José Sócrates e Teixeira dos Santos, apresentaram-nos por estes dias, uma receita orçamental com a fórmula dois em um. Tal receita, apresenta em linhas mestras, o orçamento em que se espatifa o já débil poder de compra e a capacidade de sobrevivência de milhões de pessoas, ao mesmo tempo que acciona um conjunto de medidas com efeitos imediatos!... Isto é: Para além do orçamento em si, e como não bastassem as medidas constantes do PEC I e II, vêmo-nos agora também confrontados com uma espécie de PECIII.
Sendo certo, que era preciso fazer alguma coisa, este pacote do Governo, tem características especiais, senão vejamos: Tudo o que é para cair em cima do pequenino e do fraco é quantificado: 1% para a CGA, 1,5% para a saúde, cortes nos medicamentos, 5% a 10% no corte dos salários, e por aí fora. Tudo o que é reformas de fundo é conversa fiada, o que significa, que tudo aquilo que não tem números, não é para fazer. Portanto, institutos públicos, fundações públicas, reforma dos ministérios, empresas públicas, é para ir fazendo, em função da oportunidade...
Pior que tudo isto, é que o desemprego vai aumentar, o recurso ao crédito vai ser ainda mais difícil, muitas empresas irão chegar ao fim e nós voltamos à estaca zero do nosso descontentamento...
Poder-se-ia dizer que todos estávamos à espera disto, mais dia menos dia, e agora que chegou a negra novidade percebemos que afinal de contas há um discurso só de promessas e há outro, que aparece de vez enquanto, sobre a realidade.
Isto não é política!... É um jogo de mistificações e quem se lixa é sempre o mesmo, ou seja, o mexilhão. Isto é, o povo que paga, o povo que ainda trabalha e aqueles que dia-a-dia, dão o seu melhor para que este país tenha futuro.
A multidão de oportunistas, de boys, de indivíduos que vivem à custa do orçamento e à nossa custa, esses continuam à espera apenas da próxima campanha eleitoral, mantendo-se, quietinhos, sossegadinhos, sem um resmungo que seja. Se nada fôr alterado, com este orçamento e com estas medidas adicionais, vamos viver uma situação que traz fome e miséria.
Quem não se recorda dos inícios da década de oitenta, com uma situação económico-financeira menos grave, ainda sente hoje o que foram aqueles anos de sofrimento e de sacrifício. Foi então que surgiu um dos grandes homens da Igreja, o bispo D. Manuel Martins, que veio impor o grito da revolta contra a injustiça e o desfalecimento do povo da península de Setúbal. Perante o estado de choque em que vivemos, percebe-se que a classe política esteja desorientada.
O PSD, pela voz de Passos Coelho, insistiu, repetiu, impôs cortes drásticos na despesa, em vez de aumentos de impostos. Não basta Passos Coelho insistir!... Devemos fazê-lo todos, insistindo para que se reduza mais a despesa, clamando para que se acabe com os institutos que apenas albergam decrépitos e frustrados militantes partidários, e ao mesmo tempo procurar aliviar a carga de impostos, que nos pretendem impôr. Já se viu que só assim vamos sair deste buraco e Passos Coelho faz bem em não sair dessa posição de compromisso e negociação, pois mais importante do que os interesses partidários que exaltam o histerismo e a prédica fácil, há um país que é a terra dos nossos filhos, que não pode ser entregue ao folclore político e que tem que ser retirado a quem não o sabe governar e não é confiável. Ao menos que os nossos filhos e netos tenham direito à esperança. Ao menos isso.





