Desta vez o meu comentário semanal, vai inteirinho para a nossa região -a parte barrosã do concelho de Montalegre. Os vídeos que o suportam, mostram-nos, num dado momento, os efeitos nefastos da DESERTIFICAÇÃO e as suas consequências, numa zona aqui bem perto – concelho de Valpaços - e no outro, a realidade que grassa no nosso concelho, e que não queremos ver agudizar-se.
Todos sabemos que o problema da desertificação, não é resolúvel apenas com a boa vontade dos agentes políticos locais e das respectivas populações. O problema é muito mais profundo. Para combater a desertificação, há necessidade de um forte investimento público, designadamente ao nível das vias de comunicação e das infra-estruturas, de modo a tornar a região mais atractiva para a permanência das populações. O que acontece porém, é que tais medidas tardam, e que, por via da crise e com a regionalização na gaveta sem se saber até quando, alguma coisa tem de ser feita, sob pena do poder central, continuar a esquecer uma região, que só serve para aquilo que muito bem entende…
Mas vamos a números: Segundo fonte do INE-Instituto Nacional de Estatística, a população do concelho de Montalegre , incluindo todas as faixas etárias, era em 1960 de 32.728 indivíduos, distribuídos por 11.626 dos 0 aos 14 anos; 19.066 dos 15 aos 64 e 2036 com mais de 65 anos.
Em 1970, a população do concelho desceu para os 22.925 indivíduos, em 1981 para os 19.403 e em 1991 para os 15.464.
Ainda segundo dados oficiais, a população neste último ano de 1991, apontava para 3.120 indivíduos com idades entre os 0 e os 14 anos; 9.165 dos 15 aos 64 anos e 3.179 com mais de 65 anos.
Segundo uma projecção mais recente –fornecida pela CMM- o número total de indivíduos, ronda os 11.793, dos quais 27,4% dizem respeito a idosos, com mais de 65 anos.
Significa isto, que nos últimos 50 anos, a população do concelho teve um decréscimo de 20.935 indivíduos e que nos últimos 20 anos, já após se ter atingido o auge dos fluxos migratórios, houve igualmente um decréscimo de cerca de 3671 indivíduos, segundo as projecções do INE e da própria Câmara Municipal.
Ora isto é simplesmente assustador!... Mas… colocada a situação, como então invertê-la ou no mínimo estagná-la?... Não tenho dúvidas, de que o actual executivo camarário, tem feito um bom trabalho à frente dos destinos do Município, talvez – em minha opinião - até o melhor da “era democrática”!... . Como diz o Presidente, conseguiu “colocar Montalegre no mapa” e o seu nome fica efectivamente ligado às grandes obras e ao desenvolvimento da economia local. Todavia há que dizer, que o concelho não é apenas a vila, e que há mais vida para além da sua sede.
Já no "longínquo" ano de 2008, realizou-se em Salto, um Colóquio subordinado ao tema da desertificação!... Nesse mesmo Colóquio, Fernando Rodrigues, enquanto Presidente da edilidade, não se inibiu de abordar o assunto. No seu discurso sobre o tema, o autarca anunciou a política que à data defendia. Segundo as suas palavras, a política a adoptar para combate à desertificação “ teria de passar por uma força de mudança que deve começar por todos: apostar na formação; promover acções públicas e privadas; apostar nos recursos endógenos; apoiar o desenvolvimento rural dando dinheiro para trabalhar invertendo assim, a política agricola comum; fazer infra-estruturas urbanas; ter serviços públicos que garantam igualdade e proximidade; defender o ambiente e ter um verdadeiro serviço social que combata a pobreza e a fuga à escolaridade obrigatória e que apoie a habitação». Estas palavras foram registadas, mas de então para cá, o que mudou afinal na esmagadora maioria das aldeias?!... Nada!… As aldeias, na sua esmagadora maioria, vão sobrevivendo à custa do investimento das gerações mais velhas de emigrantes. E quando este “filão” acabar, como vai ser?!... Vamos deixá-las morrer?!...
Como já disse, é evidente que este problema, não diz apenas respeito ao executivo camarário!... Este é um problema de todos, e que tem de ser equacionado por todos, por todas as forças vivas da região, onde se incluem os agentes políticos locais, independentemente das suas cores partidárias, juntas de freguesia, associações locais e até "os homens bons" da região, que concerteza estarão disponíveis para dar o seu contributo e a sua colaboração.
Quando das últimas eleições, o Presidente, afirmou querer fazer do seu último mandato, o melhor de todos os que já fez. Está portanto na hora, de recolocar este tema na ordem do dia, como está igualmente na hora, da oposição não se esquecer que existe, e ficar indiferente a um assunto de capital importância para o nosso concelho. Aqui fica o desafio …





