“Ela chegou aqui à meses e nós estamos a tentar fazer tudo para normalizar a situação, mas esteve oito anos em Portugal e vocês não viram o estado em que ela estava?... Mas que Tribunal entregou a menina a uma pessoa assim?...”Estas afirmações foram produzidas por Iúri Kudiravtsev, responsável pela protecção de menores na zona onde a pequena Alexandra – de que tanto se tem falado – vive, por imposição de um Tribunal português.
No meio de tudo isto, o grave... o grave é que nós vimos e sabemos como tudo se passou. E viu também o casal que acolheu a criança durante quatro anos, viram os vizinhos, viu a Segurança Social, viram os técnicos cujos relatórios declaravam que aquela mãe não podia ficar com a criança e viu o Juiz de 1.ª instância, que manteve a confiança nos pais afectivos, no julgamento do caso.
Na verdade, só há duas entidades que não viram: O Juiz(es) do Tribunal da Relação de Guimarães e a Embaixada Russa em Lisboa, que testemunhou em favor da mãe da criança, e através do seu depoimento, encontrou a fórmula célere de a “nacionalizar” e lhe pagar prontamente os bilhetes para com a mãe partirem de abalada até à Rússia. Mas afinal, porque não viram estas duas entidades, aquilo que estava à vista de todos?...
Pela leitura do Acórdão, fica-se com a ideia de que os senhores decisores puseram o “sangue” acima dos interesses da criança, e que a sua leitura da realidade foi toldada por preconceitos contra a mãe de acolhimento, cujo amor pela Alexandra foi apelidado – lembram-se? – de “amor serôdio”, sendo o seu testemunho, nomeadamente sobre a constante embriaguez da mãe da menor, visto como uma estratégia para lhe “roubar a filha.
E o que cegou a Embaixada Russa?... Provavelmente, o desejo de lavar a imagem, como se o que nos faltasse, fossem casos de alcoolismo... enfim..., por esse malfadado mundo.
O que dói é que tudo era tão previsível, tão claro. O que insulta é que a decisão foi tomada apesar de se saber que era irremediável e que Alexandra ficava completamente desprotegida.
E já agora para terminar, deixemo-nos mas é de circos com Ministros à mistura. O que não tem remédio, remediado está. O que tem de ser feito, é pedir contas à justiça portuguesa, em nome desta criança, que agora é objecto de reportagens e contra-reportagens, e de tantas outras crianças que o Estado maltrata, sem responder pelos seus actos. Coitada da "pobre" Alexandra, que ainda se arrisca a ir parar a um orfanato...


Pedro Passos Coelho, acaba de anunciar a sua candidatura à chefia do PSD!...
