Em boa verdade, parece ninguém saber!... A resignação, o alheamento e a intriga, são hoje, algumas das imagens de marca que afectam a "família" social-democrata.
De norte a sul do país, joga-se no subterrâneo e sendo assim, não tenho qualquer dúvida, que após as autárquicas de 11 de Outubro, o verniz estalará de vez!... De Vila Real a Gaia, do Porto a Lisboa, de Santarém a terras de sua majestade na Madeira, o PSD está transformado numa agremiação de iluminados, capazes de se trucidarem em nome de míseros interesses pessoais, que já não conseguem esconder. Anda tudo à procura de qualquer coisa... até lá para as "minhas berças", a regra não constitui excepção!...
Mas vamos ao que interessa: Depois de 7 de Setembro, o PSD descobriu que tinha nas suas sucessivas derrotas um ‘trunfo’ indesmentível. A saber: quanto mais o partido se afunda em eleições, mais se afirma como uma fulgurante alternativa. Só assim se justifica o tom triunfal com que alguns dos seus principais dirigentes anunciam que, ao longo dos últimos dez anos, o PSD teve o mérito de ganhar apenas uma das cinco legislativas.
Se levarmos em conta que essa pequena e suada excepção se deveu a circunstâncias únicas decorrentes da demissão do engº Guterres, percebe-se que, para honra e glória do partido, este podia ter feito o pleno e ter saído de rastos de todas as eleições legislativas, colocando-se gloriosamente ao lado dos pequenos partidos e à margem de qualquer solução governativa.
É à luz desta sofisticada tese que se percebe o que está a acontecer no PSD. Do alto dos seus míseros resultados, o partido, como qualquer partido marginal, especializa-se na intriga, enrola-se em pequenas tácticas, em pequeninos jogos de poder e em pequeníssimas vaidades inverosímeis. Quando se esperava uma palavra sobre o país, o PSD discute afincadamente quando é que a drª Ferreira Leite deve abandonar a liderança: se agora, se a seguir às autárquicas, se mais tarde, se em Maio, de forma a poder assegurar a candidatura de Paulo Rangel ou de qualquer outro hipotético sucessor, que dê garantias ao Kremelin. Tudo, como diz o prof. Marcelo Rebelo de Sousa – que "pondera ponderar" sobre a sua própria candidatura – para impedir, a todo o custo, a hipotética vitória do dr. Passos Coelho, esse "Sócrates de segunda" que convém, desde já, eliminar.
É triste, ver um partido desta natureza, a "boiar"da forma como o vem fazendo, tentando a todo o custo socorrer-se das tábuas de salvação santanistas na capital e de Rio no Porto, como remédio para salvar uma "época", que logo à partida sofreu duros golpes, principalmente de quem afirmava a pés juntos que se iria manter calado, mas cuja promessa durou apenas duas ou três semanas.
Agora, após o veredicto popular, quando se esperava que se apresentasse como uma oposição responsável, o PSD ameaça veladamente brindar-nos com uma moção de rejeição ao Governo, cujo principal objectivo é "colar" Paulo Portas ao PS. Quando se esperava uma reflexão séria sobre a derrota, o PSD viceja – como sempre vicejou nos últimos anos – num deserto de ideias alimentado pelo caciquismo que o controla e pelo poder autárquico que lhe garante votos e nomeações.
A partir de domingo, quando as autárquicas estiverem resolvidas e o pudor que qualquer campanha eleitoral impõe, se dissipar, é natural o PSD volte a exibir, com abundância de pormenores, aquilo em que há muito se transformou: uma agremiação de luminárias sem estofo, capazes de se trucidar mutuamente, em nome de míseros interesses pessoais.
A partir de domingo, quando as autárquicas estiverem resolvidas e o pudor que qualquer campanha eleitoral impõe, se dissipar, é natural o PSD volte a exibir, com abundância de pormenores, aquilo em que há muito se transformou: uma agremiação de luminárias sem estofo, capazes de se trucidar mutuamente, em nome de míseros interesses pessoais.
A balbúrdia que se avizinha transformou-se, infelizmente, na imagem de marca do PSD.




Na campanha que se aproxima, quer Sócrates, quer Ferreira Leite, não vão lutar apenas por valores ou políticas. Ambos irão lutar também, pelas respectivas sobrevivências politicas, enquanto chefes dos Partidos que lideram. Ora vejamos: