Para
quem ainda acredita no poder soberano do povo, é muito difícil
explicar como é que é possível destituir uma Presidente, sem razão
pelo menos aparente que justifique o acto, tendo em conta que não
está indiciada por qualquer crime, nomear um substituto suspeito –
esse sim – da prática de vários actos de corrupção e formar um
governo, constituído por vinte e duas figuras, treze das quais
igualmente suspeitos da prática de crimes e cinco já condenados ou
acusados.
A
grande verdade, é que isso aconteceu no Brasil – a nona maior
economia do mundo!... O Senado brasileiro aprovou por maioria
confortável a admissibilidade do pedido de destituição da
Presidente Dilma Rousseff. Esta deliberação, tem como consequência
imediata a suspensão da Presidente eleita por 180 dias e a sua
substituição no exercício do cargo pelo Vice-Presidente. Se no
prazo de 180 dias o processo não for julgado no Senado, a Presidente
retomará as suas funções. A deliberação de Senado para afastar a
Presidente tem de ser tomada por maioria qualificada de dois terços,
ou seja, por cinquenta e quatro votos. Ora considerando que a
deliberação de admissibilidade do processo foi aprovada por
cinquenta e cinco, não será necessário ser dotado de grandes dotes
de adivinho para antecipar que a Presidente será mesmo destituída.
Quer
isto dizer – com o devido respeito por opiniões contrárias –
que o Brasil transformou a sua democracia numa farsa. Uma farsa que
se prende com a palavra corrupção que alguns pretendem associar à
Presidente destituída. A verdade porém e segundo as noticias que
chegam a este lado do atlântico, é que vários daqueles que
gritaram "sim" em nome de tudo e de mais alguma coisa, são
os mesmos que tudo fizeram para afastar Dilma Rousseff . São eles
próprios, contrariamente à Presidente agora afastada, acusados de
corrrupção.
Digam
o que disserem, goste-se ou não de Dilma, a grande verdade é que o
Brasil sem Dilma e sem ir a votos, para que o povo possa decidir, é
uma caricatura da democracia: fala-se na corrupção como aquela
doença que corrompe o sistema democrático, a verdade porém é que
segundo parece, há muitos a viver bem com ela, ao mesmo tempo que se
afundam na mais abjecta hipocrisia.
A
mais de sete mil quilómetros de distância de Brasilia, estou um
pouco à margem do que por ali se passa, admito porém e fazendo fé
nas noticias que nos chegam e são objecto de abertura dos
telejornais, não entusiasmará nenhum brasileiro, português que ali
tenha a sua vida ou descendentes de portugueses, estes sim os
principais alvos das nossas preocupações.
Sem
motivo para qualquer dúvida, atrevo-me a afirmar, que esta situação
não é boa para o Brasil, nem será boa para os Portugueses e para
Portugal. Tal como não será bom para nenhum dos países membros da
lusofonia.
Portugal
e a CPLP precisam do Brasil a puxar por esta grande comunidade
lusófona. Uma coisa porém é certa:neste momento, tudo não passa
de uma farsa, onde tudo parece ser relevante, menos aquilo que
realmente importa: A VÓZ DO POVO.





