01 janeiro 2010

FINALMENTE 2010

O ano de 2009 foi mau de mais!... Se juntarmos à crise económica e social, o desempenho político, a justiça, o desemprego, a segurança, a educação, a agricultura, enfim…, temos todos de concordar, que 2009, foi um ano que não deixa saudades…

2009, parecia mesmo que não queria chegar ao fim, tantos eram os "embrulhos", que todos os dias nos entravam pela casa adentro. Não quer dizer, que o fim deste malfadado ano, seja o fim de qualquer coisa, que não seja apenas o da celebração da chegada de 2010, o que "já não é nada mau"!... Aliás, existem sérias e fortes razões, para pensarmos que o fim deste ciclo de nulidade absoluta da história recente, ainda vem longe. É que apesar da malfadada "crise", os métodos de combate à mesma em nada se alteraram. A "doença" está lá, e pelos vistos para durar!... Não é com simples "analgésicos", que a epidemia se combate. É preciso ir mais longe, muito mais longe...
Um dia, quando se escrever com a necessária distância a história da crise financeira nascida nos Estados Unidos em 2008, será difícil acreditar, como é que tão poucos, conseguiram enganar tantos e durante tanto tempo. Mais: como tiveram o despudor de o fazer, sabendo que se arriscavam a enviar milhões de pessoas para o desemprego, a arruinar milhares de empresas com futuro, a roubar biliões de poupanças de uma vida a trabalhadores honestos. Esta é que é a realidade, uma realidade assente numa geração inteira de economistas ditos liberais, que quis acreditar e fazer crer, que a liberdade de concorrência, era a solução universal, para o progresso das nações.
É por tudo isto, que 2009 não deixa saudades. No domínio da política, no domínio da justiça, no domínio do desemprego, no que respeita à crise financeira, económica e social e até na esfera dos princípios essenciais que determinam, ou deveriam determinar a nossa vida colectiva e a defesa de determinados valores, esperava-se muito mais. Para mal de todos nós, não existe um único indicador, seja qual for a abordagem, que nos permita uma leve lufada de esperança, que não seja aquela que vive na nossa mais íntima vontade. Há décadas que não sentíamos tão grande instabilidade. Insegurança no emprego, insegurança na saúde - até a gripe H1N1 haveria de chegar neste ano de má memória -, insegurança quanto às agressões ambientais, insegurança na projecção de expectativas futuras, enfim... nem dá para contar.
Já agora e por falar em insegurança, talvez seja no território da criminalidade que os indicadores nesta área não são tão fortes. Não existem grandes alterações na flutuação global da actividade criminosa, com excepção para a visibilidade da violência que atingiu as relações familiares. Ainda assim, é preciso acabar com o assassínio de tantas mulheres, às mãos dos criminosos companheiros. Felizmente que a denúncia desta cobarde criminalidade, ganhou direito a "primeira página", um sinal importante, de que preocupa cada vez mais gente e de que o velho aforismo de que entre marido e mulher ninguém mete a colher, começa a ser relíquia do passado.
Também a atenção à corrupção e aos crimes económicos ganhou uma nova dimensão pública. Porém, nenhuma declaração de mudança de atitude, até agora ditada pelos poderes que sobre a matéria decidem, deixou de estar associada à propaganda, o que é mau sinal. Aliás, foi aqui que a política caiu no patamar mais baixo da degradação moral, com esforços sucessivos, de todos os lados da vida partidária - talvez com excepção do CDS-PP - para partidarizar a acção e o sistema judiciário. Um dos piores momentos da democracia portuguesa.

Para 2010, quero renovar votos e desejos de um ano melhor, de um tempo de maior seriedade, clareza e esperança. Que seja mais do que desejos. Que seja um acto elevado e nobre da nossa vontade colectiva. Um bom 2010 para todos.

14 dezembro 2009

GUTERRES E O PÂNTANO POLITICO

António Guterres foi Primeiro-Ministro de Portugal, no período compreendido entre 28 de Outubro de 1995 e 6 de Abril de 2002. Nesta última data, e num mais que evidente desapêgo ao poder, demitiu-se para que o país – segundo ele - não caísse “num pântano político”.
Com a sua atitude, Guterres, ao contrário daquilo que muitos populistas da nossa praça quiseram e querem ainda hoje fazer crer, não "fugiu". Pelo contrário, Guterres fez aquilo que devia ter feito: provocou eleições, deu vóz a quem devia e clarificou-se aquilo que se impunha clarificar.
Após a respectiva escolha e a sua consequente rejeição, seguiu-se-lhe no "trono" Durão Barroso até Junho de 2004. Com o sprint deste para Bruxelas, Pedro Santana Lopes ocuparia então o cargo de Primeiro-Ministro, até Fevereiro de 2005, data em que viria a ser exonerado pelo então Presidente da República Jorge Sampaio ao dissolver o Parlamento. Após novas eleições, surge então José Sócrates, que vem chefiando o Governo até aos dias de hoje.
Certo... certo, é que nem Guterres nem ninguém que se lhe seguiu, conseguiu evitar o tal pântano politico de que falava!... O tal pântano de que nunca mais nos vemos livres, a não ser na boca daqueles que apesar da “tanga” e do “descontrolo das contas públicas” (que dizem ter assolado o país), continuam a afirmar terem conseguido maravilhas, sensação essa que não é partilhada pela esmagadora maioria dos portugueses, que vêem o país cada vez mais atolado.

A realidade é mesmo essa, e hoje para mal dos nossos pecados, assistimos a um Governo cercado, medroso q.b. e sem iniciativa política!... A um Governo capturado pela crise, pela oposição parlamentar e pelos casos da Justiça!... A uma Assembleia revanchista e na aparência decidida a substituir-se ao Executivo, não hesitando em moldar-lhe o orçamento, ainda mesmo antes de ser apresentado na Assembleia da República. As declarações hoje produzidas pelos dois extremos -bloquistas e populares - são exemplos concretos.
Para piorar ainda mais as coisas, assistimos hoje também, a um Presidente distante e apático, ao que se julga enfraquecido, na opinião e no imaginário dos portugueses. Tudo aquilo de que menos precisávamos neste momento, era das “guerras” e “ajustes de contas” entre este e o Primeiro Ministro. Isto, para já não falar no desemprego galopante, nas crises crónicas da nossa condição de cidadãos e de eleitores, na crise das Finanças Públicas e na crise porque passa a Justiça.
Realmente, é muita coisa para um homem ""!...
Chegamos já ao ponto, de uma vóz "autorizada", como é a de Marcelo Rebelo de Sousa, dizer que o Governo "está a cair"!... Concordando ou não com o professor, há uma coisa que não podemos esquecer!... Acabámos de sair de eleições - de três eleições consecutivas -, e não podemos andar sempre a votar. Votar, só por votar não resolve o problema… E não resolve o problema, antes de mais, porque não se vê onde esteja, pujante e viçosa, essa alternativa de que o país precisa –se de facto precisa. O que resolve o problema isso sim, é que haja HOMENS com principios, que coloquem o país e os cidadãos, à frente dos interesses pessoais e de jogos de poder.

Mas esses homens parecem não existir, e para batermos no fundo, parece já não faltar muito!... À esquerda e à direita, o pantanal é cada vez mais denso e milagres, já não ocorrem só em Fátima!... É que não se "topando", para o "bota-abaixo" não se inibem de alinhar uns com os outros. Têm ideias diferentes, perspectivas diferentes, mas votam em uníssono. É uma coisa nunca vista, mas... atenção: o povo não é cego, e não é por acaso, que a voz ponderada de Francisco Pinto Balsemão fez saber recentemente, que pelo andar da carruagem, o PSD pode estar a caminho, sem se dar conta, de um "suicídio colectivo".
Ora se tudo isto não é um pântano, então o que será um pântano?!... Para onde corremos?!...

Outro exemplo: A entrevista concedida recentemente à RTP por Armando Vara e a indiciação que o juiz promoveu - tráfico de influências -, fazem aumentar a inquietação. Depois do seu nome aparecer escarrapachado em todas as primeiras páginas como mediador medíocre de grandes negócios ao preço da uva mijona, vem agora o contraciclo da vaga. E Vara responde rijo. Ai se responde!... Suspende o cargo de vice-presidente de um dos maiores bancos portugueses, desmente tal acto indigno com firmeza, recusa-se a voltar ao mesmo cargo enquanto não for reposta a verdade, vai pedir o fim do segredo de justiça para que se saiba o que sobre ele consta, dá o corpo às balas e garante, que se não fosse o tal segredo de justiça, em 15 segundos poderia esclarecer-se tudo.
Mesmo que em vez dos tais 15 segundos, demore 15 minutos ou 15 horas, depois de o ouvir frente à entrevistadora, enérgico e inflamado, acudiu-me uma inquietação: Se o homem está mesmo inocente, se aquilo que diz é verdade, o país dos políticos andou durante um mês a pregar no deserto e a fazer política a propósito de quê?... Ou melhor: que país é este, que dirige e esgrime politicas, conforme as capas dos jornais, as noticias das televisões e não segundo critérios nacionais?!....
Não terão certos políticos da nossa praça, algo para fazer (deixando para César o que é de César), que não seja “entreterem-se” com noticias de jornais, revistas e similares, que lhes permitam dar nas vistas em vez de se preocuparem com coisas que interessam verdadeiramente ao país e aos cidadãos?...
É triste mas é verdade!... Hoje, as agendas editoriais, fazem o calendário da discussão politica e das polémicas que arrasam a honra, o carácter e até a vida de pessoas sem uma única decisão judicial a condenar. Os "Velhos do Restelo" não perdoam e não perdoam a ninguém que ouse contrariar o destino. O espírito de vingança e até se calhar da inveja, são próprios dos tempos da barbárie e da pequenez de espírito. Perde-se a grandeza... o sentido de Pátria enquanto mãe colectiva, e perde-se também o sentido da dignidade humana.
Ora sendo assim, é evidente que o PÂNTANO POLITICO, veio para ficar.
Boas festas e até para o ano...

06 dezembro 2009

QUE SEJAM FELIZES PARA SEMPRE!...

Tem sido notícia quase diária. Um jovem padre apaixonou-se por uma jovem da sua paróquia. Um amor que julgam eterno, maior do que o juramento de celibato do sacerdote. Maior do que a autoflagelação da continência orgástica, ainda maior do que todos os preconceitos que fazem do jovem padre notícia e sabem a fel na língua de beatas, prosélitas e bruxas comungadas.

O jovem padre teve a coragem de escrever ao seu bispo explicando-lhe o amor que celebrava na relação clandestina com a jovem apaixonada. Não sei em que palavras terá explicado o pretenso pecado ao superior eclesiástico, pois não sei com que palavras é possível explicar a infinitude do amor. E desapareceu sem deixar rasto. Os dois amantes clandestinos do amor, medrosos do medo do preconceito, mas amando-se com a coragem do desprendimento total. Que se saiba, até agora, a Igreja está em silêncio. Constatou a fuga do ex-sacerdote, mandou substituí-lo, e calou se. Um silêncio de respeito, de quem compreende a imponência do amor. Foi inteligente e sábia.

Mas a história, mais pitoresca do que um escândalo, vale pela dimensão afectiva do caso, pela evidência do Portugal velho que Bernardo Santareno tão bem dramatizou, embrulhado em xailes negros e recalcamentos, dominado por medos e iras de morte e de raiva, que ainda persistem, que continuam viçosos e brutais como nos séculos que já nos convencemos de que estão vividos. E não estão.

Permanecem tão vivos, tão presentes, que por vezes é paradoxal falar de um País que está no topo dos países desenvolvidos e, por essa mesma razão estruturalmente culto. Mas não. É apenas um jogo de aparências.

A fuga do padre com a sua amada é uma metáfora. Já não consegue ser uma história com a dimensão pecadora que Eça de Queirós entregou ao seu romance sobre a libido do padre Amaro. Mas ainda está cheia de sentido. Por ser notícia tão noticiada, sinal da nossa reivindicação sobre memórias passadas. Por ser uma corrosão na teoria do celibato sacerdotal. Por ser, sobretudo, uma história de amor clandestino num tempo em que o amor se celebra sem preconceitos, nem mesmo o sexual.

Uma historia sobre a doçura e a dedicação da entrega, e por isso mesmo, nas minhas desorganizadas orações, peço a Deus que o seu ex-padre e a sua amada sejam felizes para sempre. Até que a morte os separe. Ou até que eles queiram.

01 dezembro 2009

O QUE MUDA COM O TRATADO DE LISBOA...

Afinal o que vai mudar com o Tratado de Lisboa?!...

Em Sintese: O documento vai reformar as instituições europeias, simplificando o funcionamento para que os europeus compreendam a Europa e participem mais. O Tratado acaba com as presidências rotativas do Conselho Europeu, mas não ao nível ministerial, à excepção dos Negócios Estrangeiros. Será nomeado um presidente e um poderoso chefe da diplomacia, para um mandato de dois anos e meio, renovável uma vez. Serão eles a cara e a voz da União Europeia a nível internacional, permitindo uma maior continuidade no seguimento dos dossiês e aos cidadãos saber quem os representa.
Outra mudança é o reforço dos poderes do Parlamento Europeu, única instituição eleita pelos cidadãos. O hemiciclo vai dispor de instrumentos de co-decisão a par dos Estados em assuntos directamente ligados à vida dos cidadãos, como a agricultura, pesca, polícia e justiça. Será reforçada também a influência dos parlamentos nacionais no processo legislativo europeu. Com o Tratado de Lisboa os cidadãos passam a ter novos direitos e é criado um mecanismo de iniciativa popular.

Com um milhão de assinaturas os europeus podem obrigar a Comissão Europeia a estudar uma proposta legislativa. Entra, enfim, em vigor a Carta dos Direitos Fundamentais, adoptada em 2000. O documento compila num único texto todos os direitos cívicos, políticos, económicos e sociais dos cidadãos europeus ou estrangeiros a viverem na Europa. O Tratado de Lisboa introduz também uma cláusula de saída, dando a possibilidade a um Estado membro de abandonar a União com base em certas condições a negociar com os parceiros. O documento precisa também uma cláusula de solidariedade e muda o sistema de tomada de decisões, com vista a simplificar o processo numa Europa cada vez maior.

23 novembro 2009

A TRAFICÂNCIA...


O estalar da “batata quente”, entre os senhores PGR e o presidente do STJ, que resultou das escutas do chamado processo Face Oculta, deu naquilo que era já previsível, isto é: Ausência de índicios, que eventualmente pudessem comprometer a figura do Primeiro-Ministro.

Posto isto, há que retirar deste e de outros processos – atinjam eles quem atingirem e trate-se de quem se tratar – algumas ilações. E a principal ilação a tirar, é que tudo quanto “cheira” a escutas, está de facto a passar das marcas!... Digo-o com convicção.
Como disse há dias – e a meu ver bem - um destacado membro do Governo, todo este emaranhado de escutas, contra-escutas, noticias e contra-noticias, nada tem a ver com justiça. Tem a ver isso sim, com autêntica espionagem politica e o retirar de dividendos pessoais, não se olhando a meios para atingir os fins.

Ao longo do tempo em que me conheço, não me recordo de atitudes de tanto sarcasmo, de tanta ironia e de tanta desconfiança, como aqueles que certos senhores de poderes diferenciados, conseguiram montar contra o sistema judiciário e até politico. Aquilo que está à vista escusa candeia: Instalou-se, informalmente, na comunicação social portuguesa um programa de justicialismo cujos resultados estão à vista e já cheiram a podre.

Por mais esforços que centenas de polícias, de procuradores e de juízes possam fazer para entregar dignidade à sua profissão, a traficância de informação (porque é disso mesmo que se trata) entre gente que vive no meio judiciário, na comunicação social e na política tornou-se num verdadeiro prostíbulo. O segredo de justiça já não passa de um arroto. A falta de decisão judicial em vários processos arrasta-se e arrasta Portugal para a lama. A comunicação social mistura, tempera e agita notícias apocalípticas, que em lume brando, desfazem vidas, destroem a honra e o carácter dos visados. A pretensa moralidade de comentadores comprometidos ou avençados faz o resto.
Quando o País se torna governável à luz do boato ou da notícia do dia, deixou de haver Governo, deixou de haver Oposição, deixou de haver política na sua maior nobreza para emergirem graves personalidades, botando discurso beato sobre a intriga, desleixados das suas obrigações.

Impõe-se que governe quem deve governar. Que faça oposição quem a deve fazer. Que investigue quem tem competência para investigar. Que julgue quem deve julgar. É preciso que certa gente ganhe vergonha na cara e cumpra as suas obrigações para com o País e os cidadãos. É para isso que lhes pagamos com os nossos impostos e as nossas contribuições. E porque lhe pagamos, exigimos uma justiça séria, uma justiça que julgue, em vez de mandar julgar na praça pública, muitas vezes "degolando" inocentes.

A mediocridade já foi longe demais, cheira a podre e a indignidade.
Não é com esta prostituição moral que o País sairá da crise.

16 novembro 2009

A RADIOGRAFIA DO PAÍS!...

A radiografia do país - seja pelos indicadores estatísticos publicados por organizações nacionais e internacionais, seja pelos estudos analíticos de personalidades ou equipas de reconhecido mérito – refere, invariavelmente, diagnósticos e prognósticos que nos dão alguma esperança. Porém e pese embora tais indicadores, as conclusões do cidadão comum, continua a mesma de sempre: a continuar assim, Portugal caminha rapidamente para o abismo – se é que à beira dele não está já.
Diz ainda o dito cidadão - e não se engana – que a continuarmos com esta “onda” de gestores públicos, não é fácil, nem mesmo entre os mais optimistas, encontrar quem com conhecimento e lucidez, esteja disposto a apostar palavra e reputação no sucesso futuro do país. Mais: Não haverá governo que consiga remar, contra estas e outras demandas de vigaristas profissionalizados.

Por estes dias, três reputados economistas – Ernâni Lopes, António Carrapatoso e Vítor Bento -, partilharam a ideia, ainda que com diferentes graduações, do cepticismo ou pessimismo, que é aliás comum à generalidade dos economistas. Diz Vítor Bento, que o problema por cá , como pelo resto do mundo, começa na crise das religiões. Tudo deixou de medir-se pelo que há-de vir e perdeu-se na busca dos interesses imediatos.

O que conta é o curto prazo, os resultados do dia seguinte, do trimestre, do semestre ou do ano. De nada importam as consequências a médio ou longo prazo, os valores ou padrões comportamentais e o legado ou a herança que se transmitem para as gerações vindouras.
Infelizmente, este é o prato-do-dia para as pessoas, quer sejam elas individuais ou colectivas, e consequentemente para os Estados.

A triste realidade, é que as sociedades modernas perderam as referências e cederam à crise de valores, com todos os custos inerentes. E tudo piora ainda mais, quando como afirma Ernâni Lopes, “vale tudo para enriquecer de qualquer maneira e depressa, sem critério”, ou quando o país, precisado de uma elite dirigente de excepção, fica à mercê de golpadas do ordinareco que faz umas jogadas, uma burlas, umas corrupções, enfim… tanta nojice, que nem o padre da minha terra "consegue suplantar".
Infelizmente é este, ou está a ser este o Portugal do século XXI.

Mas o pior de tudo, é se à crise de valores e de referências – ou das religiões, na tese de Vítor Bento – se junta a crise da Justiça terrena. Aí é que a “porca vai torcer o rabo”!... Espera-se – a todo o custo -, que tenha capacidade suficiente para dar resposta célere e em tempo útil a tanta gatunagem, quando não, ninguém resistirá…
Haja esperança e inconformismo !... É preciso dizer “não” à resignação. Portugal só pode ter um mau futuro se continuar assim. Há que acreditar que é possível mudar, e mais do que acreditar, fazer por isso.