15 maio 2013

A O.C.D.E. E O “SEU” RELATÓRIO "PAPA-TOLOS"!... COM UM GUIÃO ASSIM, A REFORMA DO ESTADO VAI SER UMA QUESTÃO DE “CORTE E COSTURA”...

Sem pôr nem tirar, são setenta e três páginas de um verdadeiro flop!... Porquê?!...

Primeiro ponto: Os números da despesa usados e que servem de referência às respectivas conclusões, são (veja-se só) do ano de 2010, os mais elevados de sempre; 


Segundo ponto: Os anos de 2012 e 2013, que seriam como é óbvio os periodos, que deveriam ser considerados na análise, são simplesmente ignorados, pese embora a abismal diferença nas despesas efectuadas em 2010 e nos anos referidos;

Terceiro ponto: É visivel aos olhos de qualquer “curioso”, que esta gente nem sequer se deu ao “luxo”, de lero Orçamento de Estado 2013 e verificar o brutal e criminoso aumento de impostos, dando-se por via disso até ao luxo de recomendar um agravamento fiscal.

Temos portanto, que O Relatório da OCDE, mais não é que um documento “papa-tolos” e que serve apenas de validação das medidas de austeridade do governo português. Tudo o resto é “conversa fiada e para inglês ver”...
Senão vejamos: A crer no primeiro-ministro, o relatório foi “solicitado” pelo governo à OCDE como “apoio” para a reforma do Estado: «Seria um grande disparate, para não dizer um grande desperdício, termos solicitado este apoio da OCDE e ignorarmos esse contributo que agora a OCDE nos prestou» (Afirmações de Passos Coelho, na apresentação do Relatório em Paris). Está tudo dito, não precisa mais nada...

O que o primeiro-ministro não disse, é se o Relatório é uma “oferta” da OCDE, ou se é um trabalho pago, e nesse caso, quanto custou ao erário público a respectiva “encomenda”. Era bom saber, porque num momento em que não há dinheiro, ou há muito pouco para as universidades e centros de investigação portugueses, o governo poderia e deveria ter optado por seleccionar uma instituição nacional para realizar o trabalho de elaborar um estudo deste tipo e uma proposta para a reforma do Estado em condições. Ou será, que o primeiro-ministro julga a sua incapacidade, à imagem dos portugueses?!...

Ao escolher a OCDE, e sem pôr em causa a respeitabilidade de que esta organização é credora, o primeiro-ministro não quis verdadeiramente um relatório rigoroso, actualizado e ancorado na realidade nacional. ESTA É QUE É A VERDADE!...Quis isso sim um atestado de “bom comportamento”, espécie de credencial para passar à “FASE SEGUINTE” da purga.
O momento da sua divulgação oficial, não é aliás inocente e coincide objectivamente com a validação da sétima avaliação da troika. 
Com o seu relatório, a OCDE cauciona assim perante a troika, as desastradas políticas deste governo. Para servir osinteresses do governo, uma instituição portuguesa não teria o mesmo peso, embora fosse seguramente mais independente e produzisse sem qualquer dúvida, um trabalho mais útil e melhor fundamentado.

O relatório da OCDE é pois um flop. Como relatório de um estudante universitário em processo de pós-graduação, talvez passasse. Há recolha de dados, gráficos comparativos, inferências, recomendações e pouco mais. Falta-lhe enquadramento, as fontes são restritas, em alguns aspectos é mais um meta-relatório, baseado noutros relatórios com poucas novidades.
Não explicita a metodologia utilizada nem aponta objectivos claros. Não se funda em “trabalho de campo” realizado no País, não usou ferramentas de investigação como questionários, entrevistas a determinados grupos e a cidadãos nacionais para verificação de hipóteses, confirmação de dúvidas e identificação de problemas, é enfim... um relatório feito por pessoas que não conhecemos nem possivelmente, nos conhecem (a ficha técnica não aparece no PDF) nem os autores se quiseram conhecer. Porque será?!...

É, no fundo, um relatório ideológico, que julga por exemplo, caber-lhe definir o papel do Estado num País visto através de gráficos.

Há no entanto neste relatório, algumas coisas que o governo devia ler e sobre as quais a própria OCDE passa por cima, como se sentisse que não as podendo ignorar não pretende salientá-las.Exemplo disso, a necessidade de mais e melhor educação e formação dos recursos humanos, mais e melhor investigação científica, maior ligação entre a investigação e a indústria, alargamento do Simplex a todos os níveis da administração pública, justiça mais eficiente e veloz.

Ora, este tipo de considerações não interessam ao governo porque para as realizar é necessária uma visão estratégica do País, pessoal habilitado para conceber políticas e uma administração pública preparada e não destruída para as implementar.

Com este relatório, o governo vai fazer a única coisa que sabe fazer: Vai despedir professores, abandalhar o ensino, cortar nos rendimentos dos funcionários públicos, despedi-los, aumentar impostos, afundar ainda mais a economia e colocar o País numa recessão de que não sairá tão depressa.

Para além deste relatório não servir “coisissima nenhuma” para a reforma do Estado, o governo ainda por cima não sabe tirar dele algumas das ideias aproveitáveis que alegadamente possa conter. É que para isso também é necessário saber ler um relatório, coisa que alguns no governo saberão mas fingem que não sabem.

Com um “guião” assim, a Reforma do Estado vai ser uma questão de corte e costura.


06 maio 2013

O PACOTE DA “MISERABILIZAÇÃO” NACIONAL E A "TRÓIKA À PORTUGUESA"...


Finalmente falou o Dr. Paulo Portas. Custou mas saíu!... O país já desesperava pela sua sábia palavra e ela chegou, passadas que foram 48 horas!... Ainda bem...

Com a coreografia do costume, isto é, pose de Estado, ar circunspecto e contido, verbo fácil e claro, o Dr. Portas falou e disse. Nada que se não espere de um Ministro de Estado.
Como vai sendo hábito, o Dr. Portas, um dos mais experientes políticos no activo e com um curso de manha política que não foi adquirido por equivalências, fez um discurso com que imagina corporizar um tão falado consenso, ou seja, ficar de bem com “Deus” e com o “Diabo”, e manter a sua zona de conforto, perdão, o acesso ao poder, acompanhado seja de quem for.

Dito de outra maneira, o Dr. Portas pretende instalar-se na mais improvável das cadeiras, “Poder” e “Oposição” simultaneamente. Como é óbvio, não é tarefa fácil, mas para um homem experiente, inteligente e com visão, é um caminho atractivo. O Dr. Portas é um sobrevivente em permanente disputa por um lugar no poder, e para isso, demonstra um jogo de cintura de fazer inveja a qualquer enguia.

Porém e permitam-me que o afirme, sustentar um governo que toma medidas brutais, e mesmo assim pretender fazer crer que se opõe, lágrima no olho, a cada malfeitoria, é jogo de cintura que já não cola no subconsciente dos portugueses.

Plantar notícias nos jornais e botar faladura nas televisões, sobre supostos enfrentamentos homéricos em conselhos de ministros e largar venenos sortidos sobre colegas de governo, para surgir como o parceiro "bom" da coligação, e que só está por lá, para garantir que as coisas não serão tão más como poderiam ser, numa espécie de imolação dos seus princípios para nos salvar, é próprio de COMEDIANTES.

Hoje, o Dr. Paulo Portas prestou-se a esse papael!... O papel de comediante...

O lider de um partido que sempre encheu a boca com os agricultores, com a família, com os reformados e desfavorecidos, um homem que manda cartas aos militantes a jurar que "com ele" não se aumentarão mais impostos e a seguir vota o maior aumento fiscal da democracia portuguesa e que agora assina por baixo não pode sustentar um governo que está a destruir o país e ao mesmo tempo querer aparecer como o santo protector cá da terra.

Se Paulo Portas tinha um ideário, deixou de o ter - à excepção do seu programa de sempre: Sobreviver e acabar com o PSD, para um dia poder vir a ser Primeiro-Ministro. Com o discurso de hoje, talvez até tenha conseguido angariar mais alguns incautos...

Quanto ao governo e ao seu DOCUMENTO DE ESTRATÉGIA ORÇAMENTAL, bem podem Vitor Gaspar e Passos Coelho prégar que à noite se seguirá o dia, porque já ninguém acredita nas suas palavras.

Um dia apresentam-nos um plano de fomento e crescimento - digno de um aluno de primeiro ano de Economia e para satisfazer o senhor Pereira - para uns dias depois ser apresentado o dito DEO, que torna inexequíveis quaisquer medidas, por muito ténues que elas fossem.

Não vou entrar em pormenores sobre este “novo programa de terrorismo" social que aí vem, porquanto se tornaria demasiado cansativo. O que vou dizer isso sim e em primeiro lugar, é que chegou a hora de dizermos basta a um lunático que dá pelo nome Vitor Gaspar, que para infelicidade dos portugueses, foi um dia incumbido de gerir as contas públicas deste país.

Este homem a quem já suportamos tudo, quer destruír o país, quer desgraçar o seu povo, e isso, é a última coisa que poderemos permitir. O senhor Vitor Gaspar, como alguém que até já foi membro do seu governo o afirmou, não passa de “um psicopata social” e de “um louco (como MST afirmou no Expresso), que desde há dois anos a esta parte, se propõe dar cabo do país e não deixar pedra sobre pedra, se não fôr urgentemente travado e mandado regressar à nave de loucos de onde se evadiu”.

Mas Vitor Gaspar não está só nesta cruzada!... E não estando só, é preciso dizer também basta ao seu “Chefe”, enquanto principal timoneiro e responsável máximo pela desgraça que aflige o nosso povo, que tal como Vitor Gaspar, e para infelicidade dos portugueses, conseguiu um dia chegar ao “trono”, depois da monumental burla em que foi o principal actor.

Pedro Passos Coelho é um homem vingativo, um homem rancoroso e um homem que não olha a meios para atingir os seus fins. O ajuste de contas com os Juízes do Tribunal Constitucional, efectuado na última sexta-feira quando da sua comunicação ao país, é o melhor exemplo do seu carácter. Afrontando claramente este Orgão de Soberania, Passos Coelho com o "pacote anunciado", repôs tudo quanto este lhe havia rejeitado ao seu Orçamento. Por via diversa, “atirou a matar”, atingiu ainda com mais violência os mesmos alvos que o Tribunal havia protegido e para cúmulo, com o prazer acrescido e que foi notório de que “L`ÉTAT, C`EST MOI”.

Isso mesmo!... Passos Coelho não passa de um ditador, a quem um dia só restará emigrar, tal o ódio que o acompanha por esse país fora...

É verdade que Passos Coelho não anunciou o aumento de mais impostos!... Passos Coelho fez pior: Optou por ir directamente ao ganha-pão de cada uma das pessoas que trabalham para o Estado ou daquelas que descontaram uma vida inteira e têm reformas ou pensões. Os factos falam por si, e os aumentos da TSU dos FP para 13,50% (11%+2,5%), os cortes em salários públicos, pensões e despesas sociais, pois é dessas que se trata nos anunciados cortes de 10% nos ministérios, são o melhor exemplo.

São cortes e mais cortes para fazer frente ao que chamou de emergência nacional, ou seja, o estado a que o país chegou pela sua mão e pela do incompetente Gaspar.

São 4,8 mil milhões de euros que Passos fingiu querer discutir e dialogar com os parceiros sociais, mas vai impôr ao longo dos próximos anos e no Orçamento Rectificativo. Isto é um principio nunca visto e próprio de um Estado totalitário.

No meio disto tudo, o que mais aflige é o ataque a reformados e pensionistas. É um modelo insensível, impiedoso e carregado de injustiça, afectando os mais indefesos e os que já contribuíram e não têm expectativa de melhorar a sua vida.

Durante algum tempo, vieram-nos com o discurso, de que os sacrificios impostos, se deviam ao facto de termos vivido acima das nossas possibilidades!... Perante o facto, “levaram-nos a acredita” que viver uma vida digna, ter direito a segurança social, a saúde, a uma educação quase gratuita, não era para nós portugueses. Tinhamos que pagar as “asneiras” cometidas!... Tiraram-nos uma percentagem do ordenado, os subsidios, aumentaram o IVA e o IRS, despediram milhares de trabalhadores, encerraram empresas e estrangularam o comércio, tudo em nome do buraco de milhares de milhões, que Portugal deve e tem que pagar.

Afinal, agora ficamos a saber, devagar, muito devagarinho, que depois do BPN e do BPP e de outros BPNs e BPPs rebatizados, foram feitos outros negócios lesa-majestade, que lesando apenas alguns, têm de ser pagos por todos.

Ficamos a saber, que os tais buracos não se devem ao excedente de funcionários públicos, às pensões, ao Serviço Nacional de Saúde, às Escolas Públicas, isso sim, a “saláfrios” que fizeram contratos ruínosos que agora nos fazem comer o sangue que o diabo amassou. Ficamos a saber que nos enganaram e ficamos a saber, que afinal os desempregados, os pensionistas, os doentes, os estudantes, todos nós, não vivemos acima das nossas possibilidades. Os outros, esses sim, é que viveram e continuam a viver. 

Mas quanto a isto, o discurso de Passos Coelho foi completamente oco e vazio de conteúdo!... Sobre o desemprego nada, sobre retoma quase nada, sobre PPPs e sobre SWAPS nada de nada.

É lamentável, triste, miserabilista e indigno de qualquer homem que diz querer o melhor para o seu país e para os portugueses, ser tão forte com os fracos e tão fraco com os fortes.
Ao contrário de um Social-Democrata que não pode deixar de se indignar, Pedro Passos Coelho não tem vergonha na cara!... E não tem vergonha na cara, porque é um homem sem principios, um homem que em vez de defender o seu país e os interesses dos portugueses, apenas se preocupa com os elogios de Schauble e da ditadora Merkel.

Àparte tudo isto e se não fôr colocado um travão, que atire para bem longe esta gente sem principios, adulados pelos ditos Schauble e Merkel, tudo irá piorar e será muito difícil a qualquer Governo que se siga a esta trupe de fanáticos incendiários recuperar e reconstruir tudo o que está a ser destruído.

Começam a faltar palavras para descrever o mal que está a ser feito ao país e aos portugueses, e é estranho, muito estranho, que lá do seu Olimpo pessoal, o Presidente da República continue a observar tudo, como que nada seja parecido, a tantos episódios que em outras épocas o tivessem levado a fazer comunicações ao país.
Possivelmente jogará num campeonato muito próprio, mas uma coisa é certa: A História fará juz a tão fracas e perigosas figuras que nos governam.

25 abril 2013

"PARA QUE ABRIL NÃO SE APAGUE"!...

Comemora-se hoje o 39.º aniversário da Revolução, que a 25 de Abril de 1974 encheu de esperança muitas e muitos portugueses e portuguesas, instaurando a democracia e pondo fim a uma longa noite de 48 anos de ditadura.
“Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo” - assim chamou Sophia de Mello Breyner ao dia da liberdade. 

39 anos depois, o 25 de Abril tornou-se por assim dizer, o dia a dia. É a liberdade de cada dia, mesmo para aqueles que não sabem o que foi o 25 de Abril, ou para os que sem o pôr frontalmente em causa, tudo fazem para que pouco a pouco seja esquecido, minimizado ou deturpado.
Por isso, todos aqueles que fazem de conta que hoje é um dia como os outros, estão sem o saber, a comemorar o 25 de Abril. Porque foi o 25 de Abril que restituiu a todos os portugueses, mesmo àqueles que são contra ele, o direito de viver sem medo, de falar sem medo, e sobretudo, a liberdade de discordar sem medo.
Não se pode exigir que as novas gerações vivam o 25 de Abril como aqueles que sofreram com a ditadura e a ela se opuseram. Para os que nasceram depois, o 25 de Abril já faz de certo modo parte deles, é quase como o ar que respiram. Talvez não sintam a necessidade de o comemorar como as mulheres e os homens da minha geração, para quem o 25 de Abril continua a ser e será sempre, um dos dias mais belos das nossas vidas. 
Mas passados 39 anos, é tempo de a democracia portuguesa cumprir uma das principais obrigações, que é a de assumir com clareza a sua matriz fundadora e a de fazer a pedagogia dos seus próprios valores. Por isso, é hoje mais do que nunca necessário, tirar o 25 de Abril de uma espécie de “clandestinidade” ou de “opacidade” a que vem sendo submetido.

É também por aí que passa a reabilitação da política e a reconstrução da esperança. Hoje, passadas quase quatro décadas sobre essa bela madrugada, dizer que ainda estão por cumprir os sonhos de Abril, é mais do que um lugar-comum, assumir que há ainda um longo caminho a percorrer para dar ao povo português as condições de vida que todas e todos merecemos.
Se a meio da década de 70 éramos um povo pobre, pouco instruído, a viver num país pouco desenvolvido e onde o acesso à Saúde e à Educação era um privilégio à disposição de muito poucos, o que somos hoje em dia?!... 
As sucessivas políticas, vão deixando todo um povo à beira de uma depressão!... O número de famílias a viver no limiar da pobreza não pára de crescer.Os mais de 1 milhão de desempregados (que por si só representam cerca de 20% da população activa em Portugal) são disso um dos mais evidentes resultados. As medidas de austeridade são verdadeiras afrontas às conquistas de Abril, as políticas impostas pela troika e pela coligação ultraliberal deste governo são a mais evidente prova disso mesmo.

Serão novamente, os mais carenciados a sustentar a crise, enquanto os senhores do dinheiro continuarão a ser poupados a isso, mesmo sabendo que é sobre as suas consciências que deverá pesar a culpa por nos encontrarmos na situação actual.
A crise actual, resultado da falência de um sistema e da crise estrutural de outro, exige uma nova lógica na economia, outra dimensão na política, outra perspectiva global que tenha o homem como razão de ser.
Ousar o possível é ousar esse novo humanismo.
E por isso, é preciso recuperar um certo espírito do 25 de Abril, que não foi só precursor e pioneiro do que aconteceu, mas do que ainda não aconteceu. Não no sentido de voltar às utopias irrealizáveis, embora nós pensemos, como se dizia em Maio de 68, “devemos ser realistas, isto é – não exigir o impossível”.
E ousar o possível, é não aceitar sob o pretexto da chamada crise, uma ordem económica única, um pensamento único, um sentido único. Porque isso é também uma forma de colonialismo e totalitarismo. O colonialismo imposto pela lógica do mais forte.

A crise da chamada “melancolia democrática”, traduzida pela indiferença e a descrença perante a política, não se resolverá apenas com reformas institucionais e eleitorais. Só se resolverá voltando a dar à política uma dimensão humanista e uma perspectiva de transformação do mundo e da sociedade.
Era esse o projecto do 25 de Abril. E por isso digo que ele foi precursor não só do que aconteceu mas do que ainda não aconteceu. Porque, não haja dúvidas: Como já se viu no descontentamento popular, mais cedo ou mais tarde vai acontecer.

O que o 25 de Abril nos ensinou é que há uma outra dimensão das coisas, e que a alma de um país pode ser maior que o seu tamanho. E nós cá estaremos a lutar para que assim seja, porque é esse o tamanho que precisamos de voltar a ter: o tamanho, como dizia Natália Correia, da nossa “alma transportuguesa”, que é ao fim e ao cabo, o tamanho e o espírito do 25 de Abril.
Hoje aqui estamos para celebrar a Revolução!... Mas nos restantes dias do ano por cá nos manteremos, conscientes de que muitas e muitos portugueses continuarão a ver em nós uma voz activa na defesa dos seus direitos e liberdades.
VIVA O 25 DE ABRIL...

14 janeiro 2013

FMI E GOVERNO PREPARAM GOLPE DE ESTADO, AO QUAL É PRECISO DAR A DEVIDA RESPOSTA...


Hoje mais que nunca, é preciso voltar a “encher” o Terreiro do Paço e dizer “NÃO” a este governo e a estas politicas.
Passos Coelho e a sua equipa, perderam completamente o norte e os portugueses vivem o pior de dois mundos!... São os “reis dos impostos” em todo o espaço europeu, e os mais pobres e os que menos beneficiam dos serviços que o Estado teria por obrigação proporcionar-lhes, e não proporciona.
Mas o mais grave da situação, é que ainda as medidas que resultam da aplicação do Orçamento de Estado para 2013 vão no seu inicio, e já estão a ser postos à prova, para serem contemplados com mais um pacote de austeridade, em tudo superior ao que lhes foi aplicado no passado recente e se constituíu como um verdadeiro assalto à sua já depauperada carteira.
Com o conjunto de medidas que ontem foram apresentadas através de uma encomenda feita ao FMI e dissecadas pelo aprendiz da Goldman Sachs e dos projectos do Grupo Suez e do Eurohypo Investment Bank, que considerou "muito bem feito" o relatório apresentado pelo dito Fundo Monetário Internacional, o governo perdeu o respeito pelo País, pela Constituição, pela Democracia, pelos Portugueses e pelo Partido que o levou ao poder.
Estamos nem mais nem menos, perante um conjunto de medidas, que emanam de politicas criminosas e terroristas, que se julgavam já afastadas do cenário politico português, mas contra as quais iremos ter que nos confrontar .
Se nos situarmos no tempo e no contexto histórico, nem Salazar ousou ir tão longe.O comportamento deste governo, é uma vergonha nacional e uma afronta à dignidade do nosso povo. Esta gente não têm legitimidade politica, nem está mandatada para tamanho desmando e muito menos para a emanação de um autêntico “golpe de estado” que a ir em frente, dizimará o nosso país e o nosso povo.
E não têm legitimidade politica nem está mandatada, em primeiro lugar porque – felizmente – a Constituição da República Portuguesa que abominam e que todos os dias procuram subverter, não lhes permite; em segundo, porque nada disto fazia parte do seu programa e muito menos foi escrutinado pelo povo; e em terceiro, porque nada desta hecatombe que pretendem fazer abater sobre os portugueses fáz parte do Acordo com a Tróika e surge como resultado isso sim das suas desastrosas politicas e dos interesses externos e do capital.
A este governo falta-lhe TUDO!... Mas acima de tudo, falta-lhe respeito pelos portugueses. Mas se acha que não, e está assim tão seguro de si, que mostre a sua coragem e atire com a sua cobardia para trás das costas. Demita-se, diga o que pretende ao povo português, deixe de “vestir a pele de borrego”, assuma o ónus da responsabilidade que pretende atirar para o FMI e deixe que esse mesmo povo decida o caminho que pretende traçar. Basta de tanta mentira e de tanta trapalhada...
O que o país e os portugueses precisam é de HOMENS de bem e não de capatazes, que além de não serem exemplo para ninguém, além de negarem as evidências que os comprometem, a única coisa que sabem fazer, é defender os interesses do capital e dos agiotas, à custa dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas e dos pequenos e médios empresários.
Agora que tudo está a descoberto, o Secretário Moedas desentende-se com o Ministro Mota Soares, homem afoito que foi quem deu a cara pela operação TSU, mas que agora tem medo do que aí vem; o Ministro Crato, que teria a incumbência de despedir um terço dos professores, diz que sim e que talvez; outros ministros andam desorientados e o Primeiro -esse tal que tudo prometeu e nada cumpriu, desapareceu em combate, deixando os “soldados no campo de batalha entregues a si próprios e à sua insignificância.
Esta é por assim dizer a melhor forma de mostrar a valia e o bom senso de um homem e de colocar à prova a dignidade e a coesão social dos portugueses...
Perante esta realidade, até podiam “morrer todos” que não fariam cá falta, o grande problema é que o relatório é uma encomenda do governo tutelado pelo Primeiro!... É a sábia palavra do tutor de Portugal, que afirma peremptoriamente que não há alternativa à sua misericórdia. Baixar ainda mais os salários e despedir 100 mil, incluindo 30 a 50 mil professores, aumentar a idade da reforma, cortar 15% nas pensões que estão acima dos 300 euros (que é preciso que se diga não são encargo do Estado mas um investimento dos contribuintes ao longo de uma vida de trabalho), impôr taxas moderadoras que ultrapassam 10% de muitas reformas e converter os subsídios de férias e natal em títulos para serem pagos quando o rei fizer anos, tudo para ir “Repensando o Estado” é o maior crime cometido em Portugal nos últimos 40 anos.
Em finais de Fevereiro, o governo estará a apresentar estas e outras propostas. O prestigiado doutor Miguel Relvas, dirá que é inevitável, Paulo Portas que é para proteger as famílias,Vítor Gaspar que é duro mas vai fazer bem e resultar, Passos Coelho que estamos a recuperar, o Presidente que está preocupado e outros ainda, que o povo aguenta. Teremos então o momento da verdade desta frenética engenharia social, para fazer as pessoas ganharem menos, trabalharem mais, viverem pior e outros ainda “morrerem à fome”...
Afinal de contas, “Portugal não é a Grécia”, só vai a caminho...
Mas atenção: Este será também um tempo de verdade para as oposições mostrarem de vez aquilo que valem. Por duas razões: A primeira razão porque esta receita precisa de uma resposta SEM TRÉGUAS e que determine a agenda política de cada semana; e a segunda (se outro caminho não se vislumbrar) a exigência de eleições, dado este governo e esta maioria, ao avançarem com estas medidas, estarem a violar os principios fundamentais do Estado de Direito Democrático e a sua própria legitimidade eleitoral.
Ver-se-á então quem arregaça as mangas!... E chegados aí, os fortes serão os que sabem também, que a luta mais forte será fraca, se não se apresentarem como alternativa forte. É PRECISO "SOLTAR A GRAVATA", "PEGAR NA ENXADA" E ACABAR COM ESTA VERGONHA E COM A DESTRUIÇÃO DO PAÍS...


19 novembro 2012

A SEMANADA...


Em condições normais diríamos que a última semana não foi para cardíacos. 
Com as notícias que saíram soube-se que não só o défice de 2012 pode ser bem superior a qualquer número até agora avançado pelo governo, como se percebeu que mesmo com o desvio colossal previsto para a margem de segurança do Gaspar, mais as poupanças da refundação do Estado, a recessão vai ser bem superior ao estimado pelo governo, isto é, o país vai ser governado com base num orçamento que toda a gente sabe estar aldrabado mas já ninguém se lembra de dizer que não somos aldrabões como os gregos. Mas as coisas já ultrapassaram os limites da racionalidade e o problema já não é uma patologia do foro da cardiologia, estamos isso sim perante um país de loucos, dois dias antes de os portugueses perceberam como o país está sendo enterrado o primeiro-ministro organizou uma encenação em regime de co-produção com o governo da senhora Merkel para enganar o mundo apresentando um ajustamento bem sucedido, o modelo de sucesso que prova que as políticas defendidas pelo governo boche são as mais adequadas.
A declaração quase passou despercebida, o governador do Banco de Portugal atribuiu o desvio colossal nas receitas fiscais ao aumento da evasão fiscal, explicava assim o fracasso governamental e mesmo o seu próprio fracasso pois apesar de todos os seus técnicos e estudos, para não referir a sua vasta sapiência, nunca questionou a política fiscal do OE de 2012. Compreende-se que o senhor governador insinue a incapacidade da máquina fiscal, a alternativa seria assumir a sua própria incompetência e reconhecer que não teve competência para prever o óbvio, que as metas do OE de 2012 assentavam em previsões erradas ou falseadas e que a política fiscal violava os mais elementares princípios do bom senso. Quando seria de esperar que o senhor governado explicasse o impacto da recessão na destruição de empresas, na eliminação de empregos e na redução da receita fiscal o senhor governador optou por ser gandulo e em vez de se dar ao trabalho de fazer o que olhe competia assacou as culpas à máquina fiscal. Quando um governador de um banco central se comporta desta forma é porque vivemos num navio em que já são visíveis as ratazanas a fugirem como podem.
     
Quem ouviu o discurso indignado de Cavaco Silva imaginou um hospital cheio de polícias e manifestantes feridos e um parlamento parcialmente destruído na sequência dos incidentes ocorridos no dia da greve geral. É evidente que nada disso sucedeu e que não havia matéria para tanta indignação, tudo não passou de algum teatro típico a que os portugueses não estão habituados, mas é regra na Europa dos mais educados. Mas será que Cavaco estava preocupado com esta manifestação ou o seu discurso era dirigido a todos os portugueses e pretendia evitar que em futuras manifestações em vez de serem pequenos anarquistas a fazer barulho sejam duzentos ou trezentos mil cidadãos comuns e sem currículo criminal?!... 
   
O país pode ficar descansado, tem um presidente que trabalha pelo seu crescimento, compensando o impacto negativo da greve geral das cigarras, mas os tempos são melhores do que quando era primeiro-ministro, agora em vez de pedir para o deixarem trabalhar, Cavaco Silva informa que trabalha. Não só trabalha sem a obstrução das cigarras como reconhece que já não é um homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas, Cavaco reconheceu que estava optimista demais na sua mensagem de Ano Novo de 2010. Agora ficaremos todos à espera que em 2016, quando Cavaco já estiver dedicado à bisca na Quinta da Coelha admita que errou na mensagem de ano Novo de 2013, como também deverá ter errado nas de 2011 e de 2012.

20 julho 2012

QUASE TUDO GENTE HONESTA!... O BURRO SOU EU...


Contra as palavras de D. Januário Torgal Ferreira, junto-me à indignação do ministro da defesa e de comentadores como Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa!... O governo não é corrupto. Para se poder acusar o governo de corrupto teríamos de estar perante o trânsito em julgado de um governante, de vários governantes ou do governo no seu todo, por um crime de corrupção. Ora em Portugal, tal condenação para além de ser meramente teórica e especulativa só seria possível daqui a mais de dez anos, isto é, estaríamos mais perante uma condenação histórica do que jurídica. Nessa altura já o Paulo Portas teria netos...
Um dos aspectos mais curiosos deste debate é que os distraídos comentadores e o próprio ministro das Finanças consideram que os valores éticos e morais do país são os definidos no Código Penal. Coincidência das coincidências: Todos estes "rapazes" eram opositores do aborto e nunca avaliaram as mulheres que abortam segundo os preceitos do Código Penal, condenaram-nas com base nos seus valores éticos e religiosos.
Em Portugal, a moral, a ética e todos os valores que nos definem enquanto seres sociais e socializados, não decorrem dos nossos valores, da educação que recebemos ou dos nossos valores cívicos, tudo está reduzido ao código penal. Somos homicidas depois do crime provado e após o trânsito em julgado, isto é, não há canalhas, porque a canalhice não está prevista no Código Penal, das mesma forma, estão cheios de sorte os bandidos, os proxenetas e muitos outros espécimes, que a qualquer momento podem dizer, que por enquanto ser filho da puta não é crime.
Veja-se o caso do exemplar e ilustre dr. Relvas!... A primeira coisa que disse, não foi que a sua licenciatura corresponde ao que os portugueses pensam de uma licenciatura. Uma qualificação que além das aptidões profissionais adquiridas demonstra que o seu possuidor foi alguém que se dedicou ao estudo e que mereceu o grau depois de o demonstrar inequivocamente em exames. Os exames foram a treta que já se percebeu, o currículo era uma anedota, mas o ilustre dr. Relvas veio logo dizer que o seu diploma foi conseguido de acordo com a lei em vigor. 
Quando alguém trai os seus valores não é um traidor, é um cidadão exemplar e com direito a um lugar no céu, porque não violou qualquer norma do Código Penal. Quando alguém engana dois milhões de eleitores não é um aldrabão, é um político exemplar porque no Código Penal não há qualquer norma condenando políticos aldrabões e terminada a legislatura até pode pedir uma pensão vitalícia por conta dos serviços prestados à pátria.
O mesmo governo que reagiu ao bispo das Forças Armadas como se fossem virgens ofendidas, teve a distinta lata, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, de justificar os cortes dos vencimentos dos funcionários públicos e dos pensionistas e reformados, porque eram responsáveis pelas despesas do Estado. Portanto, até trânsito em julgado por condenação por corrupção, os ministros e os governos não são corruptos. Mas os funcionários públicos, os pensionistas e os reformados são corruptos e devem ser condenados a cortes nos vencimentos, porque foram eles que compraram os submarinos, que roubaram no BPN, que compraram os carros de combate que estão a enferrujar no Barreiro. São tão corruptos, que foram condenados sem qualquer julgamento ou direito a defesa e devem ser acusados publicamente dos seus crimes por um ministro tido por um santo homem, cumpridor de todas as obrigações cristãs, com excepção da procriação e que é conhecido por ser honesto acima de qualquer suspeita.
Corruptos são os portugueses, esses malandros que compram submarinos sem ter dinheiro e que levaram o país à falência por gastarem o que não tinham, e quando se gasta o que não se tem isso significa que roubaram. É por isso que o governo distinguiu os portugueses em dois grupos. Os banqueiros foram cidadãos exemplares e são ajudados, os patos-bravos têm direito a bolsas de horas de trabalho escravo e a despedimentos por inaptidão conforme as conveniências.Para todos os outros sobrou uma condenação a mais impostos, cortes salariais e desemprego. Os ministros são todos honestos, malandros são os desempregados porque não querem trabalhar.


Volto a contar a anedota do compadre que foi apanhado numa rusga numa casa de meninas!... Uma das meninas que ali fazia pela vida, desculpou-se dizendo que era manicura, a outra era cabeleireira, até que o nosso amigo exclamou "querem ver que a puta sou eu!...". Portas é um cavalheiro honesto, os filhos da puta que compraram os submarinos que agora são pagos com os nossos subsídios, são os enfermeiros que o Paulo Macedo está a contratar a trezentos euros por mês. QUASE TUDO GENTE HONESTA!... O BURRO SOU EU...