16 maio 2008

A TERRA EM MINIATURA

Se pudéssemos reduzir a população da Terra a uma pequena aldeia, de exactamente 100 habitantes, mantendo as proporções actualmente existentes depararíamos com o seguinte quadro:
Haveria nessa aldeia: 57 asiáticos, 21 europeus, 8 africanos e 4 americanos.
Destes, 52 seriam mulheres e 48 homens, sendo no seu conjunto, apenas 30 de raça branca. 70, seriam cidadãos não cristãos e 30 optariam pelo cristianismo

Do conjunto destas 100 pessoas, 6 possuíriam 59% de toda a riqueza, 80 viveriam em condições sub-humanas, 70 não saberiam ler nem escrever, 1 teria formação universitária, 50 sofreriam de desnutrição e apenas 1, possuiria computador.
Ao analisar o mundo a partir desta perspectiva tão reduzida, será fácil concluir, das fragilidades que afectam a condição humana, da necessidade de um maior entendimento entre os povos, de um maior respeito pelos direitos humanos, do respeito pelas liberdades individuais dos cidadãos, do direito à educação e cidadania, da luta contra a fome e o desemprego e principalmente da abordagem dos problemas que advêem da globalização.

Entretanto, medite-se nos seguintes números:
Se alguém nunca experimentou os perigos da guerra, a solidão de estar preso, a agonia de ser torturado, ou a aflição da fome, então esse alguém está melhor que 500 milhões de pessoas.
Se alguém pode livremente, optar pela sua liberdade politica e religiosa sem medo de ser humilhado, preso, torturado ou morto, então esse alguém, é mais afortunado que 3 biliões de pessoas no mundo.
Se alguém tem o seu frigorifico recheado, roupa no guarda-fatos e uma casa para se abrigar, esse alguém, é mais rico que 75% da população mundial.
Se alguém, tem o previlégio de guardar dinheiro no banco, esse alguém está entre os 8% mais ricos deste mundo.

Este é efectivamente o mundo que temos, o mundo da globalização e das desigualdades.EM BOA VERDADE, DÁ QUE PENSAR...

EXEMPLOS...

O fundador do Partido Social Democrata, Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro nasceu no Porto a 19 de Julho de 1934.
Aos 22 anos concluiu o curso de direito na Universidade de Lisboa, e principiou a sua vida profissional exercendo advocacia.
Em 1969 foi eleito deputado à Assembleia Nacional em nome da defesa dos direitos do homem, da instauração de um regime democrático e da efectivação das liberdades públicas. Verificada a ausência de condições políticas para prosseguir o seu projecto renunciou ao mandato a 2 de Fevereiro de 1973.
Para aqueles que em vão e proveito próprio, persistem em invocar o seu nome, aqui deixo uma transcrição de um artigo subscrito pelo próprio, àcerca do seu pensamento sobre a Social-Democracia.

"A evolução da social-democracia a partir dos fins dos anos 50 foi nitidamente esta: a conciliação dos valores liberais fundamentais com um regime económico que rejeita o capitalismo liberal. Para que as liberdades sejam desenvolvidas e se dê satisfação à justiça social a social-democracia rejeitou, e bem, o capitalismo liberal e enveredou por outras formas económicas em que é mais importante uma política de preços de rendimentos, de salários, de justa distribuição de rendimentos, de participação dos trabalhadores nas empresas e nas próprias decisões conjunturais do que propriamente da propriedade dos meios de produção.
Numa social-democracia, o que é característico é o apoio dos trabalhadores industrializados: e esse apoio é tanto mais significativo quanto mais o País estiver industrializado. As sociais-democracias do Norte da Europa, por exemplo, nasceram com o apoio dos operários da indústria, mas também de agricultores, de pescadores e de pequenos comerciantes, tal como no nosso país. A nossa base social de apoio é tipicamente social-democrata. O nosso programa é um programa social democrático avançado, em relação, por exemplo, ao programa do S.P.D. alemão - e, portanto, isto afasta qualquer deturpação que se queira fazer no sentido de nos apresentar como partido liberal ou democrata-cristão, o que são puras especulaçõestendenciosas que não têm qualquer base.
É que a social-democracia, que defendemos, tem tradições antigas em Portugal. Desde Oliveira Martins a António Sérgio. É a via das reformas pacíficas, eficazes, a caminho duma sociedade livre igualitária e justa. Social-democracia que assegura sempre o respeito pleno das liberdades".

Francisco Sá Carneiro

“O PECADO DE PENSAR EM ALTA VÓZ?”...

Num passado não muito distante, o senhor Presidente da República, não se coibiu de chamar a atenção, para os diminutos níveis de participação dos cidadãos, com particular realce para os jovens, na vida politica do pais.
Agora pergunto eu: Será que esses mesmos cidadãos e jovens, terão motivação para tal aventura, sabendo-se de antemão, os contornos que tal participação implica? É evidente que não!... E digo que não, porque infelizmente, passados que são, mais de três décadas de regime democrático, ainda prevalece em muitos sectores da nossa sociedade, uma cultura feudalista, que de todo em todo empobrece a nossa democracia, e se torna incompatível com a modernidade e a sanidade mental, que deve prevalecer, num regime democrático.

Ora vejamos:
Muitas pessoas que são convidadas para ocupar determinados cargos, sejam eles governamentais, públicos ou privados, são sérias, honestas e com manifesto desejo de servir a respectiva causa. Alguém tem dúvidas?...
Eu não tenho...
No entanto, muitas dessas mesmas pessoas, quando são confrontadas com as “rígidas normas políticas” estabelecidas pelos “chefes”, sentem-se desconfortáveis, porque o que pensam, o que anseiam e o que desejam não são compagináveis com as “regras” superiores.
Estas, são criadas de acordo com a ideologia, os interesses do momento, as disponibilidades financeiras, as pressões dos lóbis e até, as expectativas dos ganhos e perdas no futuro, enfim, tudo é transformável num conjunto de forças em que o superior interesse da “comunidade”, acaba por ditar a lei e influenciar os respectivos comportamentos.Alguém tem dúvidas nesta matéria?... Eu não tenho...

Outra situação: Imaginem o que é estar no Parlamento e ser-se confrontado com boas ideias e interessantes propostas da oposição.Habitualmente o que é que acontece?... Pura e simplesmente não são aceites!...
E será que não são aceites porque não prestam?...
É evidente que não!... Mas como vêm da oposição ou porque o Governo gostaria de as apresentar, ou ainda porque envolvem despesas não previstas ou atropelam os interesses de determinados grupos ou mesmo por mesquinhez, acabam por ser rejeitadas.

Mas o governo ou a maioria que o suporta não têm boas ideias?... Claro que têm...
E o que é que lhes acontece? Nada, a não ser os ataques dos opositores...
Com base em argumentos correctos?... Duvido...
E duvido porque quando chegam ao poder não têm qualquer pudor em assumir como suas as “más” propostas que anteriormente rejeitaram!...
Ora sendo assim, chama-se a isto política?... Parece que sim... Mas boa é que ela não é, de certeza absoluta!...

Cá para mim, os ditos “bons políticos” têm até uma faceta muito interessante: Se optassem pela representação artística seriam o máximo...
Na administração pública, no mundo empresarial em geral – salvo honrosas excepções – a situação é em tudo idêntica. E sendo assim, tudo sôa à vóz única de comando. Isto é: QUEM NÃO É POR MIM É CONTRA MIM (onde é que eu já ouvi isto), e ai de quem ousar contestar, reclamar ou colocar em causa a vóz do “dono”...
É por esta – e outras razões – que a pobreza da nossa democracia, vale aquilo que vale e se encontra na cauda da Europa, ao nível da participação dos cidadãos.

Posto isto, desiluda-se o senhor Presidente da República!... É que enquanto tais comportamentos prevalecerem, de certeza que os nossos jovens e menos jovens não estarão de certeza para aí virados e o enriquecimento do regime, terá que esperar por melhores dias.
É QUE PENSAR EM ALTA VÓZ E NÃO OBEDECER À VOZ DO DONO, TORNOU-SE HOJE NUMA GRANDE COMPLICAÇÃO...

08 maio 2008

COMENTÁRIO - 1

CLARIFICAÇÃO NECESSÁRIA

Pedro Santana Lopes apresentou oficialmente por estes dias, a sua candidatura a Presidente do PSD-Partido Social Democrata, a quem também chamou de PPD/PSD.
Pelos vistos, não há forma deste “gentleman” ter alguma contenção (para não lhe chamar outra coisa) e ocupar o lugar que a sociedade portuguesa já lhe destinou, mas enfim....
Uma coisa tenho presente, tudo ficaria mais clarificado, se PSL aproveitasse desde já a Campanha, para angariar as assinaturas necessárias para fundar o seu próprio partido. E digo isto, porque estou cada vez mais crente, que tal vai acontecer - graças a Deus -, para bem do PSD e até do PSL que assim terá oportunidade de mostrar o que efectivamente vale.
Para terminar, só mais uma coisa:não é bonito nem fica bem, concorrer a Presidente de um Partido a quem se troca o nome, para o afeiçoar ao seu gosto e medidas pessoais. AS "VIRTUDES" DO COSTUME...

COMENTÁRIO - 2

NOTAS SOLTAS SOBRE A VIDA, A SOLIDARIEDADE E OUTRAS...

As campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome têm vindo a mobilizar e a sensibilizar crescentemente as pessoas para a questão da pobreza, da fome e do desperdício.
A percepção da crise que o País vive, explica a manifestação de solidariedade quando os portugueses são interpelados para ajudarem. É o lado bom de uma realidade socialmente injusta, que afecta muitas dezenas de milhares de famílias.

Deparamo-nos hoje com mais pessoas que precisam de ser ajudadas nas coisas mais essenciais da vida. Os alimentos são elementos fundamentais de vida. São a base sem a qual ninguém terá condições e forças para andar para a frente, para integrar e zelar pela unidade e bem estar da família, para procurar trabalho, para se socializar e para tantas outras coisas essenciais a uma existência digna e plena.

A situação económica do País está pior. Há muita pobreza silenciosa e assiste-se ao surgimento dos chamados “novos pobres”. São os idosos com as suas magras pensões que entre a saúde e a alimentação, entre os medicamentos e os alimentos escolhem os primeiros, restando muito pouco para fazer face aos segundos. São as famílias assoladas pelo desemprego e pela incapacidade de fazer face aos empréstimos contraídos que não conseguem assegurar as despesas mais básicas do dia a dia.
Se as campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome podem ajudar muitas pessoas – alimentam uma média diária de cerca de 240.000 pessoas em todo o País – e se a solidariedade tem aqui uma função humanitária inigualável e insubstituível, o Estado não pode “assobiar para o lado”. Ninguém pode ficar descansado ao ouvir o ministro da agricultura dizer que não vai haver racionamento de bens alimentares em Portugal!... O que quer isto dizer? Que os bens alimentares não faltarão nas prateleiras dos supermercados?... Lá estarão, mas certamente com um escoamento mais lento devido ao aumento do preço. É evidente que vai haver racionamento, porque como é óbvio, se o preço dos bens aumentar muitas famílias serão obrigadas a racionar a sua aquisição. Também parece óbvio que o seu orçamento não é elástico. Poderemos estar perante uma “falha” de mercado cuja gravidade exija uma intervenção do Estado.

A situação entre nós não se compara, é claro, com outras regiões do mundo em que a fome tem sido uma permanente ameaça, em que há muito se joga um difícil e ténue equilíbrio entre a sobrevivência e a morte de milhões de pessoas. Mas em Portugal há fome. Não nos iludamos. É um dado adquirido.
A escalada internacional dos preços dos bens agrícolas de primeira necessidade não deixará de nos causar problemas. Temos que estar atentos e minimizar os seus efeitos. A solidariedade fará o seu papel. E os responsáveis políticos terão que fazer o seu...

COMENTÁRIO - 3


ATÉ ONDE PODE CHEGAR A NATUREZA HUMANA?...

O “monstro de Amstetten”. É assim que passou a ser conhecido o austriaco que sequestrou a sua própria filha, que a escravizou sexualmente, a quem fez sete filhos - os seus próprios netos -, cujas vidas condenou sem dó nem piedade.
Como é possível uma tamanha monstruosidade?... Como é possível tamanha maldade?... Como é possível tamanho horror?... Como é possível que um ser humano seja capaz de actos tão brutais, tão miseráveis?...
Como é possível tanta “inteligência” ao serviço de tanta crueldade?...
E como é possível tanta coisa junta sem que aparentemente alguém, pelo menos as pessoas mais chegadas, durante pelo menos 24 anos, o tempo que durou o sequestro e a tortura, não tivesse reparado ou suspeitado?...
Não consigo ir além de me perguntar e aos outros “como é possível”?... Mas será que alguém tem possibilidade de ter uma resposta?...
Percebo a dimensão de todo este horror, mas confesso a minha impotência para o imaginar, perguntando-me como e onde é possível ir buscar tanta energia para tanta perversão? E de me imaginar na pele daquela mulher, perguntando-me como conseguiu sobreviver?

O que podemos fazer perante uma tal tragédia? Não há solução para tanto mal! A nossa própria natureza humana não nos permite imaginar ou suspeitar que tamanhos horrores aconteçam mesmo aqui ao nosso lado. Pensamos talvez que à nossa volta tudo está suficientemente seguro e defendido para que não seja possível acontecer uma coisa assim.
Enfim, quantos outros casos destes existem, que por agora não sabemos ou que nunca saberemos? E então vem a pergunta: o que é que podemos fazer para que não continuem?
Uma coisa é certa, a fraqueza humana tem dimensões desconhecidas e muito assustadoras... ATÉ ONDE PODERÁ ELA CHEGAR?...