O ano de 2009 foi mau de mais!... Se juntarmos à crise económica e social, o desempenho político, a justiça, o desemprego, a segurança, a educação, a agricultura, enfim…, temos todos de concordar, que 2009, foi um ano que não deixa saudades… 2009, parecia mesmo que não queria chegar ao fim, tantos eram os "embrulhos", que todos os dias nos entravam pela casa adentro. Não quer dizer, que o fim deste malfadado ano, seja o fim de qualquer coisa, que não seja apenas o da celebração da chegada de 2010, o que "já não é nada mau"!... Aliás, existem sérias e fortes razões, para pensarmos que o fim deste ciclo de nulidade absoluta da história recente, ainda vem longe. É que apesar da malfadada "crise", os métodos de combate à mesma em nada se alteraram. A "doença" está lá, e pelos vistos para durar!... Não é com simples "analgésicos", que a epidemia se combate. É preciso ir mais longe, muito mais longe...
Um dia, quando se escrever com a necessária distância a história da crise financeira nascida nos Estados Unidos em 2008, será difícil acreditar, como é que tão poucos, conseguiram enganar tantos e durante tanto tempo. Mais: como tiveram o despudor de o fazer, sabendo que se arriscavam a enviar milhões de pessoas para o desemprego, a arruinar milhares de empresas com futuro, a roubar biliões de poupanças de uma vida a trabalhadores honestos. Esta é que é a realidade, uma realidade assente numa geração inteira de economistas ditos liberais, que quis acreditar e fazer crer, que a liberdade de concorrência, era a solução universal, para o progresso das nações.
É por tudo isto, que 2009 não deixa saudades. No domínio da política, no domínio da justiça, no domínio do desemprego, no que respeita à crise financeira, económica e social e até na esfera dos princípios essenciais que determinam, ou deveriam determinar a nossa vida colectiva e a defesa de determinados valores, esperava-se muito mais. Para mal de todos nós, não existe um único indicador, seja qual for a abordagem, que nos permita uma leve lufada de esperança, que não seja aquela que vive na nossa mais íntima vontade. Há décadas que não sentíamos tão grande instabilidade. Insegurança no emprego, insegurança na saúde - até a gripe H1N1 haveria de chegar neste ano de má memória -, insegurança quanto às agressões ambientais, insegurança na projecção de expectativas futuras, enfim... nem dá para contar.
Já agora e por falar em insegurança, talvez seja no território da criminalidade que os indicadores nesta área não são tão fortes. Não existem grandes alterações na flutuação global da actividade criminosa, com excepção para a visibilidade da violência que atingiu as relações familiares. Ainda assim, é preciso acabar com o assassínio de tantas mulheres, às mãos dos criminosos companheiros. Felizmente que a denúncia desta cobarde criminalidade, ganhou direito a "primeira página", um sinal importante, de que preocupa cada vez mais gente e de que o velho aforismo de que entre marido e mulher ninguém mete a colher, começa a ser relíquia do passado.
Também a atenção à corrupção e aos crimes económicos ganhou uma nova dimensão pública. Porém, nenhuma declaração de mudança de atitude, até agora ditada pelos poderes que sobre a matéria decidem, deixou de estar associada à propaganda, o que é mau sinal. Aliás, foi aqui que a política caiu no patamar mais baixo da degradação moral, com esforços sucessivos, de todos os lados da vida partidária - talvez com excepção do CDS-PP - para partidarizar a acção e o sistema judiciário. Um dos piores momentos da democracia portuguesa.
Para 2010, quero renovar votos e desejos de um ano melhor, de um tempo de maior seriedade, clareza e esperança. Que seja mais do que desejos. Que seja um acto elevado e nobre da nossa vontade colectiva. Um bom 2010 para todos.



