Em 2005, Portugal ocupava a 29ª posição, no Índice de Desenvolvimento Humano do Relatório das Nações Unidas, que avalia o bem-estar das populações dos vários países.
Em 2010, Portugal desceu para o 40º lugar. Uma descida de onze lugares no IDH em 5 anos. Isto é obra!...
Porém, nem mesmo assim os portugueses se safaram, ou têm esperança de se safar, dos efeitos da crise, que tende a agravar-se cada vez mais…
Políticos, banqueiros, politólogos e outros “analistas” repetem-se nas suas considerações sobre a crise, a Dívida Pública e o FMI, fazendo crer, que a continuarem a subir as taxas de juro, a entrada do FMI em Portugal será a única alternativa para “salvar” o país. Só não dizem, é que a vinda desses senhores, virá agravar drasticamente, as já severas medidas de austeridade inscritas no Orçamento de Estado para 2011, recentemente aprovado pelo PS e PSD.
Para esta gente, a vinda do FMI é apenas um mal menor. Não tendo o governo “coragem” ou “condições políticas” para impor medidas mais severas aos mesmos de sempre, necessário se torna recorrer ao FMI.
Com a especulação protagonizada pelos mercados financeiros, é hoje fácil constatar, que tudo se tenta para forçar a entrada dos “Salvadores da Pátria”.
A data e a hora da sua intervenção, será por essa gente e pelo próprio FMI determinada.
É preciso porém dizer, que o FMI não vem para “ajudar” o país, os trabalhadores e os pequenos e médios empresários, todos carregadíssimos de impostos e mais impostos, mas muito simplesmente para garantir o retorno financeiro dos credores internacionais a quem o Governo entregou a dívida pública nacional. Pouco lhe importa que as medidas de austeridade provoquem uma recessão económica ou que se agravem as condições de vida dos portugueses. Pelo contrário, procurarão fazer tão só uma operação financeira, retirando rendimentos aos cidadãos portugueses para os entregar aos credores internacionais.
Estas, são as novas formas de exploração daqueles que vivem do seu trabalho e da sua labuta, para manterem de pé as pequenas e médias empresas e que nada fizeram para o estalar da crise.
Apesar de muitos quererem fugir com o “rabinho à seringa”, todos sabemos que a “desgraça”, já vem de longe!... De muito longe mesmo… e agora, sobra, para quem sobra…
O drástico agravamento da Dívida Pública e a opção de a entregar a credores internacionais devem-se às politicas que foram adoptadas desde 1985, à corrupção instalada, aos roubos incessantes e a toda uma classe politica presa aos interesses económicos e aos lobbies que tomaram conta do país. Até 2004, mais de metade da dívida pública encontrava-se em mãos de nacionais, hoje essas mesmas mãos nacionais, detêm apenas 15%.
Esta política foi conscientemente assumida. Recorde-se como exemplo o ataque aos certificados de aforro. Por outro lado, em 2004 a dívida pública não ia muito além de 50% do PIB (abaixo da média dos países europeus) enquanto hoje ela é superior a 91% do PIB. Este agravamento astronómico em tão curto espaço de tempo é deveras surpreendente. E sendo deveras surpreendente, quem contribuiu para ele?!... Quem é o pai da criança?!...
Os tempos que aí vêm não vão ser fáceis!... Com a mais que provável entrada do FMI, a recessão vai ser ainda maior. Os trabalhadores e os pequenos e médios empresários serão ainda mais sacrificados. Os pobres ficarão cada vez mais pobres e o desemprego disparará. Até Quando?!...