06 dezembro 2010

QUALIDADE DA DEMOCRACIA, TRATADO DE LISBOA E POVO IGNATO!...

Uma afirmação e um facto. A afirmação: O candidato a Presidente da República, Anibal Cavaco Silva, disse nos últimos dias, que Portugal tem um problema de qualidade da sua democracia. O facto: A passagem, na última semana, do primeiro aniversário, sobre a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.
A afirmação é, em si mesma, um facto que pode bem ser demonstrado pelo Tratado, pela forma como foi aprovado e, nalguns casos, ratificado.
O Tratado de Lisboa, é, na minha opinião, o expoente maior da falta de qualidade da democracia em Portugal, como em geral na Europa. É bom relembrar que em Portugal, há seis anos atrás, os responsáveis pelos principais partidos políticos portugueses juravam a pés juntos que sem referendo não haveria novo tratado europeu.
Rendidos à lógica aristocrática de uma Europa cujas instituições devem muito às regras e aos princípios da democracia, prevaleceu a ideia, de que o Povo é ignato, e nunca alcançaria, por mais que lhe explicassem numa campanha pelo “sim”, as vantagens de uma Europa organizada como propunham as elites dirigentes da UE. E tudo se fechou em Lisboa, com grande pompa e foguetório com um sonoro “porreiro pá!” entre os agora aliadosJosé Sócrates, nosso Primeiro-Ministro e o Presidente da UE Durão Barroso.
Passou um ano desde que as novas regras entraram em vigor. Um ano só. Os resultados estão à vista. O Tratado de Lisboa não resistiu à prova da crise, são cada vez mais os que criticam a mediocridade das lideranças que conduziram a esta solução institucional manifestamente prisioneira de um poder burocrático que nada resolve e tudo complica, movendo-se no meio das dificuldades como a agilidade de um gigantesco elefante. São cada vez mais audíveis as vozes que clamam por uma revisão do Tratado. Um só ano depois da euforia.
Postas as coisas desta forma, chega-se à conclusão, que quer o candidato Cavaco Silva, quer uma enorme franja de "Zés" deste país, têm razão. Em boa verdade, temos um problema de qualidade da democracia que começa exactamente na desconfiança dos cidadãos, nas instituições que os governam.
Não acredito que venha a interessar a próxima campanha eleitoral, mas valeria a pena ponderar, a este propósito, na notícia publicada na última edição do "Expresso" que nos revela que só 3% dos mais instruídos em Portugal conhecem o Tratado de Lisboa. Aquilo que não era um problema antes da aprovação do Tratado, é agora preocupação dos poderes púbicos. Suprema hipocrisia...
Suprema hipócrisia, como inacreditável é a solução encontrada: um road show para explicar ao mesmo povo ignato, a quem foi subtraído o direito a debater o futuro da Europa, as virtudes de um Tratado moribundo.

29 novembro 2010

A "BOA POLICIA"...

Questionam-se hoje, "as pressões" do governo alemão sobre Portugal e os outros países com dificuldades de financiamento. Alguns consideram mesmo que uma tal iniciativa responde a uma única motivação: A defesa dos interesses generalizados dos subditos alemães.

Mais do que a defesa dos súbditos alemães o que Angela Merkel procura, é salvaguardar os interesses dos bancos alemães principais compradores da dívida pública portuguesa.
Por detrás das piedosas advertências, há sempre o frio calculismo dos interesses económicos particulares.
Angela Merkel está longe de ser a "polícia boa" da UE.
Na lógica da "globalização", a Alemanha não faz mais do que qualquer um dos paises com superavits nas suas balanças de transacções correntes - compram a dívida dos paises, para financiarem as suas exportações.

24 novembro 2010

PAGAR PELOS PREVARICADORES, NÃO!...

Sou por norma, avesso a greves!... Desta vez porém, os trabalhadores têm mais que razão, senão vejamos:
Não são responsáveis, pela especulação financeira, factor principal pela crise em que vivemos.
Não são responsáveis, pela criação no mundo financeiro, de produtos titularizados de dívida e exotéricos derivados.
Não são responsáveis, pelo uso que as instituições financeiras fizeram dos depósitos, designadamente o BPN e o BPP, quando na expectativa de ganâncias elevadas utilizaram tais depósitos e múltiplos empréstimos na compra daqueles tóxicos produtos financeiros.
Não são reponsáveis, pela deficiente regulação das empresas de ratting que atribuem classificações ao sabor das conveniências dos seus clientes.
Não são responsáveis, pelas verbas astronómicas cedidas às instituições financeiras pelo governo, nem pelo agravamento catastrófico do Défice Público.
Não são responsáveis, pela criação de múltiplos organismos parasitários do Estado, que devoram sem qualquer benefício para a comunidade, uma verba de cerca de 10% do PIB.
Não são responsáveis, pela corrupção instalada a todos os níveis na administração, nem tão pouco, pela má gestão generalizada do aparelho de Estado.
APESAR DE TUDO E NÃO SENDO OS RESPONSÁVEIS, SÃO COMPELIDOS A PAGAR OS ERROS, A GANÂNCIA E A CORRUPÇÃO PRATICADAS POR TERCEIROS.
Ora  isto, só merece uma resposta!... E essa, foi dada hoje por milhões de portugueses que se recusam a entrar em jogos, que cada vez mais leva o país e o futuro dos nossos filhos para o abismo. 

BANDIDOS?... RUA!...

As polícias e os serviços portugueses de informação deram um exemplo ao Mundo do que é rigor, competência e qualidade no que respeita a operações de segurança que tornaram a cimeira da NATO num acontecimento mundial. Foi prestigiante para Portugal receber tantos chefes de Estado.
Durante dois dias, o País e Lisboa em particular, estiveram em todos os noticiários do Mundo. Foi possível ver políticos, quer aqueles de que gostamos, quer aqueles de que não gostamos, a negociar entendimentos, acordos de cooperação e a falarem entre eles.
Portugal foi uma excepção. Em todas as anteriores cimeiras, as imagens dominantes não eram estas, mas de vadios destruindo carros e estabelecimentos, incendiando autocarros, arrasando os espaços públicos em nome da defesa da… paz. Queixaram-se alguns, que as autoridades os expulsaram do país, que tínhamos uma "polícia brusca".
Ouvi um deputado do Bloco de Esquerda, grande protector de causas ditas nobres, incluindo terroristas, -basta lembrarmos-nos das suas posições sobre a ETA -, a lamentar-se de que o polícia não dava liberdade aos pacifistas. Eu corrijo: Não deu liberdade a vadios. E fez bem...
Dito isto, devo dizer que desconfio da NATO. Não gosto da sua política submetida ao imperador, que em cada momento, governa os Estados Unidos.
Ficará para a história do horror e da vergonha a invasão do Iraque e a matança de milhares de inocentes sob o pretexto da formidável mentira, que jurava a existência de armas de destruição massiva. Mas gosto menos de vadios e terroristas dispostos a matar a eito, destruir sem piedade, incendiar em nome da Paz. Essa que é uma das mais belas utopias e que esses tipos conspurcam quando dela se apropriam.
As polícias merecem aplauso. Ainda por cima, calaram todos os profetas da desgraça, alarmistas, publicistas e vaticinadores que auguravam maus presságios. Foi um serviço limpo. Para as crónicas da treta, ficarão os disparates que se disseram, das desconfianças dos suspeitos do costume, e as baboseiras vindas de parte incerta.
Portugal mostrou-se ao Mundo como um país seguro. Uma imagem definitiva, que permite pensar que mais turistas e divisas, ficarão curiosos para nos visitar. E esperamos que venha gente decente claro. Vadios, não.

18 novembro 2010

ONDE PÁRA O RESPEITO E O INTERESSE NACIONAL?!...

O Respeito e o Interesse Nacional constituem hoje uma semântica difícil de calcular e fácil de imaginar. Hoje em dia, estranho enredo, guião descurado, umas vezes usado como pretexto para golden shares, outras para fundamentar o PEC, outras ainda para coagir Austeridade.
O Povo está cansado de parangonas.
Está farto de ouvir falar em divida pública, política financeira, mercados de capitais, especulação financeira, política económica ou falta dela.
Cansado, está também de ouvir as estratégias de governação e os estrategas que as querem implementar, os mesmos de sempre, treinados para comunicar - e alienar - com as camadas mais desinformadas da população, ajudados por mídias comprometidos, sem contraditório, sem oposição, uns por excesso de cautela e outros em conluio com beneficiários (financeiros, sindicais, corporativos etc.).

Tão cansado está que já aprendeu que, para esses patriotas da palavra e do som estereofónico, os interesses de Estado são os do seu partido ou dos grupo de aliados.
A obsessão de se manter no poder para uns, assim como o desejo de para ele cedo voltar para outros, criou uma espécie de esquezofrenia colectiva, barulho, ruídos, sons, quem fala mais alto para ser ouvido, quem fala primeiro para conquistar a originalidade discursiva, todos falam e ninguém tem razão, parra muita parra, para tão pouca uva.
Hoje em dia, verifica-se um desprezo no mínimo sem escrúpulos, pela majestade dos cargos!... Ministros que insultam em voz alta, Deputados que bracejam, gesticulam obscenidades, ofendem, enfim...tristezas atrás de tristezas.
No meio de tudo isto pergunto: Onde pára o o Respeito e o Interesse Nacional para esta gente?!...
A Justiça é um ragabofe;
A Segurança uma desgraça;
A Educação analfabética;
A Defesa é para rir;
A Moeda foi-se;
O Território está escancarado;
A História esquecida;
O Povo maltratado;
Os Simbolos (bandeira e hino) ridicularizados;
A Soberania nas ruas ada amargura;
E os indícios são veementes e não enganam.

Sem pilares sustentáveis e infestado de corrupção, nepotismo, tráfico de influências e outros crimes, onde para o Respeito e oInteresse Nacional?!... Quem põe ordem na casa?!...
Alguém sabe?! Eu confesso... não sei, mas gostaria de saber.

11 novembro 2010

O FMI EM PORTUGAL

Em 2005, Portugal ocupava a 29ª posição, no Índice de Desenvolvimento Humano do Relatório das Nações Unidas, que avalia o bem-estar das populações dos vários países.
Em 2010, Portugal desceu para o 40º lugar. Uma descida de onze lugares no IDH em 5 anos. Isto é obra!...
Porém, nem mesmo assim os portugueses se safaram, ou têm esperança de se safar, dos efeitos da crise, que tende a agravar-se cada vez mais…
Políticos, banqueiros, politólogos e outros “analistas” repetem-se nas suas considerações sobre a crise, a Dívida Pública e o FMI, fazendo crer, que a continuarem a subir as taxas de juro, a entrada do FMI em Portugal será a única alternativa para “salvar” o país. Só não dizem, é que a vinda desses senhores, virá agravar drasticamente, as já severas medidas de austeridade inscritas no Orçamento de Estado para 2011, recentemente aprovado pelo PS e PSD.
Para esta gente, a vinda do FMI é apenas um mal menor. Não tendo o governo “coragem” ou “condições políticas” para impor medidas mais severas aos mesmos de sempre, necessário se torna recorrer ao FMI.
Com a especulação protagonizada pelos mercados financeiros, é hoje fácil constatar, que tudo se tenta para forçar a entrada dos “Salvadores da Pátria”.
A data e a hora da sua intervenção, será por essa gente e pelo próprio FMI determinada.
É preciso porém dizer, que o FMI não vem para “ajudar” o país, os trabalhadores e os pequenos e médios empresários, todos carregadíssimos de impostos e mais impostos, mas muito simplesmente para garantir o retorno financeiro dos credores internacionais a quem o Governo entregou a dívida pública nacional. Pouco lhe importa que as medidas de austeridade provoquem uma recessão económica ou que se agravem as condições de vida dos portugueses. Pelo contrário, procurarão fazer tão só uma operação financeira, retirando rendimentos aos cidadãos portugueses para os entregar aos credores internacionais.
Estas, são as novas formas de exploração daqueles que vivem do seu trabalho e da sua labuta, para manterem de pé as pequenas e médias empresas e que nada fizeram para o estalar da crise.
Apesar de muitos quererem fugir com o “rabinho à seringa”, todos sabemos que a “desgraça”, já vem de longe!... De muito longe mesmo… e agora, sobra, para quem sobra…
O drástico agravamento da Dívida Pública e a opção de a entregar a credores internacionais devem-se às politicas que foram adoptadas desde 1985, à corrupção instalada, aos roubos incessantes e a toda uma classe politica presa aos interesses económicos e aos lobbies que tomaram conta do país. Até 2004, mais de metade da dívida pública encontrava-se em mãos de nacionais, hoje essas mesmas mãos nacionais, detêm apenas 15%.
Esta política foi conscientemente assumida. Recorde-se como exemplo o ataque aos certificados de aforro. Por outro lado, em 2004 a dívida pública não ia muito além de 50% do PIB (abaixo da média dos países europeus) enquanto hoje ela é superior a 91% do PIB. Este agravamento astronómico em tão curto espaço de tempo é deveras surpreendente. E sendo deveras surpreendente, quem contribuiu para ele?!... Quem é o pai da criança?!...
Os tempos que aí vêm não vão ser fáceis!... Com a mais que provável entrada do FMI, a recessão vai ser ainda maior. Os trabalhadores e os pequenos e médios empresários serão ainda mais sacrificados. Os pobres ficarão cada vez mais pobres e o desemprego disparará. Até Quando?!...