Não
sou hipócrita!... Por razões profissionais, cruzei-me algumas
vezes com Mário Soares. Nunca me convenceu como pessoa e tenho do
mesmo nos tempos que correm, a mesma ideia que tinha há 30 anos.
Apesar disso, tal não me impede de o admirar enquanto politico. A
afectividade, nada tem a ver com o desempenho e a competência de
cada um!... Esse, foi e será sempre o meu lema. E não digo isto
por acaso. Digo-o, para lembrar aos “pobres e mal agradecidos”, e
a outros “acorrentados às suas atitudes e até nalguns casos às
suas paranóias”, que mesmo não se gostando da sua figura,
possivelmente já terão esquecido que foi o "radicalismo
político" de Mário Soares, que os salvou durante o PREC,
quando já lhes havia sido destinada uma árvore com uma corda
pendurada com o respectivo nome escrito.
É
pois perante estes factos, que apenas a demência poderá contrariar,
que prefiro estar do lado certo da História e deixar “os broncos”
que por aí pululam com acusações e insultos em caixas de
comentários, entregues aos seus sintomas da degradação dos tempos
que vivemos.
Politicamente,
Soares é ainda hoje um gigante, senão o maior de todos!... A sua
coragem política e física assume proporções épicas...
Filho
de um republicano e Ministro da Primeira República, que deixou até
hoje um importante legado na pedagogia e no ensino - o Colégio da
família foi uma ilharga de pensamento livre durante a longa noite da
ditadura -, Soares tem actividade política conhecida desde os 14
anos.
No
longínquo ano de 1943, quando a Europa ainda estava ocupada pelos
nazis, integrou o Movimento de Unidade Anti-Fascista, o MUNAF. Dois
anos depois fundou o MUD juvenil e foi preso pela PIDE. Sê-lo-ia
ainda mais 12 vezes antes de ser deportado para São Tomé E
Principe, passando longos períodos encarcerado e afastado da
família, enquanto outros tratavam da sua vida, sem se importarem de
hipotecar a sua própria consciência -se é que a tinham.
Apoiou o general Norton de Matos em 1949 e o general Humberto Delgado em 1958, ambos desafiando a ordem imposta por Salazar. Foi militante do PCP e afastou-se perante os sombrios ventos de leste, mas nunca deixou de manter pontes com a oposição comunista ao regime, que alguns menosprezam e que foi também ela heróica.
Fez-se advogado e notabilizou-se por defender presos políticos, mas também a viúva do general Humberto Delgado, assassinado a tiro pela polícia política, sendo outra vez preso por causa disso, em 1965. Escreveu para a revista «O Tempo e o Modo» e conviveu ao longo de décadas com todos os grandes intelectuais portugueses, académicos, escritores e investigadores.
Esteve envolvido na revolta conspirativa da Sé, fundou a Resistência Republica e Socialista em 1953 e a Acção Socialista Popular em 1964 em Genebra, com Tito de Morais e Ramos da Costa. Redigiu o Programa para a Democratização da República, foi candidato a deputado pela Oposição Democrática em 1965 e pela CEUD em 1969. No entretanto foi preso e deportado sem julgamento para São Tomé em 1968, mas em 1969 já está a participar no Congresso Republicano de Aveiro.
O regime força-o ao exílio definitivo em França em 1970, de onde publica o famoso «Portugal Amordaçado», um entre mais de 100 títulos que editou até hoje. Em 1973 é um dos fundadores do Partido Socialista em Bad Münstereifel, na Alemanha. Antecipou sempre o rumo dos acontecimentos e defendeu a criação de um partido democrático organizado para intervir após a queda do regime ditatorial, que considerava iminente. No final de 1973, há um encontro em Paris entre delegações do PCP e do PS no exílio para concertação de posições.
A 25 de Abril de 1974, um golpe militar de jovens capitães põe fim à mais longa ditadura da Europa ocidental, acabando um regime que já durava há 48 anos. Mário Soares tem 49 anos. Chega a Portugal de comboio para a libertação democrática e uma semana depois já está a percorrer todas as capitais democráticas europeias para apresentar o modelo de transição democrática e obter o seu apoio.
Apoiou o general Norton de Matos em 1949 e o general Humberto Delgado em 1958, ambos desafiando a ordem imposta por Salazar. Foi militante do PCP e afastou-se perante os sombrios ventos de leste, mas nunca deixou de manter pontes com a oposição comunista ao regime, que alguns menosprezam e que foi também ela heróica.
Fez-se advogado e notabilizou-se por defender presos políticos, mas também a viúva do general Humberto Delgado, assassinado a tiro pela polícia política, sendo outra vez preso por causa disso, em 1965. Escreveu para a revista «O Tempo e o Modo» e conviveu ao longo de décadas com todos os grandes intelectuais portugueses, académicos, escritores e investigadores.
Esteve envolvido na revolta conspirativa da Sé, fundou a Resistência Republica e Socialista em 1953 e a Acção Socialista Popular em 1964 em Genebra, com Tito de Morais e Ramos da Costa. Redigiu o Programa para a Democratização da República, foi candidato a deputado pela Oposição Democrática em 1965 e pela CEUD em 1969. No entretanto foi preso e deportado sem julgamento para São Tomé em 1968, mas em 1969 já está a participar no Congresso Republicano de Aveiro.
O regime força-o ao exílio definitivo em França em 1970, de onde publica o famoso «Portugal Amordaçado», um entre mais de 100 títulos que editou até hoje. Em 1973 é um dos fundadores do Partido Socialista em Bad Münstereifel, na Alemanha. Antecipou sempre o rumo dos acontecimentos e defendeu a criação de um partido democrático organizado para intervir após a queda do regime ditatorial, que considerava iminente. No final de 1973, há um encontro em Paris entre delegações do PCP e do PS no exílio para concertação de posições.
A 25 de Abril de 1974, um golpe militar de jovens capitães põe fim à mais longa ditadura da Europa ocidental, acabando um regime que já durava há 48 anos. Mário Soares tem 49 anos. Chega a Portugal de comboio para a libertação democrática e uma semana depois já está a percorrer todas as capitais democráticas europeias para apresentar o modelo de transição democrática e obter o seu apoio.
Apoio
esse que conseguiu, ao qual aliou importantes investimentos que
resultaram da sua acção e das ligações da Internacional
Socialista e de uma relação especial com a então República
Federal Alemã, incluindo aquilo que viríamos a conhecer como a
fábrica Auto-Europa, empresa de sucesso ainda hoje sediada em
Portugal e que resultou de uma decisão política sua.
Como Ministro dos Negócios Estrangeiros teve um papel fundamental no reconhecimento internacional da jovem democracia. Resistiu às tentações totalitárias do PREC e foi o rosto da alternativa democrática ao bloco do leste, organizando algumas das maiores manifestações do século, na Alameda em Lisboa e no Estádio das Antas no Porto. Quando tudo parecia perdido e Kissinger achava que Soares seria um novo Kerensky, ele voltou a triunfar.
Foi o principal político da consolidação democrática, e percebendo outra vez o rumo da história, lançou a campanha «Europa connosco» e assinou o tratado de adesão à CEE em 1985.
Um ano depois, com as sondagens a darem-lhe 8% dos votos, candidata-se à Presidência da República e triunfa contra Freitas do Amaral. Foi o primeiro Presidente da República civil do pós-25 de Abril e o mais importante para preservar o equilíbrio constitucional. Com o remanescente das contribuições para a sua campanha, cria uma Fundação com um importantíssimo papel intelectual e académico, sobretudo na investigação sobre história contemporânea.
Depois disso foi eurodeputado e em 2006 candidatou-se novamente à Presidência da República, que serviu essencialmente como factor agregador da jovem geração de dirigentes do Partido Socialista. Ao longo dos seus 90 anos, Soares privou com os maiores vultos do Socialismo Democrático e da Europa do pós-Guerra, aquela que os finançólogos destruíram com o seu zelo dogmático, obsessão com estatísticas e previsões falhadas.
Como Ministro dos Negócios Estrangeiros teve um papel fundamental no reconhecimento internacional da jovem democracia. Resistiu às tentações totalitárias do PREC e foi o rosto da alternativa democrática ao bloco do leste, organizando algumas das maiores manifestações do século, na Alameda em Lisboa e no Estádio das Antas no Porto. Quando tudo parecia perdido e Kissinger achava que Soares seria um novo Kerensky, ele voltou a triunfar.
Foi o principal político da consolidação democrática, e percebendo outra vez o rumo da história, lançou a campanha «Europa connosco» e assinou o tratado de adesão à CEE em 1985.
Um ano depois, com as sondagens a darem-lhe 8% dos votos, candidata-se à Presidência da República e triunfa contra Freitas do Amaral. Foi o primeiro Presidente da República civil do pós-25 de Abril e o mais importante para preservar o equilíbrio constitucional. Com o remanescente das contribuições para a sua campanha, cria uma Fundação com um importantíssimo papel intelectual e académico, sobretudo na investigação sobre história contemporânea.
Depois disso foi eurodeputado e em 2006 candidatou-se novamente à Presidência da República, que serviu essencialmente como factor agregador da jovem geração de dirigentes do Partido Socialista. Ao longo dos seus 90 anos, Soares privou com os maiores vultos do Socialismo Democrático e da Europa do pós-Guerra, aquela que os finançólogos destruíram com o seu zelo dogmático, obsessão com estatísticas e previsões falhadas.
Soares,
ao invés, orgulha-se de nunca ter lido um dossier completo e nunca
deve ter olhado para um excel: é um político sem a tecnocracia que
nos rouba a alma, um político de opções claras e convicções
firmes, e é isso que se espera de um político. Ao contrário do que
alguns profetizam, é um patriota. Deve sofrer como poucos com estes
pigmeus que nos colocaram de cócoras e que falam de uma política
pastosa, estrita, sem rasgo e sem sonho, que nos mata
lentamente.
Soares sempre foi também um hedonista, amante das coisas boas da vida, e isso também faz muita falta a muitos dos sombrios políticos que hoje nos tutelam. Hoje, aos 90 anos, alguns queriam silenciá-lo e acusam-no de estar velho, ao que parece uma doença das sociedades modernas. O seu amor à liberdade é indissociável dessa combatividade que nos alimenta, e como sempre, a história fará justiça às suas críticas ferozes ao sistema capitalista actual e à capitulação dos socialistas na Europa.
Soares sempre foi também um hedonista, amante das coisas boas da vida, e isso também faz muita falta a muitos dos sombrios políticos que hoje nos tutelam. Hoje, aos 90 anos, alguns queriam silenciá-lo e acusam-no de estar velho, ao que parece uma doença das sociedades modernas. O seu amor à liberdade é indissociável dessa combatividade que nos alimenta, e como sempre, a história fará justiça às suas críticas ferozes ao sistema capitalista actual e à capitulação dos socialistas na Europa.
Há
pessoas que nasceram para não correrem riscos!...
Que não
fazem nada, que
não
sentem nada, não mudam, não crescem,
não
amam, não vivem e se limitam ao politicamente correcto.
Essas são pessoas acorrentadas
às suas atitudes e se deixam privar do que de melhor a liberdade
lhes oferece.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!... Soares, ainda hoje aos 90 anos, não deixa os seus créditos por mãos alheias. É um Homem livre!... “Diz-lhes tudo nas trombas”...
Somente a pessoa que corre riscos é livre!... Soares, ainda hoje aos 90 anos, não deixa os seus créditos por mãos alheias. É um Homem livre!... “Diz-lhes tudo nas trombas”...





