
Sempre ouvi dizer que tudo tem um principio e um fim, e sendo assim, a UE não fugirá à regra. Hoje, todos sabemos, que os países periféricos são dependentes dos glutões da Europa, porém também é verdade que estes também, estão economicamente dependentes desses mesmos países periféricos.Como tudo vai acabar, é para já uma incógnita. O que não é nada incógnito, é que a Europa está em crise e não vale a pena disfarçar mais!... No caso português, e sabendo-se que o país está no "fio da navalha", há um dado importante que tem de ser considerado:falar verdade aos cidadãos. De nada vale a pedincha aos Qatares ou às Chinas, senão se falar com verdade e também senão se mudar de politica. A manter-se o actual estado das coisas, Portugal não terá capacidade económica, para pagar as suas dívidas actuais e futuras. Éque além da emissão de dívida para pagar o défice crónico orçamental, o país terá de emitir também dívida para resgatar as anteriores emissões. Só durante o corrente ano e até Junho, terá de resgatar 9,4 mil milhões de euros. É uma situação insustentável.Tão insustentável, que creio avizinharem-se dias mais negros para os portugueses. Esta é a realidade!... Não se trata de pessimismos gratuitos, mas tão só, da constatação lógica dos resultados do endividamento nacional a que chegámos.
Mas o mais lamentável de tudo isto, é que não se vislumbra, com a urgência que a situação requer, qualquer alternativa política que possa dar alguma esperança aos portugueses. Com Sócrates ou Passos Coelho o desastre será o mesmo. Os próximos tempos serão de uma exigência tremenda, e aquilo a que assistimos, é à falta de coragem dos chamados partidos do poder, para apresentarem propostas alternativas credíveis e viáveis, que possam inverter a situação financeira, económica e social em que vivemos. Ninguém se quer comprometer...
Mesmo na iminência de eleições a curto prazo, é preciso não ter medo das palavras e apontar muito concretamente as causas que geraram esta situação!... E conhecidas as causas, é preciso enunciar mais concretamente as alternativas capazes de a inverter. Em vez disso porém, os mesmos de sempre, perdem-se em mil conjecturas e em combates palavrosos palacianos que nada adiantam.
No palavreado que lemos e ouvimos nos meios de comunicação social a “comentadores, economistas e politólogos de serviço” a confusão torna-se ainda maior. Falam de tudo e do seu contrário, mas no fundo todos pretendem perpetuar a situação confortável em que se encontram instalados, medindo as palavras de modo a não provocarem a mínima perturbação ao sistema. Alguns, por oportunismo, aproveitando-se dessa confusão, ensaiam mesmo as suas investidas contra o chamado “estado social” e falam em “gordura” do Estado, mas para estes, a gordura do Estado não são os múltiplos, paralelos e parasitários órgãos do estado criados pelo sistema institucional vigente - sobretudo a partir dos últimos 15 anos -, mas a abrangência das funções sociais do estado que consideram “exorbitantes”.
É por tudo isto, que o descontentamento dos cidadãos se generaliza cada vez mais no país, e segue a bitola que vai já alastrando por essa Europa fora, debilitando não apenas o vínculo entre eleitores e partidos, a população e os governos, senão mesmo, algo de muito mais complicado, que aqui me recuso a comentar.
É hoje um dado adquirido, que a crise não abrange apenas a parte económica. O clima de desconfiança atingiu tais niveis, que segundo a última sondagem sobre a matéria, efectuada pelo Projecto Farol (Cf. CM de 19JAN11) é arrepiante!... 94% dos portugueses desconfiam ou confiam muito pouco na classe politica; 89% não confiam nos partidos politicos, 84% não confiam nos deputados e 90% não acreditam nos governos. Este é o resultado dos clássicos incumprimentos dos governos face às promessas eleitorais, da corrupção desenfreada e da ausência de respostas aos anseios dos eleitores, contra os especuladores e os corruptos.
Como já disse, a crise económica não está a ser atacada com uma revisão profunda do modelo vigente, antes pelo contrário. As medidas que estão a ser adoptadas, são medidas, que na prática mantêm o mecanismo especulativo que a desencadeou, pressagiando que muito em breve o fenómeno se repetirá. Mas atenção: Se até agora a reserva material que acumulam as classes laboriosas no Velho Continente permitiu fazer frente à crise sem quebras dramáticos da ordem pública, a decisão de transferir os custos do descalabro às classes assalariadas, e a grandes sectores de pequenos e médios empresário,s começa a minar a economia familiar em geral, e as populações condenadas a situações de emergência por desemprego, encerramento de pequenos negócios e baixas sensíveis nos rendimentos, terá como consequência surtos de revolta e violência, que aqui e ali são já uma realidade.
Na verdade, afectando a maioria da população, as actuais políticas, põem em risco o estado de bem-estar que desde o termo da Segunda Guerra Mundial deu à população europeia alguma qualidade de vida mediante um sistema de segurança (educação, saúde, emprego, pensões, ajudas sociais, etc.). Este desmantelamento paulatino, acelerado pela crise, é um processo que conduz à “americanização da Europa”, ao predomínio de um modelo de capitalismo selvagem, que converte a vida quotidiana numa competição feroz de todos contra todos.
Se na hora de tomar decisões um grupo de banqueiros tem mais poder que milhões de votantes, se um fundo de pensões de Nova York, Londres ou Bona, decide mais que um parlamento nacional, se as multinacionais se impõem sem dificuldade a presidentes e ministros, e se os governos dos países mais poderosos (como comprovam as divulgações de WikiLeaks) intervêm grosseiramente nos assunto internos de países parceiros, e se estas verdadeiras máfias de colarinho branco acabam por impor o seu critério sobre as autoridades locais (no geral seus cúmplices), o vulgar cidadão tem então sobrados motivos para duvidar da validade do sistema democrático e meditar sobre a real utilidade que tem em dar o seu apoio eleitoral a quem apenas decide o que é de menos importante.
Meus amigos: Se a política como pratica essencial da participação de cidadania terminou e tudo se decide nos conciliábulos sinistros das grandes finanças, para que serve então a democracia?!...