16 maio 2008

“O PECADO DE PENSAR EM ALTA VÓZ?”...

Num passado não muito distante, o senhor Presidente da República, não se coibiu de chamar a atenção, para os diminutos níveis de participação dos cidadãos, com particular realce para os jovens, na vida politica do pais.
Agora pergunto eu: Será que esses mesmos cidadãos e jovens, terão motivação para tal aventura, sabendo-se de antemão, os contornos que tal participação implica? É evidente que não!... E digo que não, porque infelizmente, passados que são, mais de três décadas de regime democrático, ainda prevalece em muitos sectores da nossa sociedade, uma cultura feudalista, que de todo em todo empobrece a nossa democracia, e se torna incompatível com a modernidade e a sanidade mental, que deve prevalecer, num regime democrático.

Ora vejamos:
Muitas pessoas que são convidadas para ocupar determinados cargos, sejam eles governamentais, públicos ou privados, são sérias, honestas e com manifesto desejo de servir a respectiva causa. Alguém tem dúvidas?...
Eu não tenho...
No entanto, muitas dessas mesmas pessoas, quando são confrontadas com as “rígidas normas políticas” estabelecidas pelos “chefes”, sentem-se desconfortáveis, porque o que pensam, o que anseiam e o que desejam não são compagináveis com as “regras” superiores.
Estas, são criadas de acordo com a ideologia, os interesses do momento, as disponibilidades financeiras, as pressões dos lóbis e até, as expectativas dos ganhos e perdas no futuro, enfim, tudo é transformável num conjunto de forças em que o superior interesse da “comunidade”, acaba por ditar a lei e influenciar os respectivos comportamentos.Alguém tem dúvidas nesta matéria?... Eu não tenho...

Outra situação: Imaginem o que é estar no Parlamento e ser-se confrontado com boas ideias e interessantes propostas da oposição.Habitualmente o que é que acontece?... Pura e simplesmente não são aceites!...
E será que não são aceites porque não prestam?...
É evidente que não!... Mas como vêm da oposição ou porque o Governo gostaria de as apresentar, ou ainda porque envolvem despesas não previstas ou atropelam os interesses de determinados grupos ou mesmo por mesquinhez, acabam por ser rejeitadas.

Mas o governo ou a maioria que o suporta não têm boas ideias?... Claro que têm...
E o que é que lhes acontece? Nada, a não ser os ataques dos opositores...
Com base em argumentos correctos?... Duvido...
E duvido porque quando chegam ao poder não têm qualquer pudor em assumir como suas as “más” propostas que anteriormente rejeitaram!...
Ora sendo assim, chama-se a isto política?... Parece que sim... Mas boa é que ela não é, de certeza absoluta!...

Cá para mim, os ditos “bons políticos” têm até uma faceta muito interessante: Se optassem pela representação artística seriam o máximo...
Na administração pública, no mundo empresarial em geral – salvo honrosas excepções – a situação é em tudo idêntica. E sendo assim, tudo sôa à vóz única de comando. Isto é: QUEM NÃO É POR MIM É CONTRA MIM (onde é que eu já ouvi isto), e ai de quem ousar contestar, reclamar ou colocar em causa a vóz do “dono”...
É por esta – e outras razões – que a pobreza da nossa democracia, vale aquilo que vale e se encontra na cauda da Europa, ao nível da participação dos cidadãos.

Posto isto, desiluda-se o senhor Presidente da República!... É que enquanto tais comportamentos prevalecerem, de certeza que os nossos jovens e menos jovens não estarão de certeza para aí virados e o enriquecimento do regime, terá que esperar por melhores dias.
É QUE PENSAR EM ALTA VÓZ E NÃO OBEDECER À VOZ DO DONO, TORNOU-SE HOJE NUMA GRANDE COMPLICAÇÃO...

08 maio 2008

COMENTÁRIO - 1

CLARIFICAÇÃO NECESSÁRIA

Pedro Santana Lopes apresentou oficialmente por estes dias, a sua candidatura a Presidente do PSD-Partido Social Democrata, a quem também chamou de PPD/PSD.
Pelos vistos, não há forma deste “gentleman” ter alguma contenção (para não lhe chamar outra coisa) e ocupar o lugar que a sociedade portuguesa já lhe destinou, mas enfim....
Uma coisa tenho presente, tudo ficaria mais clarificado, se PSL aproveitasse desde já a Campanha, para angariar as assinaturas necessárias para fundar o seu próprio partido. E digo isto, porque estou cada vez mais crente, que tal vai acontecer - graças a Deus -, para bem do PSD e até do PSL que assim terá oportunidade de mostrar o que efectivamente vale.
Para terminar, só mais uma coisa:não é bonito nem fica bem, concorrer a Presidente de um Partido a quem se troca o nome, para o afeiçoar ao seu gosto e medidas pessoais. AS "VIRTUDES" DO COSTUME...

COMENTÁRIO - 2

NOTAS SOLTAS SOBRE A VIDA, A SOLIDARIEDADE E OUTRAS...

As campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome têm vindo a mobilizar e a sensibilizar crescentemente as pessoas para a questão da pobreza, da fome e do desperdício.
A percepção da crise que o País vive, explica a manifestação de solidariedade quando os portugueses são interpelados para ajudarem. É o lado bom de uma realidade socialmente injusta, que afecta muitas dezenas de milhares de famílias.

Deparamo-nos hoje com mais pessoas que precisam de ser ajudadas nas coisas mais essenciais da vida. Os alimentos são elementos fundamentais de vida. São a base sem a qual ninguém terá condições e forças para andar para a frente, para integrar e zelar pela unidade e bem estar da família, para procurar trabalho, para se socializar e para tantas outras coisas essenciais a uma existência digna e plena.

A situação económica do País está pior. Há muita pobreza silenciosa e assiste-se ao surgimento dos chamados “novos pobres”. São os idosos com as suas magras pensões que entre a saúde e a alimentação, entre os medicamentos e os alimentos escolhem os primeiros, restando muito pouco para fazer face aos segundos. São as famílias assoladas pelo desemprego e pela incapacidade de fazer face aos empréstimos contraídos que não conseguem assegurar as despesas mais básicas do dia a dia.
Se as campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome podem ajudar muitas pessoas – alimentam uma média diária de cerca de 240.000 pessoas em todo o País – e se a solidariedade tem aqui uma função humanitária inigualável e insubstituível, o Estado não pode “assobiar para o lado”. Ninguém pode ficar descansado ao ouvir o ministro da agricultura dizer que não vai haver racionamento de bens alimentares em Portugal!... O que quer isto dizer? Que os bens alimentares não faltarão nas prateleiras dos supermercados?... Lá estarão, mas certamente com um escoamento mais lento devido ao aumento do preço. É evidente que vai haver racionamento, porque como é óbvio, se o preço dos bens aumentar muitas famílias serão obrigadas a racionar a sua aquisição. Também parece óbvio que o seu orçamento não é elástico. Poderemos estar perante uma “falha” de mercado cuja gravidade exija uma intervenção do Estado.

A situação entre nós não se compara, é claro, com outras regiões do mundo em que a fome tem sido uma permanente ameaça, em que há muito se joga um difícil e ténue equilíbrio entre a sobrevivência e a morte de milhões de pessoas. Mas em Portugal há fome. Não nos iludamos. É um dado adquirido.
A escalada internacional dos preços dos bens agrícolas de primeira necessidade não deixará de nos causar problemas. Temos que estar atentos e minimizar os seus efeitos. A solidariedade fará o seu papel. E os responsáveis políticos terão que fazer o seu...

COMENTÁRIO - 3


ATÉ ONDE PODE CHEGAR A NATUREZA HUMANA?...

O “monstro de Amstetten”. É assim que passou a ser conhecido o austriaco que sequestrou a sua própria filha, que a escravizou sexualmente, a quem fez sete filhos - os seus próprios netos -, cujas vidas condenou sem dó nem piedade.
Como é possível uma tamanha monstruosidade?... Como é possível tamanha maldade?... Como é possível tamanho horror?... Como é possível que um ser humano seja capaz de actos tão brutais, tão miseráveis?...
Como é possível tanta “inteligência” ao serviço de tanta crueldade?...
E como é possível tanta coisa junta sem que aparentemente alguém, pelo menos as pessoas mais chegadas, durante pelo menos 24 anos, o tempo que durou o sequestro e a tortura, não tivesse reparado ou suspeitado?...
Não consigo ir além de me perguntar e aos outros “como é possível”?... Mas será que alguém tem possibilidade de ter uma resposta?...
Percebo a dimensão de todo este horror, mas confesso a minha impotência para o imaginar, perguntando-me como e onde é possível ir buscar tanta energia para tanta perversão? E de me imaginar na pele daquela mulher, perguntando-me como conseguiu sobreviver?

O que podemos fazer perante uma tal tragédia? Não há solução para tanto mal! A nossa própria natureza humana não nos permite imaginar ou suspeitar que tamanhos horrores aconteçam mesmo aqui ao nosso lado. Pensamos talvez que à nossa volta tudo está suficientemente seguro e defendido para que não seja possível acontecer uma coisa assim.
Enfim, quantos outros casos destes existem, que por agora não sabemos ou que nunca saberemos? E então vem a pergunta: o que é que podemos fazer para que não continuem?
Uma coisa é certa, a fraqueza humana tem dimensões desconhecidas e muito assustadoras... ATÉ ONDE PODERÁ ELA CHEGAR?...

01 maio 2008

1. A "RADIOGRAFIA" DE UM PSD MORIBUNDO... 2. O ESTADO FALHA NA MAIS BÁSICA DAS SUAS RESPONSABILIDADES...

1. Manuela Ferreira Leite anunciou a sua candidatura à liderança do PSD. É certo, que vai ser ainda preciso esperar um pouco, para saber com que programa a ex-Ministra pretende conduzir a acção do seu Partido, mas a sua disponibilidade, abre portas, para no mínimo o credibilizar aos olhos dos eleitores. Claro que para isso, Ferreira Leite - ou até Passos Coelho, outro dos candidatos a dizer coisas interessantes mas sobre o qual persiste alguma desconfiança, lá para os lados da S. Caetano -, terá de ser eleita e vencer os restantes candidatos que entraram nesta corrida.
Esta(s) candidatura(s), dizem-nos que finalmente, os candidatos a "salvadores" do PSD (e o PSD precisa mesmo de salvação), perceberam que Menezes não era o problema do PSD, mas antes um sintoma da doença que afecta o partido, e que portanto, a sua demissão, por si só, não significa o fim da crise.
O conflito interno no Partido, tem sido caracterizado como sendo travado pelas "elites" contra as "bases". Dizê-lo é não perceber o significado de Menezes. Ao contrário do que argumenta, Menezes não é, como nunca foi, uma emanação "das bases", mas sim de uma parte dessas "bases", exactamente aquela, que depende das redes clientelares, que as autarquias laranjas tão habilmente construíram.
O conflito interno do PSD, em boa verdade, é travado, de um lado pelas "elites" e "bases" que têm como objectivo vencer as legislativas, e do outro pelas "elites" e "bases" que não tendo o poder como objectivo, lutam desenfreadamente pela manutenção dessas fontes de empregos e benefícios, que são as autaqruias que o PSD controla. Isto é: Enquanto os primeiros se preocupam com as hipóteses de o PSD vencer em 2009, os segundos, receiam que na difícil conjuntura económica actual, o desempenho de funções governativas por parte do Partido, provoque um desgaste que lhes custe as autarquias e os empregos.
Foi este conflito e não a "ineficácia" na oposição ao Governo, que derrubou Marques Mendes: Mendes não só promoveu uma série de alterações das regras internas do Partido, que retiraram aos aparelhos locais os instrumentos obscuros de perpetuação do poder das clientelas, como afastou Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Carmona Rodrigues e outros malabaristas, a braços com acusações de corrupção, tudo numa tentativa de credibilizar o Partido aos olhos dos eleitores, já de si muito danificado com a fuga de Durão Barroso para Bruxelas e as "trapalhadas" de Santana Lopes, que teima em não ter o mínimo respeito, por quem ao longo dos anos o projectou na sua carreira política.
Por outras palavras, Marques Mendes sacrificou os interesses de alguns aparelhos locais do Partido, ao interesse da estratégia nacional do PSD. Ao contrário, Menezes que na verdade nunca teve como objectivo ser Primeiro-Ministro, mais não foi do que a "cabeça" de um PSD autárquico, que quis retirar ao PSD nacional o "droit de regard" sobre os seus paroquiais assuntos.
Veja-se aliás, quais as àreas em que o PSD de Menezes, cortou com as posições da liderança de Marques Mendes!... Em tudo o que eram os alicerces da oposição a Sócrates - referendo ao Tratado Europeu, Ota e impostos -, Menezes aproximou-se do Governo. Depois rasgou os pactos da lei autárquica (que retirava poderes às juntas de freguesia) e do mapa judicial (que poderia implicar o fecho de alguns tribunais no interior do país), ou seja, tentou a todo o custo, realinhar o PSD nacional, com os interesses dos seus aparelhos locais.
Por alguma razão muitos militantes não parecem preocupados com os valores quase insignificantes que o PSD consegue nas sondagens: as legislativas de 2009 pouco lhes interessa. Nesse ano, o que capta as suas atenções são as autárquicas e o clientelismo, porque quanto às legislativas, pouco mais serão que uma distracção.
É por isso, que por muito reconhecida e prestigiada que seja Manuela Ferreira Leite ou a aposta Passos Coelho, por muitas esperanças que haja em vencer as legislativas em 2009, nada garante que as respectivas candidaturas possam vir a ser "consensuais". Para uma parte significativa no Partido, Manuela Ferreira Leite é apenas e só uma "lebre" para Rui Rio, ou um regresso à orientação "mendista", subordinando toda a sua acção à "credibilização", com os olhos postos no assalto ao Governo, e à realização de medidas impopulares, se e quando o poder governativo vier a ser conquistado, isto para não falar de Passos Coelho, que é para os mesmos “olheiros” uma verdadeira incógnita.
O sucesso eleitoral do PSD ao longo dos anos, foi fruto do facto, de na prática, o Partido mais não ser que uma vasta coligação de interesses muito variados. No fundo, o PSD funcionava mais como um partido americano (uma "federação" de grupos distintos, que sem uma ideologia coerente e uniforme, se juntam em torno de um líder e seguem o programa que este quer promover) do que como um partido europeu como o PP espanhol (uma força política ideologicamente definida e representativa de uma de parte da sociedade).
O actual conflito, entre o Partido com ambições nacionais e os vários "partidos" locais com ambições autárquicas, é mais grave que qualquer outro até hoje, pois na realidade, estes dois interesses parecem ser neste momento inconciliáveis. E é em função disso mesmo, que não tardará muito, que o PSD tenha de se definir, para que dessa definição saia um “novo e saudável partido” capaz de "mudar Portugal", em contraponto a outro, que ou muito me engano, ou estará já na forja.
2. O Público noticiou esta semana, que um homem foi espancado no interior de uma Esquadra da PSP em Moscavide, numa altura em que estaria a apresentar uma queixa, presumivelmente contra alguém do grupo, que invadindo a Esquadra (onde estava apenas um polícia), o agrediu. Nos próximos tempos, parte do debate político, assentará muito provavelmente neste episódio. É sempre assim: A "agenda da segurança", entre a histeria generalizada que surge sempre que acontece alguma coisa, por um lado, e a mais completa ignorância e obscuridade na matéria, pelo outro, farão de certeza sorrir os experts na matéria.
Apesar de tudo, não será de espantar, que nada se faça ou mude, a não ser o sentimento de insegurança das pessoas, que cresce à medida que o tempo passa. O slogan de “MAIS POLICIAS NA RUA” continuará a tentar “comprar” votos, e as regras mais elementares de articulação dos meios, por parte de quem sabe e o deve fazer, fazem já parte das “calendas gregas”. Foram os diversos Governos que assim o quiseram!... E se assim o quiseram, assim o têm...
Em boa verdade, considero ser particularmente grave, que assim seja!... E considero ser particularmente grave que assim seja, porque a segurança sem quaisquer rodeios ou artimanhas, deveria ser uma das funções prioritárias do Estado de Direito, isto é: proteger os cidadãos do uso coercivo da força por parte daqueles que não a devem usar. É que, quando uma pessoa não se sente segura para fazer uma queixa numa Esquadra de Policia, os criminosos, sentir-se-ão de certeza seguros para infringir a lei. Não basta a Policia garantir que o indivíduo agredido, apenas se havia "refugiado" no interior da Esquadra, não pretendendo apresentar qualquer queixa. Mesmo que seja verdade, não serve de atenuante. Se uma pessoa nem numa Esquadra se pode sentir segura da ameaça de criminosos, se nem numa Esquadra de Polícia uma pessoa pode estar a salvo dos criminosos de quem se pretende queixar, não se poderá sentir segura em mais lado nenhum.
Os criminosos, não são “toscos”!... O sentimento de impunidade reinante, aliado aos recentes diplomas legislativos que os protegem, está em crescendo. O aumento da criminalidade, tal como o sentimento, por parte dos cumpridores da lei, de que o melhor para eles é não ajudar a penalizar os que não a cumprem, idem, idem, aspas, aspas... Fazer uma queixa, testemunhar contra um criminoso, é colocar a sua própria segurança em risco e pelos vistos em qualquer lugar. E disto, NÃO SE CULPE A POLICIA, que à custa do brio, da abnegação e do profissionalismo, da esmagadora maioria dos seus profissionais, vai procurando remar contra a maré. É que na mais básica das suas responsabilidades, o Estado falhou. Resta a esperança do actual Ministro, não ter trilhado – segundo parece – o caminho de alguns dos seus antecessores. Aguardemos para ver...

20 abril 2008

1. O ESPÍRITO DE ABRIL... - 2. FINAL TRISTE...

O ESPIRITO DE ABRIL... OS TRABALHADORES... E AS VOZES DO DONO.

No momento em que se celebra mais um aniversário do 25 de Abril, e perante as profundas transformações que na última década vêm fustigando o campo do trabalho no nosso país, fará sentido interrogarmo-nos se valeu a pena e onde pára o espírito da Revolução dos Cravos!...
Há que dizer com toda a frontalidade, que nenhum português de boa fé, poderá colocar em causa a LIBERDADE.
Em boa verdade, vão longe os tempos das velhas ilusões colectivistas e dos ideais socialistas da época – a solidariedade, a igualdade, a justiça social. Porém, também não tenho dúvidas, que estamos longe do equilibrio e que o actual cenário social e laboral é marcado pelo individualismo, pela indiferença e por sentimentos de vulnerabilidade, de insegurança e de dependência. Hoje, é corrente verificar-se, que em vez de formas de gestão modernas e democráticas, da responsabilidade social das empresas, do diálogo social, da autonomia individual, do respeito pela cidadania – salvo as poucas e honrosas excepções – prevalece o autoritarismo e um absoluto seguidismo imposto pelas hierarquias.
Hoje, revolta-me verificar, que sejam os próprios subordinados, trabalhadores e funcionários, a abdicar dos seus direitos, na expectativa de com isso preservarem o emprego, ou consolidarem a sua posição. Com tal postura, o elo fraco está cada vez mais fraco e a aversão ao sindicalismo – ou a qualquer outra forma de associativismo autónomo – tornou-se a regra. A cultura anti-sindical ou associativa, vai-se impondo a partir do topo, e estende-se já, a algumas franjas da base da pirâmide. A luta que resta é hoje meramente individual e pela segurança, ou seja, regressámos às necessidades primárias.
É por tudo isto, que penso ser inaceitável, que mais de três décadas após o 25 de Abril, o espírito obediente, submisso e acrítico, seja premiado, em clara contraposição à verdade, à lealdade e à frontalidade! A falta de verticalidade tem hoje grandes vantagens, contrariamente ao espírito livre e autónomo. E obviamente que quem ascende pela obediência, jamais pode aceitar que abaixo de si, subsista a mais leve irreverência. Resulta daí, que aqueles que mostrem a mais pequena veleidade em questionar as opções da cadeia hierárquica, embora competentes, entram de imediato nas listas de candidatos à “prateleira” ou à eterna estagnação na posição subalterna ou burocrática que ocupam, quando não são simplesmente despedidos no final do contrato. Este tipo de comportamentos, é hoje perfeitamente visível e são os próprios Partidos, sustentáculos da nossa Democracia, que muitas vezes os promovem e incentivam. Esta é a verdade, e quer se queira ou não, a obediência cega, vem-se tornando um padrão, um requisito já não para progredir, mas tão somente para agarrar o emprego a todo o custo.

O ponto nevrálgico de toda esta situação, está pois nas lideranças e no espectro do desemprego. Estamos perante uma lógica em cadeia, imposta de cima, que penetra nos níveis intermédios e atinge os inferiores, isto é, num processo em que as chefias, os directores, os coordenadores, no fundo, aqueles que centralizam o poder em diferentes sectores, sobem e ganham protagonismo, não pelas suas qualidades e talento, não porque possuam reconhecido mérito ou grandes competências técnicas, não porque sejam inovadores e tenham mais iniciativa do que os outros, mas pelo contrário, eles sobem justamente, quando já deram repetidas provas de que obedecem à “voz do dono”, de que seguem até ao “tutano”, a vontade e a estratégia de poder daqueles que os promoveram ou os propuseram.
É sobretudo por isso que são nomeados, chamados para encabeçar listas, para assumir cargos públicos e controlar posições-chave dentro das instituições. A “lealdade” e a “confiança”, em vez de traduzirem dedicação à instituição, à sociedade e às causas, tornam-se meros paliativos para esconder obediências pessoais.
Este é um poder social que não possui um único centro. É um poder que se dissemina no mundo empresarial, na administração pública, no parlamento, nas universidades, assumindo formas distintas e cobrindo âmbitos diversos.

Perante isto, aos cidadãos e trabalhadores – dos que já esqueceram as promessas de Abril e aos mais jovens que as ignoram –, cabe perguntar se o discurso tecnocrático, hoje novamente dominante, sobre a aposta nas pessoas, nas qualificações, nas oportunidades e no mérito, não será uma enorme falácia e o que é feito do espírito de Abril?...
Pela minha parte e como sempre, não me resigno!... Por circunstâncias da vida, participei activamente na “revolta” e jamais esquecerei a noite maravilhosa de 25 de Abril, as peripécias que a envolveram e os dias que se lhe seguiram. È por tudo isto, que continuo a pensar... VALEU, E VALE A PENA LUTAR POR ABRIL!...



2. FINAL TRISTE...

A candidatura e posterior eleição de Menezes, para a presidência do PSD, foi sem sombra de dúvida, um erro de casting na história do Partido.
A sua carreira politica, tem uma marca da qual jamais se livrará, e essa marca tem um nome: "Congresso do Coliseu" em Lisboa.
Aí, Menezes mostrou o tipo de pessoa que é, e o seu estilo, que decisivamente viria a pesar e a comprometer o seu percurso politico. Parece que ainda hoje estou a ouvir, a tremenda assobiadela com que ali foi contemplado, e as suas "lágrimas" de "Madalena arrependida"...
Mas Menezes não aprendeu!... Pela parte que me toca, havia-lhe dado como tempo limite para a manutenção do seu mandato, o final do ano, porém, para bem do PSD e do próprio país, folgo, que tal tenha acontecido a destempo.
É que em boa verdade, os genuínos Sociais Democratas - notáveis ou bases -sofriam e sentiam-se incomodados com os sucessivos episódios...

Os comentadores comentavam...

Os críticos criticavam...

Os tácticos calculavam...

E os "sucessores" ameaçavam...

Não sei o que vai seguir-se no PSD. O que sei isso sim, é que como estava, o estiolamento era o próximo passo. Sei eu, e sabe toda a gente, excepto Ribau, Santana & C.ª!...

Porém e há que dizê-lo, foi triste ao que assistimos. Luis Filipe Menezes desabafou um putativo “basta” de proporções magnânimas. De seguida, "amigo" do Partido e do «povo» social-democrata, marcou eleições directas para 24 de Maio de 2008, concedendo um prazo de 37 dias, para os «terroristas» e respectivos «mandantes», bem como outros «quejandos» (repare-se na elegância do estilo utilizado), se organizarem.

Meus senhores:

O que impressiona em Menezes já não é tanto a nulidade doutrinária que o habita, a vocação para franco-atirador de ideias erráticas, desgarradas e ininteligíveis, o péssimo gestor de conflitos, o agitador por interposta pessoa. O que mais impressiona é a forma como este homem não percebeu, que como líder de um partido com ambições de poder, foi um tremendo e horrendo erro de casting. O que perturba, é ele não perceber ainda, quem foi, quem o acompanhou, e o mal que fez ao PSD.
Até na saída, Menezes foi ridículo, triste, injurioso e abjecto.

PARA TERMINAR, UM VOTO:
Que o patriotismo Social-Democrata, do PSD – e não do PPD/PSD, entenda-se - obrigue, agora e já, a centrar esforços numa "lufada" de credibilidade. de um partido que nunca esteve ausente das grandes reformas no Portugal pós 25 Abril, de um partido que traçou uma matriz ideológica e demarcou um espaço político que só ele preencherá.
Haja coragem e autenticidade