08 julho 2010

A FILOSOFIA DOS NOSSOS POLITICOS!...

Lê-se hoje no DN, que Pedro Passos Coelho afirmou a necessidade de "conquistar o coração (dos Portugueses) para as políticas que vamos ter de realizar".
Já o Público também de hoje, cita a afirmação do líder do PSD de que: "As políticas socialistas dos últimos 15 anos não são produto da razão nem do coração".
A insistência tem uma causa e um objectivo: Retirar o "monopólio do coração" (como um dia disse Giscard d'Estaing) à Esquerda - se entendermos este PS como sendo de Esquerda o que é amplamente discutível - é crucial numa fase em que a razão dos Portugueses claudica perante a "ração" que lhe é imposta.

Está visto, que o perigo das próximas eleições - que não estarão tão longe quanto se pensa -, está na capacidade que os eleitores terão ou não, de enfrentar a realidade dos números e dos efeitos decorrentes das soluções para combate à crise, das reformas, endividamento externo, investimento público e até privado, etc, etc, etc...

Por outro lado, este discurso, é bem um exemplo da demagogia mais bacoca ao estilo, Igreja Universal do Reino de Deus!... Frases como "Nós dizemos o amado Estado Providência" é de ir às lágrimas, mas de riso nervoso e não de comoção.
Já vai sendo tempo, dos nossos políticos fazerem crer aos portugueses, de que podem acreditar neles!... Passos Coelho para se afirmar como verdadeiro candidato a 1º ministro carece de posturas de exigência e rigor, coisas que até agora não demonstrou. Os portugueses precisam de ter confiança, por isso, é tarefa do PSD, do seu líder e dos que o acompanham, continuar o caminho percorrido nestes cem dias, apoiado numa dupla lucidez que permita aliar a frieza da análise - obrigatória para a boa gestão da Coisa pública - à inteligência emocional do discurso, indispensável à transmissão eficaz das mensagens assentes num triângulo de valores: Equilíbrio, coerência e confiança.

Meus amigos: O povo não é “burro”, e com posturas destas, o desejado poder, mesmo que em tempo de crise, fica mais distante…

05 julho 2010

MOUTINHO NO PORTO!...


Está consumada a mais mediática transferência dos últimos anos no mercado futebolístico português. A mais mediática, e simultaneamente a mais estranha…

João Moutinho, o capitão e símbolo do Sporting, deixou o clube que o formou e o lançou no mundo do futebol, e assinou pelo rival FC Porto, a troco de 11 milhões de euros, o passe de um suplente da equipa dos dragões - Nuno André Coelho – e se calhar também, pelo prazer de viver numa região, onde a solidariedade, o respeito e a hospitalidade, são traves- mestras de gente de bom senso a que Moutinho porventura nunca foi habituado.
No meio de tudo isto, é mais que evidente, que nem tudo correu de forma saudável neste processo, como amiudadas vezes e de forma natural acontece noutras Ligas por essa Europa fora. Este, é um caso repleto de episódios rocambolescos, em que nenhuma das partes sai ilesa. Apesar de tudo, e tendo em conta que a “doença” já vem da anterior gestão sportinguista, parece-me que o comportamento de Moutinho, um jovem que passa de capitão do Sporting, a alguém que despreza tudo e todos, mesmo aqueles que durante anos o acarinharam e lhe deram tudo aquilo que tem, se tornou quase incompreensível.

Apesar de tudo isto, de forma alguma se pode condenar ou até criticar a vontade de Moutinho em sair!... Ninguém é dono de ninguém, e só faz falta quem está...
O que se condena isso sim, é, nem tanto a legitimidade para o fazer, mas sim a fórmula errada para provocar a saída. Fórmula aliás, que já não é virgem em Moutinho...

Convém não esquecer, que num passado não muito distante, já tinha tido um péssimo comportamento quando se equacionou a sua saída para o Everton, situação essa, que o então treinador Paulo Bento conseguiu gerir com pinças. Desta vez porém, o atleta foi longe de mais, e ao recusar treinar-se e afirmar que jamais voltaria a vestir a camisola do Sporting, fechando-se no “quarto do hotel” em Alcochete, enquanto os seus companheiros trabalhavam no duro, revela o tipo de pessoa que é...

Ora perante todos estes factos, e sabendo-se que Moutinho corria o risco de perder a braçadeira de capitão ou que era um líder a quem alguns no balneário – e fora dele – não reconheciam competência para o cargo, custa perceber como pode um homem que ganha 20 mil contos/mês, portar-se desta forma.

Apesar de tudo Moutinho teve sorte!... Teve a sorte de o futebol de hoje ser uma indústria, e obedecer a regras de mercado e às exigências dos accionistas. Teve a sorte de agir em função da estratégia de Pinto da Costa que lhe garantia total segurança, que o classificou de jogador "à Porto" e lhe reservava emprego seguro e mais bem pago, caso o plano vingasse. Caso contrário, bem poderia Moutinho esperar sentado, até que o “toco” lhe passasse...

No meio deste imbróglio, resta saber há quanto tempo o dito plano estaria montado e quem terá sido o respectivo arquitecto!... Uma coisa é certa: Não foi por acaso que Pinto da Costa, o israelita Zahavi e o próprio Moutinho, andaram de mãos dadas há um ano atrás,na cidade do Porto…

30 junho 2010

O DESASTRE DE ÁFRICA

Vejo futebol há 40 anos e nunca vi, ou não me recordo de tanta incompetência!... Vejam só: O chamado coach Carlos Queirós, entre os vinte e três convocados, tinha dois defesas laterais direitos da sua confiança; nos jogos decisivos, pura e simplesmente esqueceu-se deles e adaptou um central para essa posição, sem qualquer rotina de jogo; convocou um jogador, que vitima de uma grave lesão, não competia há seis meses, colocando-o igualmente a jogar nos tais dois últimos jogos decisivos; Para mal dos nossos pecados e com o argumento do cansaço (já desmentido), substituíu o jogador (Hugo Almeida) que mais trabalho dava aos defesas espanhóis, impedindo as suas subidas no terreno de jogo; e para cúmulo, fez entrar na equipa Danny em substituição desse mesmo Hugo Almeida, que durante a semana não treinou e se manteve em dúvida até ao dia do jogo devido a lesão.
Se juntarmos a tudo isto, a “lesão” de Deco e o “caso” Nani, temos obrigatoriamente de chegar à triste mas verdadeira conclusão de que tudo foi ridículo, e de que efectivamente não merecíamos mais. Regressamos pois a casa tal como previsto, após passarmos uma fase de grupos acessível.

Tenho presente, que o jogo com Espanha, não foi perdido pelos portugueses!... Não foi perdido pelos jogadores!... Queiroz e a sua incompetência é que perderam, e ao perder fez-me lembrar um certo “desastre” ocorrido em Lisboa, quando ainda na fase de qualificação, num jogo com a Dinamarca, e como consequência de uma substituição, tudo se precipitou nos últimos cinco minutos, passando a equipa portuguesa, de uma situação vitoriosa de 2-1, para uma derrota 2-3, que poderia ter comprometido tudo.
O onze de Portugal apresentado contra Espanha por Queiróz, mostra inequivocamente medo e falta de ambição. Portugal entrou com algumas dificuldades!... Face ao carrilar do jogo pelo lado esquerdo do ataque espanhol, aproveitando as debilidades e falta de rotina de Ricardo Costa, a equipa sentiu enormes dificuldades só superadas pela agilidade de Eduardo, recompôs-se, alterou a forma de jogar, melhorou, criou algumas situações de perigo, mas quase sempre em lances fortuitos, e o caldo é entornado na segunda parte, com a primeira substituição.

Claro que agora é fácil criticar e chamar de tudo ao treinador “cagão”, mas faz-me alguma confusão jogar com um central na direita, para manter a coesão defensiva; Um Pepe faltoso mas sem ritmo e a garra de outros tempos, aliás previsível; e um Hugo Almeida que teve a melhor situação de ataque no joelho de Puyol. Afinal de contas, para que levamos Paulo Ferreira e Miguel para África?... Para que levamos Miguel Veloso?... Para que se naturalizou Liedson à pressa invocando o interesse nacional?... Foi para experimentarem os quartos do hotel?... Que confiança é lançada para dentro da equipa quando um central ocupa a posição de defesa-direito, em detrimento dos defesas de raíz?... Que confiança é lançada para dentro da equipa quando um jogador convocado de emergência e vindo de férias, chega e é titular, “relegando” para o banco, outros que já se encontravam “a trabalhar” há muito tempo?...
Quando a estatística mostrava de tempos a tempos a posse de bola, pensava cá para os meus botões ao ver 35 a 39% para Portugal e 61 a 65% para os “galegos”, que com aqueles valores só um homem à face da terra consegue dar espectáculo e ainda vencer!... Cristo…. Mas esse já cá não mora…

E já agora, que dizer de Ronaldo?... Quem me conhece sabe que por razões diversas eu sou um defensor do CR7. Mas chegou a altura de Ronaldo recolher, pensar sobre como deve ser a sua atitude com a camisola da Selecção, calar-se, não pensar que tem de ser o Eusébio e marcar muitos golos ou o Figo a marcar golos decisivos à Inglaterra. CR 7, tem de ser ele próprio a perceber, que a sua imagem se desgastou e que nesta altura é preciso repensar a sua identidade dentro (e se calhar fora) da selecção, acalmar e preparar-se para voltar em força. Ronaldo, passou ao lado do mundial, como passou Rooney, Torres, Henry e tantos outros. Uma desilusão!...
A Selecção abandona assim o Mundial sem atingir os mínimos exigíveis. Aguardo com alguma curiosidade o que se irá passar nos próximos dias. Vamos ver, se à semelhança do que aconteceu com o treinador Francês, alguém lhe pede contas e o aconselha a ter vergonha na cara, porque como treinador, já mostrou o seu valor…
Queirós não merece pagar os 45% do novo escalão de IRS...

28 junho 2010

A IMPUNIDADE E A INSEGURANÇA...

Portugal, por muito que as estatísticas demonstrem o contrário, é um País cada vez menos seguro. Não interessa se o número de crimes tem tendência a aumentar ou a decrescer. O que importa é outra coisa muito mais importante: a capacidade de punição dos incorrigíveis apanhados a fazer o que não devem – que é pouca ou nenhuma.
Os tribunais de pequena instância criminal – criados precisamente para julgar a pequena criminalidade – demitiram-se dessa função!... Não ligam, não querem saber, adiam, deixam para a semana. Fazem-no sem o menor respeito pelas vítimas. Isto provoca a revolta de quem espera Justiça – e gera um sentimento de impunidade entre a escumalha.
Ontem, cerca de quarenta energúmenos lançaram o pânico na linha de Cascais!... Desses, quinze foram identificados e três recolheram aos calabouços da Policia para serem presentes ao Juíz. Já hoje num bairro de Lisboa, a Policia lançou nova operação e prendeu mais seis por desacatos e tráfico de droga. Mas para que serve tudo isto?... Ora reparemos: Na semana passada, um estudante de dezanove anos sofreu uma tentativa de assalto na Baixa de Lisboa. O assaltante só não lhe levou a carteira porque apanhou dois ou três sopapos bem aplicados.
A cena foi testemunhada por um funcionário de uma empresa de segurança. Foram todos para a Esquadra. A vítima, como é seu dever, apresentou queixa. O assaltante era um velho conhecido da Polícia: tinha sete mandados de captura por outros tantos crimes, para se apresentar no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa – a que, obviamente, nunca deu a mais pequena importância. Uma vez que não foi detido em flagrante delito, a Policia, como manda a lei, acabou por mandá-lo à sua vida, notificando-o para no dia seguinte se apresentar no Tribunal, a fim de se proceder ao respectivo julgamento.

No outro dia, lá estavam todos no tribunal – todos menos o assaltante: a vítima, o advogado, os dois polícias que trataram do expediente e o vigilante que testemunhou o assalto. Todos se apresentaram pontualmente no Tribunal de Pequena Instância Criminal – às 10h00. Esperaram, esperaram… Deu meio-dia – e nada. Juízes, procuradores e funcionários foram almoçar. Duas da tarde. A vítima do assalto, o advogado, os polícias e a testemunha não arredaram pé. Ninguém lhes deu uma palavra. Só pelas três da tarde, ao fim de cinco longas horas, alguém se dignou comunicar-lhes que o assunto fora adiado para daí a 15 dias.

Moral da história: a lei penal ou a má vontade dos magistrados – ou as duas coisas juntas – são um convite ao pior: quem assalta pode continuar a fazê-lo alegremente – e quem é vítima fica a saber que o melhor é não apresentar queixa para evitar mais maçadas.

25 junho 2010

CHIPS E SCUTS ESPALHAM A CONFUSÃO...

Não sou conservador nem saudosista!... Defendo o progresso, mas há situações que me deixam perplexo. Lembro-me de há umas dezenas de anos a esta parte, demorar 17 (dezassete) horas numa viagem de Lisboa à minha terra. Nesses tempos não havia SCUTS e todos “comiamos do mesmo prato”. Hoje, os tempos são outros, o tempo de viagem é de 5 (cinco) horas, as vias rodoviárias construídas com dinheiros públicos são muito diferentes para melhor, mas… infelizmente, ainda há quem pense que todos têm de pagar, os “pratos” que cada um se propõe comer. Isto para dizer, que está instalada a confusão, no que ao pagamento das SCUTS e da instalação dos CHIPS diz respeito. Quanto às primeiras e pela parte que me toca, entendo que quem utiliza deve pagar!... Quanto aos CHIPS, sigo o velho lema: quem não deve não teme…
Porém e ao contrário daquilo que pensavam (ou diziam pensar) num passado não muito distante, os Partidos da Oposição parecem não estar pelos ajustes e as pessoas ainda não perceberam bem a controvérsia. Uma coisa as pessoas sabem, é que não querem pagar. Com toda esta confusão, relega-se para segundo plano o verdadeiro problema que é o custo incomportável das SCUTS e a necessidade do seu financiamento. A ideia de que o Estado é que deve pagar volta a ganhar peso, como se o Estado fosse a solução para os problemas que o próprio Estado se encarrega de criar e as pessoas estivessem a salvo dos seus caprichos.
O Governo já anunciou que a partir do dia 1 de Julho o pagamento de portagens das SCUTS do Norte vai mesmo entrar em vigor, mas espera agora que o PSD volte atrás e que afinal revogue o chumbo dos chips. Como a votação é intercalar, porque ainda a falta a votação final global, parece que o chumbo não tem, afinal, implicações legais, já que a legislação revogada continua em vigor e só deixará de estar após a votação final global, promulgação do Presidente da República e publicação em Diário da República.
No entretanto, o Governo vai reafirmando que o pagamento de portagens das SCUTS e a instalação dos chips nos automóveis vão mesmo para a frente no dia 1 de Julho. Nem que seja por uns dias, digo eu. E depois?... Deve-me estar a escapar alguma coisa!... E sendo assim, não seria melhor que o PSD parasse para pensar e negociasse com calma com o Governo?... Afinal, quem tem medo dos CHIPS e porquê?... E quanto às SCUTS: Será que aqueles que não “vestem o fato”, têm que o pagar?... Haja bom senso…

18 junho 2010

O ESTADO SOCIAL E A CRISE!...

Há algumas décadas atrás, os detentores do capital, entre o irresistível impulso de maiores ganâncias e o receio fundamentado do alastramento das ideias comunistas, inteligentemente, souberam entender bem as teorias económicas keynesianas.
Criar frentes de trabalho e subsidiar capazmente os desempregados com uma reforçada tributação das empresas, permitia-lhes atenuar tensões sociais e controlar as ideias libertadoras que chegavam de Leste.
Com o machado de guerra temporaria e voluntariamente enterrado, os detentores do capital ergueram assim uma economia em que o Estado detinha uma forte intervenção e controlo económico, assegurando através de políticas fiscais e políticas sociais uma distribuição da riqueza, que contemplava um nível de vida das populações, alguns degraus acima das suas necessidades básicas. Pareciam ter aceitado o que Keynes tentara demonstrar – que a miséria é ruim não apenas para os pobres mas igualmente para os ricos.
Deste modo, proporcionaram por força das circunstâncias, ao trabalhador médio europeu Ocidental, um padrão de vida superior ao do seu homólogo de Leste, e assim, criaram a maior arma com que enfrentaram e acabariam por vencer o seu poderoso inimigo -o comunismo. Chamaram-lhe “estado social” e fizeram acreditar os povos de que continuariam a manter pelos tempos fora, igual auto-limitação de ganâncias, alcançando por esta via a ilusão de uma perpetuação da harmonia das classes sociais do “estado social”.

Vencido o comunismo, desarmados ideologicamente os trabalhadores, que não souberam entretanto criar uma alternativa ideológica mobilizadora, nada impediu os novos detentores do capital de desenterrar o machado de guerra que seus avós, décadas atrás, tinham por oportunismo enterrado. Com ele desenterraram velhas teorias ideológicas, deram-lhe um novo formato, e não se cansam de propagandear, que este é o caminho da “modernidade”.

Hoje, já não falam de objectivos sociais, de mais vida para além do défice, da melhoria das condições de vida dos cidadãos, mas tão só do combate ao tal défice e da melhoria da “economia”. Separam assim “esta economia” das condições de vida dos cidadãos; colocam-na acima dos cidadãos e em oposição aos seus legítimos interesses. Aproveitando os tempos de “crise”, esforçam-se em procurar por todos os meios “ a compreensão” da população para os seus objectivos de classe que não deixam de ser os mesmos de sempre – a conquista de maiores ganâncias, à custa dos mais desprotegidos . No fundo, voltar à lógica natural do capitalismo – reduzir os salários ao nível da sobrevivência básica.

Como diria Frei Betto, o que há de grave neste nosso momento histórico, é que não há uma proposta que se contraponha a este modelo neoliberal de sociedade. Todavia, digo eu agora -a "miséria", não é apenas ruim para os pobres. Os ricos levarão igualmente com ela, e se não me engano, não tardará muito...