16 março 2011

QUE FUTURO PARA O PAÍS E PARA OS CIDADÃOS?!...

O Governo anunciou um novo PEC!... Os juros da dívida pública rondam os 8%!... Apesar dos desmentidos do Governo, o descontrolo das contas públicas parece ser um dado adquirido!... Para reequilibrar os “danos” orçamentais, o executivo recorre uma vez mais à receita de sempre –aumento de impostos e cortes nas funções sociais do Estado. Afinal de contas, qual é o caminho?!... Onde vamos nós parar, sabendo-se que o peso do esforço fiscal dos portugueses é já tão elevado, que uma tal politica além de agravar a miséria no país, irá provocar uma tremenda recessão económica, que o marcará negativamente por várias décadas?!...
É preciso parar para pensar!...
É preciso que todos os politicos assumam as suas responsabilidades!...
E é preciso que o Presidente da República, ganhe coragem, dê um murro na mesa e coloque as “tropas” na ordem. Os portugueses estão fartos e cansados de conversa fiada!... É impressionante. Salvo raras excepções, o tema é sempre o mesmo. Basta ligar o rádio ou a televisão... que já sabemos o que nos espera. 
Posto isto, repito o que já disse por várias vezes. Portugal é um país de generais "sentados"!... Um país que tem mais generais e almirantes por soldado, que quase todas as outras forças armadas modernas!... Um país, que “compra armamento por uma questão de orgulho”, sem se importar se é útil ou não!... Um país que não conta com o àmanhã!... Um país que esquece a juventude!... Um país que hipoteca o seu futuro!...
Exemplos?... Mais que muitos, a começar pelos dois submarinos e pelos trinta e seis caças de combate, adquiridos há relativamente pouco tempo e que têm de ser pagos, a  corrupção institucionalizada, que ao longo dos últimos quinze anos devassou o país, os estádios de futebol, alguns deles autênticos "elefantes brancos", o Banco Português de Negócios e o Banco Privado Portugês que colocaram o défice de pantanas e tantos outros, que pesaram e continuam a pesar no bolso dos contribuintes.
Mas há mais:Todos os anos, é desviado das verbas orçamentais do Estado, um montante equivalente a 10% do PIB, montante esse desbaratado em múltiplos órgãos da administração pública completamente parasitários, disfuncionais e sem qualquer sentido. Os Institutos Públicos, Comissões, Fundações, Gabinetes, Agências, Autoridades e Empresas Municipais, fazem parte do leque, e foram paulatinamente criados, ao longo dos últimos anos e paralelamente aos serviços existentes, numa total irracionalidade.
É preciso dizer, que os motivos para uma tão profunda alteração na gestão da administração pública, não tiveram como objectivo uma maior eficácia e racionalidade dos serviços - a defesa do bem público -, mas unicamente a satisfação dos interesses pessoais dos governantes e respectivas clientelas partidárias. Criar cargos para as ditas clientelas, e a promoção de todo o género de negócios com proveitos privados, tem sido a palavra de ordem.
Uma prova do parasitismo destes órgãos do Estado pode ser muito facilmente comprovada se perguntarmos o seguinte: Será que a Educação, a Saúde, a Segurança, a Justiça, a Agricultura ou as Pescas por exemplo, apresentam nestes últimos anos e desde que esses orgãos foram criados, melhorias que justifiquem os encargos 10% do PIB?!...
A continuarmos assim, há que dizer, que Portugal jamais sairá da situação miserável a que o conduziram!... Enquanto não forem “varridos” os cancros que o consomem, não há salvação possível. Enquanto não houver uma vassourada, continuaremos a ter PECs atrás de PECs, até à “derrota final”, o resto é conversa. E não venham cá com cantigas!... Há soluções… Em democracia há sempre soluções, e elas  passam obviamente pelo Presidente da República, e… pela sobreposição do óbvio interesse nacional, aos interesses das clientelas partidárias.

Mudando um pouco de agulha, queria ainda dizer o seguinte: Ao contrário de muita gente que por aí anda, não sou um europeiísta convicto!... E não sou, em primeiro lugar, porque a U.E. não existe para servir de escudo ou para dar algo a quem quer que seja; em segundo, porque sou apologista de um país soberano; em terceiro, porque entendo que tudo o que tem um princípio, tem um fim; e por último, não o sou, porque Portugal não é suficientemente competitivo, para ombrear com a maioria dos restantes membros da UE. E sendo assim, ou se organiza e se deixa de obras megalómanas, criando pelo contrário, estruturas para o seu desenvolvimento económico, por forma a se livrar a curto/médio prazo, da parasitagem que o domina e que suga os já parcos rendimentos dos trabalhadores, ou entrará em colapso. A propósito: Como se pode comprender por exemplo, um empreendimento como o TGV, quando as linhas ferroviárias do interior do país foram descartadas e quando as do sul, carecem de modernização?... Em que país vivemos?!...
Posto isto, resta perguntar se os portugueses terão coragem e força suficientes para a mudança…

09 março 2011

COMO COMBATER A DESERTIFICAÇÃO EM BARROSO?!...

Desta vez o meu comentário semanal, vai inteirinho para a nossa região -a parte barrosã do concelho de Montalegre. Os vídeos que o suportam, mostram-nos, num dado momento, os efeitos nefastos da DESERTIFICAÇÃO e as suas consequências, numa zona aqui bem perto – concelho de Valpaços - e no outro, a realidade que grassa no nosso concelho, e que não queremos ver agudizar-se.
Todos sabemos que o problema da desertificação, não é resolúvel apenas com a boa vontade dos agentes políticos locais e das respectivas populações. O problema é muito mais profundo. Para combater a desertificação, há necessidade de um forte investimento público, designadamente ao nível das vias de comunicação e das infra-estruturas, de modo a tornar a região mais atractiva para a permanência das populações. O que acontece porém, é que tais medidas tardam, e que, por via da crise e com a regionalização na gaveta sem se saber até quando, alguma coisa tem de ser feita, sob pena do poder central, continuar a esquecer uma região, que só serve para aquilo que muito bem entende…

Mas vamos a números: Segundo fonte do INE-Instituto Nacional de Estatística, a população do concelho de Montalegre , incluindo todas as faixas etárias, era em 1960 de 32.728 indivíduos, distribuídos por 11.626 dos 0 aos 14 anos; 19.066 dos 15 aos 64 e 2036 com mais de 65 anos.
Em 1970, a população do concelho desceu para os 22.925 indivíduos, em 1981 para os 19.403 e em 1991 para os 15.464.
Ainda segundo dados oficiais, a população neste último ano de 1991, apontava para 3.120 indivíduos com idades entre os 0 e os 14 anos; 9.165 dos 15 aos 64 anos e 3.179 com mais de 65 anos.
Segundo uma projecção mais recente –fornecida pela CMM- o número total de indivíduos, ronda os 11.793, dos quais 27,4% dizem respeito a idosos, com mais de 65 anos.
Significa isto, que nos últimos 50 anos, a população do concelho teve um decréscimo de 20.935 indivíduos e que nos últimos 20 anos, já após se ter atingido o auge dos fluxos migratórios, houve igualmente um decréscimo de cerca de 3671 indivíduos, segundo as projecções do INE e da própria Câmara Municipal.
Ora isto é simplesmente assustador!... Mas… colocada a situação, como então invertê-la ou no mínimo estagná-la?... Não tenho dúvidas, de que o actual executivo camarário, tem feito um bom trabalho à frente dos destinos do Município, talvez – em minha opinião - até o melhor da “era democrática”!... . Como diz o Presidente, conseguiu “colocar Montalegre no mapa” e o seu nome fica efectivamente ligado às grandes obras e ao desenvolvimento da economia local. Todavia há que dizer, que o concelho não é apenas a vila, e que há mais vida para além da sua sede.

Já no "longínquo" ano de 2008, realizou-se em Salto, um Colóquio subordinado ao tema da desertificação!... Nesse mesmo Colóquio, Fernando Rodrigues, enquanto Presidente da edilidade, não se inibiu de abordar o assunto. No seu discurso sobre o tema, o autarca anunciou a política que à data defendia. Segundo as suas palavras, a política a adoptar para combate à desertificação “ teria de passar por uma força de mudança que deve começar por todos: apostar na formação; promover acções públicas e privadas; apostar nos recursos endógenos; apoiar o desenvolvimento rural dando dinheiro para trabalhar invertendo assim, a política agricola comum; fazer infra-estruturas urbanas; ter serviços públicos que garantam igualdade e proximidade; defender o ambiente e ter um verdadeiro serviço social que combata a pobreza e a fuga à escolaridade obrigatória e que apoie a habitação». Estas palavras foram registadas, mas de então para cá, o que mudou afinal na esmagadora maioria das aldeias?!... Nada!… As aldeias, na sua esmagadora maioria, vão sobrevivendo à custa do investimento das gerações mais velhas de emigrantes. E quando este “filão” acabar, como vai ser?!... Vamos deixá-las morrer?!...
Como já disse, é evidente que este problema, não diz apenas respeito ao executivo camarário!... Este é um problema de todos, e que tem de ser equacionado por todos, por todas as forças vivas da região, onde se incluem os agentes políticos locais, independentemente das suas cores partidárias, juntas de freguesia, associações locais e até "os homens bons" da região, que concerteza estarão disponíveis para dar o seu contributo e a sua colaboração.
Quando das últimas eleições, o Presidente, afirmou querer fazer do seu último mandato, o melhor de todos os que já fez. Está portanto na hora, de recolocar este tema na ordem do dia, como está igualmente na hora, da oposição não se esquecer que existe, e ficar indiferente a um assunto de capital importância para o nosso concelho. Aqui fica o desafio …

02 março 2011

A BEM DA NAÇÃO!...

1.ª QUESTÃO

Aqui há umas semanas atrás, o Secretário-Geral do PSD, Dr. Miguel Relvas, designou os bónus e as remunerações dos Gestores Públicos, como “vencimentos pornográficos”. Tratando-se – penso eu – de uma pessoa de bem e tendo em conta, segundo a imprensa de hoje, que já se pensa “sacar” o 13.º mês aos funcionários públicos, a sua apreciação sobre tais remunerações, pareceu-me ajustadíssima à realidade do país, isto partindo do pressuposto – penso também eu -, que nenhum Gestor Público, deve auferir uma remuneração superior à do Presidente da República, enquanto Supremo Magistrado da Nação. Afinal de contas, todos são funcionários públicos, embora uns, com mais responsabilidades que outros.
Acontece porém, que na semana passada, o CDS, o PCP e o Bloco de Esquerda, apresentaram no Parlamento, propostas concretas para a redução de salários e mordomias desses mesmos Gestores Públicos, e perante tal facto o que aconteceu: O Bloco Central, formado pelo PS e pelo PSD, votaram simplesmente contra…
Ora face a tal situação, há duas ilações a tirar: a primeira, que o PSD, pela voz do seu Secretário-Geral, tem dois discursos!... Um para fora -para o “Zé” ouvir, e outro para dentro -que é o que prevalece.
Resulta de tudo isto, que nesta matéria, PS e PSD, são “farinha do mesmo saco”. E são farinha do mesmo saco, porque ambos recorreram aos mesmos argumentos , para justificar o seu voto!... “que não devemos ser miserabilistas, porque tais Gestores podem abandonar o país; que não devemos aplaudir discursos demagógicos, porque reduzir os salários desses Gestores não resolve os problemas do país; que o populismo é um perigo para a democracia; que os Partidos dos extremos são irresponsáveis e estão sempre a tentar ganhar votos com propostas populares”, enfim…, toda uma série de argumentos, que não lembram ao diabo. Agora digo eu: Mas alguém acredita, que lá fora, querem esta gente, a ganhar o que ganha e a fazerem o que fazem por cá?... Alguém acredita, que se “pirariam”?!... E para onde, se toda a gente sabe, que Portugal paga as mais altas remunerações da Europa aos Gestores Públicos?!... É evidente, que os custos relacionados com tais gastos, não resolvem o problema do país!... Mas não seriam valores bastantes, para acudir a situações de emergência, que se encontram desprovidas de verbas?!... Os argumentos do PS e do PSD nesta matéria, mostram apenas uma coisa: Os dois, estão vergados aos interesses particulares nas administrações das empresas públicas e à satisfação do respectivo clientelismo, que é muito.
O mais grave porém, é a cegueira de manter uma situação que se tornou insustentável, mais que não seja, pelos danos que tal conduta causa à democracia e à confiança numa classe politica que se pretende séria. À mulher de César não basta ser séria… e uma sociedade onde os intocáveis se governam como querem à conta dos dinheiros públicos, enquanto outros cidadãos sobrevivem como podem, é uma sociedade sem qualquer futuro…
Cá por mim, continuo a defender a mesma tese: O vencimento do Presidente da República, tem obrigatoriamente de estar no topo da pirâmide. A BEM DA NAÇÃO…

2.ª QUESTÃO
Não conhecesse como conheço, o Prof. Rui Sá Gomes, actual Director-Geral dos Serviços Prisionais, meu distinto mestre na Faculdade de Direito de Lisboa e com quem privei de perto, quando da sua passagem pela Secretaria de Estado da Administração Interna na última legislatura, não traria aqui à colação, o episódio ocorrido com um preso, no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, e que tanta “tinta” tem feito correr, lá para as bandas de S. Bento.
Que fique desde já a saber-se, que o Prof. Sá Gomes, é um distinto defensor dos direitos humanos e que a operação, não foi levada a cabo de ânimo leve. As imagens, foram transmitidas pelas diversas televisões, como se de um acontecimento nacional se tratasse e mostravam um preso semi-nú, a ser imobilizado com o disparo de uma Taser (arma eléctrica) dentro de uma cela, que o recluso se recusava a limpar. Uma cela onde comia e defecava, uma cela cujas paredes eram utilizadas para escrever frases provocatórias com as próprias fezes, enfim… uma cela na mais abjeta imundície, com risco para a sua própria saúde e para a demais população prisional.
Não tenho dúvidas, que as imagens são perturbadoras!... Mas como lidar com uma situação destas?!... Como lidar com uma situação, protagonizada por um alto cadastrado, que já percorreu diversas prisões do país, e cujos métodos utilizados, são apenas comparados aos dos membros do IRA?!... À boa maneira da Guarda Britânica?!...Ou será, que lá para os lados de S.Bento, haverá alguma varinha mágica, para substituir a Taser?!...
Costuma dizer-se na minha terra, que “vozes de burro não sobem aos céus”!... Isto para argumentar – com conhecimentos de causa -, que os meios utilizados foram os mais adequados e os menos penalizantes. Porém, é bom que se diga, que entre a Guarda e os delinquentes, manda o politicamente correcto, que se crucifiquem os primeiros e desculpem os segundos. Mas… só até a “sorte” lhes bater à porta, porque depois logo mudarão de ideias. Mas o que é estranho, é que perante factos destes, ainda falam em populismo… A BEM DA NAÇÃO…

3.ª QUESTÃO
As noticias sobre pessoas idosas, encontradas mortas na sua solidão e ao abandono, continuam a marcar a agenda dos noticiários. Quer isto dizer, que estamos na presença de um país que não é para “velhos”!... Mas pior que tudo, é que parece não ser, nem para velhos, nem para novos. Da geração mais envelhecida da Europa, que vive “sabe Deus como”, à geração “à rasca”, dos quinhentos euros que vive em casa dos pais; da geração da quarta classe, à geração das múltiplas licenciaturas sem trabalho; da geração da verdadeira música de intervenção de personagens como Zeca Afonso e Adriano, à geração “parva” dos Deolinda, que nunca se mobilizou para nada, a não ser para o comodismo cívico e politico; da geração até aos quarenta, que pouco ou nada se tem preocupado com a vida politica do país e é hoje profundamente flagelada pelo desemprego, pelo trabalho precário e pelas medidas anti-sociais do Governo, pede-se muito mais. No próximo dia 12 em Lisboa, juntar-se-ão pela primeira vez, os que tiveram expectativas, mas não as viram concretizadas; juntar-se-ão os que estudaram, os que conseguiram licenciaturas, mas não têm trabalho; juntar-se-ão os que querem assumir a sua própria vida e não têm condições para o efeito; juntar-ser-ão os que olham para o seu futuro já hipotecado e se questionam sobre o que será a sua vida; juntar-se-ão os que estando “à rasca”, não sendo eles rascas, e vêm gente que o sendo, sobrevive à grande e à francesa. Posto isto se pede:Pela primeira vez nas vossas vidas, não permitam a usurpação dos vossos direitos!... Berrem, critiquem, participem, exerçam o vosso direito de cidadania e façam-no por todas as gerações. Pelo “velhos” desamparados, pelos “novos”, pelos excluídos e por aqueles que não tendo “padrinhos” nem canudos, estão condenados a viver “à rasca”. Só assim conseguiremos um país melhor… A BEM DA NAÇÃO…

24 fevereiro 2011

A VERDADE SOBRE AS CAUSAS DE UMA CRISE, SEM FIM À VISTA…

Todos sem excepção!... Políticos, politólogos, economistas e toda a espécie de “comentaristas do sistema”, não se cansam de repetir a toda a hora e a todo o momento, nos meios de comunicação social ao seu dispôr, que os cidadãos portugueses estão a viver “acima das suas possibilidades”.
Vivendo esta gente, confortavelmente do “sistema” e para o “sistema”, tentam assim, com os poderosos meios de que dispõem, disseminar a sua “ideologia” para dessa forma perpetuarem os privilégios que ao longo das últimas décadas souberam acumular.
É preciso dizer basta!... É preciso dizer que toda esta conversa, não passa de uma falácia, de uma mentira, e que tem como único objectivo – em parte já conseguido - fazer aceitar passivamente as medidas de austeridade que ultimamente têm recaído sobre quem trabalha e preparar a plebe para outras que estão já na forja.
Será que estes mentirosos-profissionais, ignoram que 2 milhões de portugueses vivem abaixo do nível de pobreza?!... Que milhão e meio de cidadãos vivem com pensões inferiores a 330 euros (Cf. http://resistir.info/e_rosa/pensoes_2008_09.html)?!... Que mais de 660 mil portugueses estão desempregados?!... Que mais de 1,4 milhões de trabalhadores recebem um salário inferior a 600 euros (Cf. http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1688898), ou que a média salarial dos 3,8 milhões de trabalhadores por conta de outrem não chega aos 780 euros mensais (Cf. http://www.fnsfp.pt/pdf/ER06012011.pdf)?!... Eles não ignoram, eles sabem, mas... porque não lhes interessa,  fazem-se esquecidos. E fazem-se esquecidos, porque a esta gente, pouco importa a situação económica de 85% dos cidadãos portugueses, pouco importa a recessão que já grassa no país, o desemprego dos jovens, a precariedade do emprego, a situação dos pequenos e médios empresários, e até o futuro já hipotecado dos nossos filhos, a quem caberá pagar a factura de grande parte dos desmandos desta politica.

Mas vamos a factos: Em 1999, a dívida pública do Estado, não ultrapassava os 51,4% do PIB - abaixo portanto dos 60% recomendados pela UE - e a dívida externa líquida não ía além dos 33,1% do PIB. Ora sendo assim, o que mudou então tão radicalmente na economia portuguesa, para que tais dívidas tivessem um incremento tão abrupto, crescendo a dívida pública e a dívida externa líquida, para valores incomportáveis, superiores a 115% e 130% respectivamente, e que condicionam, por imposições externas (UE), toda a nossa vida social e económica?!...
Será que nestes dez últimos anos, a população portuguesa usufruiu de toda esta riqueza numa tal proporção?!...
Será que os salários ou as pensões dos trabalhadores duplicaram?!...
Será que as benfeitorias do Estado duplicaram?!...
Será que o chamado “estado social” duplicou os seus apoios sociais numa tal proporção?!...
Toda a gente sabe que não!... Toda a gente sabe, que os aumentos salariais e os apoios sociais foram superiores na década de 80 e 90, sem que tenha havido semelhante descontrolo financeiro. Ora sendo assim, a que se deve então, o estado deplorável das contas públicas?... Não terá tudo isto a ver com os lucros exorbitantes da banca e das empresas monopolistas nacionais, com o número de órgãos parasitários do Estado, com os vencimentos principescos de determinados gestores públicos, com a corrupção institucional, com a corrupção e os buracos no sector bancário, com o despesismo incontrolado, com contratos megalómanos de conveniência politica, com o dinheiro do erário público oferecido às instituições financeiras, agora pomposamente designadas por mercados?!...
Na verdade, mantendo-se o nível salarial e os apoios sociais praticamente constantes nesta última década, existindo um aumento crescente da riqueza nacional - em 1999 o PIB era de 144.193 milhões de euros e em 2010 de 170.000 milhões de euros -, permanecendo estável o número de habitantes e não existindo portanto diferenças significativas nas condições sociais dos cidadãos, entre o início e o fim da década, que outras obscuras razões existirão então, que não estas, que obrigam a nossa elite dominante a apregoar, só agora e com tanta insistência, “que vivemos acima das nossas possibilidades”?!...
É preciso dizer a esta gente, que o capitalismo produtivo e o mundo laboral, se encontram completamente à margem desta crise!... Sem margem para quaisquer dúvidas... É preciso dizer a esta gente, que não nos tomem por “toscos” e que os grandes responsáveis pela chamada crise, foram e continuam a ser os mesmos de sempre, a que se junta agora, a especulação financeira, as instituições financeiras e o capital financeiro.
A especulação financeira cada vez mais imaginativa, e movimentando cada vez maiores quantidades de dinheiro, fruto dos elevados rendimentos oferecidos, numa espiral de ganância incontrolável, com múltiplos e cada vez mais sofisticados produtos financeiros, ergueu uma fantástica e monstruosa pirâmide que não quer perder. Enquanto perdurou, acumulou ganâncias enormes que se alojaram em paraísos fiscais, quando entrou em decadência, provocou enormes perdas nas instituições financeiras, que os vários governos se vêm agora “obrigados” a cobrir... através da imposição de novos e mais gravosos impostos, cortes sociais e redução de salários.
Portanto meus amigos: Não se trata de “vivermos acima das nossas possibilidades”, trata-se isso sim, de aceitarmos ou não, a mais profunda e abrupta alteração de rendimentos entre a maioria, e uma minoria que mantém intactos os seus previlégios, entre uma elite dominante e uma maioria constituída não apenas de trabalhadores mas igualmente de empresários - o capitalismo financeiro actual ataca não somente os trabalhadores mas também os pequenos e médios empresários - trata-se de um agravamento abrupto das desigualdades sociais, trata-se enfim… de aceitarmos ou não, o suicídio económico e social de um país e consequentemente até a sua própria soberania.

17 fevereiro 2011

ESQUECIMENTO!...

Conheço muitas pessoas que carregam a dor da tragédia, a perda de um amado ou a falta de um amigo embrulhados em papel de esquecimento, duro, rugoso, o suficiente para esconder o conteúdo durante o tempo que lhes resta na incessante procura de futuras, mas fugidias, belas memórias. Uma forma de “esquecer”, que a mente humana sabe utilizar, relegando as más memórias para lugares onde não possam causar muitos danos, uma bênção. Abençoado esquecimento, fingido, mas, mesmo assim, duplamente abençoado. Que seria de nós se não fossemos capazes de esconder o sofrimento fechando-o a sete-chaves nas gavetas da memória?!... Enlouquecíamos!...
É pena que esta capacidade em não recordar se estenda a outras situações. Nos últimos tempos têm sido relatados casos de pessoas idosas que morreram esquecidas, que não é mais do que a expressão de uma faceta cruel da forma de ser e de estar de muitos humanos. Muitos esquecem-se dos mais idosos, outros esquecem-se, rapidamente, de quem lhes deu a mão em momentos cruciais, há quem se esqueça do seu passado, substituindo-o por algo grandiloquente e falsamente aristocrático, há os que nunca se lembram dos feitos dos seus, há também os que se entretêm a apagar o passado dos outros, recriando-o a seu belo e despudorado prazer e há os que gozam em apagar a memória do futuro, roubando-a ou afogando-a, por antecipação, no esquecimento. São muitos os ladrões e os tipos de roubos da memória. E há os que, infelizmente, se esquecem de si próprios, porque a natureza assim o determinou ou a sua dedicação a outrem o exigiu.
Não vejo razão para tanta admiração com os “mortos do esquecimento”. A construção da sociedade é feita nessa base, no esquecimento. Esquecer sempre. Se olharmos em redor, vemos preocupantes sinais de esquecimento, caso de muitas pessoas, entre os quais jovens, esquecidos e humilhados por uma sociedade sem memória. Estão à espera de que um dia cultivarão a memória?!... Para quê?!...
Prezo muito a memória, apesar de começar a detectar alguns buracos por onde tendem a escapar belas recordações. Tento retê-las, vivê-las, reformulá-las e até inventá-las. Há memórias que inventamos, porque é a única forma de viver certos momentos dos quais não temos outra forma de os recordar. Vivemos muitos acontecimentos ao longo da vida, mas muitos só adquirem significado no presente, e outros ainda têm de esperar pelo futuro, para que consigamos vê-los com olhos de ver. As memórias não são estáticas, vivem e modificam-se com o tempo. Quando abordo algumas das minhas memórias, confesso que não são descrições rigorosas dos factos que vivi na altura com os sentidos do corpo ou a paixão da alma, nem podiam ser, são descritos com a nostalgia e a saudade do presente, uma forma meio impressionista de pintar os quadros da memória e de memória. O que eu pretendo é despertar sentimentos e transmitir alguma beleza, aproveitando o esquecimento ao substituir o que falta e a transformar o que ainda resta numa criação da alma.
Até os meus mortos, que não esqueço, se apresentam hoje com aspectos diferentes, moldados pelo tempo, pelas vivências e por um belo esquecimento, esquecimento que alivia a dor armazenada na memória, mas que ajuda a saborear o prazer de um momento, momento esse que espera transformar-se um dia em memória e em esquecimento...

11 fevereiro 2011

MOÇÃO DE CENSURA DO BLOCO, É PARA "INGLÊS" VER...

Não tenhamos ilusões!... A moção de censura que o B.E., diz ir apresentar na Assembleia da República em 10 de Março próximo, é chover no molhado. Em primeiro lugar, porque ninguém quer ficar vinculado, a uma censura ao Governo, vinda donde vem!... Em segundo, porque ao  PSD, não convém para já, uma queda prematura desse mesmo Governo. Aliás, não é por acaso, que Pedro Passos Coelho veio já a terreiro, para refrear alguns ânimos já muito exaltados...
Portanto e ao contrário do que muita gente poderá pensar, como fruta na árvore, o PSD aguarda que ela amadureça a seu gosto. Este PSD espera muito ainda de Sócrates e do seu Governo.
Quando Portugal se encontra numa profunda crise orçamental, financeira, económica e social, e se avizinha, previsivelmente em meados de Março, o seu resgate, com a intervenção do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), com novas imposições de políticas anti-sociais mais gravosas, como por exemplo o aumento da idade da reforma, entende o PSD não ter nada a ganhar com o derrube do Governo neste momento. Aguarda, por um lado, que o ónus das medidas restritivas e de agravamento das condições sociais da generalidade da população recaiam sobre Sócrates, e por outro, que o governo acelere a implantação de todas as medidas políticas neoliberais que ainda tem em carteira.
O PSD, espera assim, que Sócrates execute tão amplamente quanto possível o ideário anti-social que aí vem, e só quando não tiver mais para oferecer, só quando se encontrar esgotado o seu programa daquilo a que um dia chamou de esquerda moderna, depois do fruto maduro e antes que caia podre da árvore, se apresentará Passos Coelho a tomar o poder.
Significa tudo isto, que a moção do Bloco de Esquerda, mais não significará, que um longo e penoso calvário que Sócrates ainda terá de percorrer.
E já agora, diga-se em abono da verdade, que para Cavaco Silva, conquistado o seu objectivo primeiro - a reeleição - pouco importa o momento da entrada do PSD no Governo. Para o Presidente da República, Sócrates e Passos Coelho, de "quem tanto gosta" são ambos face de uma mesma moeda, de uma má moeda - como um dia lhe chamou -, que a contra gosto, terá que suportar.