Hoje
a politica é outra!... Portugal sagrou-se campeão da Europa de
futebol pela primeira vez na sua já longa história, ao bater na
final a anfitriã França por 1-0 após prolongamento, em encontro
disputado no dia 10 de Julho, no Stade de France, em Paris. Final,
onde chegamos com muito sofrimento, com muitas unhas roídas, a
barafustar, a gritar, mas que acabamos por ganhar e a festejar.
Julgavam-nos
um país pequeno e queriam vergar-nos por isso!... À semelhança de
um passado não muito distante, mais uma vez tentaram amesquinhar-nos
no futebol como o fazem fora dele, esquecendo porém que já vencemos
Aljubarrota, Junot, Soult, Massena, e que fizemos uma revolução sem
sangue. Ainda assim, “contra os canhões franceses”, contra as
lesões, contra as professias da desgraça e contra a malapata que
durava há mais de 40 anos, a selecção nacional de futebol fez
História e reinventou a “Pátria de Camões”. Do Minho a Timor,
o orgulho português falou bem alto e os sorrisos de orelha a orelha
mostraram ao mundo, que ao contrário daquilo que nos julgam,
Portugal continua muito grande. Aos franceses que ofenderam e
menosprezaram toda uma nação, resta-lhes agora aprender a perder e
a manter a sua dignidade,
com a certeza de
que uma
nação como a nossa não precisa do brilho da Torre Eiffel - brilha
por si própria.
É
verdade que começamos mal este Campeonato da Europa, mas acabámos
em grande!... Como dizia o capitão Cristiano Ronaldo, “isto não
importa como começa, interessa é como acaba” e felizmente para os
portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo e para aqueles em
cujas veias corre sangue da “pátria de Camões”, acabou da
melhor forma possível. Uma honra extensiva de uma forma muito
especial, aos sempre presentes emigrantes portugueses que vivem em
França, que nunca regateram esforços no apoio incondicional à
equipa das quinas, e a quem esta vitória lhes devolveu o orgulho
nacional e a alegria, conforme pudemos constatar diariamente ao longo
do tempo que durou o torneio.
O
10 de Julho em Paris foi por isso um dia histórico!... Um dia
histórico, com todos os condimentos para se transformar em mais uma
epopeia lusa, digna da História desta velha nação com quase um
milénio de existência. Uma história de encantar, que “começa”
com o drama de Cristiano Ronaldo, e “termina” com a magia de
Éder, o patinho feio que se transforma no mais explendoroso cisne e
no herói “impossível” para francês digerir.
É
verdade que não fomos a equipa que apresentou o melhor futebol, a
mais dotada em termos fisicos e a mais querida em terras gaulesas!...
Mas foi por certo a mais unida, a mais determinada e a mais alinhada
com os propósitos dos seus treinadores e dirigentes. Nunca se vira
um grupo tão coeso e um reconhecimento tão grande dos jogadores
pela acção do seu líder Fernando Santos. Portugal, que costumava
ser o país dos casos, das polémicas e das meias verdades nas fases
finais, foi desta vez a imagem da tranquilidade e da assertividade.
A
vitória no Europeu de França, precisamente porque era pouco
provável, tornou-se por isso ainda mais preciosa. Vai fazer bem à
nossa auto-estima, vai fazer-nos esquecer por algum tempo o espectro
das sanções e vai fazer mais feliz um país que nos últimos anos
tem passado "as ruas da amargura". É verdade que não nos
reduz o défice, não nos vai atenuar a dívida, não vai dar emprego
a quem o não tem, mas vai contribuir seguramente para que durante
algum tempo nos sintamos mais felizes.
Dizem-nos
que houve neste título, coisas dadas pela sorte!...Claro que houve,
mas como é costume dizer-se, "a sorte protege os audazes".
Como qualquer português que se preze, estou cansado de ver o meu
país não ter sorte!... Porém, algum dia ela teria que chegar e
chegou. Chegou com Rui Patricio a defender tudo o que humanamente era
possível defender e com Éder a ponta de lança, a dar o golpe
fatal.
Esta
é a beleza e a bizarria do futebol, onde o improvável pode
acontecer, onde até na ponta final o alemão Joachim Low deixou de
ter razão, quando apostou tudo nos franceses, depois de derrotada a
sua poderosa Alemanha.
Se
há lições a tirar deste momento Histórico, é que não somos, nem
nunca fomos pequenos!... Por algum motivo civilizamos metade do
mundo, que agora não se coibiu de nos prestar a sua homenagem. Um
dia que será recordado para o resto das nossas vidas. É bom, é
muito bom para todos nós e para o nosso país.
Domingos
Chaves
(Texto publicado no Jornal Noticias de Barroso e escrito segundo os ditâmes do antigo acordo ortográfico)





