23 março 2016
17 julho 2015
O GOVERNO DA "BANCARROTA SOCIAL"/O ESBULHO CONTINUA...

Já
toda a gente sabe, que o senhor Pedro Passos Coelho tem um sério
problema com a verdade!... A verdade, é qualquer coisa que não
lhe assiste. Desde que começamos a conhecer o sujeito, sempre assim
foi, e hoje, é já a personificação da personagem principal da
história "Pedro e o Lobo". No que dia em que conseguir
vencer a patologia que o leva a mentir cada vez que abre a boca, no
dia em que vier a dizer uma verdade, já ninguém vai acreditar nele.
Foi com mentiras que Pedro Passos Coelho chegou ao poder, foi com mentiras que Pedro Passos Coelho se tem mantido no poder, e será com mentiras que Pedro Passos Coelho há-de ir embora, apesar de tudo, já tarde de mais.Mas ainda assim, não se contenta com as mentiras que diz!... Complementa-as, dizendo que as mentiras que ele disse não foram ditas por ele, relegando para “mitos urbanos” as patranhas com que vive.
Pedro Passos Coelho que chegou ao poder recorrendo à manipulação e a campanhas de comunicação - um dia saberemos quem as pagou - continua a utilizar as mesmas armas, numa desesperada tentativa de se agarrar ao poder. Certamente estará com algum receio de cair da cadeira...
Hoje, com o “estalar” de mais uma das suas habilidades e do seu Governo, nunca foi tão clara a diferença entre cidadão e servo, a que Marx um dia chamou, a "luta de classes", que esta direita neo-liberal e retrógrada está a ressuscitar. Depois do esbulho dos subsidios de férias e de natal só travados pelo Tribunal Constitucional; depois do esbulho nos vencimentos que chegaram a atingir os 12,5%; depois do “assalto à mão armada” no que a impostos diz respeito - assim classificado por uma distinta figura do seu Partido; depois do esbulho aos reformados e pensionistas; depois dos ataques à saúde e à educação; depois do espirito egoísta e da divisão criada entre velhos e novos, entre empregados e desempregados, entre trabalhadores do Estado e do sector privado, entre ricos e pobres, entre "piegas" e submissos, entre indignados e colaboracionistas; depois do incentivo à emigração; depois de falências continuadas de pequenas e médias empresas; depois do alastrar da fome e da pobreza; depois do desemprego criado; depois da descida do IRC que beneficia as grandes empresas em milhões de euros; e depois de tanta oferta aos grandes grupos económicos que estão a comprar o país a pataco, nunca foi tão claro o que é uma política de interesses, em prejuízo dos mesmos de sempre.
Último exemplo, é o relatório demolidor do Tribunal de Contas hoje dado a conhecer sobre os descontos da ADSE. Com os aumentos nas respectivas contribuições, só em 2014, o Governo conseguiu “sacar” aos funcionários públcos, para além do que já vem sacando, mais qualquer coisa como 138,9 milhões de euros, que injectou na consolidação das contas públicas para efeitos de diminuição do défice. Foi o próprio Primeiro-MInistro que o afirmou.
Para 2015 e segundo o mesmo relatório do Tribunal de Contas, bastaria uma contribuição de 2,1% para que os custos com os cuidados de saúde prestados fossem integralmente financiados pelos beneficiários.Mas o Governo não entende assim!... É preciso "sacar" cada vez mais e os 3,5% que na altura valeram até a recusa do Presidente da República em promulgar o diploma, são para continuar. Um verdadeiro saque, efectuado por um governo que só descansa quando a bancarrota social estiver concluída.
Foi com mentiras que Pedro Passos Coelho chegou ao poder, foi com mentiras que Pedro Passos Coelho se tem mantido no poder, e será com mentiras que Pedro Passos Coelho há-de ir embora, apesar de tudo, já tarde de mais.Mas ainda assim, não se contenta com as mentiras que diz!... Complementa-as, dizendo que as mentiras que ele disse não foram ditas por ele, relegando para “mitos urbanos” as patranhas com que vive.
Pedro Passos Coelho que chegou ao poder recorrendo à manipulação e a campanhas de comunicação - um dia saberemos quem as pagou - continua a utilizar as mesmas armas, numa desesperada tentativa de se agarrar ao poder. Certamente estará com algum receio de cair da cadeira...
Hoje, com o “estalar” de mais uma das suas habilidades e do seu Governo, nunca foi tão clara a diferença entre cidadão e servo, a que Marx um dia chamou, a "luta de classes", que esta direita neo-liberal e retrógrada está a ressuscitar. Depois do esbulho dos subsidios de férias e de natal só travados pelo Tribunal Constitucional; depois do esbulho nos vencimentos que chegaram a atingir os 12,5%; depois do “assalto à mão armada” no que a impostos diz respeito - assim classificado por uma distinta figura do seu Partido; depois do esbulho aos reformados e pensionistas; depois dos ataques à saúde e à educação; depois do espirito egoísta e da divisão criada entre velhos e novos, entre empregados e desempregados, entre trabalhadores do Estado e do sector privado, entre ricos e pobres, entre "piegas" e submissos, entre indignados e colaboracionistas; depois do incentivo à emigração; depois de falências continuadas de pequenas e médias empresas; depois do alastrar da fome e da pobreza; depois do desemprego criado; depois da descida do IRC que beneficia as grandes empresas em milhões de euros; e depois de tanta oferta aos grandes grupos económicos que estão a comprar o país a pataco, nunca foi tão claro o que é uma política de interesses, em prejuízo dos mesmos de sempre.
Último exemplo, é o relatório demolidor do Tribunal de Contas hoje dado a conhecer sobre os descontos da ADSE. Com os aumentos nas respectivas contribuições, só em 2014, o Governo conseguiu “sacar” aos funcionários públcos, para além do que já vem sacando, mais qualquer coisa como 138,9 milhões de euros, que injectou na consolidação das contas públicas para efeitos de diminuição do défice. Foi o próprio Primeiro-MInistro que o afirmou.
Para 2015 e segundo o mesmo relatório do Tribunal de Contas, bastaria uma contribuição de 2,1% para que os custos com os cuidados de saúde prestados fossem integralmente financiados pelos beneficiários.Mas o Governo não entende assim!... É preciso "sacar" cada vez mais e os 3,5% que na altura valeram até a recusa do Presidente da República em promulgar o diploma, são para continuar. Um verdadeiro saque, efectuado por um governo que só descansa quando a bancarrota social estiver concluída.
Publicada por
Domingos Chaves
25 junho 2015
REFORMAS E PENSÕES!... Cortar é a palavra de ordem...
Em
19 de Abril de 2011, Pedro Passos Coelho, então candidato a Primeiro-Ministro
para a legislatura que agora está prestes a chegar ao fim, afirmava
categoricamente o seguinte: “... todos aqueles que produziram os seus descontos
e que têm hoje direito às suas reformas ou às suas pensões, deverão mantê-las
no futuro, sob pena do Estado se apropriar daquilo que não é seu”.
Palavras bonitas à época, mas que o tempo, as circunstâncias e os novos discursos abafaram. Hoje, volvidos que são quatro anos, para além da depreciação a que as ditas reformas têm sido sujeitas ao longo da legislatura, a retórica do então candidato deixou de fazer sentido e o tema de mais cortes, voltou a marcar a agenda politica.
Ao
contrário do que se possa pensar, a questão não é nova!... Já em
Dezembro de 2012, o mesmo Passos Coelho, então já na qualidade de
Primeiro-Ministro, havia afirmado que os reformados “estavam a
usufruir de pensões para as quais não descontaram na proporção do
que estão a receber”. Possivelmente – quem sabe – estaria a
referir-se a muitos, que tal como ele, durante anos a fio se
“esqueceram” de depositar nos cofres da Segurança Social os
descontos a que estavam obrigados, provocando um rombo de milhões,
mas que ainda assim, não deixaram de beneficiar das suas pensões,
embora só possíveis, porque a esmagadora maioria dos contribuintes
ali foi injectando mensalmente 34,75% do seu vencimento iliquido,
durante décadas de regime contributivo.
Infelizmente
porém, o alvo deste Governo e ao contrario do que seria suposto
pensar, não são esses tais incumpridores que continuam a
subsistir!... O alvo são pelo contrário os do costume – aqueles
que a tempo e horas, sempre cumpriram com os seus deveres fiscais. E
tanto assim é, que o “tiro de partida” para nova investida, foi
agora dado pela Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, a
qual servindo-se de argumentos idênticos aos do seu chefe em 2012,
achou por bem entender e publicitar, que se nada for feito em termos
de “cortes” das pensões em pagamento, a que pomposamente designa
por mais uma reforma da Segurança Social, esta entrará em ruptura a
muito curto prazo.
Dizê-lo,
afirmou a senhora para quem a quis ouvir, “é uma questão de
honestidade”, adiantando que “o esforço para garantir a sua
sustentabilidade, tem de ser dividido entre os actuais e os futuros
pensionistas”. Para os actuais não foi de modas: 600 milhões de
euros, é o “preço” a pagar já em 2016, conforme Documento de
Estratégia Orçamental aprovado pelo PSD e o CDS e entretanto
enviado a Bruxelas. Para os futuros, as medidas a adoptar ficam a
aguardar por melhor oportunidade.
Esqueceu-se
porém a Ministra, que em nome da dita honestidade e salvaguardando o
facto da dita sustentabilidade ser de facto um problema que tem de
ser objecto de ponderada análise, o mesmo e ao contrário daquilo
que referem os membros e porta-vozes do Governo em vários orgãos de
comunicação social, nunca poderá ser imputado, quer aos actuais
reformados, quer àqueles que para lá caminham a curto prazo. Esse,
é sim um problema que deriva em exclusivo das politicas do Governo,
para quem a Segurança Social nos últimos tempos tem funcionado como
um “pronto socorro”, do qual se serve para daí retirar verbas
para pagar subsidios de toda a espécie, para financiar mordomias
políticas e até para “tapar buracos orçamentais”.
Não
se pretende com isto dizer, que não haverá possivelmente casos em
que o Governo tenha tido conhecimento ao longo da legislatura, de
muitos "turbo-reformados", isto é, de pessoas que
obtiveram pensões ou subvenções vitalícias ou algo análogo, após
meia ou uma dúzia de anos em cargos políticos e/ou de gestores
públicos, de nomeação política, que obtiveram chorudas reformas
ao cabo de um ou dois mandatos desempenhados. Ora perante estes
factos que são por todos conhecidos, teriam toda a razão nos seus
queixumes e até a estrita obrigação de rever o sistema. Porém
sobre isso, o silêncio impera e ninguém ousa levantar o véu. É
muito mais fácil tentar passar demagogicamente a ideia de que as
pensões e reformas são resultado de benesses do Estado, que essas
benesses não podem pôr em causa os direitos das gerações
vindouras, e ocultar de forma deliberada, que quem hoje usufrui das
suas pensões, o fáz em função daquilo que lhe é devido pelo
muito que pagou para o efeito, mercê de décadas de trabalho e
mediante um contrato com o Estado, desde o início da sua vida
activa. Esta é que é a verdade...
Perante
os factos, é pois de bom tom que se diga, não se entender a razão
de ser dessa sanha anti-reformados, muito menos por parte de quem
fala em honestidade e se afirma estar de boa-fé. É que além de
absurda, a medida projectada, é no mínimo injusta. Este Governo ao
aprovar como aprovou o Documento de Estratégia Orçamental, mais uma
vez foi pelo lado mais fácil!...E o lado mais fácil, é ir
directamente ao bolso dos reformados sem pedir licença, esquecendo
que em Portugal já ocorreu uma reforma da Segurança Social em 2007,
a qual para além de alterar os limites da idade da aposentação, à
qual se seguiram os cortes subsequentes à chegada da tróika que
tornaram as pensões e reformas mais “magras”, significou a
título de exemplo e apenas no último ano comparativamente a 2011,
um decréscimo de gastos do Estado nesta área de menos 762 milhões
de euros.
A
chave da sustentabilidade da Segurança Social, não está pois em ir
mais uma vez ao bolso dos pensionistas!... A chave da
sustentabilidade da Segurança Social está sim em colocá-la
efectivamente ao serviço para que foi criada; na criação de
emprego, gerando com isso novos contribuintes; e fundamentalmente na
criação de riqueza. Enquanto a utilização dos seus fundos forem
utilizados para gerir os programas assistencialistas como o subsidio
de desemprego em elevado grau; para tapar buracos dos Orçamentos de
Estado; para pagar pré-reformas, decorrentes da substituição de
trabalhadores efectivos nas grandes empresas por precários; para
injectar na subsidio-dependência; para subsidiar a Formação
Profissional e as chamadas Políticas Activas de Emprego que consome
1,4% do PIB, entre eles o programa Impulso Jovem, que permitem às
empresas contratar trabalhadores a custo quase zero; e mais
recentemente para financiar estágios que custam “pipas de massa”,
é evidente que não haverá Segurança Social que resista.
Mais!...
Quando todo o discurso por parte do Governo e de quem o apoia é de
esperança; quando se afirma que Portugal está hoje melhor, e a
única coisa que parece não ter solução é a Segurança Social e o
respeito devido aos direitos dos pensionistas, tal só tem um
significado: os actuais reformados, esses tais que “comeram o pão
que o diabo amassou”, que “fizeram a guerra”, que fruto da
crise, do desemprego e até da fome, com as suas parcas migalhas se
sustentam a si próprios e em muitos casos aos seus filhos e netos,
vão ser definitivamente deixados para trás. Um desvario que o tempo
não nos permite recordar tamanha desfaçatez.
(Texto
escrito segundo o antigo acordo ortográfico)
Publicada por
Domingos Chaves
12 junho 2015
- O SEGREDO DE JUSTIÇA É COMO O “FAIR-PLAY” - UMA TRETA!...
A
última gota de água que fez transbordar o copo da falta de isenção
do Ministério Público e do Juiz de Instrução Criminal ligados ao
processo “Marquês”, prende-se com a decisão de manter o
ex-Primeiro-Ministro José Sócrates em prisão preventiva, depois de
este ter recusado como era seu direito, o uso de pulseira
electrónica.
Será
que não haveria no mínimo, outra forma de o “encarcerar” na sua
residência sem se fazer acompanhar da referida “anilha”?!...
Evidentemente que sim!... Quem está ligado ao “ramo” sabe que
assim é, daí a contestação já aberta às decisões do procurador
Rosário Teixeira e do juiz Carlos Alexandre, começar a fazer-se
ouvir dentro do próprio sistema judicial e entre os vários
operadores da justiça.
Mas
como se tal não bastasse, é que as consequências da última
audição, ocorrida no pretérito dia 27 de Maio, tendo ultrapassado
todas as marcas, levaram até a Procuradoria Geral da República a
abrir mais um inquérito, a juntar aos vários já abertos para
apuramento das mesmas responsabilidades, mas cujos resultados ninguém
conhece. Desta vez foi-se tão longe, que quer a revista Sábado,
quer o Correio da Manhã, deram-se até ao luxo de terem revelado
todos os pormenores, e as intervenções mais marcantes do próprio
José Sócrates e do procurador Rosário Teixeira, numa sessão
gravada – dizem que para memória futura - sob enorme tensão,
transcrevendo partes do interrogatório, supostamente confrontado que
foi o arguido com novos factos que a investigação terá obtido, o
que indicia ter tido acesso às respectivas gravações.
Ora
chegados aqui, a conclusão é óbvia: como as gravações só podem
ter sido produzidas pelos representantes da Justiça, porque não é
de crer que Sócrates se possa ter munido de um qualquer gravador
escondido dentro das botas que lhe quiseram tirar, não há dúvida
que o segredo de justiça é como o “fair-play” - uma treta, ao
nível de um qualquer arruaceiro que passa a vida a simular
situações, procurando através das mesmas, fazer crer na sua
veracidade.
A
serem verdadeiros os novos relatos do Ministério Público feitos
agora através da supracitada imprensa, os mesmos revelam pois uma
coisa que é inequívoca: pura vingança e humilhação sem
precedentes.
No
mínimo, durante os últimos seis meses e ao contrário do que se
passa com outros arguidos a contas com a justiça, não há um único
dia, em que os respectivos promotores deixem de se referir a José
Sócrates, com novas suspeitas, novas fontes de corrupção e de
branqueamento de capitais, através de uma brutal campanha, que mais
parece uma “orquestra”.
E
sendo assim, pergunta-se que Justiça é esta que entrou no barco da
retaliação política?!... Será que essa mesma Justiça se pode
prestar a um espectáculo tão degradante, ao ponto de minar a sua
própria credibilidade aos olhos do país?!.... Não haverá por aí
uma Ordem que tome uma posição clara e nos livrem de tamanha
telenovela?!..
Que
responda e pague quem tem que pagar, mas acabe-se com este teatro que
cada vez mais confunde os portugueses. Só os maniqueiístas que não
compreendem como todos os humanos são muitas coisas ao mesmo tempo,
é que ainda não deram por isso.
Justiça sim, doa a quem doer, mas assim não...
Publicada por
Domingos Chaves
03 junho 2015
- DEMOGRAFIA: QUE PAÍS SOBRA PARA SALVAR?!...
Será que o futuro ainda mora aqui?!...
Hoje somos menos, estamos mais velhos e também mais pobres!... Três ingredientes que nos permitem perceber como estes tempos a que chamam de crise, estão a afectar de forma quase diria irreparável, a demografia em Portugal.
Perante os factos já muito visíveis, será que já se fáz tarde para acordar para esta realidade e inverter o fenómeno?!... Diz-nos a evidência que nunca é tarde, todavia se nada fôr feito a muito curto prazo e as politicas neste dominio não forem objecto de profundas alterações, o pior está ainda para vir e nos próximos 30 anos, para além de sermos menos 4 milhões de residentes, o interior certamente que “fechará para obras”.
Os números não enganam!... Desde 2010 que a tendência da queda demográfica se vem acentuando, mas os anos que se lhe seguiram bateram todos os recordes. A título de exemplo, em 2013, a taxa de natalidade em Portugal foi a mais baixa de sempre e da União Europeia. Para uma mortalidade de 10,2 cidadãos por cada mil habitantes, nasceram apenas 7,9 crianças. Enquanto isso e em termos globais, a população europeia aumentou, e a Irlanda, que à época tal como Portugal era um país sob resgate, foi mesmo o campeão dos nascimentos, com um score de 15 bebés por cada mil habitantes.
Não vale a pena por isso procurar tapar o sol com uma peneira e engeitar responsabilidades!... É imperioso isso sim que nos questionemos, perguntar como chegamos até aqui, e aferir das razões que contribuíram para este drama. É que perante um facto de tamanha gravidade para o futuro do país e dos portugueses, é fundamental que alguém assuma as suas responsabilidades, e nos explique como num espaço de tempo tão curto, foi possível que nos tornassemos no país mais envelhecido da Europa e no sexto do mundo, quando há 40 anos atrás tínhamos a taxa de natalidade mais elevada dessa mesma Europa.
E não nos venham dizer que foram os portugueses que decidiram mergulhar de cabeça no individualismo e na desvalorização da família. Não!... O problema é muito mais profundo. E sendo muito mais profundo, é com muita desconfiança que ouvimos o Primeiro-Ministro de Portugal afirmar, "(...) que para combater este flagelo, há necessidade de aplicar normas à escala da União Europeia para actuar em matéria de natalidade”. Pura demagogia!... A principal razão pela baixa natalidade, são os custos financeiros que os filhos representam, as elevadissimas taxas de desemprego jovem, a emigração, e a ausência de politicas de protecção às familias.
E tanto assim é, que pegando no exemplo da supracitada Irlanda, tal como nós, país membro da União Europeia, e igualmente objecto de um resgate, a diferença é abismal e varia de 7,9 para 15 nascimentos por cada mil habitantes. Ora esta é a prova, que a solução para o combate este drama não passa pela aplicação de normas vindas de Bruxelas, ma sim por soluções internas. O Governo – este ou qualquer outro - se assim o desejar, tem muito por onde começar, designadamente pela aprovação de legislação que valorize a gravidez e não o seu contrário, pela flexibilidade laboral e fiscal que beneficie a mulher grávida e os casais com filhos de tenra idade, pela penalização de quem despede uma mulher grávida ou uma jovem mãe, por um posicionamento político e operacional tenaz contra a pobreza galopante, pela reposição dos modestos benefícios que o Estado concedia às famílias com filhos, com escolhas que valorizem a competência e não as filiações, e particularmente com uma praxis que reponha a esperança no horizonte futuro dos portugueses. Se pelo contrário insistir nas politicas até aqui adoptadas, designadamente em matéria de emprego e de incentivos à emigração, o futuro para além de pouco risonho, não mora certamente aqui.
Segundo um recente estudo encomendado pela Presidência da República e realizado por uma equipa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, as conclusões do mesmo não auguram nada de bom, senão vejamos: para além da pouca apetência pelo "fenómeno politico", cerca de 70% dos jovens entre os 15 e os 24 anos encara a hipótese de emigrar; na mesma faixa etária 38,2% estão sem emprego há mais de um ano, subindo a fasquia para os 52,8% se considerarmos as idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos.
Ora este conjunto de dados, para além de profundamente elucidativo e inquietante, reflecte a falta de confiança num futuro por cá. Isto sem esquecer, que quem parte é jovem, o que virá a ter efeitos ainda mais nefastos em termos de natalidade. Desde 2011, mais de 250 mil portugueses entre os 20 e os 40 anos saíram oficialmente do país, números que chegam a exceder o máximo histórico assinalado no final da década de 60, em plena guerra colonial.
Dir-me-ão: desde hà séculos, sempre fomos um país de emigrantes. Claro que fomos!... Só que a emigração de "ontem", nada tem a ver com a emigração de "hoje". "Ontem", a emigração ocorria na procura de melhores condições de vida" e globalmente com retorno garantido!... "Hoje" a emigração existe, na procura da própria vida e maioritariamente sem bilhete de regresso, sobretudo para quem está a começar, se sente qualificado e com o desejo de construção de um projecto de vida viável e bem sucedido, que por cá ninguém garante.
Ora este êxodo tem obviamente profundas consequências para um país como Portugal, e se nada fôr feito, a começar pelas zonas do interior que pura e simplesmente têm sido votadas ao abandono pelo poder central, não tardará muito em transformar-se num país fantasma. Deixará muito brevemente de ter massa critica para o funcionamento da sua economia e recursos para garantir a sobrevivência física dos inactivos. Ou seja, todos os esforços que estamos a fazer - mesmo acreditando no delírio de que têm como objetivo garantir a sustentabilidade da economia e do Estado - serão comidos como resultado desta sangria da população activa. Não se pode afirmar "ser-se defensor da família e da promoção da natalidade", quando se gasta apenas 1,5% do nosso magro PIB no seu apoio económico, contra a média da União Europeia de 2,3%. França e Irlanda - para não citar outros - são excelentes exemplos dessas politicas...
Pelo contrário, cortar aqui da forma como se tem cortado, é a demonstração duma política que parece apostar no suicídio assistido da nação, na suposta ideia de que a está a salvar.
(Texto escrito segundo o antigo acordo ortográfico e publicado no Jornal Noticias de Barroso de 30 Maio)
Publicada por
Domingos Chaves
20 maio 2015
"UM ENLACE CONTRA-NATURA"!...
Odeiam-se, mas após quatro anos de “vida em comum”, a
conveniência falou mais alto e resolveram “dar o nó”!... Está em causa um
“dote”, do qual nenhum deles pretende abdicar.
A gente até sabe, que se pudessem bem que chegavam a roupa ao
pêlo um ao outro, que se insultavam e que com toda a certeza, cada qual seguia
o seu destino, provavelmente acompanhado de um chorrilho de impropérios e
revelações de chocar os seus mais fervorosos adeptos.
Mas o que interessa aqui e agora, é posar para a fotografia como
se nada se passasse, “cortar o bolo e celebrar as núpcias” e encenar no mínimo
até ao “lavar da roupa suja” que se aproxima. É que caso contrário, eles sabem
muito bem o que os espera!... Rui Rio, José Ribeiro e Castro e até agora a
discreta Cristas, estão todos muito atentos.
Resulta de tudo isto e dos condimentos que envolvem o enlace,
que são agora claras para todos, as razões pelas quais Portas suporta todas as
humilhações que Passos Coelho se diverte a fazê-lo passar, todas as
desconsiderações a que sujeita o CDS e todo o desprezo que tem pelos ministros
centristas. Mas Portas não quer saber se Passos Coelho lhe chama indirectamente
irresponsável, como voltou a fazê-lo quando do lançamento da sua última
biografia recentemente divulgada, ou na entrevista dada ao SOL, e muito menos
se se importa de servir de espécie de prova, para que o Primeiro-Ministro seja
visto como alguém que teve de lutar contra tudo e contra todos, até contra o
seu parceiro de coligação – e claro está, Passos bem sabe que nada mais agradável
para os dirigentes e militantes do PSD, que umas “malhadelas” bem fortes no
líder do CDS.
E esta, é que é verdadeiramente a “prova real”, de que Portas já
está ciente de que a sobrevivência política do CDS no curto prazo, depende de
ir coligado com o PSD às próximas eleições, senão vejamos: alguém consegue
discernir uma réstia das bandeiras do CDS neste Governo?!... O auto-intitulado
Partido do contribuinte, foi ou não foi o co-autor da maior subida de impostos
da história da nossa democracia?!... E o auto-intitulado Partido dos
reformados, estava ou não estava no Ministério da Segurança Social durante os
cortes de pensões e reformas?!...
Perante estes factos que são indesmentíveis, que motivação terá
um apoiante deste Governo e das políticas prosseguidas para votar no CDS?!...
Há algum traço democrata-cristão que tenha resistido às políticas radicais do
Governo?!... Absolutamente nenhum!... A
grande verdade que ninguém poderá contestar, é que o CDS se dissolveu no
bonapartismo de Portas e no radicalismo neo-liberal deste estranho PSD.
E aí justiça lhe seja feita!... Paulo Portas não ignora que para
reerguer o seu Partido – seja com ele ou com outro o líder – e dar-lhe uma
matriz ideológica diferente da que foi a deste Governo, tem de ter uma presença
com algum significado no Parlamento. Precisa de readquirir iniciativa política,
de mostrar que tem um caminho próprio de
se reinventar. E como também tem a “ratice” necessária, sabe muito bem
que é incomparavelmente mais difícil fazê–lo com três ou quatro deputados,
concorrendo o CDS sózinho, do que com 14 ou 15 em coligação.
Daí sujeitar-se ao “vexame” para depois seguir o seu próprio
caminho. A Portas, pouco lhe importa se os deputados do CDS forem eleitos por
cidadãos que queriam votar no PSD!... O que para ele conta isso sim, é que o
acordo entre os dois Partidos, faz com que o CDS venha a ter um número de
deputados que não teria se concorresse isoladamente, ou seja, quase todos os
deputados que o CDS vai ter, seriam naturalmente homens e mulheres do PSD. Não
deixa de ser aliás paradoxal, que será com deputados emprestados pelo PSD, que
o CDS tentará reocupar o espaço político que perdeu neste Governo.
E depois, há também o reverso da medalha!... Portas sabe também
que a vingança é um prato que se serve frio, e o líder dos centristas não
deixará de o servir, ganhe a coligação as eleições ou não. Só quem o não
conhece, não terá isto em linha de conta.
Publicada por
Domingos Chaves
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