Com a subida dos spread`s, anunciada nos últimos dias pelo Banco de Portugal a dívida pública dispara!... Imunes a isso e ao afundamento económico do País, Governo e Oposição, depois da “importantíssima” discussão relativa aos “casamentos gay”, ocupam agora o melhor dos seus dias a "negociar" o Orçamento de Estado para o corrente ano.
Como seria de esperar, depois de uma série de encontros e de declarações solenes sobre o futuro da Pátria, o “sumo” saído das ditas negociações, é o mesmo de sempre!...
Como seria de esperar, depois de uma série de encontros e de declarações solenes sobre o futuro da Pátria, o “sumo” saído das ditas negociações, é o mesmo de sempre!...
Infelizmente para Portugal e para os Portugueses, ninguém quer assumir as responsabilidades que o país e o interesse nacional exigem. É portanto, muito fácil constatar, que ao contrário do que se tem dito, o principal objectivo destas "negociações" não é propriamente viabilizar o Orçamento – que está viabilizado por natureza – mas sim proporcionar UM PALCO ao Governo e à Oposição onde todos possam mostrar ao “pagode”, que são mais firmes, mais responsáveis e mais dialogantes do que o parceiro que lhes caiu em sorte.
É esta espécie de campeonato (felizmente e por enquanto sem boxeurs à mistura), que justifica, umas vezes as "cedências" do PSD, outras, as "imposições" do CDS e as "ameaças" do Governo, e outras ainda, as "imposições" do PSD, as "cedências" do CDS e os "recuos" do Governo.
Visto isto, o que é preciso… é ganhar apoiantes, ganhar eleitores e sobretudo ganhar o voto. O VOTO ACIMA DE TODAS AS COISAS, é o primeiro mandamento do actual cenário politico.
Esta deprimente encenação, que ameaça prolongar-se no tempo, serve apenas para disfarçar o óbvio: ninguém quer sustentar um Governo que parece ter os dias contados; e ninguém quer precipitar eleições porque ninguém está em condições de as disputar. De onde se conclui – sorumbaticamente – que os partidos, estão prisioneiros de si próprios e são incapazes de contribuir para a mudança que eles tanto reclamam. Isto é o ÓBVIO…
Porém, outros óbvios existem, que carecem de respostas urgentes!... Se me permitem, gostava de recordar aos nossos políticos, alguns pequenos/grandes detalhes. Ora vejamos: Neste momento, cerca de 548 mil portugueses (números oficiais) estão desempregados; cerca de 1,850 milhões recebem pensão de velhice, 300 mil recebem pensão de invalidez e 380 mil recebem o rendimento social de inserção. Para apoiar estes 3,078 milhões de portugueses, trabalham apenas 5,020milhões. Por sua vez, a remuneração mensal média de um trabalhador, depois de deduzidos os respectivos impostos, está algures entre os 720 e os 820 euros. Na população activa, por cada pessoa com um curso superior, existem duas pessoas que têm menos do que a quarta classe. Ora perante tais factos e tendo por base “alicerces” tão frágeis, parece-me legitimo perguntar, qual o “milagre” que se espera para a diminuição do défice, e para o relançamento da economia para níveis consentâneos com a média Europeia e as exigências do FMI?... Será que o investimento público, o aumento de impostos (directos ou indirectos), a venda de património ou as privatizações, vão resolver o problema ou parte dele?...
Talvez estes detalhes da vida das pessoas não sejam demasiado importantes para quem tem o olho na Europa. Mas, em Outubro de 2009 (dados oficiais), Portugal apenas exportou 2856 milhões de euros em bens, contra os 4502 milhões importados. Significa isto, que a riqueza que produzimos num ano não chega, nem pouco mais ou menos, para pagar o que devemos ao estrangeiro.
Por isso, ou deitam mão a isto, ou não resistiremos. É que a continuar tudo na mesma, será bom que de bons alunos vaidosos nas cimeiras internacionais, os nossos líderes se preparem para o novo papel de convidado que foge para a casa de banho quando se aproxima um credor...
Por isso, ou deitam mão a isto, ou não resistiremos. É que a continuar tudo na mesma, será bom que de bons alunos vaidosos nas cimeiras internacionais, os nossos líderes se preparem para o novo papel de convidado que foge para a casa de banho quando se aproxima um credor...
Quatro países da UE estão com problemas financeiros semelhantes aos dePortugal, de acordo com as taxas de juro que têm de pagar aos credores. O Reino Unido e a Irlanda já responderam com medidas que doem a todos e não apenas a alguns. A Grécia e a Itália, tal como Portugal, preferem assobiar para o lado. Os especuladores já começaram a atacar a dívida grega e fala-se do risco iminente de bancarrota do país. Se a Grécia cair, Portugal não dura mais que umas semanas. Eu sei, que muitos comentadores e analistas, estão há décadas a anunciar o fim da nossa economia. Mas também sei que os nossos governantes estão habituados a ignorar estes avisos. Porém, depois de olhar para estes factos, pergunto a mim mesmo, como é que quem jurou servir Portugal pode passar o tempo a discutir uniões de facto e casamentos gays, a fazer de conta que negoceia orçamentos, ou a mergulhar em reuniões sectoriais para inglês ver?... Não serão já de mais, aqueles que se especializaram na promoção do “folclore” que atesta a sua integridade ideológica e a sua inutilidade política?!...



