20 maio 2015

"UM ENLACE CONTRA-NATURA"!...

Odeiam-se, mas após quatro anos de “vida em comum”, a conveniência falou mais alto e resolveram “dar o nó”!... Está em causa um “dote”, do qual nenhum deles pretende abdicar.

A gente até sabe, que se pudessem bem que chegavam a roupa ao pêlo um ao outro, que se insultavam e que com toda a certeza, cada qual seguia o seu destino, provavelmente acompanhado de um chorrilho de impropérios e revelações de chocar os seus mais fervorosos adeptos.

Mas o que interessa aqui e agora, é posar para a fotografia como se nada se passasse, “cortar o bolo e celebrar as núpcias” e encenar no mínimo até ao “lavar da roupa suja” que se aproxima. É que caso contrário, eles sabem muito bem o que os espera!... Rui Rio, José Ribeiro e Castro e até agora a discreta Cristas, estão todos muito atentos.

Resulta de tudo isto e dos condimentos que envolvem o enlace, que são agora claras para todos, as razões pelas quais Portas suporta todas as humilhações que Passos Coelho se diverte a fazê-lo passar, todas as desconsiderações a que sujeita o CDS e todo o desprezo que tem pelos ministros centristas. Mas Portas não quer saber se Passos Coelho lhe chama indirectamente irresponsável, como voltou a fazê-lo quando do lançamento da sua última biografia recentemente divulgada, ou na entrevista dada ao SOL, e muito menos se se importa de servir de espécie de prova, para que o Primeiro-Ministro seja visto como alguém que teve de lutar contra tudo e contra todos, até contra o seu parceiro de coligação – e claro está, Passos bem sabe que nada mais agradável para os dirigentes e militantes do PSD, que umas “malhadelas” bem fortes no líder do CDS.

E esta, é que é verdadeiramente a “prova real”, de que Portas já está ciente de que a sobrevivência política do CDS no curto prazo, depende de ir coligado com o PSD às próximas eleições, senão vejamos: alguém consegue discernir uma réstia das bandeiras do CDS neste Governo?!... O auto-intitulado Partido do contribuinte, foi ou não foi o co-autor da maior subida de impostos da história da nossa democracia?!... E o auto-intitulado Partido dos reformados, estava ou não estava no Ministério da Segurança Social durante os cortes de pensões e reformas?!...

Perante estes factos que são indesmentíveis, que motivação terá um apoiante deste Governo e das políticas prosseguidas para votar no CDS?!... Há algum traço democrata-cristão que tenha resistido às políticas radicais do Governo?!... Absolutamente nenhum!...  A grande verdade que ninguém poderá contestar, é que o CDS se dissolveu no bonapartismo de Portas e no radicalismo neo-liberal deste estranho PSD.

E aí justiça lhe seja feita!... Paulo Portas não ignora que para reerguer o seu Partido – seja com ele ou com outro o líder – e dar-lhe uma matriz ideológica diferente da que foi a deste Governo, tem de ter uma presença com algum significado no Parlamento. Precisa de readquirir iniciativa política, de mostrar que tem um caminho próprio de  se reinventar. E como também tem a “ratice” necessária, sabe muito bem que é incomparavelmente mais difícil fazê–lo com três ou quatro deputados, concorrendo o CDS sózinho, do que com 14 ou 15 em coligação.

Daí sujeitar-se ao “vexame” para depois seguir o seu próprio caminho. A Portas, pouco lhe importa se os deputados do CDS forem eleitos por cidadãos que queriam votar no PSD!... O que para ele conta isso sim, é que o acordo entre os dois Partidos, faz com que o CDS venha a ter um número de deputados que não teria se concorresse isoladamente, ou seja, quase todos os deputados que o CDS vai ter, seriam naturalmente homens e mulheres do PSD. Não deixa de ser aliás paradoxal, que será com deputados emprestados pelo PSD, que o CDS tentará reocupar o espaço político que perdeu neste Governo.

E depois, há também o reverso da medalha!... Portas sabe também que a vingança é um prato que se serve frio, e o líder dos centristas não deixará de o servir, ganhe a coligação as eleições ou não. Só quem o não conhece, não terá isto em linha de conta.

13 maio 2015

OBSERVADOR: O JORNAL DA DIREITA AFLITA...

Em terreno dominado pela família Dos Santos, o Observador é um caso singular!... É mais do que um jornal, pois assume campanhas que o campo austeritário marinou durante anos, mas não chega a ser uma plataforma política, como foi em tempos o Independente de Paulo Portas.
Não que José Manuel Fernandes, essa tal figura com origem na extrema-esquerda revolucionária e David Dinis façam agora por desmerecer a fama de postilhões militantes da direita portuguesa, mas ao reconhecerem no actual governo a possibilidade histórica mais próxima do seu projecto, ficam com uma curta margem para se imporem como feudo jornalístico e consciência crítica do seu próprio campo político.
Ainda assim, vale a pena lembrar: o Observador foi forjado a partir das vontades e dos tostões das seguintes proeminentes figuras:
  •  Luís Amaral, ex-quadro da Jerónimo Martins.
  • António Pinto Leite, destacado advogado da MLGTS e presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores
  • António Viana Batista, membro da administração da Jerónimo Martins
  • Pedro de Almeida, dono da Ardma, holding do mercado de contentores, principal interessada na  privatização da CP Carga.
  •  João Fonseca, ex-diretor do Deutsch Bank e accionista de referência da Atrium, sociedade gestora de grandes fortunas.
  •  Carlos Moreira da Silva, administrador da SONAE; 
  • Duarte Schmidt Lino, sócio da maior sociedade de advogados em Portugal, a PLMJ
  • Duarte Vasconcelos, da Vasconcelos Arruda Advogados e ex-assessor de Oliveira e Costa (BPN) no Governo de Cavaco Silva.
  • António Champalimaud (filho), dono da Holdaco. 
  • João de Castello Branco, sócio-director da McKinsey & Company (seguros) em Lisboa.
  • Pedro Martinho, administrador do grupo Eurocash (supermercados e distribuição na Polónia).
  • Filipe Simões de Almeida, administrador da Deloitte em Portugal.
  • João Talone, ex-administrador do BPN e EDP, agraciado por Cavaco Silva em 2006, atual emissário dos Rothschild em Portugal.  
  • Jorge Bleck, sócio da Vieira de Almeida (advogados), principal sociedade contratada pelo Estado. 
  • E na liderança desta constelação de "estrelas", que mais parece um simpósio de advogados reunidos à mesa do Pingo Doce, nem sequer faltam os inevitáveis Alexandre Relvas, Filipe de Botton, António Carrapatoso e Rui Ramos, quatro militantes do PSD que há 10 anos lançaram o Compromisso Portugal, clube de elite da burguesia portuguesa. No total o Observador soma 3,2 milhões de capital próprio, um jornal diário exclusivamente online, num tempo de agravamento da crónica crise do jornalismo em Portugal. 
Por ocasião dos 40 anos da assembleia constituinte, o Observador até se deu ao luxo de lançar uma campanha pública pela revisão da Constituição, o que demonstra ao que vem e ao serviço de quem está este jornal da direita aflita.
A partir daqui, cada um tire as conclusões que quiser, em tudo o resto porém, a luta do Observador continua a "todo o vapôr"...


06 maio 2015

- A GREVE DA TAP!...

Já não tenho pachorra para cinismos, críticas sem sentido e exigências despropositadas!... Acredito num mundo de opostos, e em gente que não  personifique o carácter rígido e inflexível, mas detesto tudo que cheire a vigarice.
Vivemos tempos, em que a vida já foi mais bela para todos nós!... E não estou a falar apenas da tão prolongada crise que a todos nos tem atormentado, mas também ao que a ela possa estar alegadamente ligada; muito menos desse povo que anda por aí cabisbaixo e de semblante carregado e triste; das barbaridades e dos maleficios de que enferma uma sociedade para quem a vida humana parece ter perdido importância -mata-se por um bocado de terra, por meia dúzia de euros, por amores perdidos e sei lá que mais; ou do Cenário Económico apresentado recentemente pelo Partido Socialista, como alternativa às politicas de austeridade que nos acompanham desde o inicio da actual legislatura.
Sobre tudo isto, obviamente que haveria muito para dizer, mas porque as crónicas semanais exigem prioridades, todas estas questões ficarão para uma próxima oportunidade...
Hoje, e porque como já o afirmei,  rejeito a hipocrisia, a desonestidade e a manipulação, vou falar sobre uma greve que abalou o país e se tornou apelativa para rádios, televisões, jornais e até Ministros, Secretários de Estado e Oposição politica – A GREVE DOS PILOTOS DA TAP - aquilo que a envolve. e que alguns fazendo-se de “santos”, tentaram de forma vil, demagogica e chantagista, voltar todos contra os pilotos grevistas, como se tudo que hà para dizer sobre o assunto, tenha já sido dito.
Posto isto, coloquemos então a primeira questão: terão ou não os pilotos - como quaisquer outros trabalhadores, o direito legal a uma greve, quando julgam que lutando dessa forma alcançam ganhos em termos laborais?!...
Em jeito de resposta, creio não existir ninguém com a “quarta classe bem aferida”, que não aceite tal legalidade.
Ora sendo assim, será pois pacifico afirmar, que esse direito, e apenas esse, legitima todas, e não apenas determinadas greves.
Perguntar-me-ão: e será que uma greve de 10 dias, que causa milhões de euros de prejuízo à empresa e por arrastamento ao país e aos portugueses será justa?!...É óbvio que chegados aqui, a coisa “pia mais fino”!...  E “piando mais fino”, há então que aferir todas as responsabilidades e não apenas as de alguns.
Ora vejamos: as razões apresentadas pelos pilotos na greve de 4 dias que pretenderam fazer em Dezembro do ano passado contra a privatização da TAP tinham todo o sentido!... A razão desta greve de 10 dias, em luta por 20% do capital da empresa em função da privatização, não tem sentido nenhum.
Argumentam os pilotos, que o Governo lhes prometeu dar os ditos 20%!.... Dar?!... Mas para além dos salários, deveres e direitos laborais, a que propósito o património português também entra nas negociações entre Governo e Sindicatos?!...
É evidente, que quem tem a culpa não são os pilotos!... Quem tem a culpa, foi quem lhes prometeu dar aquilo que não é seu em Dezembro do ano passado, atirando com a barriga para a frente um problema que agora se transformou num problema ainda maior.
Chegados aqui, é pois perceptível que não basta questionar a greve dos pilotos!... É preciso ir mais além e aquilatar das razões subjacentes à “queda” de uma empresa considerada em 2011 como a melhor companhia aérea da Europa pela revista norte-americana "Global Traveler". E elas são mais que muitas, a começar pela compra de empresas falidas como a VEM e a Portugália, esta ligada ao GES/BES, pela  privatização das OGMA que serviu como justificação para que as manutenções e reparações da frota passassem a ser efectuadas no Brasil, a custos que arruinaram a empresa, a que se junta uma administração que embora paga a “peso de ouro”, se tem revelado um verdadeiro desastre.
Tudo somado os prejuízos rondam os 1.000 milhões de euros e sendo assim, não estaremos aqui igualmente, perante um crime lesa-pátria, envolvendo negócios nunca esclarecidos?!...
E o que fez o Ministério Público?!... Que se saiba, abriu um inquérito ao senhor Fernando Pinto,  mas do qual nada se sabe até hoje, muito menos quem são os responsáveis por estes negócios ruinosos para a TAP.
Conclusão: o objectivo principal de desgaste, vai assim sendo cumprido aos poucos com a colaboração de todos - dos pilotos que querem ser patrões, do Governo que quer ver-se livre da empresa e “encher ainda mais os cofres” com a respectiva venda, e de uma administração que funciona como correia de transmissão do próprio Governo.
Esquecem-se porém, que nenhum investidor no seu perfeito juízo vai comprar uma empresa, pagar 1.200 milhões de euros de passivo e ainda por cima sem saber se os pilotos tem ou não 20% da companhia. Entretanto que sofre as agruras deste verdadeiro “filme de terror”, são os do costume...

29 abril 2015

DISCURSOS DE "ONTEM" E DE "HOJE"...

No seu último 25 de Abril, na Tribuna da Casa da Democracia, Sua Excelência falou sem cravo mas com os cravas a aplaudi-lo de pé. Na sua alocução, Sua Excelência veio queixar-se da agressividade verbal e da falta de consensos, fruto talvez de quem não sabe, nunca soube, ou nem quer saber o que é a democracia, sinónimo de debate de ideias, defesa de princípios, discussão e também como é óbvio, diálogo.
Sua Excelência, sensível como é, disse não gostar de conflitos e de insultos. Porventura, deveria estar a referir-se aos de que ele tem sido alvo quando percorre algumas das zonas do país. Mas não gostando Sua Excelência de conflitos e de insultos, nem mesmo assim se inibiu ele próprio e a propósito da corrupção, insultar Sócrates ao dizer -parafraseando a ministra Cruz, que ninguém está acima da lei. É óbvio que não, que ninguém está, ou devia estar!... Nem Sócrates, nem Oliveira e Costa, nem Duarte Lima, nem Dias Loureiro, nem Passos Coelho, nem Miguel Relvas, nem Paulo Portas, nem tantos outros que odeiam cravos mas adoram cravas. Mas infelizmente alguns parecem estar. É o “velho lema”: uns festejaram o 25 Abril dos cravos e clamando por um país melhor. Outros - os cravas, festejam o 25 de Abril de hoje que tantas portas lhes abriu e tantos coelhos pariu.
O importante porém é recusar caminhos que Sua Excelência nos pretende impingir e recomendar - um país de tolos, pacificado, ordeiro, obediente, sem arruaças, crispações, sem cravos, mas povoado por escravos e cravas. Não façamos greves mas antes convívios entre ricos e pobres, espoliados e exploradores. Não apupemos, mas cantemos antes hinos de amor. Façamos de Portugal um gigantesco templo de paz entre os homens e de oração entre as almas desavindas.Tal como no tempo da “outra senhora”, amemo-nos uns aos outros, mesmo quando os cravas nos roubam nos salários, nas pensões, nos impostos, em tudo onde possam botar as manápulas imundas de sangue e dinheiro sujo. Ou isso ou terão que sofrer, os escravos e não os cravas.
Tal como “ontem”, Cavaco assim o disse no seu último 25 de Abril...

22 abril 2015

A RECEITA DO GOVERNO PARA OS PRÓXIMOS QUATRO ANOS AÍ ESTÁ: MAIS AUSTERIDADE!...

O Governo Passos Coelho/Paulo Portas, apresentou por estes dias o seu Programa de Estabilidade para 2015-2019!... Tudo visto e revisto, aquilo que mais uma vez propôs ao País, foi a receita do costume: austeridade sobre austeridade. Ora vejamos:
1.º - Os cortes nos salários dos funcionários públicos são para continuar até 2019, com alguma devolução pelo meio. Que esta medida contrarie directamente a decisão do Tribunal Constitucional não merece uma linha de justificação ou esclarecimento por parte do Governo, facto que indicia mais uma frente de batalha com o Tribunal Constitucional;

2.º - A prometida reversão da sobretaxa do IRS à custa do orçamento de 2016 mas com efeitos já na campanha eleitoral de 2015, era para ser feita em função do andamento da receita em 2015 e até podia ser totalmente "devolvida" em 2016 (quem não se lembra de Paulo Portas o ter afirmado, como contrapartida a viabilizar o aumento da carga fiscal e até com informações trimestrais aos contribuinte?!...). Afinal de contas, nem informações fiscais trimestrais, nem reversão da sobretaxa, a qual passa a ser aplicada pelo menos até 2019, também ela sujeita apenas a uma "eliminação progressiva". A única certeza a extrair daqui, é que Paulo Portas, não passa, tal como o seu parceiro,de um aldrabão. Sobre o enorme aumento de impostos com impacto no IRS nem uma palavra. 

3.º- Quando se fala do IRC, contudo, as reduções são para continuar e sempre em bom ritmo. Ao ritmo de 1% ao ano para as grandes empresas (2,1% das maiores empresas pagam 67,7% de todo o IRC) e chegam a 2019 com uma taxa de 17%. Uma redução acumulada de quase 10% face ao ano de 2011. Para isto há sempre margem orçamental. 

4.º- Além dos cortes já feitos, volta a intenção de introdução de uma "medida para a sustentabilidade da Segurança Social" - há que apreciar a capacidade de eufemismo - que se traduz num CORTE de 600 milhões de euros aos reformados e pensionistas. Porque, jura-se, há um buraco de 600 milhões. Ora, sobre isto, duas notas: o Tribunal Constitucional já chumbou esta medida, o que o Governo desta feita até reconhece, mas conta com ela na mesma. 

5.º- Vamos continuar a pagar antecipadamente os empréstimos com juros mais elevados do FMI, o que até poderia fazer sentido não fosse percebermos todos que essa estratégia só é possível porque temos os cofres cheios de dívida barata - obrigado Mário Draghi - que podemos usar para pagar a dívida cara, mas que isso não diz nada sobre a saúde das contas públicas. Rigorosamente zero. 

6.º- A "Reforma do Estado" volta a estar em cima da mesa. Depois de quatro anos de nada, afinal em 2015-2019 é que vai ser. Números ou medidas concretas neste particular, nem uma para amostra. Pudera...

7.º- A fechar e como não poderia deixar de colocar a cereja no topo do bolo, o Governo prevê a eliminação da Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético e da Contribuição Extraordinária de Solidariedade que se aplica a pensões de valor superior a 4.611,40  euros, o que certamente fará com que Eduardo Catroga possa “sorrir” duas vezes. 

E no essencial, retóricas à parte é isto: empobrecer, empobrecer, empobrecer!... Tudo mais do mesmo, AUSTERIDADE sobre AUSTERIDADE, é a palavra de ordem deste Governo que diz ter os “cofres cheios”, mas com os portugueses à míngua. Os dados estão lançados, agora cada um que conclua o que quiser...

15 abril 2015

- O "ABONO DE FAMILIA" CAVAQUISTA, ENQUANTO SUPORTE DE UM "GOVERNO DE INDIGENTES"!...

O pior Governo e a pior maioria do regime democrático, não são apenas o epifenómeno que levou um cidadão incumpridor a Primeiro-Ministro, através de um processo criado por uma central de intoxicação chefiada por Miguel Relvas e Marco António, a qual segundo declarações do primeiro na hora da despedida, viria a ter o seu epílogo após cinco anos de luta sem tréguas no ano de 2011.
Estes, são pois os resíduos tóxicos do nosso sistema democrático, o que não quer dizer, que a conquista do poder não seja um direito e um dever da luta democrática, mas a forma como esta maioria e este Governo saltaram para o pote, tornou-se um caso de estudo e de vergonha.

E para que nem sequer faltasse a “cereja no topo do bolo”, a este Governo e a esta maioria, juntou-se aquele que em todos os espaçosde opinião e de sondagens, é hoje considerado como o pior Presidente da República democraticamente eleito, o qual com uma rudimentar cultura democrática e provado desamor à Constituição, o transformaram em membro suplente do Governo que – como está à vista de toda a gente - assiste.

Sabe-se hoje, que em Julho de 2013, a troco da aceitação do “namoro” que constantemente foi pedido ao Partido Socialista, Cavaco Silva se dispunha a antecipar as eleições legislativas para o verão de 2014. Como o Partido Socialista recusou o indecoroso parceiro, vinga-se agora no álibi do prazo constitucional para a convocação das ditas eleições, o que significa deixar o País muito provavelmente sem Orçamento de Estado para 2016 devidamente aprovado. Será que o Presidente da República não terá um economista que o avise dos riscos da situação e do desastre, a cuja dimensão o seu Governo não é alheio e de que ele próprio será responsável?!...

Como é que um Orçamento de Estado a aprovar até 15 de Outubro pode ser preparado por um Governo saído de eleições que marcará “entre 14 de Setembro e 14 de Outubro”, como consta da Constituição da República Portuguesa e já ameaçou cumprir, quando há menos de dois anos se propunha antecipá-las cerca de 15 meses?!... Por que motivo nega agora a antecipação dos meses que então acrescentava hà 1 ano por causa do Orçamento de Estado anual?!...

Será que não ocorre ao Presidente desta República, que das próximas eleições pode não resultar uma maioria que permita formar Governo, como ele próprio o “exige” e que mesmo que tal ocorra, nunca antes de Abril ou Maio haverá Orçamento?!... E se não houver maioria, como vai o"senhor" resolver a situação se estamos já em campanha para as presidênciais?!... Estará ele convencido, de que o seu Governo lhe sobreviverá com 116 deputados para o PSD/CDS?!...

A democracia está - devia estar primeiro, mas infelizmente não está!... Bastava ter pela Pátria o amor que nutre pelo seu património para pôr os interesses do País acima da derradeira afirmação de poder pessoal, numa vertigem suicidária da dignidade própria e dos interesses do país. Esperemos que com esta atitude, não se venha a instalar o “caos” nos derradeiros meses do ano.

Em abono da verdade, não se pode levar a mal, o mal que este Governo e este Presidente fizeram a Portugal. Cada um só dá o que pode e sabe, e eles infelizmente não sabem nem podem dar mais.
Ainda assim e não podendo fazer melhor, porque não estavam preparados, aprontaram uma gigantesca máquina de propaganda a que não faltam cúmplices, idiotas úteis, ressentidos de vários quadrantes e psicopatas desejosos de consideração pessoal. É essa corja imensa que teremos de enfrentar no tempo que falta para nos vermos livres deste Presidente, deste Primeiro Ministro e desta maioria, sem o mais leve indício de que um Governo digno e um Presidente capáz, os substituam e invertam tão funesta herança.


Portugal com uma dívida pública, privada e das empresas, que ascende aos 684 mil milhões de euros, cerca de 3,9 vezes o PIB nacional, não pode esperar mais e precisa de gente capáz para fazer face aos desafios do futuro.