23 maio 2011

A AJUDA EXTERNA E AS ELEIÇÕES DE 05 DE JUNHO!...

Quando qualquer cidadão que merece a confiança da banca e fruto desse estatuto contrai um qualquer empréstimo, a única imposição que lhe é feita, é que mensalmente e dentro dos prazos previamente estipulados e aceites pelas partes, seja saneada a respectiva dívida. O banco credor, não faz constar do respectivo contrato, o que o seu cliente deve comer ou beber, onde passa ou não passa férias, o que faz ou deve fazer, interessando-lhe isso sim, que cumpra com as suas obrigações contratuais.
Transportando isto para o país, aquilo que seria desejável, é que, quer o FMI, quer a UE, tivessem uma postura semelhante, relativamente ao pedido de resgate do governo de Portugal, cabendo a este, executar as politicas que melhor servissem a nação e os respectivos cidadãos, tendo em vista o saneamento do dito empréstimo, nos prazos previamente estipulados pelas partes.
Para mal dos nossos pecados, todos sabemos que não foi assim. Sabemos também, que quem impôs as regras – e que regras – foram as supraditas entidades, credoras que são do aval às suas exigências, dos Partidos da troika, PS, PSD e CDS/PP. Face a estes factos, e quando estamos perante dois elementos de escolha entre um grande bloco formado pelos ditos Partidos da troika e por um segundo grupo, que engloba os chamados Partidos do “protesto”, para quê então a realização de eleições, consumindo milhões aos contribuintes, sabendo-se que as politicas que qualquer deles venha a adoptar, são as impostas pelos credores?!... Já agora: Porque não negociaram também um “Governo troikiano”, poupando os portugueses às questiúnculas a que diariamente assistimos, de se saber quem governa com quem, quando todos sabemos, que o que efectivamente está em causa, é saber quem será o executor das politicas que foram impostas do exterior?!...
Perante estes factos, que são incontestáveis, o que está aqui verdadeiramente em causa, é saber se as eleições de 5 de Junho são efectivamente eleições no verdadeiro sentido do termo e que deveriam permitir aos respectivos vencedores a execução de um qualquer programa de governo, ou se estamos perante um “referendo”, que permita validar o “contratualizado”, perguntando-se aos portugueses, se optam pelas politicas definidas pela troika e aceites pelos partidos troikistas, ou por uma alternativa que vá contra as suas imposições.
Para já, uma coisa temos como certa: Independentemente dos resultados eleitorais, Portugal será um país vigiado por regentes, que de três em três, ou de quatro em quatro meses, irão verificar se a lei tal foi aprovada, se tal objectivo foi alcançado, e se a execução orçamental segue ou não, as regras previamente definidas. A isto, chama-se a falência dos ideais políticos, do nosso sistema politico e do espírito democrático do 25 de Abril.
Ora vejamos: Os líderes dos partidos da troika, aceitaram as imposições vindas de Bruxelas e do FMI sem qualquer oposição, tendo até a ousadia de as elogiar. Alguns, até se deram ao luxo de dizerem que eram “curtas” e ser necessário ir mais longe. Mas vamos ao que interessa: Este pacote é igual a tantos outros que o FMI vem impondo aos países em dificuldades, por esse mundo fora. A receita é sempre igual – privatizações das empresas estatais rentáveis, com a criação de novas áreas de negócio ao privado; embaratecimento do trabalho, através do aumento do desemprego e de uma nova reformulação das leis laborais, facilitando o despedimento e aumentando o horário de trabalho; cortes sociais e aumento de impostos sobre o trabalho, com vincada redução dos apoios sociais às famílias, ao desemprego e aos idosos e redução das funções sociais do Estado, convertendo-o em estado mínimo, atribuindo ao sector privado as áreas da Saúde e Educação. Numa palavra, todo o cardápio neoliberal conhecido. Os resultados também são conhecidos – aumento acelerado das desigualdades sociais; piores condições de vida das populações; aumento da pobreza; menor crescimento económico.
Para quem diz querer ajudar, é difícil compreender que Bruxelas avance com um programa de resgate, em tudo idêntico aos já testados e falidos programas da Grécia e Irlanda, conhecendo de antemão os maus resultados económicos que daí resultaram. Na verdade, não deveria ser do interesse da UE o enfraquecimento económico de qualquer país da união. Ao contrário, deveria consistir num seu objectivo estratégico, o fortalecimento económico de um qualquer país por mais periférico que fosse, porque tal contribuiria para o fortalecimento conjunto da UE. Não é contudo o que acontece. E não o será, porque a UE sofre de uma contradição que muito provavelmente ditará o seu enfraquecimento e mesmo o seu desmoronamento num futuro próximo. As medidas neoliberais impostas por Bruxelas tornam-se incompatíveis com o desenvolvimento económico dos países economicamente mais fracos, gerando assim cada vez maiores desigualdades entre os países da comunidade, mal-estar social e provocando um descrédito da UE entre os seus cidadãos. A convergência social e económica entre os países da união, propagandeada pelas elites governamentais europeias, não passa de um mito, de uma falácia. As políticas neoliberais de Bruxelas longe de atenuarem as desigualdades económicas e sociais entre os países, acentuaram antes as suas diferenças, provocando que os países mais ricos da união se tornassem mais ricos e os países mais pobres se tornassem mais pobres .
Não existe solidariedade europeia nem qualquer objectivo comum de convergência social. Ao que se assiste, é ao recrudescimento dos interesses individuais de cada país. As condições impostas nos resgates demonstram-no bem. Prazos curtos e juros insuportáveis (como diz Bagão Félix), chegando-se mesmo ao inconcebível de ser a UE a impor juros mais altos que o próprio FMI.
Um juro que ultrapassa os 5% e prazos tão curtos, tornam inviável o cumprimento das obrigações do resgate dadas as debilidades económicas e financeiras em que o país se encontra.
Por tudo isto, não estejam os portugueses preocupados com os próximos resultados eleitorais. Os portugueses têm a garantia, de que o “SIM” ao REFERENDO prevalecerá e aconteça o que acontecer, o próximo Governo terá igualmente a garantia de protectorado, definido pela condições impostas para o resgate. A previsão do futuro, ficará para a próxima semana...

17 maio 2011

"HÁ HOMENS QUE NUNCA DEVERIAM MORRER"!...

A pré-campanha eleitoral está à beira do fim, e aquilo que se constata e que dá para ver, é que não há hoje na vida pública nacional aspecto que não esteja a coberto da mentira - e das suas variantes - omissões, desvios, subterfúgios, nuances, dissimulações, simulações, etc. etc. Na prática, andam todos a simular falsas realidades uns com os outros, andam todos a jogar às escondidas uns com os outros, andam todos a trair-se, traindo o próprio país, e pior que isso, andam todos a trair o pobre do povo, que quer queira quer não, tem de suportar as agruras desconcertantes desta “peregrinação”, a caminho do desejado poder.
Resulta de tudo isto, que por cada dia que passa, tenho a sensação de que vivo em dois países distintos!...
De um lado o país mediático, no qual e acima de todas as coisas, convive a política e a comunicação social, em especial as televisões.
Governantes e políticos, lutam uns contra os outros, debaixo dos holofotes, estudam ao pormenor os melhores horários para exibirem os seus dotes e as suas armas da demagogia, da mentira, da desresponsabilização, e vestindo pele de cordeiro, ao serviço da desorientação e da confusão, vão dando um espectáculo deprimente e medíocre. Objectivo: A luta desenfreada pelo tal poder, não se olhando a meios, para atingir os fins.

Do outro lado, o país de carne e osso, feito de pessoas boas e decentes, que esperam ou desesperam por gente capaz, gente de confiança, gente que possa tomar conta dos seus destinos e em quem possa depositar esperança. Todos sabemos, que o país tem vindo a galopar de mal a pior, e os tempos que se seguem - nos quais não acredito -, são na melhor das hipóteses, um grande ponto de interrogação. Só que, em lugar de vermos esclarecer o futuro, para além da Troika, que já não é pouco, assistimos a comportamentos que não se coadunam com a sobriedade, a serenidade e a credibilidade que a situação exige.
Este divórcio entre ambos os países, é um sinal evidente de falta de coesão, de humildade, de cultura democrática, é enfim… um sinal de que estamos mal preparados para enfrentar os problemas, que são muitos e grandes. Numa sociedade democrática, a luta política é saudável e o debate de ideias é fundamental, mas o clima político a que se chegou, ou melhor, a que certos politicos o fizeram chegar, é simplesmente insuportável. Estamos sem sombra de qualquer dúvida, perante uma total falta de respeito pelos cidadãos que estão a pagar a bancarrota em que o país se enterrou e uma total desconsideração por todos aqueles que trabalham de forma séria e empenhada.
No meio de todo este imbróglio, acabo sempre a meditar e a pensar, na falta que determinadas personalidades, que deram a vida pela liberdade, fazem à nossa democracia. Nunca em trinta e sete anos desta terceira república, assistimos a espectáculos tão deprimentes. Tão deprimentes, que se chega ao ponto dos interesses pessoais ou de grupo, se sobreporem aos mais elementares interesses do país e do seu povo.
Em boa verdade, há homens que nunca deveriam morrer. Como tal não é possível, vamos continuar a pagar a factura…

10 maio 2011

AS CONSEQUÊNCIAS PARA PORTUGAL, DE UMA EUROPA EM CRISE!...

A União Europeia celebrou ontem dia 9 de Maio, o seu 61.º aniversário. Ao contrário do que seria de esperar, o Dia da Europa, não foi festejado com alegria!... Em todos os seus actuais 27 Estados-membros ocorreram manifestações de desagrado.
Temos assim, que 61 anos volvidos, chega-se à conclusão que ainda há muito trabalho pela frente. Os partidos de extrema-direita e as franjas dos eurocépticos têm crescido como cogumelos em vários países europeus, num terreno fértil de crise económica com a qual a Europa não tem sabido lidar.
A decadência de valores, as fracas lideranças, quer nos países europeus quer nas instituições europeias, as coligações governamentais de conveniência e a falta de solidariedade ficaram a nu com a crise económica que já derrubou a Grécia, a Irlanda e agora Portugal.
No nosso caso concreto, dizem-nos os economistas do “sistema”, políticos e demais opinadores que aparecem nas televisões todos os dias e a todas as horas, que as medidas da Troika agora impostas ao país se tornam indispensáveis para recuperar a “economia” e que tais medidas pecam por tardias. Por outras palavras, dizem-nos, tão ilustres e sabedoras cabeças, que para melhorar a “economia” será preciso sacrificar a vida das pessoas, da maioria da população, dos idosos pensionistas, dos desempregados, dos trabalhadores por conta de outrem, dos pequenos agricultores, dos pequenos comerciantes e pequenos industriais. Tudo somado, a grande maioria da população, sem qualquer dúvida, vê agravadas as suas dificuldades económicas de sobrevivência, dado o forte aumento de impostos, os cortes generalizados nos apoios sociais, a congelação de salários e pensões até 2013. A bem da melhoria da “economia” que segundo afirmam, se encontrará então ”recuperada”.
Numa palavra, para salvar ou melhorar a “economia” de que esta gente fala, será preciso sacrificar economicamente as pessoas. Deduz-se então que a melhoria desta “economia” que nos falam e que apregoam como boa, acarreta piores condições económicas e de vida das populações. Verifica-se assim mais do que uma contradição, um antagonismo, entre estes dois conceitos – a melhoria desta “economia” e a melhoria das condições de vida dos cidadãos. São portanto dois objectivos mais do que contraditórios dois objectivos antagónicos.
Esta “economia” é portanto contrária ao bem-estar das pessoas e viverá tanto melhor quanto mais sacrifícios imponha à vida das pessoas. Chegaremos a 2013 por um lado com a “economia” melhorada e por outro lado com uma pobreza maior e com as pessoas a viverem com mais baixos rendimentos.
E toda esta gente que vem exaltando esta “economia”, atreve-se mesmo a dizer que os portugueses têm vivido “acima das suas possibilidades” o que, a seu ver, tem prejudicado a dita “economia”. Com grande cinismo na tentativa de responsabilizar as pessoas por tentarem viver uma vida mais desafogada, mais digna e de acordo com todas os bens técnicos e culturais que a natural evolução histórica civilizacional colocou ao seu dispor. Para eles, as pessoas deveriam viver mal para que a “economia” estivesse bem.
A “economia” que apregoam é a economia do domínio do capital financeiro que hoje se tornou dominante e favorece, aumentando os rendimentos a cada dia que passa em cada país do mundo ocidental, as minorias, uma elite detentora das oligarquias financeiras, das grandes empresas, dos seus gestores e políticos. É uma “economia” imposta pela Alemanha, França, Reino Unido, pela UE e seus fiéis comissários e pelo FMI. É uma “economia” contrária aos naturais desejos de uma vida melhor para as pessoas, que aumenta as desigualdades e, ao contrário do que dizem, não favorece o crescimento económico.

04 maio 2011

QUE PAÍS TÃO ESTRANHO!...

"Coitado do Coelho"
Ontem, dirigindo-se ao País, o Primeiro-Ministro José Sócrates comunicou o que não está no acordo que será assinado com o FMI/CE/BCE e que garantirá um financiamento de EUR 78 mil milhões durante os próximos 3 anos à economia portuguesa.
E o que é que não constará desse acordo?... Basicamente, todas as “maldades” que, nos últimos dias, têm surgido na comunicação social de forma cirúrgica, colocadas sabe-se lá por quem, para incutir receio quanto ao que aí poderia vir…
• Novos cortes salariais;
• Não pagamento do subsídio de férias e/ou do subsídio de Natal;
• Pagamento de parte ou da totalidade destes subsídios em títulos do Tesouro;
• Despedimentos na função pública
• Cortes nas pensões acima de EUR 600 por mês;
• Corte do salário mínimo;
• Revisão constitucional.
Soubemos ontem que nada disto acontecerá, o que significa portanto, face a tudo o que tinha sido comentado, que estas, pareceram… boas notícias!...
Já quanto ao que constará do acordo, teremos que esperar…
E teremos que esperar, porque para além de termos sabido que
• se manterão os cortes nas pensões de reforma acima de EUR 1500 mensais em moldes equivalentes ao que já sucedeu para os salários das função pública (como já se previa no chamado “PEC 4”; e porque
• os objectivos orçamentais são agora menos exigentes e terão um prazo mais alargado de cumprimento (5.9% de défice público face ao PIB em 2011, 4.5% em 2012 e 3% em 2013, contra os anteriores 4.6% em 2011 e 3% em 2012).
Em boa verdade, o número político preparado ontem por José Sócrates correu-lhe, pois, de feição – porque, com mestria e originalidade anunciou… o que não constará do acordo, o que me parece não ser sério nem próprio de quem conduz os destinos de um País. Quem ontem o ouvisse, podia perfeitamente concluir que a austeridade tinha acabado e que tudo está bem. Mas como pode tudo estar bem, quando Portugal precisou de pedir auxílio externo para se financiar nos próximos 3 anos em quase metade da riqueza nacional para fugir à bancarrota?!...
Por vezes interrogo-me se o problema não está naqueles que estranham o dia-a-dia deste País. Se calhar tudo se pauta por uma imaculada racionalidade e são alguns de nós quem não enxerga bem...
Ingenuamente, convenci-me que tudo quanto envolvia o PEC, se esgotaria no preciso momento em que as negociações com a chamada troika fossem fechadas e se passasse à fase compromissória, sabendo-se, como se sabe, que independentemente da forma, Governo, PSD e CDS têm de garantir a quem nos empresta, que as condições do empréstimo serão respeitadas seja quem for que venha a vencer as eleições de 5 de Junho.
Correspondendo aliás, ao apelo do PR e dos antigos Chefes do Estado bem explícito nas comemorações do 25 de Abril, pensava que a mensagem dos Partidos à beira da assinatura do acordo, passaria a ser outra: consenso necessário para a salvação das finanças públicas (e já, agora, para prevenir gripes no sector financeiro fora do círculo estadual, com grande potencial de contágio...); consenso quanto ao modo como vamos aproveitar estas condições para promover o crescimento económico, antes que se esvazie, de novo, mais esta garrafa de oxigénio, mas não...
O que ontem ouvi foi, estranhamente - ou não! - o contrário disto. Nas TVs desfilaram, de um lado e do outro, dirigentes com uma só preocupação: o de transmitirem que o mérito pelos resultados (áquela hora ainda parcialmente desconhecidos) é deles e não dos adversários!... E nem uma palavra no sentido de unir os portugueses no essencial, na necessidade de encontrar denominadores comuns indispensáveis às reformas que se dirijam às estruturas política, económica e social do País.
Alguns, ligados às máquinas dos Partidos (não no sentido vital...), mas muito conscientes da situação, vão-nos dizendo que depois das eleições virá a mensagem; virá o apelo que agora falta para os indispensáveis consensos, porque a campanha eleitoral é o momento para o ajuste de contas, para cavar as diferenças de modo a que os eleitores percebam que caminhos distintos se propõem percorrer os Partidos se chamados ao poder.
Não!... Assim não vamos lá… Ou esta gente muda de politicas e de comportamentos, ou estaremos perante um “mais do mesmo”. Oxalá as diferenças não estejam a ser cavadas tão fundas, que venhamos mais tarde a concluir tristemente, que quem as cava afinal, demonstra vocação só para essa actividade...

26 abril 2011

PORTUGAL ESTÁ A SAQUE!...

Andam por aí políticos, que não se cansam de dizer, que é preciso falar verdade aos portugueses. Mas que verdade?!... A verdade deles?!... A verdade do politicamente correcto?!... Então os portugueses são tão ignorantes, que não conhecem a verdade?!... Não sabem os portugueses, que o saque ao país – ou do país se assim o entenderem – se iniciou em 1985 e atingiu agora o seu auge?!...Não sabem os portugueses, que tal saque, teve e tem, como principais protagonistas, governantes, politicos, bancos, banqueiros e toda a casta de agiotas e corruptos, que o levaram à miséria?!... Então os portugueses não sabem que foi esta gente quem abriu falência dos sectores primário e secundário a troco da subsidio-dependência?!... Não sabem os portugueses, da publicidade da banca e dos banqueiros, oferecendo dinheiro a “rodos” a qualquer “bicho careta”, que agora tem de ser pago pelos mesmos de sempre, face à caloteirice e consequente descapitalização dessa mesma banca?!... Não sabem os portugueses, que o crédito mal-parado, que atinge milhares de milhões de euros é fruto dessa publicidade sem limites?!... E não sabem também os portugueses, dos grandes focos de corrupção que se instalaram no país, das parcerias público-privados, da multiplicação dos institutos públicos e das fundações, dos escândalos do BPN e do BPP e dos crimes de colarinho branco que abundam por esse país fora e para os quais a justiça nunca encontrou respostas?!... Então querem melhor verdade que esta?!... Querem fazer dos portugueses estúpidos ou ignorantes e branquear o que não é branqueável?!...
Não nos iludamos!... Quando oiço dizer, que dos oitenta mil milhões que aí vêm do FMI, dezoito mil milhões vão direitinhos para recapitalização da banca , está tudo dito. Os pobres vão ficar mais pobres, e os ricos cada vez mais ricos.
Não se pense, que isto vai ser como em 1983, quando dispúnhamos da nossa soberania, quando podíamos emitir moeda, proceder à sua desvalorização e com mais ajuste ou menos ajuste dar a volta ao texto...
Hoje a situação é muito diferente!...Vejamos só isto: Como forma de combater as influências da Europa de Leste, o capitalismo produtivo dominante até à primeira metade dos anos 80 do século passado, possuía uma determinada ética, tinha os seus valores, baseados na equidade, na justiça ou boa fé das relações económicas. Possuía um carácter social, promovia a educação pública como factor de desenvolvimento, a saúde e a segurança social como factores de coesão social e direitos do homem e do cidadão. Detinha preocupações sociais, não apenas para os menos favorecidos, mas para todos, porque encarava a sociedade como um todo social.
Hoje, que já não existe “o tal perigo” dessas mesmas influências, caíu a ética das relações económicas, caíram os direitos dos cidadãos para nascerem os direitos dos consumidores. O homem passou a ser considerado não como ser social, mas tão só, como elemento de mercado. Esvazia-se o conteúdo social da cidadania e substitui-se por um conteúdo de gestão técnica do mercado, dominado pelas grandes potências.

Atentemos no que se passa actualmente: Segundo o Banco Internacional de Compensações (em inglês BIS, Bank for International Settlements), a banca internacional possui créditos de Portugal, Grécia e Irlanda num valor total de 990 mil milhões de euros até ao terceiro trimestre de 2010, o equivalente a mais de 5,8 vezes o PIB português. Desses 990 mil milhões, 194 dizem respeito à Grécia, 571 à Irlanda e 225 a Portugal.
Pelo valor dos créditos, 990 mil milhões de euros em apenas três países, podemos imaginar a força colossal que possui hoje o capital financeiro que livremente, sem barreiras ou regulação alguma, circula em todo o mundo à velocidade da luz, especulando e procurando em toda a parte e a todo o instante as ocasiões mais favoráveis à sua insaciável ganância.
Falando por nós, que resposta poderá dar Portugal, na presença de uma situação destas?!... Zero!... A razão é simples: Ausência de soberania. O que traduzido, quer dizer, que o capital financeiro não responde e está-se completamente a “borrifar” para quaisquer limitações impostas pelas políticas nacionais, antes e ao contrário, são as políticas nacionais que perderam autonomia e a capacidade de intervir face a tal conjuntura. Foi isto, que levou a que a política da Europa se uniformizasse e os partidos europeus da área do poder, se vissem obrigados a seguir o que Bruxelas e a senhora Merkel ditavam. Hoje, a ausência de soberania é tão acentuada, que para os “donos da Europa”, pouco lhes interessa que os governos nacionais tenham uma matriz de esquerda ou de direita. O que lhes interessa isso sim, é uma política europeia de sentido único – o neoliberalismo, pouco importando que a sua aplicação venha de socialistas, liberais, conservadores de direita ou de quem quer que seja.
Ainda que os amantes do poder o neguem, esta é a cartilha que nos espera depois das eleições de Junho próximo!... Uma cartilha que vai ser bem dura de roer e que irá ser geradora de mais recessão, mais desemprego, mais fome e mais miséria. Não há volta a dar: Ou há coragem e se muda de politicas, ou à semelhança da Grécia e da Irlanda, ficaremos ainda piores a muito curto prazo. Não tenhamos dúvidas: As próximas vitimas, estão na forja e seguidamente será o colapso.
Para evitar males maiores, está na hora isso sim, de os portugueses mostrarem um cartão vermelho a todos quantos contribuíram para a ruína do país e pensar seriamente na saída do euro. Não é fácil, mas não há outro remédio. Naturalmente com a mesma paridade com que entrou -1 euro por 200,482 escudos.
Desvalorizar o escudo - o que traduz uma efectiva redução da dívida pública -, integrar o Instituto de Gestão do Crédito Público no Banco de Portugal, entidade emissora de moeda e dívida, reformar a administração pública, combater a corrupção, as politicas de favorecimento, as parcerias, os “apoios” a fundações e institutos públicos, extinguir empresas municipais sem qualquer cabimento, promover a reforma do actual quadro administrativo, promover a regionalização e proceder ao desenvolvimento dos vários sectores da economia, representará o inicio de uma nova “era”. Não à volta a dar…

13 abril 2011

NEM OS MÉDICOS NOS "SAFAM"...

Portugal está doente e o Dr. Fernando Nobre, é mais um virús a atacar a debilidade em que o país se encontra.
Ontem”, Fernando Nobre, era o cabeça de lista do PSD por Lisboa e candidato a Presidente da Assembleia da República!... “Hoje”, o mesmo Fernando Nobre, auto-proclama-se como o número um da lista do PSD por Lisboa, mas… com renúncia prometida a qualquer cargo, caso o Partido não alcance uma maioria, e consequentemente a possibilidade, de o fazer ascender ao cargo de segunda figura do Estado.
Isto não é chantagem!... Isto é muito mais. É falta de respeito pelos portugueses, pelos eventuais eleitores que nele acreditam, e é “doença”!... Isso mesmo, “doença”, em atingir determinado cargo, não olhando a meios para atingir os fins. Mais: Esta tragicomédia Nobre, é um exemplo da queda de um anjo, nas tentações afrodisíacas do poder. Isto é uma vergonha!... Mas pior do que isso, é que indo a procissão ainda no adro e as deserções proliferarem, Passos Coelho continua a meter água. Primeiro foi Manuela Ferreira Leite, que bateu com a porta, a seguir foi Capucho que diz não estar para aturar tais comportamentos, Santana Lopes considera tal nomeação um escândalo, o professor Marcelo considera-a uma decisão arriscada, Marques Mendes prefere a praia e Luís Filipe Menezes um eterno apoiante de Passos, recusou mesmo a possibilidade de um alto cargo, preferindo manter-se em Gaia. Significa isto, que o barquinho, está gloriosamente a afundar-se e que para o naufrágio ser completo, só falta mesmo a orquestra do Titanic.
Sejamos claros e francos: Este virús começou com a escolha deste senhor doutor, para cabeça de lista do PSD por Lisboa e com a proeminente promessa, de vir a ocupar o cargo de segunda figura do Estado. Ao contrário de algumas opiniões, acho uma péssima ideia o convite a Fernando Nobre para encabeçar a lista de deputados pelo círculo de Lisboa e ainda por cima com o intuito já revelado. A meu ver, esse convite é prejudicial tanto ao PSD como para o próprio Fernando Nobre. Vejamos por que razões.
Em primeiro lugar, não faz qualquer sentido um partido indicar aos eleitores que tem um candidato a Presidente do Parlamento. O Presidente do Parlamento é escolhido pelos deputados, dependendo da maioria existente no Parlamento. No caso de Fernando Nobre, a candidatura a Presidente do Parlamento aparecerá ao eleitorado como uma tentativa de alcançar o segundo cargo do Estado, depois de ter falhado o primeiro, sendo por isso, visto mais como um projecto pessoal do que político. Tal só servirá para desbaratar o capital político acumulado nas presidenciais.
Em segundo lugar, o PSD em nada vai alargar o seu universo eleitoral com a candidatura de Fernando Nobre e até o poderá reduzir. Passos Coelho está a cair no mesmo erro de Manuela Ferreira Leite quando candidatou nas últimas eleições Maria José Nogueira Pinto a deputada pelo círculo de Lisboa, julgando que assim retirava votos ao CDS. Ora, o CDS teve nas últimas eleições uma votação esmagadora, ultrapassando pela primeira vez em muitos anos os dois dígitos. Na verdade, está demonstrado que em Portugal chamar candidatos de outras áreas políticas não compensa e até penaliza. Ora, o currículo de Fernando Nobre, passa pelo Bloco de Esquerda, e depois, o facto de ter sido candidato da linha soarista do PS contra Manuel Alegre tornam-no adequado para tudo menos para ser candidato pelo PSD. Há muitos eleitores do PSD, muitas figuras proeminentes do PSD, que não se vão rever minimamente nesta candidatura.
Em terceiro lugar, Fernando Nobre defrontou há dois meses Cavaco Silva nas eleições presidenciais, tendo Cavaco Silva sido apoiado pelo PSD. Não se compreende por isso, que o PSD agora o venha apresentar como candidato a deputado nas suas listas, depois de ter estado há pouco tempo contra a sua candidatura a Presidente. Com isto, transmite-se uma imagem de que não é o candidato Fernando Nobre que é desejado, mas antes os votos que ele obteve nas presidenciais. Ora, é manifesto que esses votos não são transferíveis para o PSD e quem pensa o contrário, não sabe minimamente o que é politica, ou por outra: Não sabe, nem tem arcaboiço para ser um pequeno, quanto mais um grande politico.
Há apenas um enquadramento em que a candidatura de Fernando Nobre faz todo o sentido!... Perante a verdadeira catástrofe humanitária que vai ser a entrada do FMI em Portugal, é melhor de facto chamarmos desde já a AMI. Pode ser que Fernando Nobre, com a sua experiência em ajudar as pessoas atingidas por catástrofes, possa dar algum contributo neste quadro trágico e negro em que Portugal caiu. Aí sim, Nobre terá o meu apoio…