24 janeiro 2012

PORTUGAL SEM ANTÍDOTO PARA A "DOENÇA"...

Quando olho para a História recente do meu País, não consigo infelizmente descobrir muitas figuras de que me sinta orgulhoso, e diga-se de passagem, não me apetece perder muito tempo a pensar se noutros países será diferente. Preocupa-me isso sim, que o País em que vivo, seja consequência dos actos de uma enorme quantidade de personagens medíocres que nos têm governado, e que “a apagada e vil tristeza” pareça ser a nossa condição....
Na realidade, as personagens principais da nossa História recente, têm revelado demasiadas fraquezas para que pudéssemos ser melhores. Basta ver, que para muita gente, uma das figuras históricas mais importante do século XX, é ainda um homem, que contribuíu decisivamente para um atraso, que ainda hoje nos faz ter medo de existir. Chamou-se, António de Oliveira Salazar...
E pior que tudo, é que ao fim de quase quarenta anos de Democracia, as coisas parecem manter-se inalteráveis. Em boa verdade, é dos FRACOS QUE A HISTÓRIA VAI CONTINUAR A REZAR.
É hoje evidente aos olhos de qualquer cidadão, que qualquer “politico” desta nova vaga que nos tem desgovernado, tem direito a mais páginas do que teve por exemplo Salgueiro Maia. E dou este exemplo, apenas como prova inequívoca, daquilo que afirmo, tendo em conta, que não há comparação possível entre a generosidade nobre de um homem que não se aproveita da revolução que fez,  e a pequenez de certa gente, cuja visão, e  para além das vacuidades que frequentemente profere, é a procura de fórmulas, que conduzam ao empobrecimento das populações, à fome e à miséria. E a nossa triste realidade, é que este governo não se move por estratégias elaboradas, que modifiquem este estado de coisas, mas por convicções ou melhor dito, por uma única convicção, tipo fé, que se resume em acreditar que é preciso tudo fazer para agradar aos mercados.Tudo o resto é secundário.

E se tal desígnio até é compreensível, o que não está porém explicado, é qual a utilidade prática deste desígnio para a generalidade dos portugueses.

O governo aumentou impostos, cortou salários, reduziu drasticamente a liquidez em circulação e a atividade económica, provocou uma catadupa de falências e um crescimento brutal do desemprego. O país entrou em recessão e praticamente todos os indicadores económicos pioraram. Para quem não gosta de estatísticas, basta andar pelas ruas e ver a quantidade impressionante de lojas que fecharam e casas para vender e alugar que ninguém quer. Ou falar com os amigos e vizinhos e constatar o pânico e a falta de dinheiro. Concentrados na austeridade, no défice e na conquista emocional dos mercados, não estamos a abordar aquilo que realmente devia estar na ordem do dia, que é o DESENVOLVIMENTO DA NOSSA ECONOMIA. A tarefa prioritária de um governo e aquilo que se devia estar a discutir e não está, seria portanto definir que funções do Estado são essenciais e o que deve ser desmantelado. Saúde, Educação, 
Segurança Social, Segurança, Fiscalização e Regulação, são óbvias. Tudo o resto pode ser reavaliado e redefinido.Mas o governo não o faz, e para além de não o fazer, ainda ataca os que ousam levantar a vóz, reclamando a justiça que lhe é devida. 

Os nossos governantes andam ou fazem-se de muito esquecidos. É preciso recordar-lhes, que os cidadãos pagam impostos em troca de direitos e serviços fundamentais. O Estado não faz nenhum favor quando trata um doente num hospital. Ao contrário do que se diz com frequência, a saúde não é gratuita, pois foi paga em adiantado pelos contribuintes. As pensões não são benesses, as pessoas já as pagaram antecipadamente. O Estado, que hoje só aparece como cobrador, é um grande devedor. Não se vire o mundo de pernas para o ar.
O que hoje verificamos, é que a “doença” que vem atacando Portugal desde há décadas,  para além de não ter sido contida se agrava todos os dias!... Os portugueses pagam à “Troika” a módica quantia de 22 milhões de Euros por dia. Isto é obra!... Uma obra que certamente acabará certamente por descambar...
Atravessamos um dos momentos mais difíceis da nossa história, que terá que ser resolvido com urgência, sob pena de deflagrarem crescentes tensões e consequentes convulsões sociais. E não venham dizer, que a “doença” que afecta o país, se deve ao facto dos portugueses terem vivido acima das suas possibilidades!... Pelo menos, aquele leque de portugueses que sempre viveram da força do seu trabalho, o que não significa, que outros o fizessem, particularmente, os que se dedicaram por demasiado tempo à “bobaiéla”, e iniciaram a sua actividade laboral, quase ao mesmo tempo que outros, já se aprestavam para usufruir da sua “merecida” reforma...
Mas deixando de fora estes casos pontuais, o que interessa ao país é que se acabe com a demagogia e com o populismo barato dos incompetentes. Importa pois de forma séria e em primeiro lugar averiguar as verdadeiras causas da “doença”, que são muitas.
A juntar a outras, designadamente a recente crise provocada pelos agiotas financeiros, há porém uma que tem décadas e que revela a fraqueza de quem nos tem governado !... Começa exactamente com a má aplicação dos dinheiros emprestados pela UE, para o esforço de adesão e adaptação às exigências da Comunidade.
Portugal foi dos países, onde mais mais investimento "per capita" se fez e dos que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou o tecido empresarial, regrediu na qualidade da educação e vendeu ou privatizou, mesmo actividades primordiais e património que poderiam ser hoje um sustentáculo.
Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas; obras megalómanas; constituição de centenas de instituições público-privadas; fundações e institutos de duvidosa utilidade; auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício; pagamento a agricultores para deixarem os campos; a pescadores para venderem as embarcações; apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles nos principais Partidos politicos; elevados vencimentos nas classes superiores da administração pública; o tácito desinteresse da justiça face à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza da Banca, da especulação e nos grandes negócios, desenvolvendo ao contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos trabalhadores, pequenos e médios empresários e na população mais pobre. Esta é que é efectivamente, a génese da “doença” que afecta o país, que continua sem antídoto e não aquela que o actual primeiro-ministro nos procura vender, como tivesse sido ele um “mouro de trabalho” ou fosse exemplo para alguém...
Mas para além de nada se fazer, que contrarie este estado de coisas, hoje a política lusa, é um campo escorregadio onde os mais hábeis penetram!...
Os Partidos politicos  cada vez mais desacreditados (segundo a última sondagem) aos olhos dos portugueses, funcionam essencialmente como agências de emprego. O PSD agora mais conservador que nunca, dependente de um tecido empresarial abastado e mais à direita o CDS com uma actividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem publica diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam, são os melhores exemplo dessa mesma politica, que custa milhões aos contribuintes .
À esquerda, com um PS “preso” à Troika, com um BE com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, o qual manifesta um horror atávico à chamada esquerda e à população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio, e um PC menosprezado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na antiga União Soviética, deixa os portugueses descrentes.
Ora sendo assim e a nada se alterar, não se encontrarão forças capazes de modificar o status, mais parecendo que a democracia pré-fabricada, não encontra novos instrumentos de salvaguarda...
Na génese deste beco sem aparente saída, está a fraca participação civica dos cidadãos a quem se pede mais; está a impreparação - ou melhor - a “ignorância” de uma população deixada ao abandono nesse fulcral e determinante aspecto. Não tão bem preparada quanto seria exigível nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não se vê  em determinadas franjas da população, capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação, a qual deixa muito a desejar, dado na sua esmagadora maioria ser pertença de privados ligados à alta finança, à industria, ao comércio, à banca e às infiltrações accionistas de vários países.Quando qualquer assunto está na ordem do dia, logo ela aparece para servir de analgésico...
Este é efectivamente o “clima” que interessa  ao poder instalado, para que nada mude. E sendo assim, é bom de ver, que com este caldo não se pode cozinhar uma alimentação saudável para o país, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda!... Empobrecimento, recessão, fome e desemprego.
Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres, para as centenas de milhares de desempregados e para a instrumentalização do povo.
A televisão governamental, está dominada por elementos dos dois partidos do poder, com notório assento dos “sociais-democratas”, especialistas que são, em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho, enquanto o afastamento dos mais velhos, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, está a ser notória...
Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas, e por isso "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano, que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas, e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia.
Não!... Assim não vamos lá...
Os portugueses estão cada vez mais pobres. e a “doença” alastra... E alastra de tal forma, que é o recente “crânio”, designado para a EDP, que já vem dizer que além dos 78 mil milhões, emprestados pela “Troika”, o país precisa de mais vinte mil milhões.
Catroga disse mesmo: Portugal precisa que um "conjunto de gurus, nacionais e internacionais, que nos ajudem a definir um programa bem estruturado para apresentármos internacionalmente". Ora isto, vindo de onde vem e com as responsabilidades que teve em todo o processo que levou Passos Coelho ao governo é no mínimo, “um retirar do tapete às politicas defendidas pelo primeiro-ministro” . Mas sobre isto, ninguém diz nada, não serve o sistema...
Não fosse Portugal um país sem sociedade civil, e sem pensamento político livre e autónomo, e por esta altura devíamos estar a discutir algumas ideias de Henry Thoreau...
Thoreau e alguma esquerda libertária, consideram que qualquer alteração social sustentável deve partir dos próprios indivíduos e da sua consciência, em oposição à tirania do Estado. Este não pode fazer tudo o que quer, nem gastar o dinheiro dos contribuintes de forma discricionária e venal.
Portugal tem de acordar!... Caso não o faça, continuaremos a conviver com os FRACOS QUE A HISTÓRIA nos reserva...

16 janeiro 2012

O PAÍS AFUNDA-SE, O GOVERNO DESCREDIBILIZA-SE E O CONTRIBUINTE PAGA!...


- O Partido Socialista, acusou PedroPassos Coelho de não falar verdade sobre nomeações;
- Rui Rio critica o Governo e sugere uma meia-volta, na busca do caminho certo;
- Paulo Portas zanga-se com Rio, pelas criticas feitas às nomeações para as Águas de Portugal;
- António Capucho e Lobo Xavier, não poupam críticas a Passos Coelho, classificando as nomeações feitas pelo seu Governo, como castigo aos consumidores  e uma avalanche em pacote.
- Mota Soares -o tal da Vespa, torna-se na cópia fiel de Passos Coelho, e o que dizia enquanto deputado, passou a desdizer como Ministro.
Enquanto isto, o Ministro das Finanças com as suas contas, feitas à moda não se sabe de quê, já leva em Janeiro uma derrapagem orçamental de 500 milhões, porque segundo ele, se esqueceu de contabilizar as dividas aos hospitais e as pensões dos bancários;
A economia paralela atinge já os números assustadores de 25% do PIB nacional, correspondente a 43 mil milhões de euros, que davam para pagar toda a dívida e ainda sobrava dinheiro;
O Partido Comunista,  protesta... mas os resultados dos seus protestos são “zero”;

O Bloco de Esquerda, faz denúncias atrás de denúncias, mas o clientelismo e a corrupção parecem ter pegado de estaca;
Este é o retrato do país que temos!... Um país, que no meio de toda esta engrenagem, se afunda cada vez mais, sem que seu Povo, vislumbre uma luz que seja ao fundo do túnel!... Um país, cada vez mais castigado pelas agências financeiras em função das fracas perspectivas de desenvolvimento económico e pelos agiotas, e um povo, que pese embora os mais violentos sacrifícios que lhe foram impostos e uma austeridade de que há memória, mesmo mobilizando-se para responder às exigências das necessidades, não vê respostas que criem expectativas positivas para o seu futuro e das gerações vindouras. Os lobbies, os interesses corporativos e as engrenagens politicas, falam mais alto que o interesse nacional e do seu povo.
Os portugueses já sabem, que desde que tomou posse, Passos Coelho, ainda não se cansou de  mentir!...  Definir, divulgar e colocar em prática um calendário rigoroso de aprovação das principais reformas, para comprometer os ministros e mobilizar os cidadãos e fazer  o ponto de situação da execução dos planos das reformas prometidas, são práticas que esperam por melhores dias...
Torna-se já hoje visivel, a descoordenação entre o Primeiro-Ministro e os restantes membros do Governo!... Três alterações às leis laborais em seis meses; quatro entrevistas do primeiro-ministro em 15 dias; três semanas de anúncios de alterações às taxas moderadoras; noticias de alterações a um OE acabado de aprovar; sim ou não, a medidas adicionais de austeridade; fuga de Paulo Portas aos grandes temas da actualidade; nomeações e prática compulsiva da mentira, são por demais sintomas que o enfraquecem, que o levam a práticas pouco recomendáveis e que mostra a descoordenação governamental.
A "terapia de choque" que está a ser aplicada a Portugal e aos portugueses pela "troika estrangeira", com a conivência e participação activa do governo português, muito semelhante aliás, à que foi aplicada no Chile de Pinochet pelos "Chicago boys" e em vários países da América Latina e do Leste Europeu pelo FMI, que se baseia nos quatro credos ultraliberais – desregulamentar, liberalizar, e privatizar tudo e cortes brutais nas despesas sociais e no investimento público – está a lançar Portugal numa recessão profunda e no abismo. O Governo e o Banco de Portugal têm mudado continuamente e para pior, as suas previsões. O Ministro das Finanças previa em Setembro de 2011, que a redução do PIB em 2012 seria -1,8%; em Outubro de 2011, as mesmas previsões subiram para -2,8%; e em Dezembro de 2011 a previsão de quebra na actividade económica em 2012 passou para -3%, ou seja: Menos 5.100 milhões € de PIB do que em 2011, quando nesse mesmo ano o, PIB já tinha tido um decréscimo, relativamente a 2010, em mais de 2.100 milhões €. As previsões do Banco de Portugal também mudam continuamente. No 3º Trimestre de 2011, o BP, previa que a quebra do PIB em Portugal em 2012, seria de -2,2%; mas no 4º Trimestre também de 2011, essa previsão foi agravada para -3,1%. É evidente que a recessão económica em 2012 será muito superior à anunciada pelo Governo e pelo Banco de Portugal, sendo muito provável uma redução do PIB de -5% em 2012.
A política de austeridade cega e destruidora, imposta pelo quinteto PSD/CDS/FMI/BCE/CE, a continuar assim , terá consequências dramáticas para os portugueses. Para concluir isso, interessa recordar que, segundo o Eurostat, a taxa oficial de desemprego em Portugal no fim do ano de 2011, atingiu 13,2%, o que corresponde a 732 mil desempregados oficiais. O Banco de Portugal no Boletim Económico de Inverno de 2011 (pág. 13), que acabou de divulgar, prevê que se verifique em 2012 uma redução de emprego de 1,8% - quase o dobro da de 2011 -, o que corresponde à destruição de 87 mil postos de trabalho. Se somarmos a este valor a previsão de novos trabalhadores que entram todos os anos no mercado de trabalho, rapidamente se conclui que o desemprego oficial deverá atingir, em 2012, pelo menos, 860 mil portugueses, o que corresponde a uma taxa oficial de desemprego de 15,5%. Mas se juntarmos a este valor, ainda todos aqueles desempregados que não são considerados nas estatísticas oficiais de desemprego – os "inactivos disponíveis" e o "subemprego visível" – rapidamente se conclui que o desemprego efectivo em Portugal deverá atingir, este ano, pelo menos, 1.213.000 portugueses, o que corresponde a uma taxa efectiva de desemprego de 21,1%. São valores dramáticos que provam de uma forma clara, a falência e a irracionalidade da política que o Governo PSD/CDS e a troika estrangeira teimam em prosseguir.
Mas ainda assim e perante estes números que são inquestionáveis, ao Primeiro-Ministro de Portugal, não se ouve uma palavra para combate a esta "praga"; ao Ministro das Finanças com ar de aluno compenetrado e obediente, apenas se ouve dizer, que "não existe outra opção que não seja cumprir" o que a troika estrangeira quer, e do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o que se sabe, é que de tão distraído que anda, nem deu pela retirada aos pensionistas, de uma valente fatia,às pensões abaixo dos 600 €, pensionistas esses, que na oposição eram nem mais nem menos, que a sua grande "bandeira". Resta saber, se o "buraco" que está a ser cavado será tão fundo, que teremos de renascer das cinzas...

05 janeiro 2012

O PATRIOTISMO DE LATÃO DOS GRANDES GRUPOS ECONÓMICOS...

Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República “sacudiu a água do capote”, e dando uma no “cravo e outra na ferradura”, deixou um sério aviso: O ano de 2012 vai ser terrível para os portugueses. Portugueses, que estou em crer, esperavam bem mais do professor Cavaco e em boa verdade dispensavam tal aviso.
Todos sabemos, que cada hora que passa, cada dia que vivemos e cada mês já vivido, reforça este sabor amargo e de amargura, que nos chega do futuro breve que vamos viver.
Nos dias que correm, os especialistas do sistema em finanças públicas, não se cansam de sublinhar as virtualidades do euro e de como a disciplina orçamental imposta pela Alemanha é benéfica para a nossa saúde financeira. Não se cansam de nos impingir, quanto benéficas são as novas regras de sanções, que o dueto Merkel/Sarcozy pretendem impor no futuro próximo à Zona Euro, para quem não cumprir o rigor do défice. Porém, sobre trabalho para produzirmos, sobre condições de viabilização da economia para que produzamos mais, nem uma palavra. Nesta Europa dos especuladores e dos agiotas dominada pela crueldade do dinheiro como mito maior da riqueza, e neste Portugal sem soluções, não existe uma decisão concertada que olhe os campos e as fábricas, os mares e as florestas para produzir a verdadeira riqueza.

Significa isto, que a continuarmos assim, não teremos hipóteses de não sermos confrontados com a “tragédia” . A “tragédia”, que neste momento é apenas uma questão a prazo -e convenhamos, a curto-prazo.Pior que tudo, é que só depois da casa roubada pelos tenebrosos e invisíveis mercados, iremos tratar de arranjar sólidas trancas. Ou seja, à função, que nos garantiu a diferenciação como seres humanos: pôr os nossos campos e os nossos mares a parir o sustento e a promover o trabalho e a riqueza.
Até lá, vamos comendo pargo do Congo, sardinha da Galiza, tomates de Marrocos, batatas de França, alhos da China e discutindo coisas em que parece que todos somos peritos: A forma de salvar o euro, continuando sob a guilhotina dos mercados e a incentivar o consumo nacional, que não chega para as encomendas…

Diz-nos a actual conjuntura politica e económica, que somos um país em recessão!... Uma recessão que tenderá a agravar-se, como consequência das politicas do governo e das tremendas dificuldades porque passa o povo português, sujeito que está, a uma austeridade sem qualquer nexo…
Da forma como se nos apresenta o quadro, quem ousa afinal investir neste país, pagando impostos brutais, quando os capitais dos grandes grupos económicos nacionais, seguindo aliás o conselho do primeiro-ministro, “emigram” para zonas de conforto, como aconteceu agora com a deslocalização das acções da Jerónimo Martins para uma subsidiária na Holanda.
E o que faz o governo, para combater situações como esta?!... Limita-se a incentivar os contribuintes – como o fez hoje um “miúdo” deputado da maioria – a boicotar a aquisição de bens no grupo?!... Tenham juízo senhores…

É evidente estarmos perante uma manobra, cuja finalidade é fugir a pesadas tributações e a que os grandes capitalistas chamam de planeamento fiscal. Porém - e é bom que se diga - o patrão da Jerónimo Martins não é o primeiro a fazê-lo, como parecem os nossos políticos ignorar ou terem já esquecido. Amorim, o português mais rico e Belmiro de Azevedo, o terceiro do ranking, já igualmente o fizeram.
O nossos governantes deveriam perceber, que as empresas, sejam elas nacionais ou estrangeiras, estão onde lhes proporcionam condições para investir e lhes permitam crescimento e rentabilidade aos seus accionistas. Infelizmente porém, esta é arealidade que nos assiste e a triste consequência de um País que durante os últimos 30 anos andou a engordar, com aumentos consecutivos de impostos para empresas e trabalhadores, ao ponto de não poderem esticar mais a corda e sem se vislumbrarem soluções. Portugal tornou-se num monstro devorador, alicerçando modelos de gestão sem qualquer sustentabilidade. O Pais não cresceu, antes engordou. Tornou-se balofo e à mercê da corrupção que há muito se encontra instalada, e parece, poucos quererem combater. Não tardará muito, que Passos Coelho esteja a pedir mais sacrifícios aos portugueses.

Não é preciso ir a Coimbra, para se perceber que o desenvolvimento da economia não requer aumento de impostos, antes pelo contrário. Ora sendo assim, a JM apenas fez aquilo que os seus accionistas, lhe pedem diariamente –crescer, criar emprego barato e remunerar os seus accionistas convenientemente. Quanto ao resto e para além do patriotismo de latão subjacente, quem vier atrás que feche a porta. É que esses, os que vêm atrás e que são sempre os mesmos, não têm qualquer hipóteses de fazer “emigrar” os seus capitais, para onde quer que seja. Pagam cá, pagam bem e pagam por quem devia pagar e não paga…

Para terminar, lanço esta pergunta simples: Perante os factos e a conjuntura actual, quem se atreve a investir no país?!... Infelizmente, já não há “homens como antigamente”….

18 dezembro 2011

A CRISE DO EURO E AS FRAGILIDADES NACIONAIS...

A “crise do euro” está a despertar velhas hostilidades entre os diversos países do velho continente. É a França contra a Grã-Bretanha; é a Grã-Bretanha contra a França; a prazo, será a França contra a Alemanha, e escusado será dizer, a Europa do sul contra a Europa do norte (e vice--versa). O grande projecto de paz está a degenerar numa venenosa retórica de “guerra”.

E a questão é esta: Cada hora que passa, cada dia que vivemos, cada mês já vivido, reforça este sabor amargo e de amargura, que nos chega do futuro breve que vamos viver. Já sem olharmos para os recursos do país, já sem grande esperança, para não dizer conformados com a nossa ruína, a Cimeira que "todos" diziam ir resolver os nossos pesadelos – e a nossa fome – terminou, mais uma vez, adensando as probabilidades de caminharmos para o desmembramento da União Europeia, e ainda que adiando mais um pouco, para o confronto quase inevitável com a nossa própria bancarrota. Este é o caminho "traçado por este governo" e o futuro que que nos espera…

Mas o mais impressionante, é que em todas estas cimeiras, encontros de ministros, presidentes, especialistas em finanças, especialistas em fiscalidade e outras criaturas divinas, não se escuta uma única só palavra sobre produção; sobre trabalho para produzirmos; sobre condições de viabilização das economias -particularmente da nossa economia, para que produzamos mais. A quem interessam afinal estas politicas?!... Nesta Europa dos especuladores e dos agiotas, dominada pela crueldade do dinheiro como mito maior da riqueza, não existe uma decisão concertada que olhe os campos e as fábricas, os mares e as florestas para produzir a verdadeira riqueza, que se resume na elementar capacidade de comer duas refeições por dia, SEM PEDIRMOS EMPRESTADA UMA CARCAÇA OU UMA ALFACE, aos “nossos amigos” alemães...
Conscientes da realidade nacional, na semana ora finda, os Bispos, em Nota Pastoral, lembraram ao Governo que as "políticas concretas" devem ter em conta a dignidade humana, classificando-a como "o princípio e também o fim duma sociedade propriamente dita". Parece óbvio!... Mas infelizmente para alguns não o é - cada vez menos o é -, e logo houve, quem no seu papel de cão fiel do Governo, criticasse a Igreja por andar a meter-se onde não é chamada. Mas cuidem-se… Se os Bispos “pecaram”, não foi certamente por excesso… A dignidade já é um bem de luxo taxado acima do salário mínimo - 485 euros-, abaixo do qual se fica isento também de viver com dignidade.

Nas grandes áreas metropolitanas, há muito que as Sopas dos Pobres vão engrossando!... Há muito que estão cheias de gente que desceu todos os patamares sociais e divide a mesa com os chamados sem-abrigo, porque essa é a sua única forma de sobrevivência. As políticas sociais, sejam elas nacionais ou europeias, já só têm em conta números. Cortes, défices, juros, desalavancagens, mercados e outros desmandos tais, que cada dia que passa leva mais gente à pobreza. Politicas que esquecem o mais elementar e sagrado: AS PESSOAS.
O melhor exemplo, é o recente aumento das urgências hospitalares para 20 euros, que torna impossível para muita gente ter saúde, sabendo-se que centros de saúde e toda a rede de cuidados primários não responde às necessidades básicas de um país que já paga dos impostos mais altos de toda a Europa. HÁ LIMITES – e não devemos ter medo de o afirmar - mesmo quando, quem nos empresta dinheiro, diz que é preciso subir ainda mais as taxas moderadoras. Haja pudor…

Os portugueses já pagaram muito caro o empréstimo que lhes fizeram, e por mais austeridade que a troika – Coelho, Portas e Gaspar - lhes imponha, os "mercados" castigá-los-ão sempre. É assim que a Alemanha quer, e é assim que vai continuar a ser. E meus amigos, vamos muito mal se nos continuarmos a “alimentar” apenas das (perversas) palmadinhas nas costas dadas por Angela Merkel sempre que há sinais de o défice baixar. Se há país a ganhar com a crise é a Alemanha. Compra o dinheiro a um preço de saldo - nem chega a 1% -, e empresta a 4 e 5%. Este é o verdadeiro óbice pelos alemães, à emissão de moeda pelo BCE. É que com a crise nacional, já pouparam cerca de 13 mil milhões de euros e muitos mais ainda irão poupar. Merkel, na sua lógica de cientista física da Alemanha, não tem um pingo de sensibilidade para com o sofrimento que está a causar, e com a “disciplina forçada” que impõe a toda a Europa, quando se sabe que a sua dívida pública é doze vezes mais que a portuguesa, italiana e francesa no seu conjunto . Resta saber, até quando os povos vão permitir tamanha leviandade…

03 dezembro 2011

SALVAM-SE OS BANCOS EXPLORAM-SE OS POVOS

Não é verdade que os portugueses tenham alguma vez vivido “acima das suas possibilidades” como se pretende fazer crer com a manipuladora e vergonhosa campanha dos meios de comunicação social inequivocamente paginados com os interesses do governo. E, quando escutamos os políticos da “situação” ou toda a vasta casta de “comentadores” pagos das televisões, todos eles não deixam de vincar bem que os tais portugueses que têm vivido “acima das suas possibilidades” são aqueles portugueses que vivem do rendimento do seu trabalho por conta de outrem ou do seu pequeno comércio ou industria, isto é, 90% da população (uma vez que aos outros 10% nunca lhes faltou dinheiro algum).
Como se fosse lícito e justo culpar os portugueses por terem recorrido ao crédito para comprarem as suas casas (porque só o crédito imobiliário atinge valores significativos). Esta campanha inequivocamente mistificadora e manipuladora, procura atingir um único objectivo - a resignação dos portugueses face às medidas de austeridade que o governo vem impondo e se prepara para agravar.
Como se torna cada vez mais claro, não são as dívidas públicas a verdadeira causa da crise orçamental e financeira que atinge os países da UE. A verdadeira causa, não é o endividamento das famílias mas o endividamento da Banca que tem vivido – essa sim - muito acima das suas possibilidades.
Uma Banca que se endividou até ao tutano, especulando com toda a gama de “produtos financeiros”, tóxicos, semi-tóxicos e não tóxicos, na ânsia de alcançar cada vez mais e maiores ganâncias. E, quando a “toxidade” explodiu, somaram-se perdas enormes que a descapitalizaram e a colocaram próxima da falência, valendo-lhe então a intervenção dos Estados. O que não tem sido suficiente, mantendo-se a ameaça de ruptura do sistema financeira, visível nos últimos dias pela própria ameaçada à derrocada da moeda europeia (dizem-nos que a reunião dos próximos dias 9 e 10 são decisivas).
É verdade que os défices orçamentais elevados não são desejáveis. E a má gestão associada à corrupção institucional praticada pelos governos nas últimas duas décadas sobretudo, atiraram os défices públicos do país para valores demasiado altos. Contudo, o país continuava e continuaria a financiar-se normalmente, isto é, a financiar-se com juros a taxas absolutamente razoáveis, não fora o eclodir e o posterior desenvolvimento da crise financeira internacional. Só quando as oligarquias financeiras, aproveitando-se da fragilidades das nações mergulhadas na crise, entenderam ser oportuno especular com as dívidas soberanas dos países, em sintonia (mais que em sintonia, em conluio) com os governos, o BCE, o FMI e a Comissão Europeia (CE), só então, os cidadãos se tornaram vítimas das medidas de austeridade que miserabilizam as suas vidas.
O BCE, o FMI e a CE, constituíram-se objectivamente em mentores e apoiantes da especulação financeira levada a cabo pelas oligarquias financeiras internacionais. A União Europeia ao invés de criar mecanismos que rompessem com a especulação de que são vítimas os seus países, sobretudo os economicamente mais frágeis, optaram antes por sacrificar as populações das nações intervencionadas aliando-se à especulação das oligarquias financeiras.
A verdadeira causa da intervenção da Troika e das medidas de austeridade por ela impostas e agravadas pelo governo, não foram os défices públicos elevados ou o endividamento das famílias, mas unicamente a desabrida e feroz especulação financeira sobre a dívida pública levada a cabo pelas oligarquias financeiras.
Obrigam os países intervencionados ao pagamento de juros elevadíssimos (dos 78.000 milhões de euros de “empréstimo”, Portugal pagará, só em juros, cerca de 35.000 milhões) convertendo o “empréstimo” num negócio altamente rentável. Retirando-se desta forma dinheiro às famílias endividadas para o transferir para as mãos das oligarquias financeiras através do BCE e do FMI.
A operação, o negócio, é simples e macabro. Especula-se com a dívida pública aguardando que os países percam resistência, até que finalmente, prostrados, sem forças para negociar, aceitem contrair empréstimos sob as mais severas condições e a qualquer preço. Ao ponto de abdicarem da própria Democracia, de eleições e de governos constitucionais, como aconteceu agora na Grécia e na Itália.
Contrariamente, há dois dias, um grupo dos maiores bancos centrais (BCE incluido) decidiu injectar dinheiro na banca europeia descapitalizada, a juros baixíssimos. É comovente esta aliança do apoio da banca mundial aos seus parceiros europeus.
Maior clareza e transparência quanto às verdadeiras intenções das forças que dominam hoje a economia globalizada, será difícil de encontrar.
Salvam-se os bancos, exploram-se os povos e as nações

25 novembro 2011

RESCALDO DE UMA GREVE - O QUE DIZEM AS "GRALHAS"...

As "Gralhas" não são apologistas da greve pela greve!... Mas quando alguém diz, que a greve geral de ontem, custou ao país meio-milhão de euros, os trabalhadores - dizem as "Gralhas" - só têm que se sentir felizes. É um sinal inequívoco segundo elas, de que o seu desempenho se traduz em frutos e de que os tempos exigem a união de todos os portugueses. E sendo assim, entendem elas, que parceiros sociais e Governo têm de encetar negociações para um Contrato Social, que valorize a paz social e uma politica de reanimação da economia e de criação de emprego. Defendem, nada ser possível, se estes princípios não forem levados em linha de conta e o Governo, continuar com a sua politica cega de destruir a nossa economia.
Infelizmente porém, nem toda a gente pensa – ou finge que pensa - assim!... Uns por ignorância, outros porque lhes convém e outros ainda, porque fazendo-se de “Trouchas”, não querem admitir realidades que são inquestionáveis.
Dizem as “GRALHAS”, a propósito da greve geral de ontem, que a mesma se destinou em primeiro lugar, a protestar contra as medidas de austeridade cega do Governo e da ‘troika’, e que não deve haver ninguém – mesmo aqueles que a coberto do anonimato, nos ‘sites’ de jornais e rádios, entre palavrões e erros de ortografia, reclamam a prisão e deportação dos sindicalistas e dos grevistas - que goste que lhes roubem os subsídios de Natal e de Férias, reduzam os ordenados, aumentem as horas de trabalho, carreguem nos impostos, cortem nos direitos à saúde e à educação, ou que façam de Portugal um País sem futuro para os jovens da actualidade.
Dizem ainda as “GRALHAS”, que deverão ser esclarecidos, os que entendem que um grevista é apenas alguém que não quer trabalhar, que a greve é um direito constitucional e que o primeiro prejudicado pela realização de uma paralisação é o grevista que não recebe esse dia de salário. E já agora, que o sacrifício e a generosidade dos grevistas, tem em vista não tanto o benefício próprio, mas o bem de TODOS, inclusivé dos que O acusam e insultam, mas que nem um dia de salário dão, para a melhoria da sua, e da vida dos outros.
É que segundo as “GRALHAS”, os prejuízos para a economia resultantes de uma greve geral representam apenas a perda de um dia. Enquanto os prejuízos que resultam para a economia da austeridade cega, que causa a recessão e dispara o desemprego – contra a qual se batem os grevistas - são para muitos e maus anos. Alguns serão mesmo para sempre...
As “GRALHAS” não têm medo, mas sublinham, que esse mesmo medo e a ameaça, são os maiores aliados do poder, na política de espoliação de quem trabalha, como são os piores conselheiros de quem tem que pensar muitas vezes entre o valor da coragem de parar um dia de trabalho e o preço de que o mandem parar de trabalhar para o resto da vida...