Portugal colocou no mercado em 12JAN2011, 1.249 milhões de euros em obrigações do Tesouro, com maturidades a 10 e a 4 anos.
Nos títulos a 10 anos, a taxa média ponderada baixou para 6,716% face aos 6,806% observados no leilão anterior. Nessa maturidade foram emitidos 599 milhões de euros, tendo a procura superado em mais de três vezes a oferta.
Já nos títulos a 4 anos, os juros dispararam para 5,396% face aos 4,041% do leilão anterior comparável. Segundo Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, o leilão “ foi pouco menos que ruinoso”, alertando mesmo, “que mais sucessos como o do leilão português”, levará à destruição da periferia europeia.
Apesar de leigo na matéria, é fácil constatar, tendo até em conta o passado recente, que os números apresentados não convencem ninguém!... Ora não convencendo ninguém, como se pode compreender a satisfação conjunta do Primeiro Ministro, do Ministro das Finanças, de ilustras figuras do Governo, e até dos candidatos presidenciais Manuel Alegre, Defensor de Moura, Fernando Nobre e dos “politólogos” e economistas do sistema, pela colocação da Dívida Pública a 10 anos (599 milhões) a um juro de 6,716% e a 4 anos (650 milhões) a um juro de 5,396%?!... É preciso dizer, que em boa verdade, estamos na presença de juros altíssimos e insuportáveis. Ora vejamos: Ainda não há mais de 8 meses, aqueles juros eram de 4,8% e 3,7% respectivamente, isto para já não falar dos juros de 4,2% e 3,1% em 2009. Ora sabendo-se que o financiamento de dívida pública, assegurado pelo Fundo de Estabilização Financeira da UE obriga a um juro a 10 anos de 5%, e portanto inferior ao agora obtido, como podem os nossos políticos “cantar de galo”?!.... Como podem cantar de galo, quando a taxas mais baixas, não ocorreu qualquer desacelaração da crise no país?!...
Ao que se diz, o “sucesso” da operação, resultou no simples facto de existirem ainda “investidores”, capazes de comprar a dívida portuguesa, omitindo em seus juízos, o juro faraónico a que obrigam o estado português.
Desgraçados dos países, em que os seus governantes se contentam com tão pouco e empurram isso sim, os problemas, os custos, os pagamentos e os preços da sua incompetência e despesismo, para os tempos futuros e gerações vindouras. Assim tem acontecido e continua a acontecer com as dívidas das Scuts, com as parcerias Público/Privadas, com os TGVs, com os efeitos da corrupção, com a fraude fiscal, com as gestões danosas da banca, enfim… com tanta coisa, que chegaram já ao ponto e ao despudor de nos meterem a mão no bolso, sem pedirem licença…





