07 junho 2010

O RENDIMENTO MÍNIMO E A POLITICA...

Penso que o Rendimento Mínimo Garantido – actualmente designado por Social de Inserção -, foi uma das mais justas medidas do Estado, desde o 25 de Abril de 1974!...
Estou mesmo em crer, que tal subsidio, criado em meados dos anos 90, pelo então Primeiro Ministro Engenheiro António Guterres ( a meu ver um dos maiores humanistas da actualidade e a quem a história um dia fará justiça), merece a aprovação da maioria esmagadora do povo português, dado assegurar um mínimo de dignidade a doentes, inválidos, idosos, enfim… a quem não tem a mais pequena hipótese de exercer qualquer actividade, que promova o seu sustento.

Porém e com o decorrer dos tempos, aliás à semelhança do que acontece com quase todas as boas ideias, a dita contribuição passou a servir não só para os tais necessitados, como também para os habilidosos, os ociosos, os oportunistas e até para aqueles que vivem de “esquemas”, transformando-se numa absurda injustiça.

Hoje, por incúria do próprio Estado, com a responsabilidade da Segurança Social à cabeça, o dito subsídio é pago a quem precisa e a quem não precisa, a desvalidos que nada mais têm a não ser miséria e a madraços com saúde para o trabalho, a gente honesta derrotada pela vida e até a criminosos.

Significa tal, que numa altura em que o país se encontra em grandes dificuldades, ainda nos damos ao luxo de alimentar ociosos, vagabundos, corrécios, chefes de gang e até viciados na subsidio-dependência para quem trabalhar “faz calos” . Isto é: Para além de justamente pagarmos a quem precisa, não deixamos de o fazer à escória da sociedade.


Ora isto que tem de acabar!... Ou antes: Para bem de toda a gente de bem, deveria acabar. Apesar de já começar a cansar, ouvir determinados políticos da direita clamar pelo fim do Rendimento Social de Inserção, uma coisa é certa: Não deixam de ter a sua quota parte de razão. E sendo assim, o que no mínimo se pede, é que os critérios de atribuição, para além de apertados, sejam objecto de uma fiscalização eficaz.

Vejam só onde chega a pouca-vergonha: Na semana finda, a Policia de Lisboa, desbaratou um numeroso gang que se dedicava entre outros desmandos, ao tráfico de armas, apreendendo-lhe um verdadeiro arsenal. A investigação e os preparativos para tal operação, tiveram origem no alerta dado pelos próprios elementos do grupo, que nem sequer se davam ao “trabalhinho” de ocultar ou disfarçar os sinais “exteriores de riqueza” dos respectivos membros – exactamente os mesmos sinais que passaram despercebidos aos técnicos que decidiram atribuir-lhe o Rendimento Social de Inserção. E das duas uma: ou esses mesmos técnicos foram negligentes, ou viram e calaram para não se aborrecerem, o que pode significar, grave falta de dever.

Será isto justo?!... A atribuição do subsídio, de acordo com as boas práticas da burocracia portuguesa, não depende apenas da Segurança Social – mas de uma série de pequenos poderes que começa nos gabinetes dos assistentes sociais das autarquias. A Segurança Social tem a última palavra, mas há que responsabilizar quem não cumpre com o seu dever. Quando alguém não faz o seu trabalho, como deve ser feito e actuam – todos – em roda livre ninguém pode sair impune. O bom governo do dinheiro dos contribuintes não pode ficar ao livre arbítrio de funcionários relapsos e de gente sem escrúpulos.

Sei – sabemos todos – que o problema irá ser debatido por estes dias na Assembleia da República, porém ninguém se iluda: tudo ficará na mesma. Os votos do Partido proponente, tornar-se-ão insuficientes para colocar um ponto final nesta calamidade e o velho lema do Partido que suporta o Governo, prevalecerá sempre contra qualquer proposta saída da Oposição, o mesmo sucedendo na situação inversa. Este é o critério dos nossos políticos, classificados de “bons” ou “maus”, conforme a “hora e o local” em que se encontrem.

01 junho 2010

ALEGRE, SIM OU NÃO!...

O dr . Mário Soares, antigo Presidente da República, em artigo de opinião no DN de hoje, vem atacar a opção do Partido Socialista pelo facto de apoiar Manuel Alegre nas presidenciais de 2011. A esse propósito diz o dr. Mário Soares: "Como socialista, e pensando como sempre e só pela minha cabeça, entendo ter a obrigação de dizer o que penso."

Ora aqui está o cerne da grande questão!... Entende, mas entende mal…

É que enquanto socialista, e tendo toda a legitimidade para pensar pela sua cabeça, o seu pensamento vale aquilo que vale. E valendo aquilo que vale, tem o dever e até a obrigação, de respeitar as opiniões dos seus camaradas. Um partido politico não é um homem só, e como tal deve sujeitar-se às regras da democracia. Enquanto pessoa, aí sim, é livre de opinar o que muito bem entender, o que não é livre é de misturar as duas coisas, que foi aquilo que efectivamente fez.

Conheço o dr. Soares há muitos anos e tudo isto em nada me surpreende!... O politico, é aquilo que todos sabemos e conhecemos, o homem é muito diferente. Este artigo do DN, espelha na sua perfeição aquilo que acabo de afirmar…

Situando-me num campo, que politicamente nem é de Sócrates nem de Alegre, aquilo que penso, é que no caso concreto, o Secretário Geral do Partido Socialista, fez aquilo que devia ser feito: Ouviu as bases, as Secções, as Federações, os Órgãos Nacionais, enfim… ouviu quem devia ouvir e decidiu (bem ou mal não interessa agora) em nome do Partido Socialista. E pelo que se sabe, face às diferenças de opinião, a decisão nem foi difícil de tomar. Cabe agora - e tendo em conta a organização partidária - ao universo socialista respeitar a decisão democraticamente tomada, sob pena de cometerem os mesmos erros, que nas últimas eleições presidenciais.

Quanto ao dr. Soares, que até 2006 foi grande amigo e comeu no mesmo prato de Manuel Alegre, aquilo que seria desejável, é que em vez de agora vir cuspir onde comeu, e muito embora se deva respeitar o seu direito de pensar, se abstivesse enquanto socialista, de fazer as declarações que faz e seguisse as orientações do seu Partido. Trazer para a praça pública, “questões velhas”, “ajustes de contas” e “retaliações”, que têm como causa aquilo que nós sabemos, não enobrecem o politico nem o homem, e podendo servir os seus propósitos pessoais, não servem de certeza a democracia.

25 maio 2010

O QUE FEZ O POVO, PARA MERECER ESTA CATÁSTROFE?!...

Há seis anos atrás, a dívida externa líquida cifrava-se em 64% do PIB ou seja 92.205 milhões de euros.
Em 2009 atingiu 100,6% do PIB, isto é 164.689milhões de euros.
Significa isto, que em apenas 6 (seis) anos, a dívida externa portuguesa aumentou 72.484 milhões de euros, ou seja 78,6% em termos percentuais.

Perante os factos impõe-se uma pergunta lógica: O que fez o povo para merecer tal catástrofe?!...

De quem é a culpa?!...

Quem contribuíu para tudo isto?!...

Sendo certo que a culpa morre sempre solteira, há contudo situações que nos deixam perplexos.

A primeira, é a visão para o combate ao problema, de alguns distintos analistas e gestores públicos da nossa praça!... Segundo dados de Outubro de 2009, esta gente, paga principescamente com dinheiro dos contribuintes, recebe em média, mais 32% que os americanos, mais 22,5% que os franceses, mais 55% que os finlandeses e mais 56,5% que os suecos.Todavia, são esses mesmos gestores – a começar pelo ainda governador do Banco de Portugal – que descaradamente já falam, não naquilo que deviam falar, a começar pelo "equilibrio" dos seus vencimentos, mas sim, na redução dos salários dos funcionários públicos e privados, e em valores que podem atingir os 30%.

Para além da vergonha que isto representa, isto é, em boa verdade, um escândalo e uma afronta a quem trabalha e que mostra, sem sombra para qualquer dúvida, um total desrespeito pelos mais desfavorecidos, pelos pensionistas e por todo aquele molho humano, que com o resultado do seu trabalho, faz das tripas coração para poder sobreviver.

A segunda é protagonizada pela classe politica dominante!... Dizem os nossos “digníssimos” políticos, que a crise é para ser paga por todos, surgindo inclusive todos os dias com novos exemplos. É falso!... Falso como Judas... Aqueles que a deviam efectivamente pagar, são os que menos pagam!... Mais: Há gente que não paga nem pagará nunca!... Essa gente, vive num território sideral, num território para lá do alcance das tiradas fáceis - offshores, SGPS, fundações, isenções, facturas falsas, leis ambíguas e, no limite de tudo, a coberto da ineficácia judicial e até da tolerância de quem deveria ser implacável, designadamente daqueles que hoje falam em redução de salários. A estes cavalheiros, ainda não lhes ouvi uma palavra, que contradiga todas estas habilidades e desmandos dos poderosos, a começar pelos banqueiros, que "obrigaram" os contribuintes a tapar buracos com milhões, que não se sabe bem onde foram parar.

Mas sosseguem os nostálgicos: alguém vai pagar... Ai vai vai e com língua de palmo!... Vão pagar os "menos ricos" do escalão máximo do IRS, porque regra geral vivem do trabalho e não fogem, ou não têm como fugir da voragem fiscal de 46,5% de IRS, a que acrescem 11% para segurança social, +-1% para IMI, imposto único sobre o carro, sem esquecer os impostos indirectos - gasolina, electricidade, IVA, impostos sobre o consumo, o que tudo somado ultrapassa os 70%, e a “tropa macaca”, que de tanto esticar a corda, pouco resta para rebentar.

Tudo isto é de loucos!... De loucos para quem paga, como é óbvio …

Infelizmente para quem nos “governa”, a contabilidade pública depende da aritmética e não se compadece com as "verdades". Se o Governo subir 1% do IVA em todos os escalões, se congelar os aumentos da pensões e os salários da função pública, poupa dois ou três mil milhões; se aumentar o IRS mais dois pontos no escalão máximo, um ponto e meio no intermédio e um ponto no mais baixo, arrecada mais cem milhões. A aritmética é uma chatice - mas sempre foi!.. E foi por isso mesmo que o comunismo implodiu, não foi por causa dos Pershing ou dos Cruise contra os SS-20 ou do "Star Wars".

Portanto, só nos resta "cair na real" e entender que já não há mais truques na manga. Como bom português, Sócrates não pode ficar a engonhar...

A verdade é um complicómetro!... Tem custos e consequências, mas tem de ser dita. É lamentável que ainda não se tenha percebido, que o caminho é cortar na despesa do Estado e não confiscar riqueza à economia. Se alguém se desse ao trabalho de fazer um levantamento e cortar tudo aquilo que de inútil o Estado subsidia - falsos produtores culturais, falsos empresários, falsos criadores de teatro de revista, obras da treta, rotundas de aldeia, feiras de moda e design, associações disto e daquilo, fundações fantasma e outras coisas que todos sabemos existirem e envergonham qualquer cidadão de bem - seria o suficiente para baixar radicalmente o défice, sem sequer se pagar uma grande factura eleitoral. E o mesmo sucederia, se não se querendo dar a esse trabalho, José Sócrates decidisse um "corte cego" de 5 ou 10% nas despesas de cada Ministério, de cada Governo Regional, de cada empresa e instituto público, de cada autarquia – obrigando toda essa gente a fazer mais com menos dinheiro, de forma a puxar-lhe pela imaginação e livrando-a do supérfluo. Só que, isso sim, já custaria votos e muitos.
Não!... Assim não vamos lá…E com eleições legislativas no horizonte próximo, muito menos…

NOTA FINAL: Apesar de nunca lhes ter contado as notas, aqui fica uma pequena amostra, daquilo que se consta serem os salários MENSAIS de alguns dos distintos analistas e gestores da nossa praça, entre os quais se encontram alguns dos que clamam pela redução dos salários!... Vejam só:

-Mata da Costa: Presidente dos CTT - 200.200 Euros ; Carlos Tavares: CMVM: - 245.552 Euros; Antonio Oliveira Fonseca: - Metro do Porto, 96.507 Euros; Guilhermino Rodrigues: ANA:-133.000 Euros; Fernanda Meneses: STCP:-58.859 Euros; José Manuel Rodrigues: Carris:-58.865 Euros; Joaquim Reis: Metro de Lisboa:- 66.536 Euros; Vítor Constâncio: Banco de Portugal:- 249.448 Euros; Luis Pardal: Refer:-66.536 Euros; Amado da Silva: Anacom:-Autoridade Reguladora da Comunicação Social, ex-chefe de gabinete de Sócrates: -224.000 Euros; Faria de Oliveira: CGD:-371.000 Euros; Cardoso dos Reis: CP-69.110 Euros;Vítor Santos: ERSE-Entidade Reguladora da Energia:-233.857 Euros; Fernando Nogueira: ISP-Instituto dos Seguros de Portugal:-247.938 euros (este não é o ex-PSD que se encontra em Angola ); Guilherme Costa: RTP: -250.040 Euros; Afonso Camões: Lusa:- 89.299 Euros; Fernando Pinto: TAP:-420.000 Euros e Henrique Granadeiro: PT:-365.000 Euros. A estes falta ainda juntar os das Estradas de Portugal, EDP, Brisa, Petrogal e sei lá que mais. Imaginem agora, o que é pagar um subsídio de férias ou de Natal a estes senhores!... ''Tome lá meus caros amigos para passar férias ou fazer compras de Natal"!...

Que país é este, que na situação em que se encontra, continua a alimentar este "banquete", à custa dos sacrifícios do do Povo?!...

14 maio 2010

O TERCEIRO PLANO-EXTRA?!...

Em 1975, logo após a revolução de Abril, contribuí - obviamente obrigado e sabe Deus com que sacrifício -, com um dia de salário para a Nação!...
Dizem os entendidos, que o titular da pasta do Trabalho, o então Capitão Costa Martins (falecido recentemente), "fugiu com o papel"...
Com fundamento ou sem fundamento, uma coisa é certa: O problema, persistirá ad eternum...
Mais tarde, mais ou menos a meio da década de oitenta, com Mário Soares, o "esquema" foi mais complicado: O FMI exigiu e o "subsidio de natal foi à viola"...
Ontem, depois de ter ouvido o anúncio de mais um plano de austeridade-extra, as dúvidas que andavam no ar dissiparam-se e fiquei a saber, que mais uma vez vão ao bolso dos portugueses sem pedir licença. Mais: e que os 133 dias dos 365 anuais que trabalhamos só para pagar impostos, já não chegam. Vamos ter de trabalhar "mais uns diazitos" e pagar ainda mais ao fisco...
Dizem os "dois mais altos responsáveis pela medida", que vamos pagar todos!... Uma coisa é certa: uns "pagarão" mais do que outros. Daquilo que ouvi e li não creio que a distribuição do esforço seja equitativa, quer na repartição entre o Estado e a sociedade, quer no seio da própria sociedade. O meu pensamento vai para as pessoas pobres, os pensionistas de baixos rendimentos e os desempregados que querem trabalhar, pessoas e famílias que já vivem com grandes dificuldades e a quem vão ser exigidos sacrifícios adicionais. Não sei como se lhes pode exigir mais um esforço...
Uma coisa é certa: não encontrei no anúncio deste terceiro plano de austeridade-extra, qual é o compromisso do Governo para que a despesa pública seja sustentadamente reduzida, de modo a que os nossos filhos (se não nos tocar ainda a nós) não voltem a ter daqui a uns anos, mais um agravamento de impostos.
Antes de terminar e já agora, o que pensa o novo PSD-conivente sobre o assunto?...
Está claríssimo como a água, que o País não aguenta os elevados níveis de despesa pública a que se chegou, ou seja, é necessário encarar de frente a necessidade de reformar o Estado e de repensar o seu papel. Mas é também fundamental olhar para a economia e resolver o défice de crescimento económico com que nos debatemos há mais de uma década. Sem economia - ninguém tem dúvidas - continuaremos a empobrecer. Mas sobre este assunto, do PSD, nem uma palavra!... É certo, que ninguém pode (ou deve) viver acima das suas possibilidades, mas esta regra também se aplica ao Estado, como muito bem referiu Portas, e o Estado como todos muito bem sabemos, nem de perto nem de longe a cumpre. Ora sendo assim, das duas uma: Ou o Estado muda de figurino, ou não tardará muito, que Bruxelas nos imporá mais um novo plano-Extra. A ver vamos...

11 maio 2010

O FASCISMO-FINANCEIRO!...

Há dias, na sequência de uma dessas auto-proclamadas reuniões de ex:ministros da economia – os tais que estão inocentinhos no que diz respeito à actual crise das finanças públicas -, uma distinta figura que dá pelo nome de Carlos Santos Ferreira, citado por um diário a propósito do estado do País, proclamou, presumo que sem indisposições ou espelhos por perto o seguinte: "Acabou a festa"!...
Àparte o carácter circense da frase, é pena que ninguém tenha perguntado o óbvio ao senhor Carlos Ferreira: Afinal "acabou a festa para quem?...". E já agora: "Que festa?...".
Entre gestores, banqueiros e alguns políticos de turno, existe pelos vistos, uma ideia generalizada: o português comum, vive em permanente banquete, sempre acima das suas possibilidades, a armar em rico. Curiosa ideia esta, que transforma a nova versão da sardinha para três num repasto de faisão. E ainda por cima, em permanência!...
Em boa verdade, devo ter andado muito distraído nos últimos tempos...

De facto, devem ser os gestores de grande porte, o "bloco central de interesses" e os bancos, esses pobres coitadinhos, que têm levado o País por bons caminhos e sem turbulências. Eles cumprem, está bom de ver, a espinhosa missão de nos colocar nos eixos. E nós, os delinquentes, teimamos em sair fora dos trilhos. Fica-se assim a saber, por exemplo, que assuntos relacionados com negócios de sucatas, aeroportos, privatizações, BPP´s, BPN´s, PT´s e submarinos fazem parte de um modelo de gestão rigorosa e acima de qualquer suspeita. Nós, pelos vistos, é que abusamos e estamos a prejudicar o País, a tal ponto que teremos que fazer a respectiva compensação, com o 13.º mês e a subida dos impostos. Somos, no fundo, uma despesa social incomportável e dispensável nos intervalos entre eleições.

Não tenho dúvidas, de que por este andar, a democracia terá custos insuportáveis e não tardará muito que as portas do FASCISMO-FINANCEIRO, fiquem completamente escancaradas...

03 maio 2010

13.º e 14.º MÊS PARA O "TECTO"?!... NÃO OBRIGADO!...

Pela parte que me toca, e em jeito de resposta às declarações de Pedro Passos Coelho, ao Diário Económico da última 6.ª Feira 30ABR2010, considero que o congelamento do 13.º e do 14.º mês, constitui uma verdadeira afronta aos trabalhadores portugueses.
A proposta do presidente do PSD, é a meu ver indigna, moralmente inaceitável, politicamente inadmissível, economicamente errada e socialmente intolerável.

Ora vejamos: Em 2005, a dívida pública do Estado, rondava os 62,9 % do PIB!... Em 2009, essa mesma dívida chegou aos 80,6% do PIB, o que traduzido em “números”, ronda qualquer coisa como um acréscimo de 42 milhões de Euros em apenas quatro anos. Em 2010 - segundo as previsões - tudo aponta, para que a mesma dívida pública atinja os 87,7% do PIB.

Ora sabendo-se que entre 2005 e 2008 inclusivé, os salários e progressões nas carreiras foram congelados em nome da contenção e da redução do défice, que segundo o Governo ficou abaixo da fasquia dos 3% , sabendo-se que um em cada três trabalhadores ganha menos de 500€ mensais, sabendo-se que o salário médio em Portugal é de 645 €, sabendo-se que os salários reais em 2010 estão na mesma bitola comparativamente a 2005 e sabendo-se que de um universo de 10 milhões de portugueses, 2 milhões são hoje considerados pobres, como se pode pedir ainda mais sacrifícios a esta gente, quando são os que menos culpa têm do descalabro a que chegaram as contas públicas?...

Na minha terra, costuma dizer-se, que “grão a grão enche a galinha o papo”. Contudo, e para mal dos nossos pecados, parece não ser esse o entendimento de quem nos governa!... Valendo aquilo que vale, mas sendo deveras significativo, é o exemplo que recentemente o senhor Presidente da Assembleia da República deu aos portugueses, acerca das viagens semanais que todos pagamos, da deputada Inês de Medeiros a Paris!... Pois bem… Para o senhor Presidente da Assembleia da República, numa escala de 0 a 100, este problema deve ser relegado para a 300.ª posição.

Ora este pequeno exemplo, uma vez multiplicado por muitos outros, revela-nos tudo!... Revela-nos que situações como esta, existem aos milhares e que não constituem problema sério; revela-nos que centenas e centenas de serviços públicos não são objecto de qualquer fiscalização, sem se saber em que patamar de preocupação se encontram; revela-nos que o património público é diariamente delapidado sem que ninguém se oponha, porque isso são casos menores; revela-nos que há usos e abusos que não lembram ao “diabo”, mas tudo de somenos importância; o que é certo, é que feitas as contas, a “galinha” engorda... engorda, e de tanto engordar, acaba por socumbir…

Ora face ao desinteresse e à ausência de fiscalização a esta conjuntura, previa-se desde há muito, este resvalar contínuo das contas públicas e da economia nacional. O sistema corrupto institucional que paulatinamente foi erguido, em especial nesta última década, com a criação de múltiplos e parasitários órgãos do Estado, num total e astronómico desperdício de verbas, associado às políticas (as ditas “reformas” indispensáveis e da “modernidade”) de figurino único desta nova Europa, só poderiam ter o desfecho a que agora assistimos.

E como as políticas continuarão a ser as mesmas; como a curto prazo não se vislumbram alternativas; como não se discute a redução da despesa pública pela extinção das empresas municipais que proliferam, dos institutos públicos e outros órgãos do estado e dos seus gestores pagos principescamente como se em Portugal houvesse petróleo; como não se fala da extinção dos governos civis e da redução de deputados; como não se fala de contenção orçamental, designadamente ao nível dos órgãos do poder central e local; como não se combatem as economias paralelas em expansão contínua permanente e sem qualquer fiscalização; como não se fala no combate à desertificação e na promoção e desenvolvimento dos diversos sectores de produção; como não há um programa de combate ao desemprego, que poderia ser seriamente reduzido, se uma parte significativa das mais de 312.000 empresas existentes no país - mediante incentivos do Governo - fizessem também um esforço no sentido de criarem mais postos de trabalho e assim aliviar a bolsa de desempregados e os custos aos mesmos inerentes; como não se fala numa justiça eficaz, que coloque na ordem e sirva de exemplo à “nova gatunagem” que não olha a meios para atingir os fins; como não se fala na reapreciação das grandes obras públicas, designadamente aquelas que não são prioritárias e não estão ainda sujeitas a contratos; como não se fala numa fiscalização eficaz à politica subsidiária-dependente; os portugueses bem poderão esperar sentados pelo fim da crise, e pelo desagravamento da situação económica do país, a qual se traduzirá não tardará muito, no aumento dos impostos, como consequência dos custos da má gestão e pela continuação dos custos da corrupção institucional instalada.

Os funcionários públicos, os aposentados, os que trabalham por conta de outrem e seguramente também os pequenos e médios empresários já pagam de mais, para tanto desperdício.

Para que o "figurino" mude, das duas uma: Ou aparece um novo D.Afonso Henriques, que de espada na mão expulsa a "mouraria" e "reconquista" o país, ou a sociedade portuguesa se vê livre destes ónus, destes fardos que pesam sobre os seus ombros, e que todos os anos se tornam mais pesados e inviabilizam um crescimento económico saudável.

Então… aí sim, estará certamente disponível, para fazer mais um esforço para “salvar” o seu país. Até lá e para continuar a "engordar galinhas" NÃO!... Obrigado…

NOTA FINAL:Inês de Medeiros acaba de prescindir do pagamento das suas viagens.