A liberdade,
a fraternidade e a igualdade, que
animaram a Revolução Francesa em 1789, deram origem a muitos
excessos que hoje se reflectem no quotidiano da República Francesa,
um país anticlerical que alberga no seu seio cerca de cinco milhões
de pessoas oriundas das suas antigas colónias africanas -Marrocos,
Tunísia, Líbia, Senegal, Niger, Chade, Mauritânia e Argélia.
De
súbito, no ano de 2014, os jihadistas do alegado Estado Islâmico -
uma organização terrorista que utiliza métodos selvagens para
chocar a opinião pública e amedrontar o Ocidente europeu - deram em
cortar cabeças a jornalistas para o mundo ver em directo, e por
acréscimo provocar a consternação e a ira de todos. Foi o método
mais eficaz de publicidade de terror em prol da sua causa.
Admita-se
ou não, foram estes episódios bárbaros que acordaram as
consciências dos líderes políticos da Europa e dos EUA, para o
perigo que durante décadas ajudaram a criar na relação com os
Estados Africanos e do Médio e Extremo Oriente. No caso concreto,
Estados Africanos, cujos cidadãos emigraram para a ex-potência
colonial - a França, desde a década de 60 do séc. XX - e que hoje
tornou este país num barril de pólvora provocado por cidadãos
oriundos das suas ex-colónias. Destes, especialmente
alguns
que vivem entre
comunidades emigradas e junto de pessoas sem projectos de vida e que
estão desempregados ou descontentes com as condições em que vivem,
converteram-se ao jihadismo e estão dispostos como se viu nos
últimos dias em Paris, a pôr em prática crimes bárbaros em nome
da causa jihadista, que tem vindo a ser planeada em larga escala pelo
chamado Estado Islâmico no Iraque, na Síria e que agora tem
reflexos bem visíveis na Europa.
Já
não se trata por isso, de elementos oriundos de células da Al
Qaedda, treinadas no santuário do
terrorismo global - o Afeganistão. Trata-se efectivamente, de
cidadãos franceses nascidos em França, que se converteram ao
islamismo, e dentro desta religião de paz, enveredaram depois por
métodos violentos de intervenção social em nome duma causa, que
para eles será a de libertação do Profeta Maomé e para os seus
alvos, regra geral políticos, jornalistas, empresários ou
intelectuais de ataques terroristas.
Para
além do referido, será também de recordar, que não é por acaso
que os Estados Unidos e a França, são os alvos preferênciais dos
jihadistas!...É que eles não esquecem, que há cerca de 10 anos
Bush promoveu - politica e militarmente - a destruição do Iraque,
hoje entregue como se sabe, a bandos de criminosos que se degladiam
entre si, como também não esquecem, a destruição mais recente dos
Estados Sírio e Líbio - promovido pelas relações bilaterais
franco-americanas, que deixou
uma sede de vingança sobre os dois povos. Ora a França está
repleta de líbios, e muitos, não se escudam em vingar aqueles
bombardeamentos que lhes mataram familiares e amigos. Alguns, terão
inclusivamente regressado àquelas ex-colónias, para receber treino
militar e conhecimentos que lhes permitem fazer o que fizeram em
Paris, matando inidiscriminadamente.
Este é pois o
emergente terrorismo globalitário que de súbito entrou pelas portas
da Europa dentro e atingiu mortalmente a França - deixando-a
completamente paralisada, e nada nos garantindo que àmanhã, acção
idêntica não possa ser cometida em qualquer outro ponto da Europa,
que directa ou indirectamente alimentam este monstro do jihadismo
islâmico, que em crescendo se vem nutrindo no seio das próprias
sociedades europeias que acolheram estes extremistas.
No
próximo domingo, ocorrerá uma manifestação em Paris, onde estarão
presentes muitos Chefes de Estado dos países europeus!... Oxalá esta brutal tragédia, possa no mínimo contribuir para a
reconstrução desta velha Europa do estado de decadência em que se
encontra. Europa que sempre soube unir-se, face a perigos e ameaças
exteriores, ainda que esses perigos e ameaças irrompam do interior
das sociedades europeias onde vivem milhões de pessoas que professam
o islão.
Este é o preço da Liberdade -que
agora a França pagou cara!... E a França é já ali mesmo ao dobrar
da fronteira...





