Vivemos
os últimos quatro anos e meio, sob a ameaça permanente de mais cortes nos
rendimentos que atingiram de sobremaneira os trabalhadores em geral e os funcionários públicos em particular, os pequenos e médios empresários e os
reformados e pensionistas. Vivemos sob um clima de instabilidade
permanente, alimentada dia a dia pelo Governo de Passos Coelho, Maria
Luis e Paulo Portas, tendo como caixa de ressonância os meios de
comunicação social, designadamente jornais, rádios e TVs, onde uma
élite de comentadores bem seleccionada se desdobrava em apresentar a
austeridade que recaía sobre os portugueses, como algo virtuoso,
necessário e sem alternativa.
Este
clima de instabilidade permanente, era usado politicamente pelo
Governo e constituía-se como a sua arma. Governo, que sabia
perfeitamente, que o medo e a insegurança vivida pelas pessoas e
pelas famílias, as inibia, as isolava e lhes retirava vontade para
qualquer protesto comum. Uma táctica política, que aparece em
qualquer manual de manipulação política das populações. Arredados, o PSD de Passos Coelho e o CDS da agora estagiária Cristas, esforçam-se desde então, por manter um clima de
instabilidade no país, procurando continuar a aproveitar-se da tal
elite mediática que permanece fiel às suas políticas neo-liberais
da austeridade sem fim. A manobra continua por demais visível, e a
discussão do recente Pacto de Estabilidade a enviar a Bruxelas, foi
por assim dizer o melhor exemplo.
No
inicio, fosse em Lisboa ou Bruxelas, tudo fizeram para que nada corresse bem
a António Costa!... Estavam absolutamente certos que a “gerigonça”
iria claudicar, e cá estariam eles então, para assumir heroicamente
o poder. Segundo a sua óptica, ao primeiro obstáculo, a maioria parlamentar claudicaria
porque além de contra-natura, não tinha pernas para andar. E assim foram apregoando, de obstáculo em
obstáculo, jurando que era desta, que agora é que era, que as
esquerdas não se iriam entender, que se iam esfrangalhar, que se não
fosse já, era logo a seguir, que estava quase, e por aí fora.
Depois, foram as medidas destinadas a entrar em vigor a 1 de janeiro
- designadamente a redução da sobretaxa e a devolução faseada dos
cortes salariais na função pública. Também aqui, a direita
apostava em que os partidos da esquerda não conseguiriam sanar as
suas divergências, sobretudo quanto ao ritmo das devoluções. Mas a
“geringonça” lá encontrou uma solução de compromisso.
Veio
então o OE 2016 e então agora é que era mesmo!... O PCP e o BE que
nunca antes tinham votado a favor de um Orçamento do Estado,
seguramente não era desta que o iriam fazer. Ainda para mais um
Orçamento que teria de cumprir os apertados critérios de Bruxelas.
Passos e Cristas, ainda acenderam uma velinha e fizeram figas para
que as exigências da Comissão Europeia fossem tantas e tamanhas que
o exercício se tornasse virtualmente impossível. Mais uma vez se enganaram!... O Orçamento de Estado foi
mesmo aprovado, com o assentimento da Comissão Europeia e o voto
favorável de toda a esquerda unida – num momento parlamentar
inédito, que ficará para a história da nossa democracia e desta III República.
Aprovado
o Orçamento de Estado, veio então a novela do plano B, um plano de
austeridade que o Governo de António Costa - diziam eles tinha
“escondido”, e que todos os dias foi levantado nos meios de
comunicação social, obviamente pelos mesmos de sempre. Desmontadas que foram
tais manobras e cientes já que o plano B, era dar cumprimento ao
plano A, surgiu agora o Plano de Estabilidade. Plano de Estabilidade
que foi apresentado, e que para desconforto de Passos e Cristas, mais uma vez não
continha cortes nas pensões - os tais cortes com que estes se haviam
comprometido com Bruxelas (quem não se lembra dos famosos 600
milhões), nos salários, nem aumentos no IRC, IRS ou IVA -
o tal plano B escondido de que falavam.
Ainda assim não desistem!... O
objectivo desta direita radical, é pois continuar a fomentar nos
portugueses a insegurança e a instabilidade no seu dia a dia. Teme
que o país e os portugueses regressem á normalidade, à paz e a uma
vida mais tranquila, depois do sobressalto porque passaram durante os ditos quatro anos e meio de politicas neo-liberais, que agora querem
mascarar de “social-democrata sempre”.
É verdade que neste
clima de instabilidade, a tarefa do Governo de António Costa se torna mais difícil!... Contudo e apesar da élite de comentadores já nossos conhecidos, de
um Conselho das Finanças Públicas que já não engana ninguém e que deve um pedido de desculpas aos portugueses pelos erros cometidos no passado dos quais ainda não se ressarciu, e
de todos os dias nas televisões, rádios e jornais se continuarem a
esforçar por desacreditar as medidas de reversão da austeridade, o
Governo - tudo o indica, vai continuar determinado em levá-la por
diante, merecendo para tanto o apoio dos partidos que o apoiam no
Parlamento, bem como com o do Presidente da República que já mostrou não estar cá para
devaneios, e seguramente com a compreensão da maioria dos
portugueses. Esta direita radical e retrógrada, já não tem ponta
por onde se lhe pegue...