28 outubro 2011

"O MONSTRO"


Já todo o “mundo” percebeu, que Pedro Passos Coelho é um homem multifacetado!...
Tem um discurso quando na oposição, tem discurso diferente quando no governo, dá uma no cravo perante Berlim e dá outra na ferradura junto de Bruxelas e da Comissão Europeia.
Em boa verdade, já todos percebemos na presença de quem estamos. E já percebemos, porque o velho lema de que o “diabo” tem duas capas prevaleceu !... Uma tapou, a outra destapou...
Ora foi munido dessas duas capas, que o “diabo” se apresentou aos portugueses, como o homem que se propunha salvar o país. Apresentou-se com uma capa e munido de uma cábula, prometendo não subir os impostos directos ou indirectos; apresentou-se com uma capa e o argumento de que o corte que se propunha fazer nas gorduras do Estado, chegaria para resolver o défice das contas públicas, e apresentou-se ainda com a mesma capa, com o discurso, de que a crise não era internacional, mas sim interna e que para se sair do “atoleiro” em que nos meteram, era fundamental pôr a economia a crescer, para colocar em marcha o processo de desenvolvimento do país.
Para consumo interno, era efectivamente o discurso que interessava!... Tão cativante, que qualquer “Santo Antoninho” não faria melhor. Mas porque o “cheiro a poder” era tão intenso, havia a necessidade de ir mais além. Era necessária uma segunda cábula para cativar o exterior, não fosse o “diabo” tecê-las!... Era preciso convencer os “donos” da Europa e o capital financeiro, que o derrube do então governo era um imperativo nacional, pelo facto deste – segundo ele - não enfrentar o seu eleitorado tradicional, não querer tirar benefícios à classe média/média-baixa e não querer ou não ser capaz de tirar “regalias” à administração pública.
Estes foram efectivamente os guiões previamente estudados ao pormenor por Passos Coelho, para atingir os objectivos de chegar ao “poleiro” da governação. E se bem os pensou, melhor os levou à prática!... Mentiu... mentiu e voltou a mentir. Hoje temos o governo de direita, mais à direita desde o 25 de Abril de 1974, e infelizmente para os portugueses, o "diabo", rápida e meticulosamente vai aplicando os seus guiões.
Pedro e Paulo - esse mesmo que já esqueceu dos agricultores e dos reformados - afirmaram no início da governação que jamais utilizariam o passado para justificar a sua acção no presente. Porém, cansamos de ouvir os Deputados da maioria, os Secretários de Estado, os Ministros, os Comentadores políticos do sistema e todos os seus correlegionários, todos os dias e a todas as horas a falar do passado, a reinventar o passado, a reescrever o passado, para justificar as medidas que ambicionam e prometem implementar no país, como se estivessem a injectar carneiros.
O aumento de impostos directos e indirectos, o corte no subsídio de natal e de férias até 2013 ou ad eternum, os cortes nas pensões dos reformados, os cortes na educação, na segurança social e na saúde e a liberalização encapotada dos despedimentos, são realidades que a partir de agora e mais que nunca, todos nós passamos a conhecer e a sentir.
Como não têm coragem de assumir por inteiro o seu projecto ideológico, montaram todo este teatro, com vários actos e actores, para justificar o que é injustificável. E foi com este pano de fundo, que elaboraram um OE para 2012 profundamente ideológico, mas cujo resultado não engana. Um orçamento, que será a ruína do país e como muito bem diz o primeiro-ministro, fará dos portugueses mais pobres.
Quando este tsunami ideológico estiver implementado, Portugal, terá como fica claro no documento de estratégia orçamental, uma dívida pública superior à actual, um desemprego superior a 14%, serviços públicos minimalistas, uma pobreza crescente, uma economia em recessão e sectores estratégicos da economia portuguesa negociados, entregues e vendidos a qualquer preço e aos do costume, isto é: à mão invisível do poder económico.

Perguntar-me-ão: Então e o défice!... O défice?!... Talvez seja nessa altura inferior a 3 %, mas com um cheiro a bolôr tal, como já não sentíamos há quase quarenta anos. Isto é: Com um cheiro muito semelhante ao velho lema “Livro-vos da guerra, mas não vos livro da fome”, de “Santo Antoninho”…
Para compor o ramalhete, esta gente não se coibiu mesmo de rasgar o memorando assinado com a troika!... Renegociou a sua revisão à revelia dos partidos da oposição, construíu um Orçamento de Estado afrontando o Presidente da República, os partidos da oposição, os Sociais-Democratas que militam no PPD e pura e simplesmente, rasgaram a cábula que continha todas as promessas feitas aos portugueses, sacaram-lhe os subsídios, aumentaram-lhe os impostos, e ofereceram tudo em bandeja de prata ao capital financeiro, tal qual tinham prometido, quando da “apresentação” da segunda cábula, -a tal do servilismo a Berlim e à Comissão Europeia.
Perante este estado de coisas, nenhum democrata que se preze poderá viabilizar um monstro destes. Aqueles que o fizerem tornar-se-ão cúmplices da desgraça do país e dos portugueses. A maioria – mesmo contra a consciência e a vontade de muitos – poderá viabilizá-lo, aqueles que amam a sua pátria e estão ao lado do povo, jamais o poderão fazer. Nem por convicção nem por coisa nenhuma. A força do povo e da democracia irá prevalecer…

20 outubro 2011

O ORÇAMENTO DA RUÍNA!...

Os portugueses estão angustiados, medrosos e em permanentes sobressaltos, tendo em conta o futuro que os espera. Num curto período de três meses, foram “presenteados” , nada mais nada menos, com o corte do seu subsidio de natal referente a 2011 e com os subsídios de férias e também de natal, referentes aos anos de 2012 e 2013. Isto para já não contar, com os cortes salariais desde Janeiro de 2011, o que significa , o despojar de SEIS SALÁRIOS E MEIO, em três anos de governação de Passos Coelho. Isto é obra… É obra, e o maior escândalo de que há memória. Mas não se iludam os portugueses!... Este é apenas, o primeiro murro a sério, de que estão a ser vitimas. Com este orçamento, e a partir do segundo semestre de 2012, será o descalabro e a ruína do país…

Ao contrário do que muita gente pensa, a chamada Europa dos cidadãos, pese embora a cimeira do próximo fim-de-semana, nada trará de novo. Não lhe interessa!... E não lhe interessa, porque a prorrogação das indecisões que voluntariamente provocam, dão jeito… e que jeito a quem a domina. Só um crédulo impenitente, acreditará na boa vontade desta gente. Mercados e países estão à espera de decisões firmes, desde pelo menos Maio de 2010, data do primeiro resgate à Grécia. Uns – os agiotas – agradecem as dúvidas e hesitações de Angela Merkel e do presidente francês Nicolas Sarkozy, seu fiel e dedicado ‘valet de chambre’. Os outros – os devedores – desesperam à espera da salvação que só poderá vir do eixo franco-alemão, mas não se sabe quando.
De entre os devedores estamos nós, “pobres” portugueses à beira da ruína!... Só os juros que vamos pagar pela dívida pública, representam tanto com um "Ministério oculto". Esta é uma realidade aterradora!... Como aterradora é a realidade, de em CADA HORA de 2012, os juros irem custar ao Orçamento do Estado, quase um milhão de euros.
Significa isto, que à medida que os encargos da dívida aumentam e a actividade económica encolhe – como todos sabemos ir acontecer -, o País fica esmagado, gerando como principais vítimas, um exército de desempregados que deve atingir na realidade, perto de um milhão de pessoas no final do ano de 2012, colocando-se assim a questão de se saber, se o orçamento, em vez do ‘aperto de cinto’, não deveria ser expansivo para animar a economia.
Sem crescimento económico, ou pelo menos sem recessão, não há país que resista. Sempre foi assim, e não é agora que as coisas se vão alterar…
Os portugueses estão assim, a ser vitimas de um autêntico “conto do vigário”!... Passos Coelho faltou à verdade. Passos Coelho que disse ir cortar nas “gorduras” do Estado, chegou à conclusão, que as gorduras do Estado eram as gorduras dos pensionistas e dos trabalhadores do sector público. Este escândalo e este Orçamento de Estado para 2012 , representa nem mais nem menos, que uma ruptura radical com 37 anos de democracia económica e social e vem pôr em causa a visão optimista do futuro, que prevaleceu na sociedade portuguesa desde o pós--guerra. Perante uma Europa à beira da enésima cimeira histórica, face ao descalabro grego e ao terror de um dominó de bancos em risco, os visionários tocados pela cegueira da má fé, marcam o ritmo de um Governo, que será o coveiro de Portugal.

Todos sabemos que a crise internacional existe!... Todos sabemos que tem piorado desde Junho, e que a Madeira e o BPN, vieram tornar ainda mais difícil o atingir dos objectivos do acordo com a troika. Prudente, o PSD clássico, recomendou que se ganhasse tempo, suavizando a dose, mas ninguém o ouviu. Ninguém lhe passou “cartucho” e a fúria destruidora do Estado que domina o Governo, mergulhou numa cruzada que visa não deixar pedra sobre pedra nas políticas públicas, seja em que área for.
Como já firmei, para este governo, as gorduras do Estado são as gorduras dos pensionistas e dos trabalhadores do sector público, que irão perder os tais 6,5 salários em três anos, sem que os rendimentos de capitais sofram qualquer esforço adicional. Como é possível uma barbaridade destas?!... Como é possível, não se ouvir gente com uma experiência tão vasta como aquela que tem na sociedade portuguesa?!... Como é possível este “fundamentalismo” doentio, de parte daqueles que dizem representar o povo?!...
Passos Coelho afirmou ipsis verbis , que "Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."Que garantia de “trampa”…. Que confiança poderão ter os portugueses em garantias – que foram muitas - deste tipo?!...
O preconceito contra o sector público e os que o servem, é revelador de um chauvinismo social tal, que não tem explicação, mas que certamente vai abrir fossos incontroláveis na sociedade portuguesa.
Se nada se alterar o nosso futuro e dos nossos filhos será NEGRO…

14 outubro 2011

O ORÇAMENTO DO DESCALABRO...

Já lá vão uns anos!... Desde 2007 e à semelhança do que tanta gente fez por esse país fora, que neste espaço venho alertando para o descalabro orçamental e económico que o país sofre com a continuidade das governações, com a continuidade e apuramento do sistema corrupto institucional, erguido ao longo dos últimos anos. Só os mais desatentos poderão ter acreditado na bondade do discurso dos governantes e num rumo diferente do que aquele que o país agora enfrenta. À crise internacional, acresce a crise nacional, motivada pela corrupção gritante que nos vem assolando. O BPP, o BPN, os desvios, as deficientes execuções orçamentais,  e o recente escândalo da dívida Madeirense, que veio pesar e de que maneira no agravamento dos défices dos últimos anos, são disso os melhores exemplos.  Em vários comentários, ao longo desse periodo, por várias vezes tentei demonstrar, ser o sistema corrupto institucional responsável pelo desbaratar anual de um montante equivalente a cerca de 10% do PIB. As medidas anunciadas agora por Passos Coelho, são apenas um passo mais para o abismo que nos espera. Medidas que recaem sobre os rendimentos dos mesmos de sempre –a generalidade da população portuguesa, seja ela do sector público ou privado, que igualmente irá "levar" por tabela..

Se na verdade, o dramatismo que Passos Coelho colocou, na sua comunicação ao país, é assim tão grande e que ameaça como afirmou, não haver dinheiro para salários nem pensões, porque razão se mantêm despesas tão avultadas como a ligação ferroviária Lisboa-Madrid a alta velocidade, que ele próprio durante a campanha acerrimamente criticou?! Porque razão está prevista no orçamento uma dotação, para a criação do Museu do Desporto, nesta altura de crise?!...Porque não, o anúncio da redução dos vencimentos dos ministros, deputados e gestores públicos?!... Porque não a eliminação da frota de carros de luxo dos diversos ministérios e orgãos do Estado?!... Porque não a redução a um mínimo indispensável das viagens ministeriais e presidenciais?!... Porque não a eliminação dos cargos dos representantes da Republica nas regiões autónomas, que custam milhões ao Estado e pelos vistos são perfeitamente dispensáveis?!... Porque não a eliminação das empresas municipais nascidas depois de 1995 e os seus serviços integrados  - onde se encontravam - nos serviços camarários?!... Porque não a eliminação de todos os órgãos do Estado criados depois de 1995 e os seus serviços integrados nas respectivas direcções gerais?!... Porque não acabar com todo este parasitismo?!... Porque não a eliminação da acumulação de pensões milionárias?!... Porque não a redução das pensões milionárias obtidas em empresas públicas com tempos de serviço de apenas alguns anos?!... Afinal de contas, onde está o combate à gordura do Estado, que Passos Coelho e Paulo Portas tanto criticaram durante a campanha eleitoral?!... Qual a razão porque se continua a previligiar as receitas, através de cortes nos vencimentos e aumento incontrolável da carga fiscal, que ultrapassa já alguns países nórdicos e se situa já no topo da Europa dita comunitária?!...  

Estas, não foram as medidas anunciadas por Passos Coelho, quer no seu programa de Governo, quer na campanha eleitoral. E não sendo as medidas anunciadas, e não sendo Portugal uma selva, o Primeiro-Ministro não tem legitimidade moral para as impôr. Enquanto português e contribuinte, com os impostos em dia - mas credor do Estado em milhares de euros - , sinto-me ferido. Tenho a minha vida controlada e por consequência, preencho os requisitos para pagar o que os corruptos e os incompetentes roubaram e usurparam neste país, desde o Minho ao Algarve, desde os Açores à Madeira. Estou preparado para pagar tamanhas leviandades, mas disso mesmo não me inibi de dar conta ao Primeiro-Ministro, fazendo-lhe saber, que na parte que me toca, me sinto orgulhoso por pertencer ao número restrito de portugueses, que é lembrado para ajudar Portugal. De uma coisa fique ele certo: OS MEUS FILHOS JAMAIS SE ESQUECERÃO, QUE NUM CURTO PERIODO DE DOIS ANOS, OS SEUS PAIS FORAM/SERÃO PRIVADOS DE 9 (NOVE) VENCIMENTOS, acrescidos dos cortes que vigoram desde Janeiro do corrente ano. UM ESCÂNDALO...

04 outubro 2011

ESTA NÃO É A EUROPA DOS CIDADÃOS...

Os chamados “juros Gregos”, ultrapassaram já a barreira dos 70%!...
Isto é de loucos… Como reagiria cada família, se lhe fosse imposta uma taxa de juro deste calibre, pelo empréstimo contraído, para a aquisição da sua casa?!...
E sendo de loucos, ninguém minimamente informado e em seu perfeito juízo, poderá acreditar que as políticas desenhadas pela Europa dos ricos, pelos especuladores financeiros de desregulação do capital financeiro, de minimização do Estado, de privatizações das empresas estatais dos sectores estratégicos, de redução das funções sociais do Estado - Saúde, Educação, Segurança Social -, de estagnação ou redução de salários, de limitação do poder negocial dos trabalhadores através das leis laborais, de enfraquecimento dos Sindicatos e de tudo o mais que compõe a cartilha da dupla Merkel/Sarkozy, num vasto leque de “reformas” que Passos Coelho e a Troyka estão a impôr aos cidadãos portugueses, poderão retirar o país do atoleiro em que se encontra.

Tais medidas nunca resultarão, pela simples razão de que foram precisamente estas ditas “reformas” - introduzidas em finais da década de 70 - que conduziram a UE e os EUA, à situação de crise orçamental, financeira, económica e social em que ambos se encontram. A recessão atinge tudo e todos, as economias não crescem, e não crescendo as economias, a “corda” vai partir de tanto esticar. Não é possível aos cidadãos aguentar mais…

Mas ao contrário do que deveria ocorrer e que seria de esperar, o que se verifica efectivamente, é que os Estados Europeus e os seus lideres, por mais reuniões que façam, não encontram uma resposta credível –porque não querem -, racional e eficaz de combate à crise que se vive particularmente na U.E. e nos países mais vulneráveis, como são os da Europa do Sul. O absurdo e trágico ao mesmo tempo, é que todos prestam vassalagem aos poderosos e por via de tal, estarmos a assistir a uma resposta, que não é outra coisa senão uma dose maciça e acelerada de iguais políticas, que conduziram precisamente à crise e ao desastre que a UE atravessa. O super-estado neoliberal em que se transformou a Europa, torna-se assim incapaz de ultrapassar a crise resultante das suas próprias “reformas” políticas, impostas nas últimas duas décadas. Apoio à Banca e Austeridade para as populações, são as fórmulas encontradas pelas ditas elites neoliberais para sair da crise.

Como se previa, o tempo está a demonstrar que as políticas de austeridade impostas aos cidadãos europeus, ao contrário, apenas acentuam e agravam os problemas dos países em maiores dificuldades. Quanto ao apoio à Banca além de imoral é injusto. Premeiam-se os principais causadores da crise e obrigam-se os cidadãos a suportar tais apoios. Quando o BCE empresta dinheiro aos bancos a 1,25% e nega tais empréstimos aos países, obrigando-os a recorrerem aos mercados - isto é, aos mesmos bancos a quem são feitos os empréstimos pelo BCE -, a juros de 4%, 5% ou 6%, (dinheiro que os países recolhem dos impostos cobrados às populações), o que se verifica com tal manobra, é despudoradamente, sacar dinheiro das populações para o entregar de mão beijada aos bancos.
Demos como exemplo o seguinte: Se o BCE emprestasse aos países com juros iguais aos dos empréstimos aos bancos, a Grécia pagaria de juros anuais, em vez dos actuais 15.900 milhões de euros apenas 1.700 milhões, o que lhe permitia seguramente uma capacidade efectiva para ultrapassar a crise.

Mas sobre isto e sobre a especulação bolsista não se ouve uma única palavra dos governantes europeus, dos politólogos, economistas e comentadores que enxameiam as televisões. Até Durão Barroso ía sendo cilindrado, quando à dias falou numa taxa especial para aplicação nas movimentações bolsistas. Tudo num único propósito: manipular e mentalizar as populações para a aceitação passiva da austeridade que sobra elas recaem, como se a crise fosse uma fatalidade e não uma causa objectiva da actuação dos homens ricos e poderosos deste mundo.

27 setembro 2011

CASOS E CASOS DE UM PAÍS SEM RUMO...

1- O crime económico é um problema grave e a sua investigação é um fenómeno recente.
Foi nos últimos anos que se multiplicaram os processos BPN, BCP, Face Oculta, Portucale, Submarinos, Parque Expo, Freeport e Operação Furacão.
Estes processos geraram milhares de notícias, centenas de arguidos, poucos condenados e quase nenhum preso. Como é isto possível?!...
Muito simples: As sanções são relativamente brandas e o "trânsito em julgado" prolonga-se ad eternum….
Na investigação, é a força, a carolice e o profissionalismo de alguns policias e procuradores que movem os processos, mas este crime não se combate sem “armas potentes e sofisticadas”. E não se combatendo sem essas ditas armas, seria de bom tom, que os governantes deste país – que andam demasiado preocupados com fait divers sem nexo – se preocupassem com o que efectivamente se devem preocupar, para combate a este cancro, que assola a sociedade portuguesa. Se assim não for e se a Ministra da Justiça se encolher, as raízes ramificar-se-ão cada vez mais e então meus amigos, não haverá nem policias nem procuradores que nos valham…

2-Warren Buffett é um dos homens mais ricos do mundo. É um super-investidor nos mercados financeiros e accionista de uma das mais cotadas agências de ‘rating’. Buffett, escreveu recentemente um artigo no ‘The New York Times’, a pedir que aumentassem os impostos sobre quem tem mais património: A propósito dizia Buffet: "Enquanto a maior parte dos americanos luta para fazer face às despesas, nós, os mega-ricos, continuamos a ter isenções fiscais extraordinárias".
Pensemos neste repto e extrapolê-mo-lo para Portugal. Há aumentos de impostos por todos os lados, o último dos quais no IVA sobre a electricidade e o gás. Mas o maior aumento tem sido sobre os rendimentos, nomeadamente do trabalho, sobre os quais estão a incidir sucessivos aumentos de taxas, de taxas extraordinárias, de fins de benefícios e de cortes, passando-se completamente ao lado dos rendimentos provenientes de capitais.
Diz-se e bem, que o IRS é um imposto progressivo!... Que paga mais quem recebe mais. Mas o erro, é dizer-se que esses são os ricos. Não são não!... Esses não são os ricos… Rico, não é quem ganha um ordenado médio ou acima da média. Rico, é quem tem muito património, muitas vezes sem saber de onde vem. Warren Buffett tem de vir a Portugal ensinar umas coisas. E não só a ganhar dinheiro: também a tributá-lo…

3-O Primeiro-Ministro de Portugal, escapou-se habilmente à “polémica madeirense”, remetendo a censura para o acto eleitoral que decorrerá no arquipélago no próximo mês de Outubro. Porém, Passos Coelho, sabe que não vai haver censura alguma. A haver essa censura seria dos eleitores do continente, que pagam a factura hoje, como pagaram ontem e como continuarão a pagar amanhã, se o bom senso não prevalecer. Quem conhece, ou já viveu dinâmicas eleitorais, sabe que o povo chamado às urnas não quer saber de notícias, nem de opiniões. O povo, vota por afecto, vota por conveniência, e na Madeira, não existe figura mais conveniente do que Alberto João.
O tal Alberto João, que transformou a Madeira, que lhe deu modernidade e qualidade de vida, que fez crescer a riqueza, que criou trabalho e mobilidade. A "república" da Madeira, com uma área semelhante ao concelho de Montalegre, comparativamente a regiões como Trás-os-Montes ou Alentejo, é um paraíso. Foram precisos milhões para essa transformação. Para tanto, Alberto João desde muito cedo percebeu, que a chantagem, o insulto, a ameaça independentista, o enxovalho - quem não se recorda dos ataques ao senhor Silva, as humilhações a Marques Mendes, a arrogância contra Passos Coelho, as brejeirices contra os inimigos do continente. desde os ‘cubanos’, aos colonialistas, aos comunistas, à maçonaria, aos inimigos inventados e ao folclore continental – eram a sua melhor arma!... Davam-lhe tempo de antena, visibilidade e a possibilidade de “esmifrar” o que podia, o que não podia e o que não devia.
Porém, a Madeira dá 4 deputados à Assembleia da República, que são essenciais para a conquista de maiorias. E sabendo disso, os líderes do PSD temiam-no, os primeiros-ministros por mais discursos rígidos que fizessem, soçobravam e sendo assim, a chicana de Alberto João, pô-los a todos em sentido e de cócoras. Pelas atitudes agressivas e insultuosas, os comentadores do sistema desvalorizavam o chorrilho de palavras, e com este andar guerrilheiro e trautileiro, Alberto João foi construindo um dos cantos mais bonitos do país.
Mas é bom que os portugueses saibam, QUE A SUA DIVIDA É MAIS DO DOBRO, DAS AUTARQUIAS CONTINENTAIS TODAS JUNTAS, e isto é inconcebível num Estado de Direito, principalmente quando os nossos autarcas, têm sido o saco de boxe dos sucessivos governos, que nos vêm (des) governando.
Voltando a Passos Coelho e à questão da confiança politica que o povo madeirense deve dar ou não, a Alberto João, aquilo que me apetece dizer, é que se fosse madeirense, votava no homem. E votava no homem, porque afinal de contas, ele representa a história e o progresso da Madeira. É o único dirigente politico, que num Estado sem rumo, sabe sacar para aqueles que governa aquilo que muito bem entende. É o verdadeiro colonialista a sugar a colónia continental. E para que haja justiça mínima, até auguro aquilo que não é muito difícil de prever: Os madeirenses vão dar-lhe mais uma vez, maioria absoluta nas próximas eleições. Dessa forma , continuaremos nós, cá no continente, a não passar de uma colónia da Madeira, devidamente avalizada pelo actual Primeiro-Ministro....

21 setembro 2011

A "SAGA" DOS CONTRIBUINTES...

A Europa construída desde o pós-guerra-fria, está à beira da implosão . A pobreza do imaginário da senhora Merkel e a superficialidade de Sarkozy, acentuam-se dramaticamente à medida que são tolhidos pela ameaça de desastres eleitorais internos.
Todos sabemos que Portugal é vitima dos interesses dos poderosos europeus, da grande corrupção, dos desvios fantasmagóricos, de graves problemas de paixão pelo crédito fácil estimulado pelos grandes grupos financeiros, pela banca, pelos juros baixos em vinte anos de glória consumista, pelos tiques do novo-riquismo na despesa pública e pela subsidio-dependência.
Aos portugueses contribuintes, resta como consolação, saberem que o seu país tem um défice inferior ao britânico, uma dívida pública menor do que a italiana, serem “accionistas do BPP e do BPN” e ainda a esperança de se tornarem “co-proprietários de uma ilha”. Esta, é a sofreguidão política que nos atirou para a boca desta tragédia de mau gosto, obrigando à negociação de um acordo com a troika, que a curto-prazo, se vai tornar catastrófico para Portugal e para os portugueses e a que a inteligência – se é que a tem – de Passos Coelho, recomendaria uma chamada de atenção nas cabeças dos fundamentalistas liberais, que pretendem ir ainda mais além, do que as imposições da dita troika, por forma a limitar os danos sociais da austeridade e ajudar o país a sair do foco do radar dos abutres da especulação financeira e dos ditos poderosos europeus.
A negociação que está a ser levada a cabo, tendo em vista o próximo orçamento e a fúria da injustiça fiscal, lançam nuvens negras sobre o nosso horizonte. E para ajudar à “festança”, junta-se agora o caso da Madeira. A Madeira, que tal como o BPN e o BPP não são derrapagens conjunturais!... São isso sim, exemplos da peste financeira e da corrupção, de que depende Portugal e os portugueses.
A revelação do escândalo da Madeira tem porém uma vantagem: Ficámos todos a saber, o significado de mil milhões de dívida oculta, mais 550 milhões de derrapagem.
Agora pergunto: Na manta-rota que são as contas públicas portuguesas, quantos mais esqueletos haverá ainda no armário, para além das parcerias público-privadas, do crédito imobiliário na banca e nas empresas municipais e multimunicipais?!...
A troika tornou-se uma brigada de minas e armadilhas. Descobre "bombas" em todos os cantos e recantos. O ministro das Finanças exaspera com o défice que se esvai, os contribuintes matam-se de impostos para cobrir os alçapões e o país que é sério, elege quem não o é.
Esta banalização de escândalos têm porém um risco: se são todos culpados, ninguém o é. Eis o argumento favorito dos fautores.
Tal como no BPP e no BPN, o caso da Madeira é grave. Foram escondidas despesas num valor que equivale a um plano de austeridade e para o qual o corte do subsidio de natal não chega. O silêncio do Presidente da República é inaceitável. As palavras de Passos Coelho são irrelevantes. Se, como sugere o primeiro-ministro, as eleições são o local onde as responsabilidades se amnistiam, então meus amigos, qualquer um “Vale e Azevedo” é rei da seriedade.