O
Governo Passos Coelho/Paulo Portas, apresentou por estes dias o seu
Programa de Estabilidade para 2015-2019!... Tudo visto e revisto,
aquilo que mais uma vez propôs ao País, foi a receita do costume: austeridade
sobre austeridade. Ora vejamos:
1.º
- Os cortes nos salários dos funcionários públicos são para
continuar até 2019, com alguma devolução pelo meio. Que esta
medida contrarie directamente a decisão do Tribunal Constitucional
não merece uma linha de justificação ou esclarecimento por parte
do Governo, facto que indicia mais uma frente de batalha com o
Tribunal Constitucional;
2.º
- A prometida reversão da sobretaxa do IRS à custa do orçamento
de 2016 mas com efeitos já na campanha eleitoral de 2015, era para
ser feita em função do andamento da receita em 2015 e até podia ser
totalmente "devolvida" em 2016 (quem não se lembra de
Paulo Portas o ter afirmado, como contrapartida a viabilizar o
aumento da carga fiscal e até com informações trimestrais aos contribuinte?!...). Afinal de contas, nem informações fiscais trimestrais, nem reversão da sobretaxa, a qual passa a ser aplicada
pelo menos até 2019, também ela sujeita apenas a uma "eliminação
progressiva". A única certeza a extrair daqui, é que Paulo Portas, não passa, tal como o seu parceiro,de um aldrabão. Sobre o enorme aumento de impostos com impacto no
IRS nem uma palavra.
3.º-
Quando se fala do IRC, contudo, as reduções são para continuar e
sempre em bom ritmo. Ao ritmo de 1% ao ano para as grandes empresas
(2,1% das maiores empresas pagam 67,7% de todo o IRC) e chegam a
2019 com uma taxa de 17%. Uma redução acumulada de quase 10% face
ao ano de 2011. Para isto há sempre margem orçamental.
4.º-
Além dos cortes já feitos, volta a intenção de introdução de
uma "medida para a sustentabilidade da Segurança Social"
- há que apreciar a capacidade de eufemismo - que se traduz num
CORTE de 600 milhões de euros aos reformados e pensionistas.
Porque, jura-se, há um buraco de 600 milhões. Ora, sobre isto,
duas notas: o Tribunal Constitucional já chumbou esta medida, o que
o Governo desta feita até reconhece, mas conta com ela na mesma.
5.º-
Vamos continuar a pagar antecipadamente os empréstimos com juros
mais elevados do FMI, o que até poderia fazer sentido não fosse
percebermos todos que essa estratégia só é possível porque temos
os cofres cheios de dívida barata - obrigado Mário Draghi - que
podemos usar para pagar a dívida cara, mas que isso não diz nada
sobre a saúde das contas públicas. Rigorosamente zero.
6.º-
A "Reforma do Estado" volta a estar em cima da mesa.
Depois de quatro anos de nada, afinal em 2015-2019 é que vai ser. Números
ou medidas concretas neste particular, nem uma para amostra.
Pudera...
7.º-
A fechar e como não poderia deixar de colocar a cereja no topo do bolo, o Governo prevê a eliminação da Contribuição Extraordinária
sobre o Sector Energético e da Contribuição Extraordinária de
Solidariedade que se aplica a pensões de valor superior a 4.611,40 euros, o que certamente fará com que Eduardo Catroga possa
“sorrir” duas vezes.
E
no essencial, retóricas à parte é isto: empobrecer, empobrecer, empobrecer!... Tudo mais do mesmo,
AUSTERIDADE sobre AUSTERIDADE, é a palavra de ordem deste Governo
que diz ter os “cofres cheios”, mas com os portugueses à
míngua. Os dados estão lançados, agora cada um que conclua o que
quiser...





