09 fevereiro 2009

NO LUGAR ERRADO E NA HORA ERRADA...

Pelos vistos, não há forma de o PSD trilhar o caminho certo!... Ora vejamos: O mínimo que se exige a um líder partidário é que saiba fazer politica...
Saber fazer politica será estar atento, dia a dia, ao evoluir das condições económicas, sociais e políticas do País e intervir na hora, publicamente, sobre quaisquer factos ou novos acontecimentos económicos e sociais. Obrigatoriamente, sempre que os seus adversários políticos intervenham com comentários ou propostas divergentes.
Nos últimos meses, todos os dias vêm surgindo novos acontecimentos - o encerramento temporário de muitas empresas, o encerramento definitivo de muitas fábricas, o despedimento de muitos trabalhadores numa escalada nunca antes vista, uma recessão galopante, um total desgoverno, com a manutenção de propostas de grandes empreendimentos totalmente deslocados da situação de grave crise económica em que o País vive, os casos de corrupção e o comportamento desleixado e servil do ministério público, a estatização de bancos, a fuga do investimento estrangeiro, a continuada cartelização dos combustíveis, enfim, um sem número de factos e acontecimentos económicos, sociais e políticos a que um partido líder da oposição não pode fugir. Pelo contrário, qualquer líder partidário minimamente capaz, de um qualquer partido da oposição, de um qualquer país, encontraria num clima politico semelhante a sua melhor oportunidade para manifestar com vigor as suas opções alternativas e desacreditar o governo. Não é isto que se passa com o PSD. A líder do PSD, não sabe ou não quer, porventura, fazer politica. E sendo assim, está no lugar errado na hora errada.
A política neoliberal de Sócrates esvaziou o PSD. E como a actual liderança do PSD não tem, convictamente, propostas alternativas às do governo, que se diz socialista, refugia-se no silêncio e num vazio de propostas.
Efectivamente, não é isto que o País esperaria de um partido Social- Democrata, de um partido com líderes como Sá Carneiro, que um dia, escreveu o seguinte sobre a social-democracia:
"A evolução da socialdemocracia a partir dos fins dos anos 50 foi nitidamente esta: a conciliação dos valores liberais fundamentais com um regime económico que rejeita o capitalismo liberal. Para que as liberdades sejam desenvolvidas e se dê satisfação à justiça social a social-democracia rejeitou, e bem, o capitalismo liberal e enveredou por outras formas económicas em que é mais importante uma política de preços de rendimentos, de salários, de justa distribuição de rendimentos, de participação dos trabalhadores nas empresas e nas próprias decisões conjunturais do que propriamente da propriedade dos meios de produção.Numa social-democracia, o que é característico é o apoio dos trabalhadores industrializados: e esse apoio é tanto mais significativo quanto mais o País estiver industrializado. As sociais-democracias do Norte da Europa, por exemplo, nasceram com o apoio dos operários da indústria, mas também de agricultores, de pescadores e de pequenos comerciantes, tal como no nosso país. A nossa base social de apoio é tipicamente social-democrata. O nosso programa é um programa social democrático avançado, em relação, por exemplo, ao programa do S.P.D. alemão - e, portanto, isto afasta qualquer deturpação que se queira fazer no sentido de nos apresentar como partido liberal ou democrata-cristão, o que são puras especulações tendenciosas que não têm qualquer base.É que a social-democracia, que defendemos, tem tradições antigas em Portugal. Desde Oliveira Martins a António Sérgio. É a via das reformas pacíficas, eficazes, a caminho duma sociedade livre igualitária e justa. Social-democracia que assegura sempre o respeito pleno das liberdades".
Ora tendo em conta, que o nome de Sá Carneiro, é tantas vezes invocado pelos Chefes, ex:Chefes e até futuros Chefes do PSD, de uma coisa estou certo:TUDO NÃO PASSA DE CONVERSA FIADA, fazendo-me tal discurso lembrar isso sim, um padre da minha terra, que dizia mais ou menos isto: "Olhem para o que eu digo e esqueçam o que faço". ESTÁ TUDO DITO.


01 fevereiro 2009

AS BASTONADAS DO BASTONÁRIO!...

O Marinho, por quem tenho aliás grande apreço e consideração, ao contrário do que muitos tentam fazer crer, não é "maluco"!...
Marinho Pinto, chega mesmo a compará-las ao que se passava no antigo regime. E denuncia também as fugas cirúrgicas de informações, que, apesar de cobertas pelo segredo de justiça, saem regularmente na comunicação social. A corporação sindical já reagiu, tentando negar a acusação descredibilizando o acusador. Mas o homem disse alguma mentira? Exagerou? Não assistimos diariamente a um agenda mediática que só pode ter origem em quem comanda investigações? Não há jornalistas que têm, de há muitos anos, acesso privilegiado a matérias que, supostamente, estariam resguardadas aos investigadores? E não é verdade que parte da morosidade da justiça reside na impugnação de actos formais feridos de ilegalidade e da responsabilidade de quem dirige as investigações?
Eu sei como é, e do que falo!... E sabendo como é e do que falo, daqui lanço um repto: Investiguem, acabem com as fugas de informação, e quando tiverem que acusar, ACUSEM DÔA A QUEM DOER. "Julgamentos e condenações antecipadas" na praça pública, intoxicando os cidadãos, é que não...

19 janeiro 2009


O sítio está a viver momentos únicos, inimagináveis há bem pouco tempo. Não, não se trata da crise económica e financeira que abala a vida de milhares de famílias e de empresas. Não, não são os dramas silenciosos de milhares de indígenas que, de um momento para o outro, ficaram mais pobres. Não, não são as tragédias que afectam pessoas que nunca souberam o que era a pobreza e que hoje correm, envergonhadas, para as sopas distribuídas por diversas organizações nas noites das grandes cidades. Não, não são famílias inteiras que almoçam e jantam em restaurantes sociais em boa hora criados por algumas câmaras municipais.

No meio de tanto drama escondido, o que é fantástico neste sítio manhoso, hipócrita, pobre, pequenino e cada vez mais mal frequentado é a impunidade dos mentirosos, a desfaçatez e o descaramento de quem anda a tentar enganar os indígenas sobre o presente e principalmente sobre o futuro.
E neste filme miserável ninguém sai limpo. Em Outubro do ano passado, o Governo do senhor presidente do Conselho entregou na Assembleia da República um Orçamento de ficção, mentiroso e cor-de-rosa. Dois meses depois, já com o sítio a caminho da recessão, com o desemprego a aumentar e a pobreza a disparar, a maioria aprovou o documento, com os votos contra dos restantes deputados que, desta maneira, deram aval a uma das maiores mentiras da Democracia.No final de Dezembro, o próprio Presidente da República, apesar de ter pedido uns misteriosos esclarecimentos ao Governo, promulgou a mentira.

E, agora, os mesmos mentirosos vêm apresentar um Orçamento dito suplementar ou rectificativo com mais mentiras. Para o senhor ministro das Finanças o sítio vai ter um crescimento negativo de 0,8, o desemprego será de 8,5 por cento e o défice de 3,9 por cento do PIB. Previsões extraordinárias, previsões mentirosas. Ao orçamento de mentira veio juntar-se outra mentira suplementar.
A revista ‘The Economist’ fala num crescimento negativo de 2 por cento e de um défice de 4,5 por cento do PIB este ano e prevê um crescimento negativo de 0,1 e um défice de 4,8 em 2010.
É evidente que a mentira suplementar vai ter os votos favoráveis do PS e a oposição da Oposição. Mas ninguém se livra de ser conivente com mais uma enorme mentira. A verdade, de ontem, de hoje e de amanhã, é que somos pequeninos na economia, na espinha, na coragem e na verdade. Somos grandes na miséria, na impunidade e no descaramento.
ARF

07 janeiro 2009

O SÍTIO DA VERGONHA!...

Cresci, amadureci, comecei a envelhecer escutando ou lendo notícias sobre o conflito que opõe Israel à Palestina.
Passaram-se mais de cinquenta anos em que não deve ter havido uma única semana que não tivesse sido bombardeada ou vítima de um atentado por uma das partes do conflito.
Passaram-se cinquenta anos com histórias de esforços de paz para contar, até o prémio Nobel surgiu no meio de umas tréguas falidas.
Acreditamos, pelo menos eu acreditei, que passado o tempo da violência das guerras a estupidez humana teria sido vencida finalmente.

Confesso que ao longo deste meio século, até me apeteceu participar numa das Intifadas contra os israelitas. Confesso que, noutras vezes, senti um nojo absoluto contra os homens-bomba que desfizerem vidas de muitos inocentes por todas as cidades de Israel. Não se passam cinquenta anos impunes perante aquela latrina moral da Humanidade que é o conflito no Médio Oriente.
Tomamos partido. Até que, às tantas, já não há possibilidade de escolha. Sobretudo se acreditarmos que a paz e a tolerância são os únicos caminhos razoavelmente inteligentes para os homens se entenderem.

A alegria lúgubre e obscena dos palestinianos, a fúria implacável dos judeus, a facilidade ingénua com que se cai na imprudência de tomar partido neste conflito projectam-nos para um ambiente carniceiro e medonho em que, também, nos assumimos como parte. E não se pode ser parte nesta brutalidade, tão velha, tão antiga que conto os meus mais de cinquenta anos por um calendário feito pelos seus ataques, pelos seus mortos e pelas falsas tréguas.
Quem assim procede, sem respeito pela dignidade da vida nem pela dignidade da morte, quem vive tanto tempo longe da paz, da procura saudável de soluções amigáveis perdeu o sentido da esperança. No que a mim diz respeito tomei uma decisão, passei mais de metade da minha vida acompanhando o bordel de sangue, sofrimento e pranto convencido de que a estupidez morreria num ataque judeu de um F-16 ou às mãos de um homem-bomba. Enganei-me. Aquele é o sítio da vergonha da História. É o local da desonra da dignidade humana. Nenhum dos contendores merece respeito nem condescendência.
Cinquenta anos é muito tempo, são muitos mortos, é muita violência, sem, muitas vezes, se saber qual a razão. Desisti. Aquele conflito não entra na minha casa. Não volto a querer saber. Quero que os meus filhos e os meus netos saibam que existem outros caminhos para podermos ser mais felizes. E com os profissionais da morte não se aprendem os mistérios da vida.

17 dezembro 2008

ALERTAS DE QUEM SABE!...

Mário Soares afirma que está criado um clima de desconfiança e de revolta e que a crise está a generalizar-se na Europa, pelo que Portugal não deverá ficar indiferente aos sinais à sua volta, refere num artigo de opinião, publicado no «Diário de Notícias».
«Com as desigualdades sociais sempre a crescer, o aumento do desemprego que previsivelmente vai subir imenso, em 2009, a impunidade dos banqueiros delinquentes, o bloqueio na Justiça, e em especial, do Ministério Público e das polícias, estão a criar um clima de desconfiança - e de revolta - que não augura nada de bom», adverte o antigo Presidente da República, que ainda deixa conselhos:
«Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir».
Também as oposições não são poupadas: «Acrescenta-se o radicalismo das oposições, à esquerda e à direita, que apostam na política do «quanto pior melhor.Perigosíssima, quando não se apresentam alternativas credíveis...», escreve.
O antigo chefe de Estado abordou ainda as manifestações violentas na Grécia e a crise em Espanha e França, para concluir que Portugal tem muitas razões de preocupação.
Soares criticou ainda o plano do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso aprovado na última Cimeira Europeia, que não passa de «um paliativo» que prevê a injecção de dinheiro nos bancos e nas grandes empresas para que o status quo se mantenha.
Sem comentar as medidas do Governo português de combate à crise, o antigo líder socialista critica abertamente os responsáveis políticos europeus que «não pensam em mudar o paradigma ou não anunciam essa intenção e não explicam sequer aos eleitores comuns, os eternos sacrificados, como vão gastar o dinheiro que utilizam para salvar os bancos e as grandes empresas da falência, aparentemente deixando tudo na mesma?», remantando: «E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades...».

12 dezembro 2008

PIB por habitante em Portugal regride

Portugal, de entre os 15 países da zona euro (Bélgica, Alemanha, Irlanda, Grécia, Espanha, França, Itália, Chipre, Luxemburgo, Malta, Holanda, Áustria, Portugal, Eslovénia e Finlândia), encontra-se em último lugar no que se refere ao valor do PIB (2007) por habitante.Portugal tem um índice de 76 quando a média dos países da zona euro é de 110.
Na Europa a 27, Portugal não está em último, uma vez que tem atrás de si a Roménia com 41, a Polónia com 53, a Letónia com 55, a Lituânia com 60, a Hungria com 63, a Eslováquia com 67, a Estónia com 68.

Contudo em 2005 Portugal tinha um índice de 77, regredindo portanto.
A Roménia tinha apenas 35, a Polónia 51, a Letónia 49, a Lituânia 53, e assim por diante. O que significa que enquanto estes países vêm progredindo, Portugal vem regredindo.

Só como exemplo, dos países europeus que deveriam ser comparados a Portugal, a Grécia tem um índice de 95 (93 em 2005), a Irlanda 150, a Espanha 106.
Até a Republica Checa com um índice de 80, ou Chipre com 91 ou mesmo Malta com 77 já nos ultrapassaram.

Entretanto os países sociais-democratas, a Noruega com 179, a Finlândia com 116, a Suécia com 122 ou a Dinamarca com 120 encontram-se na frente do grupo apenas com o Luxemburgo (267) destacado.