04 setembro 2009

SÓCRATES E FERREIRA LEITE!... QUAL O SEU FUTURO POLITICO?!...

Na campanha que se aproxima, quer Sócrates, quer Ferreira Leite, não vão lutar apenas por valores ou políticas. Ambos irão lutar também, pelas respectivas sobrevivências politicas, enquanto chefes dos Partidos que lideram. Ora vejamos:
Poderá José Sócrates sobreviver a uma derrota eleitoral no dia 27 de Setembro?... Pelo que vamos sabendo das sondagens, e lembrando os resultados das europeias, é um dado quase adquirido, que toda a gente espera que o PS perca muitos votos e consequentemente a maioria absoluta. Deste pressuposto, parece ninguém duvidar. Mas... qual será a dimensão dessa perda?... É óbvio que ninguém sabe. No entanto, podemos avançar com alguns cenários. No primeiro deles, admitamos que o PS fica à frente do PSD, e com uma percentagem superior a 35 por cento. Será que o senhor Presidente da República convidará Sócrates a formar governo?... Admito que sim!... Pese embora não se lhe vislumbrem aliados (BE e CDU já se pronunciaram), quase de certeza que o faz. Apesar de tudo, e tendo em conta os resultados que deram origem à actual maioria, 35 % não é uma derrota demasiado humilhante, podendo mesmo governar em minoria e aqui e ali, tentar fazer acordos pontuais à esquerda ou à direita, conforme os assuntos em discussão e o interesse nacional.
Porém, o caso muda de figura, caso o PS baixe mais do que isso. Mesmo se ficar à frente do PSD, mas apenas com 31 ou 32 por cento, a fragilidade da situação agudiza-se. A perda será muito pronunciada, e a ala esquerda do PS poderá então dizer com a razão do voto, que Sócrates governou demasiado ” à direita ” e que por isso perdeu um número significativo de votos. Assim sendo, nada impede Alegre e o seu grupo, ou até mesmo, António José Seguro, de se constituírem como alternativas, propondo uma coligação governamental que inclua o Bloco de Esquerda, ou o PCP, ou até os dois ao mesmo tempo.
Neste cenário e caso Sócrates fosse confrontado com tal imposição, as suas dificuldades seriam imensas. É evidente que o actual Primeiro-Ministro, não é o homem indicado para chefiar um governo da “ esquerda unida”, e o máximo que poderia tentar oferecer ao PS, para se salvar (a ele e até a outros) era um improvável Bloco Central com o PSD.
É que no meio disto tudo, não é apenas Sócrates que está em risco!... O mesmo se passa com Manuela Ferreira Leite!...
Se ganhar as eleições, as consequências serão óbvias!... E o óbvio passará pela constituição de um governo de coligação, com o seu habitual parceiro, que lhe permita uma governação, mais ou menos estável e a unidade artificial (não se sabe por quanto tempo) da “ família” social democrata, sob a égide do senhor Presidente da República, que sempre gostou de ver “respeitados” todos os seus aliados e amigos, que consigo conviveram, desde os tempos em que exerceu cargos de governação e pelos quais a "dama de ferro", parece ter um carinho muito especial.
Mas... se entretanto perder, como será?!... Depois da “guerra” da constituição das listas, das homenagens de autarcas sociais-democratas ao 1.º ministro, do retirar da confiança à oposição interna e das criticas, oriundas dos diversos quadrantes, o que acontecerá a Ferreira Leite?!...
Evidentemente o óbvio!... E o óbvio aqui, significa “clarificação”!... Significa mais um congresso extraordinário, em que Pedro Passos Coelho ditará as suas “leis”.
Aliás, não é por acaso, que Passos Coelho pede a maioria para o Partido nestas eleições. Pedro Passos Coelho – estou em crer -, já se vê como o futuro presidente do PSD e tendo em conta as perspectivas de Marcelo Rebelo de Sousa, de que o futuro governo, não resistirá mais que dois anos, este é o momento certo, para começar a fazer contas à vida….
Por tudo isto se conclui, que a carreira política de Sócrates e Ferreira Leite, está em momento de alto risco. Para eles, tudo poderá acabar no dia 27, o que significa que nesta campanh,a não se irá lutar apenas por valores - se é que ainda existem - ou políticas, mas também pela sobrevivência desta duas figuras, da nossa esfera politica.

24 agosto 2009

RECORDES PELA NEGATIVA!... QUEM SÃO OS CULPADOS?!...

-O poder de compra dos trabalhadores por conta de outrem registou em Portugal durante o ano passado a maior descida dos últimos 22 anos, calcula a Comissão Europeia. Segundo os dados divulgados pelo Eurostat, Portugal encontra-se já abaixo da Eslovénia e da República Checa, estando a Grécia bastante acima do nosso país.
- O desemprego passou a barreira dos 500.000, o que já não acontecia há mais de 20 anos.
- Portugal está menos competitivo no xadrez económico mundial. Desceu dois lugares, de 37.º para 39.º, na tabela da competitividade, elaborada pelo Institute for Management Development (IMD).
-Portugal diminuiu o seu índice de “desenvolvimento humano” ao cair uma posição, situando-se agora em 29º lugar no ranking das Nações Unidas que analisou dados de 177 países. Na Europa fomos ultrapassados pela Eslovénia, Grécia e Chipre. Atrás de nós apenas a Hungria, Polónia e Bulgária.
-Em Portugal o nível de vida desceu de 74,7% para 73,9%, entre 2004 e 2008.-Portugal, de entre os 15 países da zona euro (Bélgica, Alemanha, Irlanda, Grécia, Espanha, França, Itália, Chipre, Luxemburgo, Malta, Holanda, Áustria, Portugal, Eslovénia e Finlândia), encontra-se em último lugar no que se refere ao valor do PIB (2007) por habitante.Portugal tem um índice de 76 quando a média dos países da zona euro é de 110. Contudo em 2005 Portugal tinha um índice de 77 e em 2007, 76, regredindo portanto. A Roménia tinha apenas 35, a Polónia 51, a Letónia 49, a Lituânia 53, e assim por diante. O que significa que enquanto estes países vão progredindo, Portugal vai regredindo.
-Através de vários estudos do Eurostat e de pequenas notícias nos jornais ou suplementos económicos, ficámos a saber que os portugueses ganham menos 40% do que a média europeia e que o fosso salarial entre os mais ricos e os mais pobres em Portugal voltou a bater recordes, estando quase duas vezes acima da média europeia a 15. Ainda antes das alterações às reformas aprovadas pelo Governo, já somos o terceiro país onde as pessoas trabalham mais anos e se reformam mais tarde da Europa a 25.
- Portugal está no grupo de países com piores gestores, diz o Diário Económico (16.07.07) citando um estudo realizado pela Mckinsey junto de quatro mil empresas, nos EUA, Ásia e Europa. (DG)-Os portugueses, afinal, gastaram mais 95 milhões de euros na compra de medicamentos em apenas dois anos – entre 2005 e 2007. Esse aumento dos custos para os doentes representa um crescimento da despesa em 14 por cento, o que contraria as medidas anunciadas e implementadas pelo Ministério da Saúde, com a redução do preço dos medicamentos de marca, em seis por cento, e dos genéricos em 30 por cento, medidas que estão em vigor.
-A Administração Pública portuguesa demora em média 152,5 dias para acertar as contas com os seus fornecedores. O atraso destes pagamentos pela Administração Pública portuguesa, são o pior resultado entre a totalidade dos países da União Europeia.

25 julho 2009

COMO DESFAZER O IMBRÓGLIO?!...

A dois meses das eleições legislativas, não tenho grandes dúvidas quanto ao respectivo vencedor!... Mas... se aqui a previsibilidade é fácil de justificar, existe uma outra incógnita cuja importância não é pequena: Como governará o PS, partindo do pressuposto que não alcançará a maioria absoluta?...

Já se sabe, que no período que antecede as eleições, Sócrates evitará uma resposta clara a esta questão. Qualquer clarificação conduzirá à perda de votos.

Isto é: Se previamente apostar na complacência da direita, perderá para a esquerda; se inversamente disser, que apostará na benevolência da esquerda, perderá o centro. O melhor, pois, será sempre dizer que governará sozinho - acenando deste modo para a maioria absoluta, ainda que sabendo que as hipóteses são quase nulas - e deixando a questão dos acordos para depois das eleições.


Isto poderia parecer uma repetição do que fez Cavaco em 1985, ou Guterres em 1995 e que lhes permitiu governar, sem dificuldades de maior.
Só que... Sócrates tem uma história diferente. E essa história não lhe é favorável.
Se Cavaco representava uma viragem em relação ao marasmo do "bloco central" -e na verdade contrariava o "centrão" dos interesses- e se, 10 anos depois, Guterres representava a alternativa ao autismo e mesmo arrogância em que o Governo de Cavaco Silva tinha caído, após 10 anos de serviço, o que representa Sócrates em 2009?
Nada disto! Ele vem desgastado pelo seu estilo, pela crise e por uma maioria absoluta, que contra ventos e marés, impôs a suas regras, sacrificando mesmo altas figuras do Partido e símbolos da democracia. Ora sendo assim, dele ninguém espera nada, senão mais do mesmo. Desse ponto de vista, honra seja feita ao primeiro-ministro, não engana ninguém.


Mas… de uma coisa, poderá ter a certeza: A sua tarefa, será muito mais dificultada no caso de ter de negociar avulso no Parlamento. Quererá Portas dar-lhe a mão?... A troco do quê?... Da Adminiatração Interna?... Da Agricultura?... E nesse caso, o que dirá Louçã?... E o que dirá Jerónimo?... E se for Louçã, o que pedirá o Bloco em troca?... Ou o PCP?... A não ser assim, como decorrerão os grandes momentos parlamentares, a começar pela aprovação do programa do Governo e pela discussão do Orçamento do Estado, logo nos dois primeiros meses da nova legislatura.


Mais: A Sócrates faltar-lhe-á um "estado de graça" - ele que teve um dos maiores de que há memória depois de ter ganho a maioria absoluta em 2005 -, e não lhe será dado sequer o benefício da dúvida que Manuela Ferreira Leite poderia teoricamente reivindicar, caso vencesse as eleições. Neste caso – que me parece pouco provável - , a acontecer, a líder do PSD tem aliás, o problema da clarificação já resolvido!... Se ganhar, alia-se ao CDS. E está dito!
Quanto a Sócrates, aconselha a prudência que se cale, mas a prudência também tem os seus custos.
Que farão os eleitores de centro não sabendo para onde irá o PS em Outubro?...

09 julho 2009

POLITICA DE VERDADE

Finalmente e bem, o PS e José Sócrates resolveram estabelecer a regra de que quem se candidata pelas listas do partido às eleições autárquicas não pode candidatar-se como deputado à Assembleia da República.
Esta é a meu ver, uma decisão justíssima, que, mais que não seja, vem repôr o devido respeito pelo voto dos cidadãos.

A este propósito, recordemos os casos de Elisa Ferreira e de Ana Gomes, candidatas respectivamente às câmaras do Porto e de Sintra!... Todo o eleitor que vota nestas distintas figuras, e tendo presente que não sejam eleitas, tem o direito de se questionar e perguntar, para que serviu afinal o seu voto, sabendo-se de antemão, que as mesmas não ganhando os respectivos municipios, depressa rumarão a Bruxelas. Dir-me-ão: O voto serve para o que vem a seguir na lista!... Mas será mesmo assim?... Será que os eleitores, votariam na mesma lista, no caso do "cabeça de cartaz" ser "o que a seguir na lista"?... Obviamente que podendo aplicar-se tal principio a uns, de certeza que não se aplicará, nem se aplica a outros... Mais: E tanto assim é - e vai ser -, que estas duas senhoras, a não mudarem de postura, ao não abdicarem de Bruxelas, ou de candidatas às câmaras a que se propõem, irão sofrer copiosa derrota. Disso, não tenho a menor dúvida... É que a democracia portuguesa, está madura, e o povo não perdoa tais comportamentos...

Mas para mim, o que a coisa trouxe também de significativo, foi a reacção também imediata de duas actuais deputadas, candidatas à presidência de autarquias - Leonor Coutinho e Sónia Sanfona - que se sentiram atraiçoadas por esta mudança "de regras a meio do jogo" no dizer desta última.
Esta concepção do "jogo" que para muita gente é a política, esta falta de autenticidade de não saber estar nos cargos públicos, é responsável pela degradação da imagem dos políticos, pela perpetuação da ideia do "tacho" tão cara - mas também tão razoável e certeira - ao povo. Também aqui, estamos perante mais um triste exemplo...

A cada passo se percebe, que são demasiados os políticos no activo que, por atitudes mais do que palavras, não estão na vida pública por vocação ou por sentido de missão. Estão na política para fazer pela vida!... Isso explica o desencanto de Coutinho e Sanfona (as que tiveram a lata de o verbalizarem, não sendo seguramente as únicas desiludidas).
Por isso a introdução da ideia da verdade como valor essencial na política, para além de outras dimensões, é bem vinda também nesta. E se passar a ser princípio, ver-se-á que a breve trecho a tão reclamada melhoria da qualidade da democracia ocorrerá, se não por outro efeito, pelo facto de desaparecerem um sem número de crónicos dependentes do orçamento do Estado.

03 julho 2009

É PRECISO LIMPAR A PODRIDÃO...

No triste episódio "dos cornos", que em nada dignificou o último debate na Assembleia da República, assim como noutros episódios, que ocorreram neste final de semana, apenas um dos "actores", directa ou indirectamente ligado a tais episódios, saíu incólume!... E saíu incólume, porque reagiu com eficácia... Demitiu o Ministro Manuel Pinho e pediu desculpa ao "país". José Sócrates, ficou bem na fotografia, e a sua atitude foi nobre, isto pese embora se reconheça, que não podia agir de forma diferente.

Mas, o estado da nação, para além de ter ficado bem ilustrado pelo inqualificável episódio de ontem, envolvendo o agora ex.ministro Manuel Pinho, fica também marcado, pelo grotesco espectáculo de hoje das eleições no Benfica, em total desrespeito, aliás pré-anunciado, de uma sentença do Tribunal Cível de Lisboa.

De uma assentada, três órgãos de soberania - GOVERNO, ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA e TRIBUNAIS, sofrem vexame público e notório.

Ontem, Manuel Pinho, Ministro, perante o Governo e a Assembleia da República, demonstrou a consideração que lhe merecem os seus colegas ministros, o órgão de que fazia parte, os deputados perante os quais responde e o próprio Parlamento.

Hoje, depois de o Tribunal Cível de Lisboa ter suspendido uma das listas concorrentes às eleições do Benfica, tudo se passa como se nada tivesse acontecido. Pior, foi pré-anunciado, que a sentença do Tribunal não seria acatada...

E que fazem os órgãos de soberania, Governo e Tribunal?...
Mandam a Polícia encerrar o acto, por desobediência pública?... Nada!... Ligadas directa ou indirectamente à lista suspensa estão governantes, deputados - até o exemplar democrata Manuel Alegre - e ex-deputados, autarcas, gestores e ex-gestores de empresas públicas, comentadores, pessoas com opinião semanal nas rádios e televisões, apresentadas regularmente como elites deste país.

Afinal, onde pára a moralidade apregoada?...
Qual a posição pública desta gente perante a desobediência face ao Tribunal?... Nenhuma!...

Ser eleito ou promover-se, mesmo violando grosseiramente a lei, faz parte dos seus objectivos pessoais. Perante a indiferença dos poderes públicos e o apoio à rebelião das figuras gradas, como ficar espantado que muitos sócios digam nas televisões que quem manda no Benfica são eles e que o Tribunal não tem que se meter?...

Estes dois episódios, mostram o apodrecimento e evidenciam como a moléstia se vai rapidamente propagando, mas também explicam onde está a podridão. Lançar fora os produtos podres é elementar regra de higiene.

25 junho 2009

JORGE MIRANDA: O exemplo da elevação que vai faltando...

Li a entrevista de Jorge Miranda à revista Visão desta semana, e o anúncio da sua retirada do processo de eleição do Provedor de Justiça.
Li e lamento que o distinto Professor e meu antigo mestre, não tenha antecipado este desfecho, confrontando este Parlamento com a incapacidade de se pôr à altura de personalidades com a sua dimensão.
Não me surpreende a boa fé do Professor, que representa ter pensado durante todo este tempo, que estes parlamentares eram capazes de valorizar o passado e o contributo de quem foi decisivo para a existência do mandato que exercem. É que, é preciso dizer com toda a frontalidade, que Jorge Miranda interveio activamente num tempo, em que alguns dos que por ali proliferam, ainda nem sequer tinham vindo ao "mundo" e num tempo em que a política se pautava por valores.
Jorge Miranda, é daqueles, tal como muitos outros, infelizmente arredados da intervenção política ou cívica mais activa, que terá dificuldade em entender a falta de grandeza dos actuais protagonistas. ASSIM VÃO OS TEMPOS...