10 novembro 2014

ANTÓNIO GUTERRES-UMA REFERÊNCIA ÉTICA DA REPÚBLICA

Muito se tem falado ultimamente sobre António Guterres, a propósito da sua alegada candidatura à Presidência da República, ou até mesmo a Secretário Geral das Nações Unidas!... Independemtemente disso, apráz-me registar uma coisa: António Guterres, foi na minha modesta opinião, o melhor e mais bem preparado Primeiro-Ministro da Terceira República. Várias vezes o “combati” por motivos diversos, mas tal não invalida, o facto de reconhecer o seu elevado humanismo e a justeza do seu carácter

Nunca antes dele e muito menos depois, as exigências éticas foram tão longe como nos seus governos, e jamais a preocupação com os desvalidos foi tão forte. Nunca mais houve tão desvelado cuidado para não deixar enfraquecer os sindicatos. Era ele próprio, o Primeiro-Ministro António Guterres, que quando não conseguiam aguentar-se os sindicalistas, se rendia eles mesmo, para os salvar. Guterres sabia que sem sindicalismo não há democracia...

A envergadura intelectual deste homem, a sua dimensão moral e cívica e a sua solidariedade, fizeram dele o único político em quem votei entusiasmado, e em quem voltaria a votar se acaso viesse a apresentar-se a novo sufrágio.

Tudo aponta para o seu desapego ao cargo de Presidente da República, onde qualquer titular fará um bom lugar depois da saída do actual. Há vários cidadãos que dariam um excelente Presidente da República, sobretudo algumas mulheres de grande estatura política, sensibilidade e dimensão ética para o cargo, mas Guterres só há um.

Ficaria muito satisfeito, se Guterres viesse a ser o meu Presidente, mas também não ficarei desapontado, se o continuar a ver na generosa dedicação ao serviço dos espoliados ou a exercer quaisquer funções à escala mundial, com a visão cosmopolita, solidária e abnegada de que ele é capaz.

Os talibãs que já andavam a denegri-lo numa febre clubística para quem os interesses partidários estão acima dos do país, parece terem-se “calado por instantes”, e continuado a alimentar-se com as diatribes, os insultos e o fel que já destilaram para novas investidas.

Enquanto isso e independentemente do que venha a acontecer, António Guterres continuárá no podium como a maior referência ética do Portugal, onde o pântano era inevitável com o actual Governo e os ex-governantes que andam à solta, depois dos casos SLN/BPN, Moderna, BCP, Banif, GES/BES e o mundo subterrâneo de várias EPs, Fundações e tudo quanto a elas está ligado.

É uma honra para Portugal ter um homem da dimensão de Guterres.

05 novembro 2014

- A GRANDE FALÁCIA DO GOVERNO SOBRE DESEMPREGO!...



- MENOR TAXA DE DESEMPREGO, NÃO É SINÓNIMO DE MAIS EMPREGO;

- ENTRE JULHO DE 2011 E A ACTUALIDADE, PORTUGAL TEM MAIS 390 MIL DESEMPREGADOS.

À mulher de César não basta ser séria”!... E no caso em apreço, o Governo nem o é, nem parece sê-lo.Trata apenas de tentar tapar o "sol com uma peneira", para iludir incautos e fomentar ainda mais, aquilo a que já nos habituou: O DISCURSO DA MENTIRA.

Mas falemos então de desemprego e de taxa de desemprego!... É um facto que este valor da taxa de desemprego é um significativo indicador, se tivermos em conta que é preciso recuar até Fevereiro de 2012, para encontrarmos um valor muito próximo, e sem esquecer, que em Janeiro de 2013 a taxa se situava nuns preocupantes 17,4%. Ou seja: relativamente a este último periodo, a taxa de desemprego recuou 3,8%, mas isto são os valores percentuais...

Então e a realidade?!... O que significa esta redução de 3,8 pontos percentuais na avaliação do desemprego?!...

Em primeiro lugar, é preciso dizer-se, significa que o actual valor de 13,6%, corresponde a cerca de 740 mil desempregados. E em segundo, que embora a taxa tenha diminuído 3,8 pontos percentuais desde 2013, Portugal regista ainda a terceira pior taxa de empregabilidade este ano na União Europeia, com apenas 0,6% de empregos disponíveis.

Posto isto, o que aconteceu então a cerca de 2% dos desempregados, que cabem nos referidos 3,8% correspondentes ao desagravamento da taxa?!...

A questão não está nos números e as estatísticas são o que são, tendo em conta que os valores funcionam como referências que servem para ilações de várias formas e feitios, e muitas vezes deturpadas.E digo deturpadas, porque não é correcta a abordagem destes valores de forma absoluta, já que eles escondem outros factores.

Olhando os números, é um facto que desde que começou a crise há cerca de menos 230 mil desempregados, mas o outro lado da “tabela”, mostra-nos que apenas foram criados cerca de 100 mil novos empregos. Ou seja, para onde foram cerca de 120/130 mil portugueses?!...

Deixando de lado a questão da sazonalidade que implica factores que considero extremamente voláteis e questionáveis e se quisermos ir mais longe comparando a taxa de desemprego entre 2014 e 2012 (como foi feito em cima – valores muito próximos dos actuais), a verdade é que o NÚMERO DE EMPREGADOS nesse ano rondava os 4.680.000 e HOJE SITUA-SE nos 4.520.000 portugueses com emprego. Mesmo comparando com igual período de 2013 (cerca de 4.500.000 empregados) a recuperação, que se regista, apenas contempla cerca de 20.000 novos empregos.

E depois, há ainda a maquilhar estes valores da redução da taxa de desemprego, as constantes alterações às listas do IEFP pela perda do direito ao subsídio; o abandono dos desempregados na procura de emprego através dos registos do IEFP; os desempregados de longa duração, e ainda o subterfúgio tantas vezes encontrado pelo Governo, de incluir no rol dos empregados (saindo, mesmo que temporariamente, das listas de desempregados) os que se encontram ao abrigo dos “Contratos Emprego Inserção” e “Contratos Emprego Inserção +”, que no primeiro semestre de 2014 eram cerca de 160 mil - contra os 79 mil no início de 2013.

Isto sem contar ainda, com a realidade dos cerca de 100 mil portugueses que emigraram à procura de novos projectos e um futuro melhor, sejam eles jovens licenciados ou adultos mesmo que não qualificados.

A gente sabe que haverá quem não goste de ouvir esta realidade, mas quando se analisa o desemprego importa assentar bem os pés na terra, até pelo impacto que tem na economia e nas contas públicas. INFELIZMENTE O GOVERNO NÃO O FÁZ e deturpa os números. E não o fáz porque não é SÉRIO, na respectiva avaliação.

Para concluir dir-se-à apenas, que em Julho de 2011, antes do início da assistência externa, Portugal registava cerca de 4.890 cidadãos empregados.!... Hoje, após o primeiro semestre de 2014, apesar da tal “descida da taxa” o diferêncial é de cerca de 390 mil empregos a menos.
E esta não é uma folha de cálculo ou um mapa em excel!... É a realidade OFICIAL e a fotografia do país. São os números, mas também todos os portugueses que ainda formam infelizmente, filas significativas à porta dos Centros de Emprego.

MENOR TAXA DE DESEMPREGO, NÃO É, NUNCA FOI, SINÓNIMO DE MAIS EMPREGO...


UM ORÇAMENTO, QUE É O ESPELHO DAS “VIRAGENS ECONÓMICAS” DESDE SEMPRE PROMETIDAS, MAS NUNCA CONCRETIZADAS...

Depois de vermos aprovado o último Orçamento de Estado “engendrado”por este Governo, que nos levará a enfrentar 2015 ainda com mais sacrificios – e como sempre suportados pelos mesmos - importa agora olhar para trás e fazer um balanço das sucessivas "viragens económicas" prometidas por Passos Coelho, mas nunca concretizadas.

E olhar para trás, implica antes de mais fazer um balanço da actual governação e uma análise retrospectiva do que foram os últimos três anos e meio do legado de Pedro Passos Coelho ao comando do seu Governo e do Governo do irrevogável Paulo Portas.

O saldo - há que reconhecê-lo - dificilmente poderia ser mais negativo!... E dificilmente poderia ser mais negativo, por várias razões:
  • Porque se trata de um Governo sem palavra;
  • Porque se trata de um Governo que colocou portugueses contra portugueses;
  • Porque se trata de um Governo, que tratou como inúteis os pensionistas e os reformados, esquecendo ostensivamente o seu papel no desenvolvimento do país;
  • Porque se trata do Governo que mais potenciou a crispação na sociedade portuguesa;
  • Porque se trata de um Governo ostensivamente responsável por um conflito entre gerações;
  • Porque se trata de um Governo fomentador da pobreza;
  • Porque se trata de um Governo que jurou que a austeridade incidiria essencialmente sobre as gorduras do Estado, e uma vez no poder não teve dúvidas nem vergonha em “rasgar o contrato” feito com os eleitores, e aplicar sucessivas doses de austeridade sobre praticamente todas as camadas sociais, por vezes com requintes sádicos;
  • Porque se trata de um Governo, cujo Primeiro-Ministro em campanha, afirmou que cortar salários era um disparate, e mal chegou ao poder cortou meio subsídio de Natal a todos os trabalhadores, para no ano seguinte cortar dois ordenados à função pública e aos reformados;
  • Porque se trata de um Governo que afirmou ir fazer o ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa – como estipulava o programa da tróika - e em vez disso, procedeu ao maior aumento de impostos de que há memória – ao ponto do próprio ex-Ministro das Finanças o ter apelidado de “brutal” - e outros, de um “colossal assalto à mão armada”.
Este é pois um Governo ideologicamente fanático!...
  • Um Governo que quis “ir mais longe do que a troika”;
  • Um Governo que impôs a “austeridade custe o que custar”;
  • Um Governo que com a proposta de alteração da TSU, pretendeu retirar dinheiro aos trabalhadores para o entregar directamente às empresas;
  • Um Governo que continua a aumentar impostos, e não contente com isso, já promete mais cortes para o futuro;
  • Um Governo que não hesita em baixar o IRC em dois pontos percentuais, colocando milhões nos bolsos dos banqueiros e dos grandes empresários, mas que já promete cortes salariais para 2016.
Este é pois um Governo sem qualquer respeito pela Lei Fundamental e pelos princípios basilares do Estado de Direito!...
  • Um Governo que violou reiteradamente a Constituição, pondo em causa valores como a igualdade ou a confiança;
  • Um Governo que afronta descaradamente o Tribunal Constitucional;
  • Um Governo que legislou às escondidas, impondo maldades aos Portugueses nas suas costas, algo a que nunca a democracia tinha assistido.
Este é pois um Governo grosseiramente incompetente!...
  • Um Governo que proclamou que o tempo da impunidade tinha acabado, mas o melhor que conseguiu, foi paralisar por completo os Tribunais, instalando o caos no sistema judicial;
  • Um Governo que uma vez mais não conseguiu colocar os professores a tempo e horas, deixando milhares de alunos sem aulas;
  • Este é tal Governo que insultou os Portugueses, chamando-lhes piegas e aconselhando-os a emigrarem, para agora afirmar que o desemprego está a descer;
Este é pois um Governo sem visão nem estratégia para defender os interesses nacionais!...
  • Um Governo que tem vendido o país a retalho;
  • Um Governo que admitiu que a solução passava por “empobrecer”;
  • Um Governo que destruiu ou paralisou todas as saudáveis iniciativas de modernização que estavam em curso, como o Plano Tecnológico, a aposta nas energias renováveis, no carro eléctrico e na reconversão do Parque Escolar.
Este é pois um Governo, que não adoptou uma única medida relevante de desburocratização e simplificação administrativa, tendo pelo contrário regredido neste domínio!...
  • - Um Governo que por pura cegueira política, matou o programa de qualificação de adultos e de jovens - Novas Oportunidades - que tinha sido elogiadíssimo internacionalmente;
  • - Um Governo que praticamente deu cabo da Ciência em Portugal, estrangulando os centros de investigação e afunilando drasticamente as bolsas de doutoramento.
Este é pois um Governo sem preocupações sociais!...
  • Um Governo que invocou a “ética na austeridade”, mas invariavelmente piorou as condições de vida dos mais desfavorecidos, deixando muitos totalmente desprotegidos;
  • Um Governo que quis evitar um “cisma grisalho”, mas não fez outra coisa senão dificultar a vida aos reformados.
Este é pois um Governo de enorme descaramento, de afrontamento e arrogãncia politica!...
  • Um Governo que para se justificar, inventou um “desvio colossal” nas contas que vinham de trás, o qual nunca foi demonstrado;
  • Um Governo cujo ex-Ministro das Finanças do alto da sua cátedra e sobranceria nos tratava a todos como atrasados mentais;
  • Um Governo cuja Ministra das Finanças contratou swaps e cujo ex-Secretário de Estado vendeu swaps, que depois foram “avaliados” pela própria, procurando assacar responsabilidades ao anterior Governo.
Este é pois um Governo politicamente trapalhão!...
  • Um Governo que inventou briefings para se explicar e que se traduziram em verdadeiros tiros nos pés;
  • Um Governo que transformou o irrevogável em revogável e que transpôs inúmeras linhas vermelhas, contra tudo e contra todos;
  • Um Governo em que os Ministros sistematicamente dizem e desdizem e entre eles se contradizem;
  • Um Governo em que as decisões são anunciadas ou mesmo aprovadas em Conselho de Ministros, para depois ainda serem alteradas;
  • Este é pois um Governo que teve em Miguel Relvas e em Marco Costa os expoentes máximos da sua competência e dignidade.
Sendo justo reconhecer que as condições em que teve de governar foram particularmente difíceis, isso não pode desculpar tudo!... A grande verdade, é que um bando de aventureiros sob a capa do PSD e da Social Democracia, não tiveram uma única ideia mobilizadora capáz de atingir os objectivos inicialmente propostos aos portugueses. Tudo cheirou a engôdo, tudo foi falso como Judas e tudo se resumiu à austeridade "custe o que custar", destruindo-se até o que estava a correr bem, ao mesmo tempo que não se conseguiam produzir alternativas duradouras.
Este é pois um Governo sem esperança e que nos vai deixar muito pior do que estávamos!...
  • Um Governo que “trouxe” a Tróika para Portugal, mas que com Tróika ou sem Tróika, não procedeu nem foi capáz de levar a cabo qualquer reconversão estrutural da economia portuguesa, antes nos fizeram regredir em muitos aspectos;
  • Um Governo cujos indicadores nos indicam que falhou em toda a linha;
  • Um Governo que reiteradamente se apresenta a anunciar “viragens económicas” mas que nunca as concretiza.
É pois por isso urgente virar esta página negra na História de Portugal. História de Portugal, que certamente registará para os seus anais, o pior Governo da III Repúbluca.
A única boa notícia, é que este é o ÚLTIMO orçamento de um aventureirismo sem precedentes, e estamos de partida para viver os primeiros dos últimos dias deste Governo de má memória...

23 setembro 2013

- "RADIOGRAFIA" DA POLITICA À PORTUGUESA. ENQUANTO O POVO SOFRE, A GRANDE FARSA CONTINUA!.. O MAIOR EMBUSTE DE QUE HÁ MEMÓRIA...

Portugal não tem um governo!... Tem isso sim, um logro do qual o Presidente da República é o principal responsável. Como diria qualquer democrata que se preze, tem isso sim, um bando de gente pouco recomendável, que desiludida com o país, procura beneficiar até ao fim, do poder que Cavaco Silva lhe prorrogou, após a demissão do irrevogável Paulo Portas.

Em época de crise e desespero, não mexeram onde se comprometeram a mexer!... Mantiveram à solta as EPs, os benefícios às Fundações e as ajudas aos privados a quem obstinadamente querem entregar as funções sociais do Estado, ao mesmo tempo em que se apressam a despedir funcionários públicos e tentam confiscar pensões, a que chamam Reforma do Estado.
As apreciações da Troika foram sempre de louvor e distinção, até à próxima espoliação dos contribuintes, como se o esbulho não fosse já a corda que asfixia e a guilhotina que separa a cabeça do tronco sem vida da classe média.
O governo mente ao Parlamento e ao País, a ministra das Finanças estrebucha na lama dos swaps, o ministro dos Negócios Estrangeiros oculta a passagem pela SLN, o vice-primeiro-ministro emerge do submarino que desce para subir à chefia do governo a anunciar a retoma como obra do CDS, e o primeiro-ministro entretem-se por aí a ameaçar os juízes do Tribunal Constitucional e a dar palpites sobre o que os “prestamistas” e os “avençados” devem dizer aos Juízes .

Para compôr o ramalhete, até
Mexia, o “chinês de origem portuguesa”, tem o arrojo de substituir a reflexão dos juízes do Tribunal Constitucional, pela sua douta opinião de sábio constitucionalista: «A leitura da Constituição tem de ter em conta as restrições do mercado», diz o artista, como se os partidos e os cidadãos estivessem representados por quem nunca se submeteu ao escrutínio público.
A chantagem é a arma de quem não tem da honra o menor resquício e da democracia a mais leve ideia.

Se alguém ainda tem dúvidas, que as perca!... O que se passa, é que efectivamente está em curso o maior EMBUSTE de sempre na Política Portuguesa. Passos Coelho não cabe – nunca coube - na linha ideológica tradicional do PSD e sendo assim, não é por acaso, que a “estória” recente se resume simplesmente a dois ciclos!... O primeiro, aquele em que os “pobres dos banqueiros foram votados à miséria e ao abandono” e a “tropa macaca” viveu acima acima das suas possibilidades, gastando como se não houvesse àmanhã. O segundo, aquele em que fruto da “competência do governo ” e principalmente do seu “maestro”, fomos “chamados à realidade e regressámos aos bons costumes”.

É por estas e por outras, que o “cavalheiro” e os seus “compinchas”, são já hoje severamente criticados por destacadas figuras do Partido, a tal ponto de alguns mais atrevidos, já apelidam a respectiva direcção de “uma seita”. Ora uma “seita”, jamais poderá ser comparada a um Partido, ainda por cima, com a responsabilidade e o passado histórico do PPD/PSD.
Este governo, suportado pela TROIKA, comprometeu-se quando tomou posse a:

- Reduzir o Défice;

- Reduzir a Dívida;

- Reduzir o Desemprego;

- Fazer crescer a Economia;

- REGRESSAR AOS MERCADOS, estabelecendo Setembro de 2013 como meta.

A Política Económica desenhada para alcançar estes objectivos, acabou por se DEMONSTRAR COMO DESASTROSA e os resultados dos quatro primeiros objectivos foram:

- O défice aumentou e para além de aumentar está descontrolado;

- A Dívida Pública aumentou e está igualmente descontrolada;

- O Desemprego cresceu para valores nunca vistos;

- O PIB tem vindo a afundar-se até limites impensáveis.

Convém aqui notar, que as recentes estatísticas que dizem que o desemprego está a baixar, ou que o PIB parou de cair, são completamente FALSAS.

Explicando melhor: Para fazerem estas afirmações, comparam dados de trimestres consecutivos, quando as comparações têm de ser feitas com trimestres equivalentes (o PIB e o Emprego crescem SEMPRE no verão em relação ao inverno – por isso é errado chegar ao verão e dizer que estamos bem, porque estamos melhor que no inverno).

O que deveria ser comparado era o verão do ano passado, com o verão deste ano – e aí, os resultados são desastrosos:

- O DESEMPREGO AUMENTOU, ao contrário do que o governo propagandeia;

- A ECONOMIA DECRESCEU, ao contrário do que o governo vem afirmando.

Mas a verdade, é que ao fim de um ano de governo, já se tinha percebido que a política estava errada e que os resultados só poderiam ser UM DESASTRE.

Nessa altura, numa atitude de esperteza-saloia, o governo, através do então Ministro das Finanças Vitor Gaspar, deixou de falar de qualquer destes objectivos, para MANIPULAR a opinião-pública com UM ÚNICO Objectivo: REGRESSAR AOS MERCADOS. Quem não se lembra?!...

Já agora convém explicar!... O que é isso de regressar aos mercados: Regressar aos mercados, significa conseguir que emprestem dinheiro a Portugal para pagar as dívidas antigas – que se vencem – e para cobrir os Juros dessas mesmas dívidas. Tudo o resto que se diz sobre este tema, como por exemplo, que é preciso pedir dinheiro emprestado para pagar os salários dos funcionários públicos e as pensões dos reformados, É PURA MENTIRA.
As receitas, designadamente os impostos e taxas cobradas pelo Estado, chegam para as despesas de funcionamento do País ao que em terminologia económica se classifica como “superavit primário”.

Andámos durante TODO O SEGUNDO ANO DE GOVERNO a ouvir a mesma coisa: TEMOS DE REGRESSAR AOS MERCADOS - “nós, governo, somos muito bons porque vamos conseguir regressar aos mercados”.

No entanto, mesmo reduzindo os objectivos iniciais a UM ÚNICO PONTO - Regressar aos Mercados -, até este está a FALHAR COMPLETAMENTE. E é fácil de perceber porquê: a Política desenhada com a TROIKA, está a CONDUZIR O PAÍS À FALÊNCIA e NINGUÉM EMPRESTA DINHEIRO A FALIDOS.

Mesmo ao longo destes dois anos de governo, TODAS as idas - pequenas - de Portugal aos mercados, foram falsas:

- Houve compras maciças de Dívida, em troca das promessas - cumpridas - de PRIVILÉGIO nas privatizações, designadamente na EDP, REN e na ANA;

- Há compras maciças de Dívida, em troca das promessas - que vão ser cumpridas - de PRIVILÉGIO nas privatizações designadamente da TAP, dos CTTs e dos Seguros da CGD;

- Vai haver no curto prazo, compras maciças de Dívida com os dinheiros do FUNDO DE GARANTIA DA SEGURANÇA SOCIAL.

O PROBLEMA, É QUE NO MÉDIO/LONGO PRAZO, A SITUAÇÃO SE MANTÉM INALTERADA: ESTAMOS A SER CONDUZIDOS À FALÊNCIA E NINGUÉM EMPRESTA DINHEIRO A FALIDOS.

É então que chegados aqui se dá uma hecatombe!... É preciso UM SEGUNDO RESGATE, como já é reconhecido por TODAS as instâncias internacionais – FMI, CE, BCE, OCDE, Jornalistas, Académicos e por aí fora. E isto significa uma coisa: O GOVERNO e a TROIKA FALHARAM EM TODOS OS OBJECTIVOS, com um senão: A Tróika falhou propositadamente para forçar um segundo resgate, o governo falhou porque foi subserviente e incompetente.

Seria portanto ESSENCIAL mudar de Política!... Mas, isso significava duas coisas:

1) Reconhecer que o programa está errado e que FALHARAM TODOS os que o desenharam e implementaram. TODOS CULPADOS...

2) Desenhar e implementar uma Política, que ao contrário da actual, deixe de privilegiar a transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos!... Mas isso é impensável... NUNCA empresários, políticos e banqueiros viveram tão bem em Portugal – e NUNCA os restantes Portugueses atingiram o grau de pobreza, como aquele que hoje atinge elevadas franjas da população.

Porém, ambas são más para os Políticos: Terem de RECONHECER QUE NÃO PRESTAM e terem de DEIXAR DE BENEFICIAR do que LHES PAGAM!... Financiam campanhas, empregam familiares, contratam empresas dos Políticos e seus familiares, asseguram empregos no futuro para os saídos da política, subornam e por aí fora...
Neste contexto, era preciso INVENTAR UM EMBUSTE que permitisse dizer que VAI HAVER UM SEGUNDO RESGATE - como todos reconhecem ser necessário - por culpa de alguém que não do governo ou dos Políticos Portugueses.

E assim renasce o “mito cavaquista” das “forças de bloqueio”. Esse MITO foi então preparado e encontrado: Chama-se, TRIBUNAL CONSTITUCIONAL...

E Já agora porque não: TRIBUNAL CONSTITUCIONAL e a própria CONSTITUIÇÃO da REPÚBLICA PORTUGUESA...

Esta é pois a Estratégia do maior EMBUSTE de sempre da Política Portuguesa:

a) Faz-se legislação que é PROPOSITADAMENTE INCONSTITUCIONAL;

b) Anuncia-se que se a mesma não for aprovada será uma CALAMIDADE para o País;

c) Apresenta-se a Legislação numa altura cirurgicamente escolhida;

d) A Legislação não é aprovada, NUNCA O PODERIA SER, tal como o governo sabe à partida;

e) O Governo não se pronuncia, remetendo-se às declarações solenes: “a situação é grave”, “estamos a analisar as alternativas”, “as consequências podem ser muito graves”;

f) Os Jornalistas e Comentadores a soldo dos MESMOS iniciam uma CAMPANHA DE DESINFORMAÇÃO, baseada em:

- As decisões do TC obrigam a AUMENTAR impostos;
- Por causa das férias só estavam presentes sete Juízes;
- A Constituição ESTÁ ERRADA;
- O País vai falir por CULPA da Constituição e do Tribunal Constitucional;
- O segundo resgate é necessário por CULPA do Tribunal Constitucional e por aí fora;

O RESULTADO FINAL: Quando for anunciado - provavelmente após a formação do governo Alemão - um SEGUNDO RESGATE acompanhado de MAIS MEDIDAS DE AUSTERIDADE – mais impostos, mais pobreza para os Pobres e mais riqueza para os Ricos, a culpa não será do governo, da TROIKA e dos Políticos. A CULPA SERÁ DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL e da CONSTITUIÇÃO.

E tal como em 2011 a ideia ERRADA de que “vivíamos acima das nossas possibilidades” pegou, também em 2013/2014 a ideia ABSURDA de que “os políticos são bons e a Constituição é que está errada”, vai também pegar.

E o mais triste de tudo isto, é que VAMOS MESMO DEIXAR QUE TAL ACONTEÇA!... Os Políticos que temos contam com “o melhor povo do mundo”. Um povo incapaz de perceber o que se passa à sua volta e sem qualquer capacidade de reacção contra esta classe de gente sem classe, que enriquece à custa da miséria dos outros.

AGORA PERCEBO PORQUE ANTÓNIO CAPUCHO, EX.DIRIGENTE DO PSD E EX. MEMBRO DO CONSELHO DE ESTADO, DIZ ESTARMOS PERANTE UMA “SEITA”. “SEITA” DE MALANDROS DIREI EU...

O presente já todos conhecemos, resta saber, que futuro se reserva para os homens de àmanhã!..

28 agosto 2013

A PRAGA DOS INCÊNDIOS E DOS "INCENDIÁRIOS"...

Balanço negro e dramático, é o que se pode fazer dos fogos neste mês de Agosto!... 4 Bombeiros já perderam a vida: - Bernardo Figueiredo, 23 anos, do Estoril; - Ana Rita Pereira, 24 anos, de Alcabideche; - Pedro Rodrigues, 41 anos, da Covilhã; - António Ferreira, 45 anos, de Miranda do Corvo. A estes, há que somar mais de 40 feridos, alguns em estado grave.
Perante toda esta tragédia e a devastação decorrente, é impossível olhar para esta situação sem um sobressalto de indignação e preocupação. Um cenário que se repete anualmente, e por isso mesmo, mais difícil de entender apesar da imprevisibilidade de algumas situações.
Este ano, um inverno que se prolongou e foi chuvoso, deixou as zonas não habitadas com uma enorme cobertura vegetal que se constitui como uma enorme quantidade de combustível a que só falta um gesto criminoso, um comportamento negligente ou um qualquer incidente para se transformar em potenciais tragédias. Todos os anos, como sempre de resto, se anunciam novas estruturas de resposta rápida e meios de combate, designadamente meios aéreos mais sofisticados e somos informados de melhorias nos dispositivos de prevenção e combate, no aumento de meios à disposição, na racionalização da gestão dos recursos, etc. etc.
Entretanto, quando se começa a verificar a ocorrência mais frequente de fogos, surge o costume!... A comunicação social, sobretudo a televisiva, de forma frequentemente desajeitada a mostrar o "terreno", o "cenário dantesco", a ouvir "moradores que passaram uma noite em branco", a ouvir o "senhor comandante dos bombeiros", a referir os "meios aéreos, dois Canadairs e um Kamov", a ouvir os "responsáveis locais ou regionais da protecção civil", a gravar despudoradamente imagens de dor, sofrimento e perda de gente anónima que tendo quase nada, vê arder o quase tudo. Um filme sempre visto e sem surpresas...
Este ano, acresce a tragédia da morte dos bombeiros com as tão intermináveis quanto inconsequentes análises e lamentações. É evidente que temperaturas muito altas e ventos que nos caracterizam durante os meses de Verão são condições desfavoráveis, mas a falta de prevenção, a negligência e porque não também a delinquência que se verifica poraí, dão um contributo fortíssimo ao inferno que sobressalta cada Verão. Sem nenhuma espécie de conhecimento destas matérias, para além do interesse e preocupação de um cidadão minimamente atento e preocupado com os custos enormes destes cenários de destruição, tenho alguma dificuldade, considerando a dimensão do nosso país, em compreender a inevitabilidade destes cenários.
É recorrente a referência à falta de limpeza dos terrenos. Tratar-se-à de um destino que não pode ser evitado?!... Tratar-se-à de uma área de negócios, que pelos muitos milhões que envolve, importa manter e fazer funcionar sazonalmente?!... Tratar-se-à "só" de incompetência na decisão política e técnica em termos de resposta e prevenção?!... Ou trata-se apenas da falência de modelos de desenvolvimento facilitadores de desertificação e abandono, designadamente das áreas rurais?!... O poeta falava de um fogo que arde sem se ver e a imagem é bonita. Mas quando um fogo arde e se vêem os seus efeitos devastadores e dramáticos e quando rouba a vida a pessoas, dói muito mais e não se perdoa. As principais vitimas, são como sempre os nossos Bombeiros, a quem aqui deixo a minha HOMENAGEM...

15 maio 2013

A O.C.D.E. E O “SEU” RELATÓRIO "PAPA-TOLOS"!... COM UM GUIÃO ASSIM, A REFORMA DO ESTADO VAI SER UMA QUESTÃO DE “CORTE E COSTURA”...

Sem pôr nem tirar, são setenta e três páginas de um verdadeiro flop!... Porquê?!...

Primeiro ponto: Os números da despesa usados e que servem de referência às respectivas conclusões, são (veja-se só) do ano de 2010, os mais elevados de sempre; 


Segundo ponto: Os anos de 2012 e 2013, que seriam como é óbvio os periodos, que deveriam ser considerados na análise, são simplesmente ignorados, pese embora a abismal diferença nas despesas efectuadas em 2010 e nos anos referidos;

Terceiro ponto: É visivel aos olhos de qualquer “curioso”, que esta gente nem sequer se deu ao “luxo”, de lero Orçamento de Estado 2013 e verificar o brutal e criminoso aumento de impostos, dando-se por via disso até ao luxo de recomendar um agravamento fiscal.

Temos portanto, que O Relatório da OCDE, mais não é que um documento “papa-tolos” e que serve apenas de validação das medidas de austeridade do governo português. Tudo o resto é “conversa fiada e para inglês ver”...
Senão vejamos: A crer no primeiro-ministro, o relatório foi “solicitado” pelo governo à OCDE como “apoio” para a reforma do Estado: «Seria um grande disparate, para não dizer um grande desperdício, termos solicitado este apoio da OCDE e ignorarmos esse contributo que agora a OCDE nos prestou» (Afirmações de Passos Coelho, na apresentação do Relatório em Paris). Está tudo dito, não precisa mais nada...

O que o primeiro-ministro não disse, é se o Relatório é uma “oferta” da OCDE, ou se é um trabalho pago, e nesse caso, quanto custou ao erário público a respectiva “encomenda”. Era bom saber, porque num momento em que não há dinheiro, ou há muito pouco para as universidades e centros de investigação portugueses, o governo poderia e deveria ter optado por seleccionar uma instituição nacional para realizar o trabalho de elaborar um estudo deste tipo e uma proposta para a reforma do Estado em condições. Ou será, que o primeiro-ministro julga a sua incapacidade, à imagem dos portugueses?!...

Ao escolher a OCDE, e sem pôr em causa a respeitabilidade de que esta organização é credora, o primeiro-ministro não quis verdadeiramente um relatório rigoroso, actualizado e ancorado na realidade nacional. ESTA É QUE É A VERDADE!...Quis isso sim um atestado de “bom comportamento”, espécie de credencial para passar à “FASE SEGUINTE” da purga.
O momento da sua divulgação oficial, não é aliás inocente e coincide objectivamente com a validação da sétima avaliação da troika. 
Com o seu relatório, a OCDE cauciona assim perante a troika, as desastradas políticas deste governo. Para servir osinteresses do governo, uma instituição portuguesa não teria o mesmo peso, embora fosse seguramente mais independente e produzisse sem qualquer dúvida, um trabalho mais útil e melhor fundamentado.

O relatório da OCDE é pois um flop. Como relatório de um estudante universitário em processo de pós-graduação, talvez passasse. Há recolha de dados, gráficos comparativos, inferências, recomendações e pouco mais. Falta-lhe enquadramento, as fontes são restritas, em alguns aspectos é mais um meta-relatório, baseado noutros relatórios com poucas novidades.
Não explicita a metodologia utilizada nem aponta objectivos claros. Não se funda em “trabalho de campo” realizado no País, não usou ferramentas de investigação como questionários, entrevistas a determinados grupos e a cidadãos nacionais para verificação de hipóteses, confirmação de dúvidas e identificação de problemas, é enfim... um relatório feito por pessoas que não conhecemos nem possivelmente, nos conhecem (a ficha técnica não aparece no PDF) nem os autores se quiseram conhecer. Porque será?!...

É, no fundo, um relatório ideológico, que julga por exemplo, caber-lhe definir o papel do Estado num País visto através de gráficos.

Há no entanto neste relatório, algumas coisas que o governo devia ler e sobre as quais a própria OCDE passa por cima, como se sentisse que não as podendo ignorar não pretende salientá-las.Exemplo disso, a necessidade de mais e melhor educação e formação dos recursos humanos, mais e melhor investigação científica, maior ligação entre a investigação e a indústria, alargamento do Simplex a todos os níveis da administração pública, justiça mais eficiente e veloz.

Ora, este tipo de considerações não interessam ao governo porque para as realizar é necessária uma visão estratégica do País, pessoal habilitado para conceber políticas e uma administração pública preparada e não destruída para as implementar.

Com este relatório, o governo vai fazer a única coisa que sabe fazer: Vai despedir professores, abandalhar o ensino, cortar nos rendimentos dos funcionários públicos, despedi-los, aumentar impostos, afundar ainda mais a economia e colocar o País numa recessão de que não sairá tão depressa.

Para além deste relatório não servir “coisissima nenhuma” para a reforma do Estado, o governo ainda por cima não sabe tirar dele algumas das ideias aproveitáveis que alegadamente possa conter. É que para isso também é necessário saber ler um relatório, coisa que alguns no governo saberão mas fingem que não sabem.

Com um “guião” assim, a Reforma do Estado vai ser uma questão de corte e costura.