Ao contrário do que se possa pensar, a democracia e a liberdade têm preços elevados!... Preços elevados, que são suportados por todos os contribuintes. Aliás, nem podia ser de outra forma. Porém e sendo assim, o mínimo que se pode exigir, é que quem paga, seja bem servido e respeitado. Bem servido e respeitado, seja no mais rotineiro organismo público, ou naqueles que se encontram no topo da pirâmide. Para mal dos nossos pecados e sem tomar a "árvore pela floresta", aquilo que vemos e a que assistimos, é que nem sempre é assim e aqueles que deveriam dar o exemplo, são os primeiros a falhar.
Mas vamos a factos e comecemos então pelo topo. Ao contrário do que se possa pensar, os resultados das últimas eleições para a Assembleia da República, não podem ser contabilizados apenas pelo número de deputados eleitos e pelos vencimentos e mordomias que os mesmos passaram a auferir!... A questão é muito mais profunda.. É que como resultado das mesmas, os partidos políticos terão direito a receber milhões até ao próximo acto eleitoral. Ora vejamos: O partido vencedor, o PSD, para além de ter o “previlégio” da governação do país, irá receber do Estado ao longo de quatro anos, quase 38 milhões de euros. O PS (mais de 28 milhões), o CDS/PP (quase 13 milhões), o PCP e os Verdes (mais de 10 milhões) e o BE (mais de 6 milhões). Isto para já não falar dos que estão fora do quadro parlamentar, cabendo ao PCTP/MRPP mais de 777 mil euros e ao Partido dos Animais e da Natureza mais de 730 mil euros, números estes decorrentes de um acto eleitoral, onde cada partido que consiga mais de 50 mil votos, tem direito a uma subvenção anual correspondente a 3,1053 euros por cada voto obtido.
Contas feitas, o PSD irá receber então mais de 6,7 milhões de euros por ano, pelos seus 2.159.181 votos obtidos nas últimas eleições legislativas, o PS receberá mais de 4,8 milhões (1.566.347 votos), o CDS/PP
mais de 1,9 milhões (653.888 votos), o PCP/PEV mais de 1,3 milhões (441.147 votos), o BE quase 900 mil euros (288.923 votos), o PCTP/MRPP mais de 194 mil euros (62.610 votos) e o PAN mais de 182 mil euros (57.995 votos), valores a que se juntam mais 8.3 milhões de euros para as despesas de campanha eleitoral, a dividir proporcionalmente entre eles, de acordo com os resultados obtidos.
Poder-me-ia alongar ainda mais, invocando um sem número de benesses, que em tempo de crise, são igualmente pagas pelo povo, mas este pequeno exemplo, dá-nos já uma ideia, daquilo que trabalhadores e empresários têm que suportar para a manutenção do sistema.
Não sendo saudosista – nem pouco mais ou menos -, sei por experiência própria, que a democracia e a liberdade não têm preço, porém também sei, que perante factos tão evidentes (e que são apenas uma gota de água), não mereceríamos enquanto contribuintes e suportes do sistema, uma classe politica, que de politica e seriedade pouco ou nada sabem...
O actual Governo, que é composto, nem mais nem menos que pelas “reservas” do PSD, é o melhor e o último exemplo, de como não se deve fazer politica.
Quando do chumbo do PEC IV do Governo PS, o actual primeiro-ministro, afirmou que não se podia pedir mais sacrifícios aos portugueses e por conseguinte não poderia viabilizar o dito PEC. Afinal… na altura não se podia, hoje pode-se!... Por conseguinte, é pacifico que mentiu….
Outra razão que o actual PM apresentou para o chumbo do PEC IV, foi a de que o PSD, tinha sido apanhado de surpresa com as medidas constantes no mesmo, fazendo-se até de muito zangado com o anterior "chefe", por não lhe ter dado conhecimento atempado do respectivo conteúdo. Afinal… sabe-se agora, que tudo não passou de uma falácia e que as conhecia tim por tim-tim, depois de uma reunião de quatro horas com o ex. ministro Teixeira dos Santos. Portanto mentiu…
Durante a campanha eleitoral, o actual PM, defendeu sempre a redução da Taxa Social Única, garantindo que era uma medida acertada, e que o seu governo iria levá-la por diante. Logo que tomou posse, informou que iria criar uma comissão de análise e avaliação da medida proposta. Ou seja: afinal não tinha assim tanta certeza, sobre a bondade da medida. Mais uma vez, mentiu...
A 1 de Abril, “dia das mentiras” e em plena campanha eleitoral, garantiu que era uma parvoíce cortar nos subsídios (férias e Natal). Logo que tomou posse, para além de aplicar um corte de 50% no subsídio de Natal depois de deduzido o ordenado mínimo, ainda se deu ao luxo de criar uma taxa adicional de 3,5% em sede de IRS. Isto é: Depois de mentir mais uma vez, o actual PM, para além de ir ao bolso dos portugueses da forma como o vai fazer, ainda se dá ao luxo de “lhe fazer a cama” para 2012, com a dita taxa adicional de 3,5% ...
Mais: Este corte no subsídio, que não é mais do que um imposto extraordinário, foi justificado com a evolução da situação económica. Ora esta medida, até já estava prevista no programa de governo do PSD e já tinha sido discutida, - como revelou o jornal O Expresso e não foi desmentida -. Portanto, mais uma vez, o PM mentiu...
Passos Coelho justificou ainda este imposto com os números da execução orçamental do primeiro trimestre deste ano. Mas sucede, que esses números já eram conhecidos quando a troika cá veio e analisou as nossas contas. O PSD e o CDS, ficaram então a conhecê-las e assinaram o memorando sem a exigência de mais um imposto extraordinário. Perante os factos, mais uma vez o actual PM, mentiu...
Passos Coelho prometeu cortar nas despesas!... Prometeu reduzir o número de Ministros para o efeito. Ora bem: De dezasseis Ministros do anterior governo, passámos a ter onze no actual. Só que, Secretários de Estado que eram vinte e cinco, passaram a ser trinta e cinco. Ou seja: A despesa aumentou. Mais uma vez o PM mentiu...
Como todos estamos lembrados, uma das primeiras medidas de Passos Coelho e para “consumo público”, foi a sua determinação para que os elementos do governo passassem a viajar em classe económica. Afinal de contas tudo não passou de um bluff. Como se veio a saber, nenhum membro do governo pagava bilhete. Para além de mais uma mentira, o mais grave ainda, é que o actual PM resolveu atirar-nos areia para os olhos…
Mais: Durante a campanha eleitoral, PC prometeu cumprir “à risca”, as exigências da troika!... Neste momento, refugiando-se em argumentos já mais que gastos pelos diversos governos, que acedem ao poder e que vêm sempre com o truque dos buracos orçamentais “a terreiro”, não se coíbe, numa acção mais papista que o papa, de nos presentear com mais uma série de impostos, que colocarão ainda mais de rastos a economia nacional e o bolso dos portugueses. Chegamos ao ponto, de nos últimos três meses sermos presenteados, com outros tantos novos impostos, isto sem contar com o aumento do IVA da taxa mínima de 6%, para a máxima de 23%. Mais uma vez, o actual PM mentiu… e tanto mentiu, que mereceu já a reprovação de altas figuras do PSD, como são Manuela Ferreira Leite, Rui Rio e tantos outros.
Ora quem mente assim, quem corta na saúde como corta, quem corta na educação como corta, quem corta na segurança social como corta, não merece a confiança dos portugueses e muito menos daqueles que com os seus impostos, mantêm o sistema politico de pé. É bom que se diga, que quem promete faz divida e das duas uma: Ou fica calado ou cumpre. Aquilo a que assistimos, é que estamos perante muita mentira junta, para tão pouco tempo de governação.
Ora quem mente assim, quem corta na saúde como corta, quem corta na educação como corta, quem corta na segurança social como corta, não merece a confiança dos portugueses e muito menos daqueles que com os seus impostos, mantêm o sistema politico de pé. É bom que se diga, que quem promete faz divida e das duas uma: Ou fica calado ou cumpre. Aquilo a que assistimos, é que estamos perante muita mentira junta, para tão pouco tempo de governação.
Em resumo: Não restam dúvidas, de que, o que resultou das últimas eleições, é afinal um equívoco!... É que os portugueses votaram maioritariamente no PSD e no CDS, porque lhes foi proposto um projecto de mudança, sem aumento de impostos, sem redução de funções sociais e com a solução dos problemas financeiros do Estado através da racionalização dos consumos intermédios, do corte dos desperdícios, da redução significativa da despesa, do fim dos Institutos Públicos, das Empresas Municipais, das Parcerias Público Privadas e de outras tantas “gorduras” que consomem os portugueses. Estas foram efectivamente as propostas desta maioria.
Passados que foram três meses e meio, verifica-se que as promessas do PSD e do CDS não saíram da gaveta. Em seu lugar temos um governo acabrunhado, ausente, sem dimensão internacional, descoordenado e transformado numa enorme repartição de impostos e numa comissão liquidatária, não dos excessos, mas da essência do Estado Social.
Em tempo de dificuldades, os portugueses pagam e de que maneira, para terem um governo que fale verdade, um governo com prestígio internacional, que fomente redes e parcerias e que ao mesmo tempo tenha um grande sentido de proximidade aos trabalhadores, aos empresários e aos reformados. Um governo próximo das pessoas necessitadas e das empresas em dificuldades, um governo próximo dos empreendedores e dos investidores. Não pagam para serem enganados, para viverem na mentira ou para ouvir justificações sem qualquer fundamento...
Não é com subserviência à senhora Merkel e com fotos de“familia”, que resolvemos os nossos problemas. Precisamos de um governo que defenda a soberania nacional, de um governo sem tabus e que defenda uma nova linha de orientação europeia, que defenda os "Eurobonds”, que reavalie a carga fiscal, que coloque um ponto final nas medidas de austeridade e que crie as condições necessárias ao relançamento da nossa economia. Estas são aliás, as soluções que conceituados economistas – como Dimitris Tsomocos, professor de Economia da Universidade de Oxford - apontam, para ajudar os países do Sul, onde se inclui obviamente Portugal e a Grécia, a saírem da crise. Se a actual conjuntura não for alterada não vamos lá... e o "dia de àmanhã será ainda pior que o de hoje".
Quer se queira ou não admitir, o desenvolvimento económico funciona como uma bola de neve. Se não houver dinheiro, não há desenvolvimento. Se não houver dinheiro, o “merceeiro” não vende"!... Se o merceeiro não vende, o armazenista não vai estar ad eternum à espera que o faça, para fechar portas!... Neste contexto, o produtor "fecha também a loja" e aí, surge ainda mais desemprego. A solução que nos resta é importar os bens que consumimos, de “preferência” à senhora Merkel, mas... obviamente com todos os custos que daí advêm… Será preciso ir a Coimbra, para ver isto e os respectivos efeitos?!...


