Pelos vistos, não há forma de o PSD trilhar o caminho certo!... Ora vejamos: O mínimo que se exige a um líder partidário é que saiba fazer politica...Saber fazer politica será estar atento, dia a dia, ao evoluir das condições económicas, sociais e políticas do País e intervir na hora, publicamente, sobre quaisquer factos ou novos acontecimentos económicos e sociais. Obrigatoriamente, sempre que os seus adversários políticos intervenham com comentários ou propostas divergentes.
Nos últimos meses, todos os dias vêm surgindo novos acontecimentos - o encerramento temporário de muitas empresas, o encerramento definitivo de muitas fábricas, o despedimento de muitos trabalhadores numa escalada nunca antes vista, uma recessão galopante, um total desgoverno, com a manutenção de propostas de grandes empreendimentos totalmente deslocados da situação de grave crise económica em que o País vive, os casos de corrupção e o comportamento desleixado e servil do ministério público, a estatização de bancos, a fuga do investimento estrangeiro, a continuada cartelização dos combustíveis, enfim, um sem número de factos e acontecimentos económicos, sociais e políticos a que um partido líder da oposição não pode fugir. Pelo contrário, qualquer líder partidário minimamente capaz, de um qualquer partido da oposição, de um qualquer país, encontraria num clima politico semelhante a sua melhor oportunidade para manifestar com vigor as suas opções alternativas e desacreditar o governo. Não é isto que se passa com o PSD. A líder do PSD, não sabe ou não quer, porventura, fazer politica. E sendo assim, está no lugar errado na hora errada.
A política neoliberal de Sócrates esvaziou o PSD. E como a actual liderança do PSD não tem, convictamente, propostas alternativas às do governo, que se diz socialista, refugia-se no silêncio e num vazio de propostas.
Efectivamente, não é isto que o País esperaria de um partido Social- Democrata, de um partido com líderes como Sá Carneiro, que um dia, escreveu o seguinte sobre a social-democracia:
"A evolução da socialdemocracia a partir dos fins dos anos 50 foi nitidamente esta: a conciliação dos valores liberais fundamentais com um regime económico que rejeita o capitalismo liberal. Para que as liberdades sejam desenvolvidas e se dê satisfação à justiça social a social-democracia rejeitou, e bem, o capitalismo liberal e enveredou por outras formas económicas em que é mais importante uma política de preços de rendimentos, de salários, de justa distribuição de rendimentos, de participação dos trabalhadores nas empresas e nas próprias decisões conjunturais do que propriamente da propriedade dos meios de produção.Numa social-democracia, o que é característico é o apoio dos trabalhadores industrializados: e esse apoio é tanto mais significativo quanto mais o País estiver industrializado. As sociais-democracias do Norte da Europa, por exemplo, nasceram com o apoio dos operários da indústria, mas também de agricultores, de pescadores e de pequenos comerciantes, tal como no nosso país. A nossa base social de apoio é tipicamente social-democrata. O nosso programa é um programa social democrático avançado, em relação, por exemplo, ao programa do S.P.D. alemão - e, portanto, isto afasta qualquer deturpação que se queira fazer no sentido de nos apresentar como partido liberal ou democrata-cristão, o que são puras especulações tendenciosas que não têm qualquer base.É que a social-democracia, que defendemos, tem tradições antigas em Portugal. Desde Oliveira Martins a António Sérgio. É a via das reformas pacíficas, eficazes, a caminho duma sociedade livre igualitária e justa. Social-democracia que assegura sempre o respeito pleno das liberdades".
Ora tendo em conta, que o nome de Sá Carneiro, é tantas vezes invocado pelos Chefes, ex:Chefes e até futuros Chefes do PSD, de uma coisa estou certo:TUDO NÃO PASSA DE CONVERSA FIADA, fazendo-me tal discurso lembrar isso sim, um padre da minha terra, que dizia mais ou menos isto: "Olhem para o que eu digo e esqueçam o que faço". ESTÁ TUDO DITO.
O Marinho, por quem tenho aliás grande apreço e consideração, ao contrário do que muitos tentam fazer crer, não é "maluco"!...


