13 janeiro 2011

JURO DO LEILÃO DE OT DE PORTUGAL, É "RUINOSO"...

Portugal colocou no mercado em 12JAN2011, 1.249 milhões de euros em obrigações do Tesouro, com maturidades a 10 e a 4 anos.
Nos títulos a 10 anos, a taxa média ponderada baixou para 6,716% face aos 6,806% observados no leilão anterior. Nessa maturidade foram emitidos 599 milhões de euros, tendo a procura superado em mais de três vezes a oferta.
Já nos títulos a 4 anos, os juros dispararam para 5,396% face aos 4,041% do leilão anterior comparável. Segundo Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, o leilão “ foi pouco menos que ruinoso”, alertando mesmo, “que mais sucessos como o do leilão português”, levará à destruição da periferia europeia.
Apesar de leigo na matéria, é fácil constatar, tendo até em conta o passado recente, que os números apresentados não convencem ninguém!... Ora não convencendo ninguém, como se pode compreender a satisfação conjunta do Primeiro Ministro, do Ministro das Finanças, de ilustras figuras do Governo, e até dos candidatos presidenciais Manuel Alegre, Defensor de Moura, Fernando Nobre e dos “politólogos” e economistas do sistema, pela colocação da Dívida Pública a 10 anos (599 milhões) a um juro de 6,716% e a 4 anos (650 milhões) a um juro de 5,396%?!... É preciso dizer, que em boa verdade, estamos na presença de juros altíssimos e insuportáveis. Ora vejamos: Ainda não há mais de 8 meses, aqueles juros eram de 4,8% e 3,7% respectivamente, isto para já não falar dos juros de 4,2% e 3,1% em 2009. Ora sabendo-se que o financiamento de dívida pública, assegurado pelo Fundo de Estabilização Financeira da UE obriga a um juro a 10 anos de 5%, e portanto inferior ao agora obtido, como podem os nossos políticos “cantar de galo”?!.... Como podem cantar de galo, quando a taxas mais baixas, não ocorreu qualquer desacelaração da crise no país?!...

Ao que se diz, o “sucesso” da operação, resultou no simples facto de existirem ainda “investidores”, capazes de comprar a dívida portuguesa, omitindo em seus juízos, o juro faraónico a que obrigam o estado português.
Desgraçados dos países, em que os seus governantes se contentam com tão pouco e empurram isso sim, os problemas, os custos, os pagamentos e os preços da sua incompetência e despesismo, para os tempos futuros e gerações vindouras. Assim  tem acontecido e continua a acontecer com as dívidas das Scuts, com as parcerias Público/Privadas, com os TGVs, com os efeitos da corrupção, com a fraude fiscal, com as gestões danosas da banca, enfim… com tanta coisa, que chegaram já ao ponto e ao despudor de nos meterem a mão no bolso, sem pedirem licença…

07 janeiro 2011

F.M.I./U.E. QUAL A SAÍDA NUMA PROVA DE FORÇA?!...

Na última semana, os juros da divida pública a curto e longo prazo, atingiram níveis que ultrapassaram os 3 e os 7 por cento respectivamente.
Significa isto, que os mercados apertam, e a pressão para a vinda do famigerado FMI, é cada vez maior.
Com toda a franqueza, não foi para isto que serviu a revolução de Abril!... A tão propalada crise internacional, que serve aos nossos políticos como justificação para o estado em que o país se encontra, e de analgésico para o nosso povo, não justifica tudo. E como não justifica tudo, há questões pertinentes que devem ser equacionadas!... Sejamos claros: Foram os portugueses chamados a pronunciarem-se sobre a adesão do país à União Europeia, nos moldes em que esta foi feita?!.... Foram os portugueses chamados a referendarem a entrada na moeda única, ou as cartas constitucionais da UE, antes ou depois do Tratado de Lisboa?!... Foram os portugueses chamados a referendarem os sucessivos alargamentos da UE, que passaram de 12 em 1986, para 27 na actualidade, e as condições em que as mesmas foram feitas?!...

Para além de tudo isto, há que dizer, que a elite política, a classe política, a casta política, nascida do 25 de Abril de 1974, acantonada nos partidos da área do poder que nos têm desgovernado, são os únicos responsáveis pela nossa entrada no euro e pelas condições em que nele entrámos. Fizeram-nos crer que a nossa entrada na moeda única, só nos trazia coisas boas, coisas maravilhosas. Uma Europa dos cidadãos, um desenvolvimento económico convergente, salários igualmente convergentes com os dos restantes países europeus, e uma abertura de fronteiras económicas para onde poderíamos exportar os nossos produtos agrícolas e industriais.
Estas eram as promessas que estavam em cima da mesa. Mas não nos avisaram que para o acesso a estas “benesses”, teríamos que encerrar fábricas da nossa indústria, abater barcos da nossa frota de pesca, abandonar os campos agrícolas, olivais, vinhas e muitos outros produtos, muitos dos quais suficientes para o consumo nacional. Pelo contrário, fizeram-nos crer que toda essa obsessão destrutiva, constituía "modernidade e progresso" e até nos ofereciam avultadas compensações monetárias designadas como subsídios, para como idiotas chapados, sermos os coveiros da nossa própria economia.

Perguntar-me-ão: Havia alternativas, ou vivíamos mergulhados na politica do “orgulhosamente sós”?!... Em democracia há sempre alternativas, mais que não seja, nos moldes em que as mesmas devem funcionar. Certo, é que nas condições que nos foram oferecidas e que nós – se calhar à pressa – aceitamos, deixámos de produzir e começamos a importar o que antes criávamos. E até nem faltou dinheiro... Os bancos dos mais poderosos países da UE emprestavam-nos todo o "pilin" que queríamos e a juros baixos, a 2, 5, ou 10 anos, conseguindo deste modo criar a procura indispensável à exportação de todos os seus excedentes, objectivo primeiro das suas maquinações, reavendo na operação, todo o dinheiro que nos haviam emprestado ao constituírem-se como credores.

Mas a desgraça não acaba aqui!... É que em vez do escoamento para a UE dos nossos produtos da indústria de calçado, lanifícios e vestuário, no que ingenuamente acreditámos, tivemos afinal que aceitar a importação de iguais produtos da China, da Índia, das maças da Argentina e das laranjas da África do Sul, com quem os poderosos da UE mantêm relações previligiadas.
Resulta de tudo isto, que na grande feira em que se constituiu afinal a UE, fomos enganados como pacóvios ingénuos, pelos seus mais ardilosos e poderosos feirantes, bem acompanhados na trama pelos seus comparsas nacionais.

Hoje acabaram os juros baixos e a senhora Merkel e os seus acólitos, continuam a “cantar de galo”, produzindo para consumo interno, para venderem os excedentes a preços e com juros incomportáveis, para dar subsídios a pacóvios e para manterem estáveis os seus mercados de trabalho.
O resultado final de toda esta politica, é que hoje estamos com o “rabinho” preso. As consequências de uma saída da zona euro face à divida externa, traria custos incomportáveis para a esmagadora maioria dos portugueses, mas, e porque nada existe, que não tenha um principio e um fim, tal solução seria preferível ao “monstro” do FMI, que mais não faria, que preparar as coisas para novas investidas a médio prazo.

01 janeiro 2011

BALANÇO DE 2010, CRISE NEOLIBERAL E SOFRIMENTO HUMANO...

O balanço que faço de 2010 vai ser diferente. Enfatizo um dado pouco referido nas análises: o imenso sofrimento humano e a desestruturação subjectiva especialmente dos assalariados, devido à reorganização económico-financeira mundial.
Há muito que se operou a "grande transformação", colocando a economia como o eixo articulador de toda a vida social, subordinando a política e anulando a ética. Quando a economia entra em crise, como sucede actualmente, tudo é sacrificado para salvá-la. Penaliza-se toda a sociedade, como na Grécia, na Irlanda, em Portugal, em Espanha e mesmo nos USA em nome do saneamento da economia.
O que deveria ser um meio, transforma-se num fim em si mesmo.
Colocado em situação de crise, o sistema neoliberal tende a radicalizar a sua lógica e a explorar ainda mais  a força de trabalho. O sofrimento agora é mais generalizado e difuso, afectando, ora mais ora menos, o conjunto dos países centrais. Trata-se de uma espécie de "mal-estar da globalização" em processo de erosão humanística. Ele expressa-se  por grave depressão colectiva, destruição do horizonte da esperança, perda da alegria de viver, vontade de "desaparecer do mapa" e até, em muitos, de tirar a própria vida.
Por causa da crise, as empresas e seus gestores levam a competitividade até a um limite extremo, estipulam metas quase inalcançáveis, infundindo nos trabalhadores angústias, medo, e não raro, síndromas de pânico. Cobra-se tudo deles: entrega incondicional e plena disponibilidade, dilacerando a sua subjectividade e destruindo as relações familiares
Nas análises que se fazem da actual crise, importa incorporar este dado perverso que é o oceano de sofrimento que está sendo imposto à população, sobretudo, aos pobres, no propósito de salvar o sistema económico, controlado por poucas forças extremamente fortes, mas desumanas e sem piedade. Uma razão a mais para superá-lo historicamente, além de condená-lo moralmente. Nessa direcção caminha a consciência ética da humanidade, bem representada nas várias realizações do Forum Social Mundial entre outras.

13 dezembro 2010

A CRISE, OS MERCADOS, O PRESENTE E O FUTURO...

Por estes dias, publicou o JN uma noticia, através da qual o antigo Bispo de Setúbal – personalidade que venho admirando desde a sua passagem por aquelas bandas – D. Manuel Martins, dava a conhecer a sua revolta, com as situações de miséria absoluta existentes em Portugal, consequência segundo as suas palavras “de uma economia diabólica, desgraçada e hiper-super liberal”.
D. Manuel Martins, tem toda a razão e as suas palavras deveriam merecer profunda reflexão. E deveriam merecer profunda reflexão, porque com a execução orçamental que se aproxima, o “garrote” vai apertar ainda mais. Infelizmente e querendo tapar o sol com uma peneira, a classe governante e o grande capital, fazem tudo para nos convencer, que não é bem assim, que agora é que vai ser, que estamos em vias de sair da crise, que é preciso estabilidade e acima de tudo que temos que ser “bem comportados” não vamos nós irritar os “mercados”, essa entidade estranha e distante (presume-se que externa mas sem paradeiro conhecido) que como um Big Brother, a toda a hora, nos vigia. Exigem-nos que apresentemos a mais rasgada simpatia enquanto nos aumentam os impostos, nos retiram condições sociais de décadas, e nos atiram para o desemprego. Tudo para não ferir a “susceptibilidade” dos ditos “mercados”.

Mas quem são afinal, os “mercados”?!... Os “mercados”, não são outra coisa senão, o grande capitalismo financeiro especulativo que, aproveitando o desenvolvimento da crise - crise da qual é o único responsável -, tenta rapidamente impor as suas “reformas”, reformas essas, que os grandes grupos empresariais e financeiros desejaram que se realizassem durante muitos anos e nunca conseguiram, mas que na actualidade marcam já a agenda politica.
A crise serve como desculpa para tudo!.. Para reduzir ao mínimo o estado social, para desregular o mercado de trabalho, para enfraquecer os sindicatos e assim reduzir salários e as condições sociais da grande maioria da população, e até como último suspiro, para manter de pé um modelo económico, que já não tem pernas para andar e tenta a todo o custo arranjar uma tábua de salvação.

Não tenhamos dúvidas: O grande objectivo do capital financeiro especulativo é aumentar os seus rendimentos à custa dos trabalhadores e das classes médias da população, acentuando mais ainda as desigualdades sociais.Os comissários da UE associados ao FMI, são hoje os comités políticos e comportam-se como polícias desta ofensiva anti-social, que representa objectivamente um retrocesso histórico social, visando unicamente o aumento da ganância a qualquer preço do capital financeiro especulativo internacional.

Posto isto, bem pode D. Manuel Martins continuar a pregar!... Enquanto se procurar desenvolver um país, à custa do sofrimento e privações do seu povo, quando ao mesmo tempo e em simultâneo, se amplia a riqueza dos mais ricos, não vamos lá….
Como diz o Bispo, estamos perante um modelo económico diabólico, desgraçado, hiper-liberal e que lá do alto da pirâmide, não se coíbe de através de meia dúzia de magnates, impor as suas regras, a que já nem poder instituído consegue fazer face…

06 dezembro 2010

QUALIDADE DA DEMOCRACIA, TRATADO DE LISBOA E POVO IGNATO!...

Uma afirmação e um facto. A afirmação: O candidato a Presidente da República, Anibal Cavaco Silva, disse nos últimos dias, que Portugal tem um problema de qualidade da sua democracia. O facto: A passagem, na última semana, do primeiro aniversário, sobre a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.
A afirmação é, em si mesma, um facto que pode bem ser demonstrado pelo Tratado, pela forma como foi aprovado e, nalguns casos, ratificado.
O Tratado de Lisboa, é, na minha opinião, o expoente maior da falta de qualidade da democracia em Portugal, como em geral na Europa. É bom relembrar que em Portugal, há seis anos atrás, os responsáveis pelos principais partidos políticos portugueses juravam a pés juntos que sem referendo não haveria novo tratado europeu.
Rendidos à lógica aristocrática de uma Europa cujas instituições devem muito às regras e aos princípios da democracia, prevaleceu a ideia, de que o Povo é ignato, e nunca alcançaria, por mais que lhe explicassem numa campanha pelo “sim”, as vantagens de uma Europa organizada como propunham as elites dirigentes da UE. E tudo se fechou em Lisboa, com grande pompa e foguetório com um sonoro “porreiro pá!” entre os agora aliadosJosé Sócrates, nosso Primeiro-Ministro e o Presidente da UE Durão Barroso.
Passou um ano desde que as novas regras entraram em vigor. Um ano só. Os resultados estão à vista. O Tratado de Lisboa não resistiu à prova da crise, são cada vez mais os que criticam a mediocridade das lideranças que conduziram a esta solução institucional manifestamente prisioneira de um poder burocrático que nada resolve e tudo complica, movendo-se no meio das dificuldades como a agilidade de um gigantesco elefante. São cada vez mais audíveis as vozes que clamam por uma revisão do Tratado. Um só ano depois da euforia.
Postas as coisas desta forma, chega-se à conclusão, que quer o candidato Cavaco Silva, quer uma enorme franja de "Zés" deste país, têm razão. Em boa verdade, temos um problema de qualidade da democracia que começa exactamente na desconfiança dos cidadãos, nas instituições que os governam.
Não acredito que venha a interessar a próxima campanha eleitoral, mas valeria a pena ponderar, a este propósito, na notícia publicada na última edição do "Expresso" que nos revela que só 3% dos mais instruídos em Portugal conhecem o Tratado de Lisboa. Aquilo que não era um problema antes da aprovação do Tratado, é agora preocupação dos poderes púbicos. Suprema hipocrisia...
Suprema hipócrisia, como inacreditável é a solução encontrada: um road show para explicar ao mesmo povo ignato, a quem foi subtraído o direito a debater o futuro da Europa, as virtudes de um Tratado moribundo.

29 novembro 2010

A "BOA POLICIA"...

Questionam-se hoje, "as pressões" do governo alemão sobre Portugal e os outros países com dificuldades de financiamento. Alguns consideram mesmo que uma tal iniciativa responde a uma única motivação: A defesa dos interesses generalizados dos subditos alemães.

Mais do que a defesa dos súbditos alemães o que Angela Merkel procura, é salvaguardar os interesses dos bancos alemães principais compradores da dívida pública portuguesa.
Por detrás das piedosas advertências, há sempre o frio calculismo dos interesses económicos particulares.
Angela Merkel está longe de ser a "polícia boa" da UE.
Na lógica da "globalização", a Alemanha não faz mais do que qualquer um dos paises com superavits nas suas balanças de transacções correntes - compram a dívida dos paises, para financiarem as suas exportações.