNCIADO ...
No PSD, toda a gente parece estar a viver fechada no quarto como Estaline depois da invasão alemã. As últimas sondagens, dão os piores resultados de sempre para o PSD, mas Menezes parece continuar a achar que "o povo" continua com ele (talvez por o líder do PSD não querer vencer as próximas legislativas). Enquanto a credibilidade do partido aos olhos dos eleitores bate no fundo, os seus responsáveis entretêm-se a comentar a escolha de uma jornalista da moda, por parte da RTP, para apresentar um programa televisivo. Enquanto o país vai vivendo no seu marasmo habitual, o PSD e os seus responsáveis caminham alegremente para o abismo, sem perceberem para onde estão a ir, e como arrastam todos os portugueses com eles. Não há melhor exemplo da alienação da realidade do PSD que o momento do debate parlamentar de ontem (11 ABR), em que Pedro Santana Lopes anunciou, com visível deleite, que o Primeiro-Ministro estava "de saída", e ele, "guerreiro-menino", estava já "de regresso".
O homem, escusado será dizer, achou a tirada genial, e decerto que os seus parceiros de bancada lhe garantiram que ele não estava enganado. O problema é que foram os únicos a pensarem assim. Se alguém estivesse ouvir, já que não são muitos os que têm paciência para ouvir este PSD, hoje em dia, certamente se desatou a rir com as palavras de Santana. E Sócrates, como seria de esperar, não desperdiçou qualquer oportunidade de ridicularizar ainda mais o partido laranja e o líder da sua bancada parlamentar.
A cada intervenção, os responsáveis do PSD contribuem para uma futura reeleição de Sócrates em 2009. O pior é que, como se vê pelo entusiasmo com que Santana quinzenalmente se atira para o fundo de um poço, nem sequer se apercebem do que estão a fazer. Como Estaline, daqui a um ano acabarão a fechar-se num quarto a chorar o que lhes vai acontecer. Mas na realidade, já há muito que estão lá fechados, sem um mínimo de ligação ao mundo real em que todos os outros portugueses têm de viver.

04 abril 2008

CONSERVADORISMO DE MERKEL Versus SOCIALISMO DE SÓCRATES

Foi notícia esta semana no F. Times um acordo entre sindicatos da Função Pública e Governo Federal da Alemanha para uma actualização salarial de 8%, válida para 2 anos (2008 e 2009).
Este acordo, traduz a mais elevada variação salarial no sector público na Alemanha desde 1992. Com base nele, os funcionários públicos alemães (a notícia refere 1,3 milhões) vão receber:- Em 2008, um aumento mensal igual para todos de € 50,00 acrescido de um aumento da tabela salarial de 3,1%; - Em 2009, um aumento igual para todos de € 225, pago de uma só vez, acrescido de um aumento da tabela salarial de 2,8%.

Significa isto, que os aumentos são bastante mais generosos para os salários mais baixos, valorizados pela componente fixa dos aumentos, tanto em 2008 como em 2009. Em contrapartida, os funcionários - só na parte correspondente à antiga Alemanha Ocidental - aceitam um aumento do horário de trabalho de 30 minutos/dia.

Trata-se de mais um acordo salarial relativamente generoso no corrente ano, que se segue aos dos trabalhadores da industria do aço (aumento de 5,2% para 2008) e dos maquinistas de comboios (+11% também para 2008), esperando-se para breve um outro acordo, com os trabalhadores da industria química, de +7% igualmente para 2008. O Ministro dos Assuntos Administrativos (o MAI lá do sítio) e negociador por parte do Governo, Wolfgang Schauble, conhecido dirigente cristão-democrata explicou a razão de ser desta generosidade salarial: “O aumento tem custos elevados mas é aceitável, pois os funcionários públicos têm o direito a partilhar, com justiça, da evolução positiva do crescimento económico da Alemanha”...

A inflação na Alemanha terá subido de 2,9% em Fevereiro para 3,2% em Março e, segundo as indicações mais recentes, deverá, pelo menos nos meses mais próximos continuar a subir... E todos sabemos quanto a Alemanha preza, como mais nenhum outro país, a estabilidade de preços...

Perante isto, apetece perguntar: São os Democratas-cristãos alemães conservadores ou os Socialistas de cá progressistas?... QUE CONFUSÃO....

28 março 2008

1- 2009 NO HORIZONTE!... 2- NÃO ESTOU PREPARADO PARA ISTO!...

1- 2009 NO HORIZONTE!...
Está dito e esta página é disso testemunha!... Os “trazeiros”, como mostra a figura ao lado, iniciaram o seu processo de emagrecimento. E se dúvidas houvesse, de que o Governo norteia parte da sua acção, pelo horizonte das eleições legislativas de 2009, o anúncio de uma descida de 1% do IVA para daqui a uns meses vem certamente dissipá-las e dar razão ao meu vaticinio.
Mas o mais grave, é que depois de o Governo (e o sempre prestável Vitor Constâncio) repetir incessantemente que uma descida de impostos na actual situação das finanças públicas seria uma "irresponsabilidade", Sócrates vem fazer aquilo que sempre vinha condenando. A razão, claro, é a campanha eleitoral que o Primeiro-Ministro tem vindo a conduzir e a programar, desde o dia em que foi eleito. Será isto legitimo?... Claro que sim. Mas tendo em conta o défice de 2,6% apresentado pelo Governo, não seria também legitimo, haver mais contenção, nos pedidos de sacrificios feitos aos portugueses?...
Uma coisa é certa: Ao contrário, da quase totalidade da obscura Oposição que temos, este Governo e Sócrates em particular, sabem o que fazer. Astúcia e pensamento à distância, não lhes faltam. É que para além da propaganda, que o assunto trouxe ao debate politico, o anúncio desta descida para o mês de Julho, serve-lhe como analgésico, permitindo-lhes, viver durante um largo período a "fazer render o peixe", pelo menos até ao dia em que uma qualquer outra medida propagandística seja lançada nas televisões e nos jornais.
Em boa verdade, o que o país precisa, não é de medidas propagandisticas sem qualquer significado. O que o país precisa, não é de um retoque na imensa carga fiscal que alimenta um gigantesco monstro de desperdício estatal, mas sim de uma reavaliação do que é que deve caber ao Estado, e qual a carga fiscal necessária para financiar essas áreas de intervenção estatal, tendo sempre em conta que o actual modelo do "Estado Social" está falido a longo prazo e condena os portugueses ao empobrecimento relativo.Anunciar pequenas descidas do IVA e falar do "fim da crise orçamental" é atirar areia para os olhos dos portugueses. Afinal de contas, 2009 não deveria justificar tudo...

2- NÃO ESTOU PREPARADO PARA ISTO!...
Esta não lembra ao diabo!...
Verdade ou não, é o Diário de Noticias que o relata!... Mas vamos à “estória”...
Nasceu mulher, mas sentia-se homem...
Submeteu-se a tratamentos para mudar de sexo...
Tornou-se homem, mas manteve os órgãos sexuais femininos...
Casou com uma mulher e quiseram ter filhos. Não através do elemento feminino do casal, mas através do elemento masculino, que “no passado fora feminino”.
Compraram esperma a um doador anónimo e fizeram inseminação. Resultado: O homem que foi mulher está grávido de 5 meses.
Francamente não estou preparado para anormalidades destas, nem para aceitar que a ética médica, possa colaborar em tal aberração.
A ser verdade, valha-nos Santa Engrácia!...

16 março 2008

O FUTURO DA POLITICA PORTUGUESA...

Os acontecimentos das últimas semanas são um pequeno sinal do que caracterizará a política portuguesa nos próximos tempos.
A manifestação dos professores (com a quantidade de gente que nela participou), os protestos de Augusto Santos Silva contra as vaias de que foi alvo em Chaves (e a preparação da "contra-manifestação" do PS), e a conflitualidade interna no PSD (com Menezes e Santana reagindo às críticas com mais violência, do que aquela com que os críticos os atacam) deixam antever, uma significativa radicalização do debate político nos próximos tempos, sem que, ao mesmo tempo, haja entre as partes em confronto, uma verdadeira diferenciação, sem que apareça uma verdadeira alternativa ao caminho proposto pelo Governo.

A manifestação dos professores, aliada a outras cenários de participação da "rua", mostra como o Governo se encontra num equilíbrio precário: a sua propaganda assentava na sua "coragem", "firmeza" e recusa em "recuar". Mas, obcecado com nova maioria em 2009, está condenado a desiludir se recuar e a enfurecer se insistir.
O recurso à "rua", principalmente depois do precedente do afastamento de Correia de Campos, torna-se assim apetecível, o que fará cada vez mais gente sair para protestar, sem no entanto ter esperança num caminho alternativo. No entanto, o "barulho" que fazem é suficiente para incomodar o Governo, como se viu pela histeria de Augusto Santos Silva, que na mesma semana em que a Policia andou (mais uma vez) a espiolhar manifestantes, teve o desplante de acusar uns quantos cidadãos, de falta de democraticidade, só porque, desconhecedores das subtilezas da ciência política, cometeram o erro de o apelidar de fascista.

Apesar do seu ridículo, a intervenção de Santos Silva não é motivo de riso, mas sim um indicador de como o PS, à radicalização da "rua", responderá com a radicalização do seu próprio discurso, acusando, tal como no tempo da outra senhora, a oposição de "esquerda" de querer fazer uma ditadura comunista em Portugal, e a oposição de "direita" (se é que ela vai aparecer) de querer, tal como no Verão Quente de 1975, de "voltar ao 24 de Abril".
No meio de toda esta embrulhada, só falta mesmo Manuel Alegre e o seu movimento, para colocar "ordem na casa"!...

Enquanto isso, o maior partido da oposição, continuando a sua já longa travessia no deserto, encarrega-se de se anular a si próprio. Menezes, preocupadíssimo em conservar o poder interno, não se incomoda com o estrago que faz à imagem do partido junto dos eleitores. Ao querer apressar a votação das novas regras de funcionamento interno, apesar da fortíssima contestação de vários opositores, Menezes apenas mostrou que a manutenção desse poder interno é a sua prioridade política, e que mais importante que fazer oposição ao PS, é anular os críticos internos.

Com tal conduta e sem meias palavras, diz assim aos cidadãos e aos militantes de base, que dali não virá uma verdadeira alternativa, pois para Menezes parece haver coisas piores que um Governo PS. E quando Santana Lopes, vem acusar esses críticos de estarem "em conluio" com o PS, nota-se aqui, um fenómeno semelhante ao de Santos Silva: uma radicalização da linguagem provocada por uma percepção de fragilidade à qual é impossível dar a volta.
Ora, essa radicalização do confronto interno do PSD, apenas dificultará a sua afirmação como líder da oposição, perpetuando a ausência de uma verdadeira alternativa ao PS, que por sua vez, também fragilizado contribui para o sentimento de vazio dos portugueses, que os conduz à "rua", numa luta cada vez mais radicalizada, levando o partido do governo, a igualmente radicalizar o seu próprio discurso.
O debate, está assim a entrar num ciclo vicioso de degradação progressiva, que na ausência de uma oposição séria e eficaz, combinará no pior de dois mundos: teremos radicalização sem diferenciação, e homogeneidade sem estabilidade. A democracia ficará mais frágil, e nenhuma reforma que inverta o empobrecimento dos portugueses poderá ser promovida.

(DEVIDO AO PERIODO PASCAL, ESTA RUBRICA SOFRERÁ O PEQUENO INTERREGNO DE UMA SEMANA)