Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República “sacudiu a água do capote”, e dando uma no “cravo e outra na ferradura”, deixou um sério aviso: O ano de 2012 vai ser terrível para os portugueses. Portugueses, que estou em crer, esperavam bem mais do professor Cavaco e em boa verdade dispensavam tal aviso.
Todos sabemos, que cada hora que passa, cada dia que vivemos e cada mês já vivido, reforça este sabor amargo e de amargura, que nos chega do futuro breve que vamos viver.
Nos dias que correm, os especialistas do sistema em finanças públicas, não se cansam de sublinhar as virtualidades do euro e de como a disciplina orçamental imposta pela Alemanha é benéfica para a nossa saúde financeira. Não se cansam de nos impingir, quanto benéficas são as novas regras de sanções, que o dueto Merkel/Sarcozy pretendem impor no futuro próximo à Zona Euro, para quem não cumprir o rigor do défice. Porém, sobre trabalho para produzirmos, sobre condições de viabilização da economia para que produzamos mais, nem uma palavra. Nesta Europa dos especuladores e dos agiotas dominada pela crueldade do dinheiro como mito maior da riqueza, e neste Portugal sem soluções, não existe uma decisão concertada que olhe os campos e as fábricas, os mares e as florestas para produzir a verdadeira riqueza.
Significa isto, que a continuarmos assim, não teremos hipóteses de não sermos confrontados com a “tragédia” . A “tragédia”, que neste momento é apenas uma questão a prazo -e convenhamos, a curto-prazo.Pior que tudo, é que só depois da casa roubada pelos tenebrosos e invisíveis mercados, iremos tratar de arranjar sólidas trancas. Ou seja, à função, que nos garantiu a diferenciação como seres humanos: pôr os nossos campos e os nossos mares a parir o sustento e a promover o trabalho e a riqueza.
Até lá, vamos comendo pargo do Congo, sardinha da Galiza, tomates de Marrocos, batatas de França, alhos da China e discutindo coisas em que parece que todos somos peritos: A forma de salvar o euro, continuando sob a guilhotina dos mercados e a incentivar o consumo nacional, que não chega para as encomendas…
Diz-nos a actual conjuntura politica e económica, que somos um país em recessão!... Uma recessão que tenderá a agravar-se, como consequência das politicas do governo e das tremendas dificuldades porque passa o povo português, sujeito que está, a uma austeridade sem qualquer nexo…
Da forma como se nos apresenta o quadro, quem ousa afinal investir neste país, pagando impostos brutais, quando os capitais dos grandes grupos económicos nacionais, seguindo aliás o conselho do primeiro-ministro, “emigram” para zonas de conforto, como aconteceu agora com a deslocalização das acções da Jerónimo Martins para uma subsidiária na Holanda.
E o que faz o governo, para combater situações como esta?!... Limita-se a incentivar os contribuintes – como o fez hoje um “miúdo” deputado da maioria – a boicotar a aquisição de bens no grupo?!... Tenham juízo senhores…
É evidente estarmos perante uma manobra, cuja finalidade é fugir a pesadas tributações e a que os grandes capitalistas chamam de planeamento fiscal. Porém - e é bom que se diga - o patrão da Jerónimo Martins não é o primeiro a fazê-lo, como parecem os nossos políticos ignorar ou terem já esquecido. Amorim, o português mais rico e Belmiro de Azevedo, o terceiro do ranking, já igualmente o fizeram.
O nossos governantes deveriam perceber, que as empresas, sejam elas nacionais ou estrangeiras, estão onde lhes proporcionam condições para investir e lhes permitam crescimento e rentabilidade aos seus accionistas. Infelizmente porém, esta é arealidade que nos assiste e a triste consequência de um País que durante os últimos 30 anos andou a engordar, com aumentos consecutivos de impostos para empresas e trabalhadores, ao ponto de não poderem esticar mais a corda e sem se vislumbrarem soluções. Portugal tornou-se num monstro devorador, alicerçando modelos de gestão sem qualquer sustentabilidade. O Pais não cresceu, antes engordou. Tornou-se balofo e à mercê da corrupção que há muito se encontra instalada, e parece, poucos quererem combater. Não tardará muito, que Passos Coelho esteja a pedir mais sacrifícios aos portugueses.
Não é preciso ir a Coimbra, para se perceber que o desenvolvimento da economia não requer aumento de impostos, antes pelo contrário. Ora sendo assim, a JM apenas fez aquilo que os seus accionistas, lhe pedem diariamente –crescer, criar emprego barato e remunerar os seus accionistas convenientemente. Quanto ao resto e para além do patriotismo de latão subjacente, quem vier atrás que feche a porta. É que esses, os que vêm atrás e que são sempre os mesmos, não têm qualquer hipóteses de fazer “emigrar” os seus capitais, para onde quer que seja. Pagam cá, pagam bem e pagam por quem devia pagar e não paga…
Para terminar, lanço esta pergunta simples: Perante os factos e a conjuntura actual, quem se atreve a investir no país?!... Infelizmente, já não há “homens como antigamente”….





