1.ª QUESTÃO
Aqui há umas semanas atrás, o Secretário-Geral do PSD, Dr. Miguel Relvas, designou os bónus e as remunerações dos Gestores Públicos, como “vencimentos pornográficos”. Tratando-se – penso eu – de uma pessoa de bem e tendo em conta, segundo a imprensa de hoje, que já se pensa “sacar” o 13.º mês aos funcionários públicos, a sua apreciação sobre tais remunerações, pareceu-me ajustadíssima à realidade do país, isto partindo do pressuposto – penso também eu -, que nenhum Gestor Público, deve auferir uma remuneração superior à do Presidente da República, enquanto Supremo Magistrado da Nação. Afinal de contas, todos são funcionários públicos, embora uns, com mais responsabilidades que outros.
Acontece porém, que na semana passada, o CDS, o PCP e o Bloco de Esquerda, apresentaram no Parlamento, propostas concretas para a redução de salários e mordomias desses mesmos Gestores Públicos, e perante tal facto o que aconteceu: O Bloco Central, formado pelo PS e pelo PSD, votaram simplesmente contra…
Ora face a tal situação, há duas ilações a tirar: a primeira, que o PSD, pela voz do seu Secretário-Geral, tem dois discursos!... Um para fora -para o “Zé” ouvir, e outro para dentro -que é o que prevalece.
Resulta de tudo isto, que nesta matéria, PS e PSD, são “farinha do mesmo saco”. E são farinha do mesmo saco, porque ambos recorreram aos mesmos argumentos , para justificar o seu voto!... “que não devemos ser miserabilistas, porque tais Gestores podem abandonar o país; que não devemos aplaudir discursos demagógicos, porque reduzir os salários desses Gestores não resolve os problemas do país; que o populismo é um perigo para a democracia; que os Partidos dos extremos são irresponsáveis e estão sempre a tentar ganhar votos com propostas populares”, enfim…, toda uma série de argumentos, que não lembram ao diabo. Agora digo eu: Mas alguém acredita, que lá fora, querem esta gente, a ganhar o que ganha e a fazerem o que fazem por cá?... Alguém acredita, que se “pirariam”?!... E para onde, se toda a gente sabe, que Portugal paga as mais altas remunerações da Europa aos Gestores Públicos?!... É evidente, que os custos relacionados com tais gastos, não resolvem o problema do país!... Mas não seriam valores bastantes, para acudir a situações de emergência, que se encontram desprovidas de verbas?!... Os argumentos do PS e do PSD nesta matéria, mostram apenas uma coisa: Os dois, estão vergados aos interesses particulares nas administrações das empresas públicas e à satisfação do respectivo clientelismo, que é muito.
O mais grave porém, é a cegueira de manter uma situação que se tornou insustentável, mais que não seja, pelos danos que tal conduta causa à democracia e à confiança numa classe politica que se pretende séria. À mulher de César não basta ser séria… e uma sociedade onde os intocáveis se governam como querem à conta dos dinheiros públicos, enquanto outros cidadãos sobrevivem como podem, é uma sociedade sem qualquer futuro…
Cá por mim, continuo a defender a mesma tese: O vencimento do Presidente da República, tem obrigatoriamente de estar no topo da pirâmide. A BEM DA NAÇÃO…
2.ª QUESTÃO
Não conhecesse como conheço, o Prof. Rui Sá Gomes, actual Director-Geral dos Serviços Prisionais, meu distinto mestre na Faculdade de Direito de Lisboa e com quem privei de perto, quando da sua passagem pela Secretaria de Estado da Administração Interna na última legislatura, não traria aqui à colação, o episódio ocorrido com um preso, no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, e que tanta “tinta” tem feito correr, lá para as bandas de S. Bento.
Que fique desde já a saber-se, que o Prof. Sá Gomes, é um distinto defensor dos direitos humanos e que a operação, não foi levada a cabo de ânimo leve. As imagens, foram transmitidas pelas diversas televisões, como se de um acontecimento nacional se tratasse e mostravam um preso semi-nú, a ser imobilizado com o disparo de uma Taser (arma eléctrica) dentro de uma cela, que o recluso se recusava a limpar. Uma cela onde comia e defecava, uma cela cujas paredes eram utilizadas para escrever frases provocatórias com as próprias fezes, enfim… uma cela na mais abjeta imundície, com risco para a sua própria saúde e para a demais população prisional.
Não tenho dúvidas, que as imagens são perturbadoras!... Mas como lidar com uma situação destas?!... Como lidar com uma situação, protagonizada por um alto cadastrado, que já percorreu diversas prisões do país, e cujos métodos utilizados, são apenas comparados aos dos membros do IRA?!... À boa maneira da Guarda Britânica?!...Ou será, que lá para os lados de S.Bento, haverá alguma varinha mágica, para substituir a Taser?!...
Costuma dizer-se na minha terra, que “vozes de burro não sobem aos céus”!... Isto para argumentar – com conhecimentos de causa -, que os meios utilizados foram os mais adequados e os menos penalizantes. Porém, é bom que se diga, que entre a Guarda e os delinquentes, manda o politicamente correcto, que se crucifiquem os primeiros e desculpem os segundos. Mas… só até a “sorte” lhes bater à porta, porque depois logo mudarão de ideias. Mas o que é estranho, é que perante factos destes, ainda falam em populismo… A BEM DA NAÇÃO…
3.ª QUESTÃO
As noticias sobre pessoas idosas, encontradas mortas na sua solidão e ao abandono, continuam a marcar a agenda dos noticiários. Quer isto dizer, que estamos na presença de um país que não é para “velhos”!... Mas pior que tudo, é que parece não ser, nem para velhos, nem para novos. Da geração mais envelhecida da Europa, que vive “sabe Deus como”, à geração “à rasca”, dos quinhentos euros que vive em casa dos pais; da geração da quarta classe, à geração das múltiplas licenciaturas sem trabalho; da geração da verdadeira música de intervenção de personagens como Zeca Afonso e Adriano, à geração “parva” dos Deolinda, que nunca se mobilizou para nada, a não ser para o comodismo cívico e politico; da geração até aos quarenta, que pouco ou nada se tem preocupado com a vida politica do país e é hoje profundamente flagelada pelo desemprego, pelo trabalho precário e pelas medidas anti-sociais do Governo, pede-se muito mais. No próximo dia 12 em Lisboa, juntar-se-ão pela primeira vez, os que tiveram expectativas, mas não as viram concretizadas; juntar-se-ão os que estudaram, os que conseguiram licenciaturas, mas não têm trabalho; juntar-se-ão os que querem assumir a sua própria vida e não têm condições para o efeito; juntar-ser-ão os que olham para o seu futuro já hipotecado e se questionam sobre o que será a sua vida; juntar-se-ão os que estando “à rasca”, não sendo eles rascas, e vêm gente que o sendo, sobrevive à grande e à francesa. Posto isto se pede:Pela primeira vez nas vossas vidas, não permitam a usurpação dos vossos direitos!... Berrem, critiquem, participem, exerçam o vosso direito de cidadania e façam-no por todas as gerações. Pelo “velhos” desamparados, pelos “novos”, pelos excluídos e por aqueles que não tendo “padrinhos” nem canudos, estão condenados a viver “à rasca”. Só assim conseguiremos um país melhor… A BEM DA NAÇÃO…






