05 janeiro 2012

O PATRIOTISMO DE LATÃO DOS GRANDES GRUPOS ECONÓMICOS...

Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República “sacudiu a água do capote”, e dando uma no “cravo e outra na ferradura”, deixou um sério aviso: O ano de 2012 vai ser terrível para os portugueses. Portugueses, que estou em crer, esperavam bem mais do professor Cavaco e em boa verdade dispensavam tal aviso.
Todos sabemos, que cada hora que passa, cada dia que vivemos e cada mês já vivido, reforça este sabor amargo e de amargura, que nos chega do futuro breve que vamos viver.
Nos dias que correm, os especialistas do sistema em finanças públicas, não se cansam de sublinhar as virtualidades do euro e de como a disciplina orçamental imposta pela Alemanha é benéfica para a nossa saúde financeira. Não se cansam de nos impingir, quanto benéficas são as novas regras de sanções, que o dueto Merkel/Sarcozy pretendem impor no futuro próximo à Zona Euro, para quem não cumprir o rigor do défice. Porém, sobre trabalho para produzirmos, sobre condições de viabilização da economia para que produzamos mais, nem uma palavra. Nesta Europa dos especuladores e dos agiotas dominada pela crueldade do dinheiro como mito maior da riqueza, e neste Portugal sem soluções, não existe uma decisão concertada que olhe os campos e as fábricas, os mares e as florestas para produzir a verdadeira riqueza.

Significa isto, que a continuarmos assim, não teremos hipóteses de não sermos confrontados com a “tragédia” . A “tragédia”, que neste momento é apenas uma questão a prazo -e convenhamos, a curto-prazo.Pior que tudo, é que só depois da casa roubada pelos tenebrosos e invisíveis mercados, iremos tratar de arranjar sólidas trancas. Ou seja, à função, que nos garantiu a diferenciação como seres humanos: pôr os nossos campos e os nossos mares a parir o sustento e a promover o trabalho e a riqueza.
Até lá, vamos comendo pargo do Congo, sardinha da Galiza, tomates de Marrocos, batatas de França, alhos da China e discutindo coisas em que parece que todos somos peritos: A forma de salvar o euro, continuando sob a guilhotina dos mercados e a incentivar o consumo nacional, que não chega para as encomendas…

Diz-nos a actual conjuntura politica e económica, que somos um país em recessão!... Uma recessão que tenderá a agravar-se, como consequência das politicas do governo e das tremendas dificuldades porque passa o povo português, sujeito que está, a uma austeridade sem qualquer nexo…
Da forma como se nos apresenta o quadro, quem ousa afinal investir neste país, pagando impostos brutais, quando os capitais dos grandes grupos económicos nacionais, seguindo aliás o conselho do primeiro-ministro, “emigram” para zonas de conforto, como aconteceu agora com a deslocalização das acções da Jerónimo Martins para uma subsidiária na Holanda.
E o que faz o governo, para combater situações como esta?!... Limita-se a incentivar os contribuintes – como o fez hoje um “miúdo” deputado da maioria – a boicotar a aquisição de bens no grupo?!... Tenham juízo senhores…

É evidente estarmos perante uma manobra, cuja finalidade é fugir a pesadas tributações e a que os grandes capitalistas chamam de planeamento fiscal. Porém - e é bom que se diga - o patrão da Jerónimo Martins não é o primeiro a fazê-lo, como parecem os nossos políticos ignorar ou terem já esquecido. Amorim, o português mais rico e Belmiro de Azevedo, o terceiro do ranking, já igualmente o fizeram.
O nossos governantes deveriam perceber, que as empresas, sejam elas nacionais ou estrangeiras, estão onde lhes proporcionam condições para investir e lhes permitam crescimento e rentabilidade aos seus accionistas. Infelizmente porém, esta é arealidade que nos assiste e a triste consequência de um País que durante os últimos 30 anos andou a engordar, com aumentos consecutivos de impostos para empresas e trabalhadores, ao ponto de não poderem esticar mais a corda e sem se vislumbrarem soluções. Portugal tornou-se num monstro devorador, alicerçando modelos de gestão sem qualquer sustentabilidade. O Pais não cresceu, antes engordou. Tornou-se balofo e à mercê da corrupção que há muito se encontra instalada, e parece, poucos quererem combater. Não tardará muito, que Passos Coelho esteja a pedir mais sacrifícios aos portugueses.

Não é preciso ir a Coimbra, para se perceber que o desenvolvimento da economia não requer aumento de impostos, antes pelo contrário. Ora sendo assim, a JM apenas fez aquilo que os seus accionistas, lhe pedem diariamente –crescer, criar emprego barato e remunerar os seus accionistas convenientemente. Quanto ao resto e para além do patriotismo de latão subjacente, quem vier atrás que feche a porta. É que esses, os que vêm atrás e que são sempre os mesmos, não têm qualquer hipóteses de fazer “emigrar” os seus capitais, para onde quer que seja. Pagam cá, pagam bem e pagam por quem devia pagar e não paga…

Para terminar, lanço esta pergunta simples: Perante os factos e a conjuntura actual, quem se atreve a investir no país?!... Infelizmente, já não há “homens como antigamente”….

18 dezembro 2011

A CRISE DO EURO E AS FRAGILIDADES NACIONAIS...

A “crise do euro” está a despertar velhas hostilidades entre os diversos países do velho continente. É a França contra a Grã-Bretanha; é a Grã-Bretanha contra a França; a prazo, será a França contra a Alemanha, e escusado será dizer, a Europa do sul contra a Europa do norte (e vice--versa). O grande projecto de paz está a degenerar numa venenosa retórica de “guerra”.

E a questão é esta: Cada hora que passa, cada dia que vivemos, cada mês já vivido, reforça este sabor amargo e de amargura, que nos chega do futuro breve que vamos viver. Já sem olharmos para os recursos do país, já sem grande esperança, para não dizer conformados com a nossa ruína, a Cimeira que "todos" diziam ir resolver os nossos pesadelos – e a nossa fome – terminou, mais uma vez, adensando as probabilidades de caminharmos para o desmembramento da União Europeia, e ainda que adiando mais um pouco, para o confronto quase inevitável com a nossa própria bancarrota. Este é o caminho "traçado por este governo" e o futuro que que nos espera…

Mas o mais impressionante, é que em todas estas cimeiras, encontros de ministros, presidentes, especialistas em finanças, especialistas em fiscalidade e outras criaturas divinas, não se escuta uma única só palavra sobre produção; sobre trabalho para produzirmos; sobre condições de viabilização das economias -particularmente da nossa economia, para que produzamos mais. A quem interessam afinal estas politicas?!... Nesta Europa dos especuladores e dos agiotas, dominada pela crueldade do dinheiro como mito maior da riqueza, não existe uma decisão concertada que olhe os campos e as fábricas, os mares e as florestas para produzir a verdadeira riqueza, que se resume na elementar capacidade de comer duas refeições por dia, SEM PEDIRMOS EMPRESTADA UMA CARCAÇA OU UMA ALFACE, aos “nossos amigos” alemães...
Conscientes da realidade nacional, na semana ora finda, os Bispos, em Nota Pastoral, lembraram ao Governo que as "políticas concretas" devem ter em conta a dignidade humana, classificando-a como "o princípio e também o fim duma sociedade propriamente dita". Parece óbvio!... Mas infelizmente para alguns não o é - cada vez menos o é -, e logo houve, quem no seu papel de cão fiel do Governo, criticasse a Igreja por andar a meter-se onde não é chamada. Mas cuidem-se… Se os Bispos “pecaram”, não foi certamente por excesso… A dignidade já é um bem de luxo taxado acima do salário mínimo - 485 euros-, abaixo do qual se fica isento também de viver com dignidade.

Nas grandes áreas metropolitanas, há muito que as Sopas dos Pobres vão engrossando!... Há muito que estão cheias de gente que desceu todos os patamares sociais e divide a mesa com os chamados sem-abrigo, porque essa é a sua única forma de sobrevivência. As políticas sociais, sejam elas nacionais ou europeias, já só têm em conta números. Cortes, défices, juros, desalavancagens, mercados e outros desmandos tais, que cada dia que passa leva mais gente à pobreza. Politicas que esquecem o mais elementar e sagrado: AS PESSOAS.
O melhor exemplo, é o recente aumento das urgências hospitalares para 20 euros, que torna impossível para muita gente ter saúde, sabendo-se que centros de saúde e toda a rede de cuidados primários não responde às necessidades básicas de um país que já paga dos impostos mais altos de toda a Europa. HÁ LIMITES – e não devemos ter medo de o afirmar - mesmo quando, quem nos empresta dinheiro, diz que é preciso subir ainda mais as taxas moderadoras. Haja pudor…

Os portugueses já pagaram muito caro o empréstimo que lhes fizeram, e por mais austeridade que a troika – Coelho, Portas e Gaspar - lhes imponha, os "mercados" castigá-los-ão sempre. É assim que a Alemanha quer, e é assim que vai continuar a ser. E meus amigos, vamos muito mal se nos continuarmos a “alimentar” apenas das (perversas) palmadinhas nas costas dadas por Angela Merkel sempre que há sinais de o défice baixar. Se há país a ganhar com a crise é a Alemanha. Compra o dinheiro a um preço de saldo - nem chega a 1% -, e empresta a 4 e 5%. Este é o verdadeiro óbice pelos alemães, à emissão de moeda pelo BCE. É que com a crise nacional, já pouparam cerca de 13 mil milhões de euros e muitos mais ainda irão poupar. Merkel, na sua lógica de cientista física da Alemanha, não tem um pingo de sensibilidade para com o sofrimento que está a causar, e com a “disciplina forçada” que impõe a toda a Europa, quando se sabe que a sua dívida pública é doze vezes mais que a portuguesa, italiana e francesa no seu conjunto . Resta saber, até quando os povos vão permitir tamanha leviandade…

03 dezembro 2011

SALVAM-SE OS BANCOS EXPLORAM-SE OS POVOS

Não é verdade que os portugueses tenham alguma vez vivido “acima das suas possibilidades” como se pretende fazer crer com a manipuladora e vergonhosa campanha dos meios de comunicação social inequivocamente paginados com os interesses do governo. E, quando escutamos os políticos da “situação” ou toda a vasta casta de “comentadores” pagos das televisões, todos eles não deixam de vincar bem que os tais portugueses que têm vivido “acima das suas possibilidades” são aqueles portugueses que vivem do rendimento do seu trabalho por conta de outrem ou do seu pequeno comércio ou industria, isto é, 90% da população (uma vez que aos outros 10% nunca lhes faltou dinheiro algum).
Como se fosse lícito e justo culpar os portugueses por terem recorrido ao crédito para comprarem as suas casas (porque só o crédito imobiliário atinge valores significativos). Esta campanha inequivocamente mistificadora e manipuladora, procura atingir um único objectivo - a resignação dos portugueses face às medidas de austeridade que o governo vem impondo e se prepara para agravar.
Como se torna cada vez mais claro, não são as dívidas públicas a verdadeira causa da crise orçamental e financeira que atinge os países da UE. A verdadeira causa, não é o endividamento das famílias mas o endividamento da Banca que tem vivido – essa sim - muito acima das suas possibilidades.
Uma Banca que se endividou até ao tutano, especulando com toda a gama de “produtos financeiros”, tóxicos, semi-tóxicos e não tóxicos, na ânsia de alcançar cada vez mais e maiores ganâncias. E, quando a “toxidade” explodiu, somaram-se perdas enormes que a descapitalizaram e a colocaram próxima da falência, valendo-lhe então a intervenção dos Estados. O que não tem sido suficiente, mantendo-se a ameaça de ruptura do sistema financeira, visível nos últimos dias pela própria ameaçada à derrocada da moeda europeia (dizem-nos que a reunião dos próximos dias 9 e 10 são decisivas).
É verdade que os défices orçamentais elevados não são desejáveis. E a má gestão associada à corrupção institucional praticada pelos governos nas últimas duas décadas sobretudo, atiraram os défices públicos do país para valores demasiado altos. Contudo, o país continuava e continuaria a financiar-se normalmente, isto é, a financiar-se com juros a taxas absolutamente razoáveis, não fora o eclodir e o posterior desenvolvimento da crise financeira internacional. Só quando as oligarquias financeiras, aproveitando-se da fragilidades das nações mergulhadas na crise, entenderam ser oportuno especular com as dívidas soberanas dos países, em sintonia (mais que em sintonia, em conluio) com os governos, o BCE, o FMI e a Comissão Europeia (CE), só então, os cidadãos se tornaram vítimas das medidas de austeridade que miserabilizam as suas vidas.
O BCE, o FMI e a CE, constituíram-se objectivamente em mentores e apoiantes da especulação financeira levada a cabo pelas oligarquias financeiras internacionais. A União Europeia ao invés de criar mecanismos que rompessem com a especulação de que são vítimas os seus países, sobretudo os economicamente mais frágeis, optaram antes por sacrificar as populações das nações intervencionadas aliando-se à especulação das oligarquias financeiras.
A verdadeira causa da intervenção da Troika e das medidas de austeridade por ela impostas e agravadas pelo governo, não foram os défices públicos elevados ou o endividamento das famílias, mas unicamente a desabrida e feroz especulação financeira sobre a dívida pública levada a cabo pelas oligarquias financeiras.
Obrigam os países intervencionados ao pagamento de juros elevadíssimos (dos 78.000 milhões de euros de “empréstimo”, Portugal pagará, só em juros, cerca de 35.000 milhões) convertendo o “empréstimo” num negócio altamente rentável. Retirando-se desta forma dinheiro às famílias endividadas para o transferir para as mãos das oligarquias financeiras através do BCE e do FMI.
A operação, o negócio, é simples e macabro. Especula-se com a dívida pública aguardando que os países percam resistência, até que finalmente, prostrados, sem forças para negociar, aceitem contrair empréstimos sob as mais severas condições e a qualquer preço. Ao ponto de abdicarem da própria Democracia, de eleições e de governos constitucionais, como aconteceu agora na Grécia e na Itália.
Contrariamente, há dois dias, um grupo dos maiores bancos centrais (BCE incluido) decidiu injectar dinheiro na banca europeia descapitalizada, a juros baixíssimos. É comovente esta aliança do apoio da banca mundial aos seus parceiros europeus.
Maior clareza e transparência quanto às verdadeiras intenções das forças que dominam hoje a economia globalizada, será difícil de encontrar.
Salvam-se os bancos, exploram-se os povos e as nações

25 novembro 2011

RESCALDO DE UMA GREVE - O QUE DIZEM AS "GRALHAS"...

As "Gralhas" não são apologistas da greve pela greve!... Mas quando alguém diz, que a greve geral de ontem, custou ao país meio-milhão de euros, os trabalhadores - dizem as "Gralhas" - só têm que se sentir felizes. É um sinal inequívoco segundo elas, de que o seu desempenho se traduz em frutos e de que os tempos exigem a união de todos os portugueses. E sendo assim, entendem elas, que parceiros sociais e Governo têm de encetar negociações para um Contrato Social, que valorize a paz social e uma politica de reanimação da economia e de criação de emprego. Defendem, nada ser possível, se estes princípios não forem levados em linha de conta e o Governo, continuar com a sua politica cega de destruir a nossa economia.
Infelizmente porém, nem toda a gente pensa – ou finge que pensa - assim!... Uns por ignorância, outros porque lhes convém e outros ainda, porque fazendo-se de “Trouchas”, não querem admitir realidades que são inquestionáveis.
Dizem as “GRALHAS”, a propósito da greve geral de ontem, que a mesma se destinou em primeiro lugar, a protestar contra as medidas de austeridade cega do Governo e da ‘troika’, e que não deve haver ninguém – mesmo aqueles que a coberto do anonimato, nos ‘sites’ de jornais e rádios, entre palavrões e erros de ortografia, reclamam a prisão e deportação dos sindicalistas e dos grevistas - que goste que lhes roubem os subsídios de Natal e de Férias, reduzam os ordenados, aumentem as horas de trabalho, carreguem nos impostos, cortem nos direitos à saúde e à educação, ou que façam de Portugal um País sem futuro para os jovens da actualidade.
Dizem ainda as “GRALHAS”, que deverão ser esclarecidos, os que entendem que um grevista é apenas alguém que não quer trabalhar, que a greve é um direito constitucional e que o primeiro prejudicado pela realização de uma paralisação é o grevista que não recebe esse dia de salário. E já agora, que o sacrifício e a generosidade dos grevistas, tem em vista não tanto o benefício próprio, mas o bem de TODOS, inclusivé dos que O acusam e insultam, mas que nem um dia de salário dão, para a melhoria da sua, e da vida dos outros.
É que segundo as “GRALHAS”, os prejuízos para a economia resultantes de uma greve geral representam apenas a perda de um dia. Enquanto os prejuízos que resultam para a economia da austeridade cega, que causa a recessão e dispara o desemprego – contra a qual se batem os grevistas - são para muitos e maus anos. Alguns serão mesmo para sempre...
As “GRALHAS” não têm medo, mas sublinham, que esse mesmo medo e a ameaça, são os maiores aliados do poder, na política de espoliação de quem trabalha, como são os piores conselheiros de quem tem que pensar muitas vezes entre o valor da coragem de parar um dia de trabalho e o preço de que o mandem parar de trabalhar para o resto da vida...

16 novembro 2011

UM FILME DE TERROR - (DESACONSELHÁVEL A PESSOAS SENSÍVEIS...)

Volvidas que são quase quatro décadas depois do 25 de Abril de 1974, seria suposto pensar, que o nosso país e os portugueses em geral, não voltariam a passar por uma “tragédia” próxima daquela porque passaram durante o período negro que antecedeu a revolução.
Nesses anos de ditadura, para além de se verem confrontados com uma guerra colonial sem nexo, para além de se verem confrontados com o “ceifar” de vidas humanas, eram também eles –os cidadãos portugueses, as primeiras vitimas do totalitarismo de Estado; da ausência de politicas que dessem resposta ao sub-desenvolvimento em que se encontrava o país; do ostrascismo internacional e de um governo que capitalizava todos os seus recursos para suportar os custos da guerra.
A pobreza, constituíu-se então, como um dos principais factores, que obrigou tanta e tanta gente a abandonar as suas terras, na procura de melhores condições de vida e de trabalho.
Os tempos mudaram!... A guerra colonial e a repressão, fazem parte de um passado já distante. Porém, outras “guerras” afligem hoje o quotidiano dos portugueses. As “guerras do capital financeiro", a “guerra da soberania”, a “guerra da corrupção”, a “guerra do clientelismo”, “ a guerra da saúde” , “a guerra da educação”, a “guerra do desemprego” e tantas outras “guerras”, que somadas nos conduzem de novo, à dependência e ao servilismo externo, à recessão, e também à ausência de respostas para o normal desenvolvimento económico do país, principal factor para um eficaz combate à crise.
As dificuldades -as tremendas dificuldades, bateram de novo à porta dos portugueses, e a fome e a miséria regressaram. Fome e miséria, que atingem já as populações mais vulneráveis e sem outros recursos de subsistência, que não sejam as suas magras pensões de reforma e de desemprego, as quais atingem já neste caso os 700.000 cidadãos segundo dados fornecidos hoje pelo INE, e mais 300.000 fora dos números oficiais.
Com o próximo Orçamento, instalou-se definitivamente o garrote. Está tudo a ser feita à medida da Troika e de acordo com as orientações da toda poderosa Merkel e do senhor Sarkozy quando aquela deixa. As consequências, traduzir-se-ão no aumento do desemprego, na falência de muitas pequenas e médias empresas e na maior recessão de toda a UE, no ano de 2012.
À semelhança das teorias actuais, já Salazar dizia, que «O pior é pensar-se que se pode realizar qualquer política social com qualquer política económica ». Ora ao sermos hoje confrontados com as palavras do senhor Primeiro-Ministro, “de que só poderemos sair da crise empobrecendo”, e de outros membros do Governo que convidam os jovens à emigração e os trabalhadores a darem-se por satisfeitos, com o miserável salário de 485 €, está tudo dito. De certeza que chegados a 2013, teremos um défice de 3%, mas o povo a “morrer de fome”...
Ora isto, é de todo em todo inaceitável!... O dinheiro que chega do exterior não vem de “borla”, e chegados aqui, seria esse o momento de Pedro Passos Coelho cumprir o que prometeu aos portugueses.
Como não o faz, é evidente que estes têm de reagir. Passos Coelho, apresentou-se ao país, evidenciando a sua modéstia e a sua incorruptibilidade. Como estava na moda, apresentou-se como alguém que nunca se serviu da politica para enriquecer. Evidenciou o seu PSD, como o “novo PSD”, como sendo aquele que não habitava no eixo Lisboa-Cascais, nem possuía nomes de família da Quinta da Marinha, reino dos milionários. Reivindicou a sua origem a um mundo suburbano, um mundo onde viviam os trabalhadores. Não se cansou até de fazer a distinção entre o automóvel que dizia usar e as potentes “bombas” dos seus concorrentes directos.
Ganhas as eleições, apresentou-se como chefe de um Governo de gente despretensiosa, de gente que não aprecia gravatas, de gente sem o título de doutores antes do nome, de gente que não viajava em lugares de executiva e de gente sem frotas de carros de luxo.
Apresentou um governo desprendido do poder e das suas regalias e um governo perto do povo. Até parecia que estávamos num país novo, numa nova galáxia. Uma galáxia, onde até o ministro da economia, tentando obedecer aos cânones, brotava simplicidade, uma simplicidade anedótica quando se virava para o povo e dizia “que o seu nome é Álvaro”.
Perante estes factos, quem seria capaz de adivinhar um governo de centro-direita, raivosamente neo-liberal, que não ouve ninguém?!... Um Governo que tem contra si, o tal “velho PSD”, o senhor Presidente da República, a Banca, os Militares, as Forças de Segurança, os Médicos, os Enfermeiros, os Juízes, os Advogados, os Professores, os Bombeiros, os Pequenos e Médios Empresários, os Reformados e até um Paulo Portas ausente, ao não assumir este orçamento?!...
Quando hoje se olha ao espelho, quando recorda todos estes malabarismos e vê as dificuldades porque passa o povo, Passos Coelho deve corar de vergonha ao ver ali retratada a sua triste figura.
Aquele que um dia acusou Sócrates de “por o país a pão e água”, é afinal o “vilão” que em dois anos e meio de governação confisca sete salários a cada funcionário público e quatro subsídios aos reformados; é aquele que sem pedir licença, se faz convidado em qualquer restaurante, se senta à mesa das famílias e lhe cobra 23% de IVA; é aquele que com a sua politica, empobrece o país ao ritmo de mais de oito milhões de euros diários; é aquele que contribui para uma redução do PIB em 1,7% comparativamente a igual período do ano passado; é aquele, que se prepara para colocar o país perante a maior recessão da U.E. no próximo ano.

QUANDO JÁ NEM O DIA DA REPÚBLICA NOS RESTA, QUE MAIS FALTARÁ ACONTECER, PARA, AGORA SIM, FICARMOS A PÃO E ÁGUA E REGRESSARMOS AO TAL PASSADO QUE NINGUÉM QUER?!......ESTA É EM BOA VERDADE, UMA PÁTRIA UTÓPICA...







10 novembro 2011

AS GRANDES ENCRUZILHADAS!...

1ª- Um candidato a primeiro-ministro que promete em campanha eleitoral, precisamente o contrário do que coloca em prática e de forma tão violenta, logo que chega à chefia do governo, não tem legitimidade democrática para governar. A democracia exige seriedade, e num acto eleitoral existe um compromisso entre as promessas do candidato e o eleitorado. O rompimento desse compromisso deveria levar à demissão imediata do candidato eleito. Só deste modo seria respeitado o voto do cidadão eleitor. A não ser assim, teremos que qualquer trapaceiro, qualquer vigarista, qualquer aldrabão mais habilidoso nas suas mentiras e trapaças, poderá alcançar com facilidade a chefia de um governo. HOMEM que se preze não MENTE, e muito menos, quando se trate de um candidato a 1.º Ministro. Passos Coelho mentiu, e a história julgá-lo-á, como o mais "profissional da mentira", de que há memória no Portugal democrático.

2ª- A crise política na Grécia, confirma uma vez mais que a situação económica do país é bem mais complicada do que pode parecer, e a anulação de uma parte da dívida não soluciona todos os problemas. Ainda que se suprimisse 100% da dívida (340 mil milhões de euros), a Grécia enfrentaria um futuro muito incerto ao ter a sua economia paralisada e amarrada ao euro. E enquanto a Europa busca como safar-se da Grécia sem destruir a zona euro; a Grécia procura livrar-se da Europa sem que isto implique a sua ruina. Enquanto caem governos, as empresas vão falindo e aumenta o sofrimento humano.
Como pode conciliar-se então, o facto de um país com uma economia tão débil, dar-se ao “luxo” de ter uma moeda tão forte como o euro?!... Responda quem souber... eu não sei.

3ª- E por falar em União Europeia, nunca como agora a sua natureza se tornou tão transparente. Portugal é o exemplo vivo e sui-generis dessa mesma transparência, senão vejamos:
A imagem vendida até à exaustão, pelos líderes europeus de uma UE amiga e solidária, não passou nem passa afinal de um grande embuste. Compreende-se agora com maior facilidade e clareza, a razão porque os mais ricos e poderosos países da Europa, se mostraram os mais entusiastas na criação da UE – ENCONTRAR CAMINHO LIVRE À EXPANSÃO DAS SUAS FORTES ECONOMIAS.
O que ainda não há muitas décadas atrás, apenas era alcançado através da força dos exércitos com ocupação militar dos territórios das nações vencidas, é hoje conseguido sem guerras e com a estúpida anuência dos governantes dos países dominados, através de acordos e tratados formalmente iguais para todos, mas profundamente desiguais em sua essência.
Portugal, tornou-se assim presa fácil das fortes economias, particularmente da França e da Alemanha, com os seus governantes assistindo à destruição acelerada da sua agricultura e industria, ao ponto de hoje o país se tornar dependente, em cerca de 60% das suas necessidades alimentares e industriais. ESTA É A VERDADE; ESTA É A REALIDADE…
Por paradoxal que pareça, tinham até, ontem como hoje, orgulho em se mostrar “bons alunos”, ao obedecer cegamente às imposições da Comissão Europeia. Pagava-se para arrancar os nossos vinhedos e olivais, para destruir a nossa frota de pesca e parque industrial. Em troca, cresciam como nunca as importações e oferecia-se dinheiro e crédito barato. Os “donos da Europa”, tinham assim a possibilidade de desenvolver a sua economia como nunca, criar emprego, produzir para consumo interno e vender aos “toscos” entretidos como andavam com as politicas subsidiárias da “Europa dos Cidadãos”.
Portugal perdeu assim, e no primeiro dia em que acedeu ao euro, a sua independência económica. Tinha perdido a única e mais poderosa arma de que dispunha – o escudo. A partir desse momento encontrava-se subjugado aos interesses económicos e do capital financeiro, dos mais poderosos países da UE, que lhe viria a ser fatal como hoje se verifica.
A União Europeia serve apenas os interesses económicos dos seus países mais poderosos. Serviu apenas para destruir e desestruturar as economias dos países mais débeis. E, por mais paradoxo que possa parecer, a nossa permanência na UE acabou por inviabilizar de facto o desenvolvimento racional e equilibrado da nossa economia.
A competição económica entre os países da UE nunca se mostrou tão declarada como agora. Como também nunca se mostrou tão manifesta a falta de solidariedade entre eles. Querem o dinheiro de volta que tão odiosamente nos emprestaram, no mais curto prazo. Pouco lhes importa que tal imposição atire o povo para a miséria e arruíne mais ainda a nossa economia. Os nossos actuais governantes, seus comparsas, prestam-se igualmente ao mais odioso papel – CONDUZIR O SEU PRÓPRIO POVO AO INCONTORNÁVEL PRECIPICIO.
As desculpas de o anterior Governo ser o "pai da criança" para justificar as violentas politicas do actual, de tão "queimadas" já cheiram a "esturro". As MENTIRAS, não acabaram pelos vistos com a campanha eleitoral, mas os portugueses saberão resistir, e não estarão dispostos à imposição de pagarem quando e como se quer, os buracos dos BPN`s, dos BPP`s, das SLN`s, dos Submarinos, dos F16, da Madeira, dos 11 mil milhões de crédito mal-parado resultante da especulação financeira e da recapitalização da banca a todo o custo. Com um governo e uma maioria resultante de uma MEGA-FRAUDE, protagonizada por um senhor que dá pelo nome de Passos Coelho, hoje primeiro-ministro de Portugal, só resta ao povo manifestar mais do que nunca a sua indignação e a sua revolta.