04 janeiro 2015
19 dezembro 2014
A PRIVATIZAÇÃO DA TAP E O MEMORANDO DA TRÓIKA!...
Para
quem não sofra de iliteracia nem esteja de má-fé, o que está
escrito sobre a TAP no Memorando inicial da “troika”, não
permite duas interpretações: não está lá nenhum compromisso de
privatização total da TAP, ao contrário do previsto para a EDP e a
REN.
Convém
esclarecer, que o acordo com a “tróika” foi vertido em dois
documentos distintos mas coerentes: um dirigido à Comissão Europeia
e outro dirigido ao FMI. O primeiro refere as privatizações no
ponto 3.31 - páginas 14 da versão portuguesa e 45 da versão
inglesa - e o segundo refere-as no ponto 17 - páginas 7 da versão
portuguesa e 8 da inglesa. Contudo, todas as versões, em inglês ou
português, são, no que se refere à TAP, substancialmente iguais e
não consentem qualquer margem de interpretação. Todos os textos
são igualmente claros e todos dizem rigorosamente o mesmo.
Tomemos o documento base do acordo, que é o Memorando dirigido à Comissão Europeia. O texto começa por assumir um compromisso genérico de calendário, ao dizer que o Governo "acelerará" o programa de privatizações. Depois, recorda o plano de privatizações já existente, mencionando para o que aqui interessa, que esse plano abrange a TAP, mas apenas prevê a alienação parcial – sem especificar percentagens - de "todas" as empresas de maior dimensão.
Tomemos o documento base do acordo, que é o Memorando dirigido à Comissão Europeia. O texto começa por assumir um compromisso genérico de calendário, ao dizer que o Governo "acelerará" o programa de privatizações. Depois, recorda o plano de privatizações já existente, mencionando para o que aqui interessa, que esse plano abrange a TAP, mas apenas prevê a alienação parcial – sem especificar percentagens - de "todas" as empresas de maior dimensão.
Até
aqui, portanto nenhuma novidade!... Apenas a descrição do programa
de privatizações previsto desde Março de 2010 no PEC I 2010-2013 e
reafirmado no Relatório do Orçamento para 2011 - o chamado PEC III
- já que as medidas adicionais adoptadas na sequência da crise
grega em Maio de 2010, a que se convencionou chamar PEC II, são
omissas sobre a matéria.
Ora,
basta consultar os quadros sobre privatizações constantes desses
documentos - páginas 36 do PEC I e 165 do Relatório Orçamento
Estado 2011 - para que não possam restar quaisquer dúvidas: a TAP
aparece sempre na lista das empresas a submeter a uma mera alienação
PARCIAL, sem nunca – reafirma-se – especificar qualquer
percentagem da alienação. E esta intenção manteve-se no PEC IV,
que igualmente nunca se referiu à percentagem das privatizações
mas apenas ao respectivo calendário.
As únicas novidades do Memorando da “tróika” em matéria de privatizações, em que de facto se vai além do plano até então existente, são as que o texto refere a seguir, e cito: "O Governo compromete-se a ir ainda mais longe, prosseguindo uma alienação acelerada da TOTALIDADE das acções na EDP e na REN, e TEM A EXPECTATIVA que as condições do mercado venham a permitir a venda destas duas empresas, bem como da TAP, até ao final de 2011". Temos aqui, claramente, duas afirmações diferentes: a primeira, refere-se à percentagem das privatizações e apenas contém um compromisso de alienação total para os casos da EDP e da REN; a segunda, refere-se EXCLUSIVAMENTE AO CALENDÁRIO e é a esse propósito, que surge uma menção à TAP, na medida em que se exprime a expectativa de que as condições do mercado permitam concretizar até ao final de 2011 as operações previstas de venda não apenas da EDP e da REN mas também da TAP.
As únicas novidades do Memorando da “tróika” em matéria de privatizações, em que de facto se vai além do plano até então existente, são as que o texto refere a seguir, e cito: "O Governo compromete-se a ir ainda mais longe, prosseguindo uma alienação acelerada da TOTALIDADE das acções na EDP e na REN, e TEM A EXPECTATIVA que as condições do mercado venham a permitir a venda destas duas empresas, bem como da TAP, até ao final de 2011". Temos aqui, claramente, duas afirmações diferentes: a primeira, refere-se à percentagem das privatizações e apenas contém um compromisso de alienação total para os casos da EDP e da REN; a segunda, refere-se EXCLUSIVAMENTE AO CALENDÁRIO e é a esse propósito, que surge uma menção à TAP, na medida em que se exprime a expectativa de que as condições do mercado permitam concretizar até ao final de 2011 as operações previstas de venda não apenas da EDP e da REN mas também da TAP.
É
exactamente porque não se quis aplicar à TAP o compromisso de
alienação total que a redacção do Memorando é aquela que é,
separando e distinguindo a referência à TAP da que é feita às
empresas do sector energético. Como é óbvio, se a intenção fosse
aquela que Passos Coelho e Marco António Costa pretendem, essa
distinção não teria razão de ser e o texto diria simplesmente: "O
Governo compromete-se a ir ainda mais longe, prosseguindo uma
alienação acelerada da totalidade das acções na EDP, na REN e
na TAP, e tem a expectativa que as condições de mercado venham a
permitir a venda destas três empresas até ao final de 2011".
Mas não é isso que lá está. E por uma razão simples: o propósito
de venda total não se aplicava à TAP. A única coisa que se tornou
comum à privatização das três empresas foi o calendário
expectável das respectivas e diferentes operações de venda.
É precisamente por não impor a alienação total da TAP (e, como se viu, não pode haver duas interpretações sobre isso) que só se pode concluir que o Memorando não alterou - e portanto manteve - o plano de privatizações existente na parte em que previa a venda apenas parcial da TAP. Será que isto oferece alguma dúvida?!...
É precisamente por não impor a alienação total da TAP (e, como se viu, não pode haver duas interpretações sobre isso) que só se pode concluir que o Memorando não alterou - e portanto manteve - o plano de privatizações existente na parte em que previa a venda apenas parcial da TAP. Será que isto oferece alguma dúvida?!...
Publicada por
Domingos Chaves
12 dezembro 2014
MÁRIO SOARES!... 90 ANOS DE "ESTÓRIAS"!...
Não
sou hipócrita!... Por razões profissionais, cruzei-me algumas
vezes com Mário Soares. Nunca me convenceu como pessoa e tenho do
mesmo nos tempos que correm, a mesma ideia que tinha há 30 anos.
Apesar disso, tal não me impede de o admirar enquanto politico. A
afectividade, nada tem a ver com o desempenho e a competência de
cada um!... Esse, foi e será sempre o meu lema. E não digo isto
por acaso. Digo-o, para lembrar aos “pobres e mal agradecidos”, e
a outros “acorrentados às suas atitudes e até nalguns casos às
suas paranóias”, que mesmo não se gostando da sua figura,
possivelmente já terão esquecido que foi o "radicalismo
político" de Mário Soares, que os salvou durante o PREC,
quando já lhes havia sido destinada uma árvore com uma corda
pendurada com o respectivo nome escrito.
É
pois perante estes factos, que apenas a demência poderá contrariar,
que prefiro estar do lado certo da História e deixar “os broncos”
que por aí pululam com acusações e insultos em caixas de
comentários, entregues aos seus sintomas da degradação dos tempos
que vivemos.
Politicamente,
Soares é ainda hoje um gigante, senão o maior de todos!... A sua
coragem política e física assume proporções épicas...
Filho
de um republicano e Ministro da Primeira República, que deixou até
hoje um importante legado na pedagogia e no ensino - o Colégio da
família foi uma ilharga de pensamento livre durante a longa noite da
ditadura -, Soares tem actividade política conhecida desde os 14
anos.
No
longínquo ano de 1943, quando a Europa ainda estava ocupada pelos
nazis, integrou o Movimento de Unidade Anti-Fascista, o MUNAF. Dois
anos depois fundou o MUD juvenil e foi preso pela PIDE. Sê-lo-ia
ainda mais 12 vezes antes de ser deportado para São Tomé E
Principe, passando longos períodos encarcerado e afastado da
família, enquanto outros tratavam da sua vida, sem se importarem de
hipotecar a sua própria consciência -se é que a tinham.
Apoiou o general Norton de Matos em 1949 e o general Humberto Delgado em 1958, ambos desafiando a ordem imposta por Salazar. Foi militante do PCP e afastou-se perante os sombrios ventos de leste, mas nunca deixou de manter pontes com a oposição comunista ao regime, que alguns menosprezam e que foi também ela heróica.
Fez-se advogado e notabilizou-se por defender presos políticos, mas também a viúva do general Humberto Delgado, assassinado a tiro pela polícia política, sendo outra vez preso por causa disso, em 1965. Escreveu para a revista «O Tempo e o Modo» e conviveu ao longo de décadas com todos os grandes intelectuais portugueses, académicos, escritores e investigadores.
Esteve envolvido na revolta conspirativa da Sé, fundou a Resistência Republica e Socialista em 1953 e a Acção Socialista Popular em 1964 em Genebra, com Tito de Morais e Ramos da Costa. Redigiu o Programa para a Democratização da República, foi candidato a deputado pela Oposição Democrática em 1965 e pela CEUD em 1969. No entretanto foi preso e deportado sem julgamento para São Tomé em 1968, mas em 1969 já está a participar no Congresso Republicano de Aveiro.
O regime força-o ao exílio definitivo em França em 1970, de onde publica o famoso «Portugal Amordaçado», um entre mais de 100 títulos que editou até hoje. Em 1973 é um dos fundadores do Partido Socialista em Bad Münstereifel, na Alemanha. Antecipou sempre o rumo dos acontecimentos e defendeu a criação de um partido democrático organizado para intervir após a queda do regime ditatorial, que considerava iminente. No final de 1973, há um encontro em Paris entre delegações do PCP e do PS no exílio para concertação de posições.
A 25 de Abril de 1974, um golpe militar de jovens capitães põe fim à mais longa ditadura da Europa ocidental, acabando um regime que já durava há 48 anos. Mário Soares tem 49 anos. Chega a Portugal de comboio para a libertação democrática e uma semana depois já está a percorrer todas as capitais democráticas europeias para apresentar o modelo de transição democrática e obter o seu apoio.
Apoiou o general Norton de Matos em 1949 e o general Humberto Delgado em 1958, ambos desafiando a ordem imposta por Salazar. Foi militante do PCP e afastou-se perante os sombrios ventos de leste, mas nunca deixou de manter pontes com a oposição comunista ao regime, que alguns menosprezam e que foi também ela heróica.
Fez-se advogado e notabilizou-se por defender presos políticos, mas também a viúva do general Humberto Delgado, assassinado a tiro pela polícia política, sendo outra vez preso por causa disso, em 1965. Escreveu para a revista «O Tempo e o Modo» e conviveu ao longo de décadas com todos os grandes intelectuais portugueses, académicos, escritores e investigadores.
Esteve envolvido na revolta conspirativa da Sé, fundou a Resistência Republica e Socialista em 1953 e a Acção Socialista Popular em 1964 em Genebra, com Tito de Morais e Ramos da Costa. Redigiu o Programa para a Democratização da República, foi candidato a deputado pela Oposição Democrática em 1965 e pela CEUD em 1969. No entretanto foi preso e deportado sem julgamento para São Tomé em 1968, mas em 1969 já está a participar no Congresso Republicano de Aveiro.
O regime força-o ao exílio definitivo em França em 1970, de onde publica o famoso «Portugal Amordaçado», um entre mais de 100 títulos que editou até hoje. Em 1973 é um dos fundadores do Partido Socialista em Bad Münstereifel, na Alemanha. Antecipou sempre o rumo dos acontecimentos e defendeu a criação de um partido democrático organizado para intervir após a queda do regime ditatorial, que considerava iminente. No final de 1973, há um encontro em Paris entre delegações do PCP e do PS no exílio para concertação de posições.
A 25 de Abril de 1974, um golpe militar de jovens capitães põe fim à mais longa ditadura da Europa ocidental, acabando um regime que já durava há 48 anos. Mário Soares tem 49 anos. Chega a Portugal de comboio para a libertação democrática e uma semana depois já está a percorrer todas as capitais democráticas europeias para apresentar o modelo de transição democrática e obter o seu apoio.
Apoio
esse que conseguiu, ao qual aliou importantes investimentos que
resultaram da sua acção e das ligações da Internacional
Socialista e de uma relação especial com a então República
Federal Alemã, incluindo aquilo que viríamos a conhecer como a
fábrica Auto-Europa, empresa de sucesso ainda hoje sediada em
Portugal e que resultou de uma decisão política sua.
Como Ministro dos Negócios Estrangeiros teve um papel fundamental no reconhecimento internacional da jovem democracia. Resistiu às tentações totalitárias do PREC e foi o rosto da alternativa democrática ao bloco do leste, organizando algumas das maiores manifestações do século, na Alameda em Lisboa e no Estádio das Antas no Porto. Quando tudo parecia perdido e Kissinger achava que Soares seria um novo Kerensky, ele voltou a triunfar.
Foi o principal político da consolidação democrática, e percebendo outra vez o rumo da história, lançou a campanha «Europa connosco» e assinou o tratado de adesão à CEE em 1985.
Um ano depois, com as sondagens a darem-lhe 8% dos votos, candidata-se à Presidência da República e triunfa contra Freitas do Amaral. Foi o primeiro Presidente da República civil do pós-25 de Abril e o mais importante para preservar o equilíbrio constitucional. Com o remanescente das contribuições para a sua campanha, cria uma Fundação com um importantíssimo papel intelectual e académico, sobretudo na investigação sobre história contemporânea.
Depois disso foi eurodeputado e em 2006 candidatou-se novamente à Presidência da República, que serviu essencialmente como factor agregador da jovem geração de dirigentes do Partido Socialista. Ao longo dos seus 90 anos, Soares privou com os maiores vultos do Socialismo Democrático e da Europa do pós-Guerra, aquela que os finançólogos destruíram com o seu zelo dogmático, obsessão com estatísticas e previsões falhadas.
Como Ministro dos Negócios Estrangeiros teve um papel fundamental no reconhecimento internacional da jovem democracia. Resistiu às tentações totalitárias do PREC e foi o rosto da alternativa democrática ao bloco do leste, organizando algumas das maiores manifestações do século, na Alameda em Lisboa e no Estádio das Antas no Porto. Quando tudo parecia perdido e Kissinger achava que Soares seria um novo Kerensky, ele voltou a triunfar.
Foi o principal político da consolidação democrática, e percebendo outra vez o rumo da história, lançou a campanha «Europa connosco» e assinou o tratado de adesão à CEE em 1985.
Um ano depois, com as sondagens a darem-lhe 8% dos votos, candidata-se à Presidência da República e triunfa contra Freitas do Amaral. Foi o primeiro Presidente da República civil do pós-25 de Abril e o mais importante para preservar o equilíbrio constitucional. Com o remanescente das contribuições para a sua campanha, cria uma Fundação com um importantíssimo papel intelectual e académico, sobretudo na investigação sobre história contemporânea.
Depois disso foi eurodeputado e em 2006 candidatou-se novamente à Presidência da República, que serviu essencialmente como factor agregador da jovem geração de dirigentes do Partido Socialista. Ao longo dos seus 90 anos, Soares privou com os maiores vultos do Socialismo Democrático e da Europa do pós-Guerra, aquela que os finançólogos destruíram com o seu zelo dogmático, obsessão com estatísticas e previsões falhadas.
Soares,
ao invés, orgulha-se de nunca ter lido um dossier completo e nunca
deve ter olhado para um excel: é um político sem a tecnocracia que
nos rouba a alma, um político de opções claras e convicções
firmes, e é isso que se espera de um político. Ao contrário do que
alguns profetizam, é um patriota. Deve sofrer como poucos com estes
pigmeus que nos colocaram de cócoras e que falam de uma política
pastosa, estrita, sem rasgo e sem sonho, que nos mata
lentamente.
Soares sempre foi também um hedonista, amante das coisas boas da vida, e isso também faz muita falta a muitos dos sombrios políticos que hoje nos tutelam. Hoje, aos 90 anos, alguns queriam silenciá-lo e acusam-no de estar velho, ao que parece uma doença das sociedades modernas. O seu amor à liberdade é indissociável dessa combatividade que nos alimenta, e como sempre, a história fará justiça às suas críticas ferozes ao sistema capitalista actual e à capitulação dos socialistas na Europa.
Soares sempre foi também um hedonista, amante das coisas boas da vida, e isso também faz muita falta a muitos dos sombrios políticos que hoje nos tutelam. Hoje, aos 90 anos, alguns queriam silenciá-lo e acusam-no de estar velho, ao que parece uma doença das sociedades modernas. O seu amor à liberdade é indissociável dessa combatividade que nos alimenta, e como sempre, a história fará justiça às suas críticas ferozes ao sistema capitalista actual e à capitulação dos socialistas na Europa.
Há
pessoas que nasceram para não correrem riscos!...
Que não
fazem nada, que
não
sentem nada, não mudam, não crescem,
não
amam, não vivem e se limitam ao politicamente correcto.
Essas são pessoas acorrentadas
às suas atitudes e se deixam privar do que de melhor a liberdade
lhes oferece.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!... Soares, ainda hoje aos 90 anos, não deixa os seus créditos por mãos alheias. É um Homem livre!... “Diz-lhes tudo nas trombas”...
Somente a pessoa que corre riscos é livre!... Soares, ainda hoje aos 90 anos, não deixa os seus créditos por mãos alheias. É um Homem livre!... “Diz-lhes tudo nas trombas”...
Publicada por
Domingos Chaves
06 dezembro 2014
A JUSTIÇA NA ÉPOCA MEDIEVAL E NA ERA DA ALDEIA GLOBAL DO SÉCULO XXI!...
Quem
ler este texto poderá associá-lo de imediato ao caso Sócrates. Mas
não!... Deve ser associado isso sim, a todos os casos que têm vindo
a público nos últimos anos, de modo a fazer um exercício de
analogia entre a mediatização da justiça no final da Idade Média,
e a do século XXI.
Na
Idade Média, a aplicação da justiça e os autos de fé
inquisitoriais eram espectáculo, e objecto de encenação. A justiça
medieval era executada publicamente junto ao pelourinho, com
assistência do povo que gritava, ululava e apupava as vitimas. e não
raro, aplicava-a pelas próprias mãos, através de apedrejamentos e
outras torturas da época. Ainda hoje, mulheres e homens são
apedrejados até à morte segundo a lei islâmica, também ela
medieval.
Os
numerosos pelourinhos símbolo da justiça medieval que ainda hoje
existem como monumentos históricos, surgem no século XVII, posteriores à época manuelina, já
lá vão mais de 400 anos. O pelourinho, era o lugar público de uma
cidade ou vila onde muitas vezes se puniam e expunham os criminosos
julgados, algumas vezes sumariamente.
Na
era das tecnologias da informação e da comunicação, os órgãos
da comunicação social tem-se encarregado de substituir os
pelourinhos, concentrando as atenções não apenas num espaço
circunscrito de uma vila ou de uma cidade, mas ao nível de um país.
Mesmo antes de haver qualquer acusação ou julgamento, a condenação
pública fáz-se sem dó nem piedade.
Nos
dias que correm, fruto “sabe-se lá do quê”, fazem-se e
promovem-se julgamentos nos pelourinhos da comunicação social e as
fugas de informação são intermináveis. Na época medieval, a fuga
de informação era promovida pelos arautos que levavam às
populações a notícia do “espectáculo” da aplicação da pena,
funcionando como comunicação social da época. Tradicionais
boateiros e mensageiros percorriam aldeias, vilas e cidades para
darem as notícias que não raras vezes eram alteradas e ampliadas
por transmissão verbal oral sucessiva, de modo a chegarem ao destino
final, com um ruído comunicacional que nada tinha a ver com a
ocorrência real do facto.
No
século XVII Pascal
disse que "o
afecto ou o ódio mudam a face da justiça". Hoje confirma-se
este pensamento e pode acrescentar-se que potencialmente, a
comunicação social pretende mudar a face da justiça face ao
exterior para a poder influenciar.
Na
era da comunicação, há os que clandestinamente veiculam as
informações, para os mensageiros as poderem colocar na praça
pública, através de grandes encenações de espectáculo
informativo. São uma espécie de autos de fé medievais ao sabor da
aldeia global.
Publicada por
Domingos Chaves
28 novembro 2014
UMA JUSTIÇA DESIGUAL!...
Há, em Portugal,
cidadãos que nunca poderão ser humilhados pela justiça como foi o ex.Primeiro Ministro José
Sócrates: OS MAGISTRADOS!...
A detenção do antigo Primeiro-Ministro, levanta por isso questões de ordem
política, de ordem jurídica e de cidadania. Mais do que a politização da
justiça, ela alerta-nos para a judicialização da política que está em curso no
nosso país.
José Sócrates, acabou enquanto Primeiro-Ministro, com alguns dos
mais chocantes privilégios que havia na sociedade portuguesa, sobretudo na
política e na justiça. Isso valeu-lhe ódios de morte. Foi ele, quem por
exemplo, acabou com as subvenções vitalicias dos politicos, que impediu o actual Presidente da República de acumular as pensões de
reforma com o vencimento de Presidente, que acabou com os três meses de férias judiciais e aplicou cortes salariais acrescidos a magistrados e procuradores.
A raiva com que alguns dirigentes sindicais dos juízes e dos
procuradores se referiam ao tempo, ao Primeiro-Ministro José Sócrates,
evidenciava uma coisa: a de que, se um dia por qualquer azar caísse nas malhas
da justiça, iria pagar caro as suas audácias. É por isso, que tenho sérias dúvidas,
de que o antigo Primeiro-Ministro, esteja a ser alvo de um tratamento
proporcional e adequado aos fins constitucionais da justiça num estado
civilizado.
E a pergunta que venho fazendo desde hà uns dias a esta parte,
repito-a agora?!... Seria mesmo necessário deter um cidadão fora de flagrante
delito, quando o mesmo “sabia hà mais de um mês”, que ía ser detido para ser
interrogado sobre indícios de crimes económicos de que é suspeito, o que só por
si, revela não existir perigo de fuga,?!... Seria mesmo necessário que ele depois de detido, esteja um, dois, três ou mais dias a aguardar a realização
desse interrogatório, quando lhe deixaram “caminho aberto” para reunir com
outros arguidos em Paris, permitido-lhes delinear as respectivas estratégias de
defesa e até de fuga se assim o desejassem?!...
Dir-me-ão que é assim que todos os cidadãos são tratados pela
justiça!... Só que não é verdade. Porém, mesmo que assim fosse, isso só ampliava
o número de vítimas da humilhação - e a dignidade não tem côr, mesmo sabendo-se que em Portugal, existem cidadãos
que nunca poderão ser humilhados pela justiça como foi José Sócrates: OS
MAGISTRADOS. E não poderão ser humilhados, porque JUÍZES E PROCURADORES, NUNCA PODEM
SER DETIDOS fora de flagrante delito.
Sou um daqueles – se calhar como (felizmente) muitos que por cá
andam, que denunciam e combatem a corrupção. Mas... até por isso, pergunto:
seria assim tão escandaloso que um antigo Primeiro-Ministro de Portugal, tivesse
garantias iguais às de um juiz ou de um procurador?!... Ou será que estes, sim,
pertencem a uma casta de privilegiados acima das leis que implacavelmente
aplicam aos outros cidadãos?!...
Este artigo não trata de
colocar em dúvida, a eficiência ou a eficácia da justiça. Nem tão pouco
pretende levantar desconfiança sobre a inocência ou não inocência do indiciado
ou esboçar críticas à classe política. O objectivo é “acalmar as ânsias”
daqueles que confundem uma imputação judicial com uma condenação, ou um processo
com uma sentênca judicial.
A justiça não é vingança e a vingança não é justiça!...
Acredito piamente, que um dia em Portugal, a
justiça penal irá ser administrada sem deixar quaisquer margens para essa
terrível suspeita. Até lá e perante tamanha e tão clara violação do
Segredo de Justiça, só espero que durante o desenrolar do processo, a TOLERÂNCIA
seja ZERO para “acusados e acusadores”.
A verdade tem de ser apurada e
estar acima de qualquer suspeita. Quem prevarica, TEM
DE PAGAR.
Publicada por
Domingos Chaves
22 novembro 2014
- O SILÊNCIO ENSURDECEDOR DO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA!...
As
notícias do país e as várias questiúnculas que as envolvem não
são famosas!...
Apesar disso, e quando se esperava que as mesmas merecessem um olhar atento e preocupado do senhor Presidente da República, transmitindo para o país um sinal - um simples sinal que fosse - que revelasse o que pensa sobre o lodaçal que submerge instituições e descredibiliza governantes, resolve optar pelo silêncio.
Apesar disso, e quando se esperava que as mesmas merecessem um olhar atento e preocupado do senhor Presidente da República, transmitindo para o país um sinal - um simples sinal que fosse - que revelasse o que pensa sobre o lodaçal que submerge instituições e descredibiliza governantes, resolve optar pelo silêncio.
Outrora,
o professor Cavaco Silva tinha essa preocupação, agora pelos vistos perdeu-a!... Todos nos
recordamos das comunicações ao país a propósito das “famosas
escutas” no “seu palácio”, a propósito do Estatuto dos Açores, ou mesmo, de quando
resolveu chamar a atenção do famoso princípio que teve o cuidado
de enunciar, de que “há
limites para os sacrifícios”.
Agora, desde há pelo menos três anos a esta parte, os tempos e a
motivações parecem ser outras.
O
problema é que os escândalos, a traficância de influências, a
roubalheira continuada na banca, a atrofia da máquina estatal que
atinge sectores como a Justiça ou a Educação, estão aí para nos mostrar,
que não foi só no campo económico que se degradou a vida dos
portugueses. Se
esta negra realidade não reclama a palavra do Presidente, então o
que é que podemos esperar do Presidente?!...
Não
será legítimo que os portugueses se interroguem sobre o que pensará
o Presidente acerca da continuada fraude bancária - BPP, BPN e
BES?!... O que pensará àcerca do papel dos supervisores
da banca e das entidades que permitiram a fuga de informação, que
possibilitou que grandes investidores como a Goldman Sachs se
livrassem das acções do BES, enquanto os pequenos investidores sem
informação privilegiada as continuavam a comprar?!...
E
o que pensará o Presidente, quando vê o país ser noticia em todo o
mundo porque os vistos Gold não trouxeram só dinheiro fresco?!... Não
será legítimo, que nos interroguemos àcerca do que
pensará o Presidente quando vê o colapso de instituições que
suportam o Estado de Direito –
SEF e IRN – com o SIS alegadamente e segundo noticía a imprensa, a
obstaculizar o trabalho da Policia Judiciária?!...
E o que pensará o Presidente, quando vemos só no último ano sairem do
país mais de 100.000 portugueses e depois ouve o Governo
vangloriar-se da descida da taxa de desemprego?!... E quando “a um mês do fim do primeiro período escolar, ainda há
alunos sem aulas de compensação”, ou quando a Justiça continua
amarrada por um programa informático que não responde?!...
E
o que pensará também o Presidente, quando empresas de topo como a REN e a
Galp se revoltam contra o Estado e o afrontam, não cumprindo as suas
obrigações?!... E já agora porque não dizê-lo, o que pensará também o Presidente, quando ouve o Presidente executivo do
grupo Peugeot/Citroën dizer que os problemas de competitividade
em Portugal não estão nos salários, mas sim nos custos de outros
factores de produção, designadamente nos elevados custos
energéticos (+40% do que em França) e vai promulgar o OE2015 que
prevê mais aumentos no factor energético?!...
Por
fim, o que pensará o senhor Professor Cavaco Silva do papel que o
Presidente da República deve desempenhar num momento de crise tão
profunda e generalizada como esta, que devasta e atinge este Portugal
cada vez mais atulhado num lodaçal financeiro e político?!... Será
que estamos perante um normal funcionamento das Instituições?!...
Publicada por
Domingos Chaves
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