Nem a famosa frase de Jorge Sampaio, ao argumentar que "há mais vida para além do défice..." nos salva...
Em plena ditadura, e já no chamado auge da sua governação, Salazar afirmava:
«A nova geração porém já não viu ou não se lembra do que nós vimos ou sofremos. Não assistiu ao descalabro das finanças e da moeda, à ruína da economia, ao assalto da propriedade, à desordem da rua e dos espíritos, aos assassinatos dos inimigos políticos e dos militares de prestígio, aos insultos e vexames da gente honesta nas praças e nas cadeias, às campanhas anti-religiosas, à «justiça popular», à instabilidade governativa, à indisciplina e afundamento dos órgãos do Estado, ao riso escarninho do mundo perante uma gloriosa Nação multi-secular que, parecendo não querer viver em paz, não fazia ao menos revoluções mas sangrentos motins. Isto sentimos e tivemos ontem sem que hoje quase se lhe note o rasto.»
«A nova geração porém já não viu ou não se lembra do que nós vimos ou sofremos. Não assistiu ao descalabro das finanças e da moeda, à ruína da economia, ao assalto da propriedade, à desordem da rua e dos espíritos, aos assassinatos dos inimigos políticos e dos militares de prestígio, aos insultos e vexames da gente honesta nas praças e nas cadeias, às campanhas anti-religiosas, à «justiça popular», à instabilidade governativa, à indisciplina e afundamento dos órgãos do Estado, ao riso escarninho do mundo perante uma gloriosa Nação multi-secular que, parecendo não querer viver em paz, não fazia ao menos revoluções mas sangrentos motins. Isto sentimos e tivemos ontem sem que hoje quase se lhe note o rasto.»Hoje a história repete-se!...A liderança da União Europeia - o Conselho Europeu, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia - reafirmou uma vez mais que penalizará com multas severas (pagas pelos contribuintes) os países da Eurozona que não cumpram com os Pactos de Estabilidade. Tal como Salazar um dia disse, esta medida reflecte que tal desiderato está plenamente submetido à ideologia neoliberal, que ignora as dificuldades e os sacrificios do povo e que por via de tal, se torna num obstáculo à saída da recessão. Estas são as novas formas de submissão, e a conquista dos povos pelo garrote...
Hoje, ninguém tem dúvidas, que as medidas de austeridade do gasto público pioraram a crise. O encerramento e o fechar de portas de múltiplas pequenas e médias empresas a desaceleração do minúsculo crescimento ocorrido nos últimos meses de 2010 e o aumento do já elevadíssimo desemprego são exemplo disso mesmo.
Mas o mais grave de tudo, é a constatação de que estamos perante a repetição da história, embora em moldes diferentes!... Tal como dizia Salazar, quando apregoava que era preciso colocar as contas públicas na ordem, hoje assistimos ao reavivar de tal discurso, pelos "donos" da UE. Esquecem porém esses cavalheiro(a)s, que tal como as teses salazarentas, as suas ideias, se baseiam numa leitura errada das causas da crise do euro. Assumem esses senhores, que a crise do euro se deve ao excessivo esbanjamento do gasto público em países como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha e que se os governos destes países se tivessem comportado e sido tão disciplinados como os países do centro e do norte da Eurozona, hoje não estaríamos na situação em que nos encontramos. Mas será que esta gente, tem noção do que são efectivamente gastos públicos?!... Será que não confundem ou misturam gastos públicos, com os ditos-gastos públicos, que apenas servem para alimentar a corrupção e dar guarida ao clientelismo ?!... O que é extraordinário é que este dogma se reproduza quando é fácil de ver que esta versão dos factos não corresponde à realidade. Cada um destes países, tem a despesa pública por habitante mais baixa da Eurozona.
Significa isto, que ao contrário do que se diz, o problema destes países não se deve ao inexistente “excessivo gasto público” ou ao "exuberante estado de bem-estar”, como dizia Salazar e estes o reafirmam, tanto mais que a despesa pública per capita, como a despesa social per capita, estão muito abaixo da média da UE-15, mas sim aos desmandos do sector privado. Portugal é um exemplo disso e só o buraco de cinco mil milhões do BPN, a que acrescem tantos outros buracos, que o Estado se vê obrigado a tapar, não deixam dúvidas a ninguém... a não ser, à bafiosa politica salazarenta, que vai proliferando por essa Europa fora.





