21 julho 2016

SELECÇÃO NACIONAL REINVENTA A “PÁTRIA DE CAMÕES”!...O ORGULHO DE SER PORTUGUÊS...

Hoje a politica é outra!... Portugal sagrou-se campeão da Europa de futebol pela primeira vez na sua já longa história, ao bater na final a anfitriã França por 1-0 após prolongamento, em encontro disputado no dia 10 de Julho, no Stade de France, em Paris. Final, onde chegamos com muito sofrimento, com muitas unhas roídas, a barafustar, a gritar, mas que acabamos por ganhar e a festejar.
Julgavam-nos um país pequeno e queriam vergar-nos por isso!... À semelhança de um passado não muito distante, mais uma vez tentaram amesquinhar-nos no futebol como o fazem fora dele, esquecendo porém que já vencemos Aljubarrota, Junot, Soult, Massena, e que fizemos uma revolução sem sangue. Ainda assim, “contra os canhões franceses”, contra as lesões, contra as professias da desgraça e contra a malapata que durava há mais de 40 anos, a selecção nacional de futebol fez História e reinventou a “Pátria de Camões”. Do Minho a Timor, o orgulho português falou bem alto e os sorrisos de orelha a orelha mostraram ao mundo, que ao contrário daquilo que nos julgam, Portugal continua muito grande. Aos franceses que ofenderam e menosprezaram toda uma nação, resta-lhes agora aprender a perder e a manter a sua dignidade, com a certeza de que uma nação como a nossa não precisa do brilho da Torre Eiffel - brilha por si própria.
É verdade que começamos mal este Campeonato da Europa, mas acabámos em grande!... Como dizia o capitão Cristiano Ronaldo, “isto não importa como começa, interessa é como acaba” e felizmente para os portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo e para aqueles em cujas veias corre sangue da “pátria de Camões”, acabou da melhor forma possível. Uma honra extensiva de uma forma muito especial, aos sempre presentes emigrantes portugueses que vivem em França, que nunca regateram esforços no apoio incondicional à equipa das quinas, e a quem esta vitória lhes devolveu o orgulho nacional e a alegria, conforme pudemos constatar diariamente ao longo do tempo que durou o torneio.
O 10 de Julho em Paris foi por isso um dia histórico!... Um dia histórico, com todos os condimentos para se transformar em mais uma epopeia lusa, digna da História desta velha nação com quase um milénio de existência. Uma história de encantar, que “começa” com o drama de Cristiano Ronaldo, e “termina” com a magia de Éder, o patinho feio que se transforma no mais explendoroso cisne e no herói “impossível” para francês digerir.
É verdade que não fomos a equipa que apresentou o melhor futebol, a mais dotada em termos fisicos e a mais querida em terras gaulesas!... Mas foi por certo a mais unida, a mais determinada e a mais alinhada com os propósitos dos seus treinadores e dirigentes. Nunca se vira um grupo tão coeso e um reconhecimento tão grande dos jogadores pela acção do seu líder Fernando Santos. Portugal, que costumava ser o país dos casos, das polémicas e das meias verdades nas fases finais, foi desta vez a imagem da tranquilidade e da assertividade.
A vitória no Europeu de França, precisamente porque era pouco provável, tornou-se por isso ainda mais preciosa. Vai fazer bem à nossa auto-estima, vai fazer-nos esquecer por algum tempo o espectro das sanções e vai fazer mais feliz um país que nos últimos anos tem passado "as ruas da amargura". É verdade que não nos reduz o défice, não nos vai atenuar a dívida, não vai dar emprego a quem o não tem, mas vai contribuir seguramente para que durante algum tempo nos sintamos mais felizes.
Dizem-nos que houve neste título, coisas dadas pela sorte!...Claro que houve, mas como é costume dizer-se, "a sorte protege os audazes". Como qualquer português que se preze, estou cansado de ver o meu país não ter sorte!... Porém, algum dia ela teria que chegar e chegou. Chegou com Rui Patricio a defender tudo o que humanamente era possível defender e com Éder a ponta de lança, a dar o golpe fatal.
Esta é a beleza e a bizarria do futebol, onde o improvável pode acontecer, onde até na ponta final o alemão Joachim Low deixou de ter razão, quando apostou tudo nos franceses, depois de derrotada a sua poderosa Alemanha.
Se há lições a tirar deste momento Histórico, é que não somos, nem nunca fomos pequenos!... Por algum motivo civilizamos metade do mundo, que agora não se coibiu de nos prestar a sua homenagem. Um dia que será recordado para o resto das nossas vidas. É bom, é muito bom para todos nós e para o nosso país.

Domingos Chaves

(Texto publicado no Jornal Noticias de Barroso e escrito segundo os ditâmes do antigo acordo ortográfico)


13 julho 2016

- SANÇÕES!... O MAIOR ESCÂNDALO DA “ESTÓRIA” DA UNIÃO EUROPEIA!...A FRANÇA PERDEU O EUROPEU DE FUTEBOL, MAS... É A CAMPEÃ, A ATROPELAR AS METAS DO DÉFICE. E... DEPOIS HÁ OS OUTROS...

A Europa está de “rastos” e cada dia que passa, dá mais um “tiro no pé”. Apesar do Instituto alemão IFO ter contabilizado 114 derrapagens não autorizadas das metas do défice desde 1999, até hoje, nenhum país europeu tinha sido alvo de sanções.
O Institute for Economic Research fez as contas ao número de vezes que os países da União Europeia violaram a meta dos 3% do défice, e desde a referida data registou 165 derrapagens. Destas, 51 foram autorizadas devido a recessões. Sobraram 114 violações, mas apenas Portugal e Espanha serão alvo de sanções, segundo decidiu esta terça-feira o Ecofin.
Grécia, Reino Unido, Croácia, França, Espanha e Portugal são os seis países que falharam as metas do défice em 2015, ano em que apenas os gregos foram autorizados a fazê-lo. Ainda assim, as sanções abrangem apenas Portugal e Espanha -porque "França é a França". Um escândalo...
O Presidente do Instituto Ifo, Clemens Fuest, considerou o número de violações "impressionante", acrescentando que "as regras, aparentemente, não funcionam". Olhando mais atentamente para os números, a França é o país com mais violações não autorizadas, com um total de 11. Espanha, Portugal e Polónia surgem em segundo lugar com 10, e só depois vem o Reino Unido com nove.
Somando as autorizações para violar o défice, a Grécia segue na frente com 17 violações em outros tantos anos. Portugal com 15 aparece em segundo lugar, tendo cumprido o objectivo em 1999 e 2007. A fechar o pódio aparece França com 12.
No sentido contrário e com a folha do défice imaculada, estão a Estónia, Suécia e Luxemburgo. Dinamarca e Finlândia têm apenas uma violação, no entanto, autorizada.
Depois há ainda alguns casos que merecem destaque, para o bem ou para o mal!... A Eslovénia cumpriu a meta do défice em 2015, mas falhou entre 2010 e 2014. O mesmo aconteceu com a Irlanda e Chipre que não cumpriam desde 2008. A Irlanda teve apenas permissão para falhar a meta em 2008 e 2009 e o Chipre em 2009 e entre 2012 e 2014. Por sua vez a Polónia cumpriu a meta em 2015, mas falhou nos oito anos anteriores.
Do lado mais negro estão ainda a Croácia que entrou na União Europeia em 2013, e desde esse ano que não cumpre a meta, embora autorizada a falhar em 2013 e 2014, o Reino Unido e Espanha, que atropelam o défice há oito anos consecutivos, isto é, desde 2008. O Reino Unido estava autorizado a resvalar em 2008 e 2009, e Espanha em 2009 e entre 20011 e 2013. No caso de Espanha, 2008 foi o primeiro ano de incumprimento, mas o Reino Unido já tinha uma história de problemas com o défice desde 2004.
O caso mais negro é mesmo o de França, que desde 2002, apenas cumpriu em 2006 e 2007 a meta do défice. Neste período, apenas em 2009 teve autorização para derrapar.
Esta é pois a melhor prova de que estamos perante uma Europa sem qualquer rumo!...Nem com o terramoto causado pelo Brexit os medíocres tiveram o bom senso de agir em conformidade, ou seja, actuar de acordo com a rebelião das águas, procurando não fazer mais ondas. Não!... Pelo contrário, entre ameaças de um segundo resgate proferidas pelo Ministro das Finanças alemão e a inevitabilidade de sanções, a UE caminha alegremente para o precipício.
Por cá, as alminhas de uma certa direita tudo fazem para disfarçar o seu gozo com a possibilidade de aplicação de sanções. De resto, seria pouco patriota pedir sanções para o seu próprio país.
A hora dos castigos aproxima-se e com ela permanecerá mais um indicador de que esta Europa tudo quer fazer para demonstrar que não vale a pena lutar por ela.

05 julho 2016

A “IMPLOSÃO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL”, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS...

Quiseram convencer-nos e alguns até acreditaram, que eramos uns doidos extravagantes e que tinhamos gasto demais num enorme regabofe!... Aplicaram-nos uma correcção de austeridade agravada por termos comprado uns frigoríficos, umas televisões mais sofisticadas, utilizado uns telemóveis, trocado de carro, ou em alguns casos termos mudado de casa recorrendo ao crédito bancário. Afinal de contas e como sempre, sendo a “verdade como o azeite” - toda ela vem agora ao de cima. É verdade que alguém andou de facto a viver acima das suas possibilidades, mas esses não foram concerteza os “Zés” deste país!... Os tais “Zés”, esses sim, que de há uns tempos a esta parte, vêm custeando as miragens e as visões megalómanas a que assistimos durante anos a fio. Eram pontes, auto-estradas, aeroportos, obras faraónicas, rotundas e Parcerias Público Privadas para tudo e mais alguma coisa, com as dívidas decorrentes de tais negócios a serem empurradas com a barriga para a frente, suportadas na teoria de que quem viesse atrás que fechasse a porta.
Como não há “almoços grátis”, na ânsia do lucro e do enriquecimento a qualquer preço, o resultado só poderia ter sido o que foi: o estoiro monumental do sistema financeiro, que agora teremos que suportar com lingua de palmo durante décadas, decorrente dos assaltos a tudo o que garantia poder e dinheiro, sobretudo a bancos e empresas, numa acção executada por gente gananciosa e sem escrúpulos, muitas vezes disfarçada sob a capa de iluminadas competências de gestão. Esta é que é a verdade.
Já para não falar das injecções recentes de capital no BCP e no BPI, tudo começou com o BPN e o BPP, a que se seguiram o BES, o BANIF e agora a Caixa Geral de Depósitos, com carências acumuladas de dezenas de anos. Ao longo de quase nove séculos de História, não há memória de alguma vez se ter roubado e assaltado tando o país e os portugueses, como tem sido feito nas últimas décadas por uma nova classe de burlões, que pomposamente se classificam como empresários ou como gestores. Tudo gente que passou por uma qualquer universidade onde conquistaram um qualquer canudo, se inscreveu num partido político para ter emprego - primeiro no Estado ou até com um lugar subalterno no Parlamento, para depois criar condições de facturação. Hoje, é vê-los por aí ricos e influentes, estando convencidos de pertencerem a uma qualquer elite ao exibirem as suas mansões aquém e além mar, os seus potentes carros topo de gama e as suas constantes viagens sempre na procura de mais.
Esta sim, foi de facto a tal gente que viveu e continua a viver acima das suas possibilidades e cujos desmandos pesam agora no bolso de todos nós, fruto de um acordo de uma suposta redenção, assente num discurso de autoflagelação e empobrecimento, bem aproveitado por uma Tróika financiadora, aliada a soluções neoliberais internas.
As vergonhas são já tantas, que nem vale a pena enumerá-las. Foi o assalto aos bancos; foram as privatizações ideológicas para pagar dividas que nunca foram pagas; foram os créditos mal avaliados; foram os negócios e os favores, com a cumplicidade de uma certa imprensa chamada de referência que abdicou do seu dever de informar e se esqueceu do nosso direito a sermos informados; e foi o escândalo das offshores a quem em tempos nas páginas deste jornal tracei o epílogo que acabou por se confirmar. Tudo somado, foram milhões e milhões de euros que é preciso averiguar onde estão, devorados que foram o BPN, o BES, o BANIF e agora também a CGD que não fora a intervenção do Estado entraria igualmente em colapso. CGD - essa mesmo, que numa conta de três ou quatro mil euros nos cobra durante muitos meses e sem nos avisar, cinco euros mensais para despesas de manutenção, mas que ao mesmo tempo nunca se inibiu de distribuir milhões sob a forma de créditos aos amigos, sem se preocupar se os pagavam. A isto, chama-se promiscuidade e burlas de forma reiterada.
Em qualquer Estado de Direito que se preze, ao invés de toda essa gente continuar por aí acumulando cargos e cargos como se nada se passasse, dando continuidade ao seu enriquecimento à custa da desgraça alheia, aquilo que seria exigível é que prestasse contas e fosse responsabilizada pelos seus actos, doesse a quem doesse. Mas não!... Em vez de se promover uma auditoria forense para que a Justiça possa funcionar e cumprir o seu papel na defesa do Estado, que afinal de contas somos todos nós, a solução parece passar-se pelas já desgastadas Comissões de Inquéritos Parlamentares, que valendo aquilo que valem não servem para nada, a não ser como meio de propaganda politica.
E sendo assim, é exactamente por isso mesmo, que surpreende a forma como o PSD “considera a defesa do interesse nacional”, não só por estarmos numa altura em que as empresas de rating e a Comissão Europeia trazem a Caixa Geral de Depósitos debaixo de olho, dificultando-lhe a capacidade em se financiar por um lado e em se recapitalizar pelo outro, como também quando se sabe que os problemas existentes não são de agora, têm “barbas brancas”, e o Governo a que presidiu durante quatro anos e meio, não mexeu uma palha para os resolver.
A politica quando é exercida de forma séria deve obedecer a prioridades!... E a prioridade neste caso, manda olhar para o futuro, sem esquecer o presente. Olhar para trás, significa “lavar a roupa suja” que ao longo dos anos, PS, PSD e CDS usaram para politizarem todas as administrações da CGD e utilizarem-nas para a concretização dos seus objectivos, quer de negócios quer para pagar favores políticos. É exactamente por isto, que a Caixa vai agora precisar de um pesado aumento de capital, que vai ter de reduzir cerca de dois mil postos de trabalho e fechar balcões por esse mundo fora, fruto exactamente das heranças e dos desmandos dos sucessivos governos.
Ora é exactamente por isto, que a prioridade é colocar “trancas na porta”, medida muito mais urgente do que identificar quem e o que foi espoliado para gáudio politico, mas sem consequências. E esse, não é trabalho para deputados ou para Comissões de Inquérito Parlamentares, cujas conclusões caem sempre em “saco rôto”. Esse é sim, trabalho para Ministério Público investigar, e levar os prevaricadores – se fôr caso disso – a “sentar o cú no mocho”. À politica o que é da politica, à justiça o que é da justiça.
Pela minha parte e sem prejuízo de tudo quanto aqui ficou dito, aquilo que gostaria mesmo de ver, é que as propostas da esfera politica nacional, começassem por apontar como forma de ajudar a recuperar financeiramente a Caixa Geral de Depósitos, era a venda do seu edifício-sede. Devia dar uma “pipa de massa” e era uma boa ajuda em termos financeiros, não só pelo que se poupava como igualmente pelo que se poderia ganhar. Dizem os entendidos, que a nível de espaço equivale a cinco Mosteiros dos Jerónimos e que juntamente com a Muralha da China e o ordenado do Mexia na EDP, serão porventura as únicas coisas que podem ser vistas da lua sem necessidade de usar óculos.
Só que estas, são as tais “vacas sagradas” em que ninguém está interessado em tocar...

(Crónica publicada no Noticias de Barroso de 30Junho)

24 junho 2016

APÓS O BREXIT, JÁ SE PEDE O NEXIT E O FREXIT!... A EUROPA ESTÁ A “FERRO E FOGO”... - E AGORA?!..

A ânsia pelo poder e a emoção nacionalista triunfaram sobre a razão!... Tudo começou em 2013, quando em campanha eleitoral David Cameron prometeu avançar com este referendo caso ganhasse as eleições.
Agora, com a saída do Reino Unido, a Europa ficou mais fraca, Moscovo e Pequim fazem das suas fraquezas forças, os anti-europeiistas da extrema-esquerda à extrema-direita rejubilam, já se pedem referendos semelhantes por essa Europa fora e as consequências são para já imprevisíveis. A possível desagregação do Reino Unido, com a tomada de posição da Escócia, e do Sinn Féin pela vóz de Declan Kearney na Irlanda, é o primeiro indicador daquilo que poderá vir a ocorrer.
Mas a principal e grande ilação a considerar, é que o resultado verificado está longe de ser apenas sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia!...Este resultado vai igualmente afectar toda a Europa e terá repercussões por todo o mundo. E sendo assim, é exactamente por isso que Bruxelas precisa de reformar toda a sua estrutura e as suas políticas, sob pena do colapso total.
Bruxelas tem que reconhecer, que a União se afastou perversamente do projecto e dos valores fundacionais em muitos aspectos e que os resultados desse afastamento foram catastróficos. As políticas de desregulação neo-liberais criaram desemprego, exclusão, desigualdades e injustiças que explicam o ressentimento político, e o sentimento de insegurança instalados em amplos sectores dos países que compõem a União. E a estes últimos factos, que se tornaram contamináveis, não foram alheios a instrumentalização produzida através de discursos populistas xenófobos, intolerantes e radicalismos que podem resvalar para o extremismo violento e até para o terrorismo. Com as suas politicas, Bruxelas permitiu assim que se instalasse a desunião e a desconfiança, em vez da promoção da solidariedade e da tolerância. Agora só há uma solução:dar a volta ao texto...
A integração europeia começou sem os britânicos!... Nunca conseguiu fazer deles membros a 100%. Agora vai ter de prosseguir sem eles. No que nos diz respeito e como muito bem referiu o Presidente da República através de comunicado em reacção ao resultado do referendo, “Portugal, como vem sucedendo desde há 30 anos, deverá continuar a manter o seu empenhamento nos ideais da paz, da liberdade, da democracia, do bem-estar e do desenvolvimento em comum, que está no cerne da construção europeia, como um eixo central da visão e da estratégia nacionais para o futuro dos portugueses e do nosso país.”
Com a sua parca influência, pouco mais poderá fazer. Quanto ao senhor Cameron, fica o aviso: há coisas com que não se pode brincar...

02 junho 2016

UMA UNIÃO EUROPEIA FORTE COM OS FRACOS...

As ameaçadoras sanções a Portugal e Espanha sobre questões do défice orçamental não passam de mais uma chantagem da Comissão Europeia sobre os Países do Sul. Custa a acreditar, que a ameaça das ditas sanções seja uma iniciativa da União enquanto tal, e mais parece uma subserviência política da Comissão ao Partido Popular Europeu, ou mesmo um favor para aplacar os maus humores do senhor Schauble, do que propriamente uma intenção sancionatória. A carta de Manfred Weber, líder parlamentar do PPE à Comissão Europeia, não é concebível que tenha sido redigida e decidida sem o conhecimento dos partidos integrantes deste lobby político, entre eles da direita radical portuguesa, que aliás ocupa uma das vice-presidências do grupo parlamentar conservador.
E não é concebível, porque a Comissão não pode falar a uma vóz e sabe, que os défices excessivos, não são exclusividades de Portugal e Espanha. Os objectivos desta chantagem são objectivamente outros, que não cabe agora aqui abordar.
É verdade que em termos de défice, Portugal o ultrapassou residualmente – 3,2% sem efeito Banif e 4,4% com ele!... Então e os casos italiano, croata, grego, esloveno ou o ocorrido no Reino Unido, não contam?!... Porquê ser tão exigente com Portugal, em troca de uma “mão cheia de nada”, quando aqui já ao lado Espanha teve um défice de 5,08% e um pouco mais além a França atingiu os 3,5%, e se sabe sermos o único dos três países, onde a trajectória do défice é claramente descendente, critério fundamental para a avaliação do seu cumprimento?!...
Mas se assim é, porque razão a Comissão não coloca também em cima da mesa, a necessidade de aplicar sanções aos outros, inclusivé à Alemanha, que de forma reiterada e prolongada no tempo, está a obter excedentes comerciais claramente acima daquilo que os Tratados Europeus admitem - e neste caso, a multa não é pequena tendo em conta que representa 0,1% do respectivo PIB. Os Tratados vinculam todos e não apenas alguns, e sendo assim, todos terão que os cumprir. Quando não são cumpridos e prevêem sanções, o critério na sua aplicação tem de ser uniforme, sob pena de descridibilização dos orgãos que superintendem nesta matéria.
É um facto, que a Comissão Europeia e o Conselho, devem levar a sério a sua incumbência de fazer cumprir as regras de disciplina orçamental da UE, incluindo a aplicação de sanções financeiras em caso de incumprimento grave ou reiterado;
é verdade que o Governo de Passos Coelho falhou os compromissos de consolidação orçamental em 2015, quer quanto ao défice nominal, mesmo corrigido do efeito Banif, quer especialmente quanto ao défice estrutural. Porém, a Comissão Europeia não pode ter dois pesos e duas medidas e mostrar a sua força com os fracos e o invés com os fortes, principalmente quando estamos na presença de um país como Portugal, que está ainda a recuperar de um penoso processo de austeridade, mudou de Governo, tem objectivos claros de consolidação orçamental e deve merecer tanto respeito quanto os demais.
Resumindo e concluindo: um pouco de moderação e bom senso não ficaria nada mal a Bruxelas!... Até Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque escreveram a Juncker a pedir para não sancionar o país, o que não deixa por um lado de significar um grande sentido de Estado, mas pelo outro, porque também sabem, que se tal vier a ocorrer, o dedo será apontado ao anterior Governo, por acaso até da área do maior partido do Parlamento Europeu que detém a Presidência da Comissão.
Posto isto, será pois de admitir uma advertência, desde que aplicada a todos os prevaricadores, mas daí até à aplicação de sanções pecuniárias vai uma grande distância. O povo português já paga demais, e o país não se compadece com os caprichos de Bruxelas, muito menos com centros de intriga e de combate ideológico do senhor Manfred Weber Presidente do PPE. O seu a seu dono...


(Texto escrito segundo os ditâmes da antiga ortografia)

25 maio 2016

AGORA OS SEGREDOS VIRARAM NEGÓCIO?!...

Há pouco tempo foram detidos dois inspectores da Polícia Judiciária acusados de vender informações a traficantes de droga; ainda mais recentemente foi tornada pública a suspeita de que funcionários do fisco andariam a vender segredos fiscais; agora um suposto espião, andaria a vender segredos aos russos. Suposto espião porque ao que parece os nossos espiões não espiam nada!... Estão segundo se diz por aí, alegadamente em gabinetes de Lisboa, a analisar informação que outros espiam, sejam eles os espiões de outros países, ou até pequenos bisbilhoteiros de empresas de telecomunicações.

Não deixa porém de ser divertido que num país onde tudo se sabe e há muito que não há segredos, o que “esteja a dar” é precisamente vender segredos. Talvez por isso, à uns tempos atrás se tenha assistido a tanta agitação por causa do acesso ao segredo fiscal dos cidadãos. Até ouvimos alguns sindicalistas defenderem que o acesso aos segredos de cada um, era um direito profissional inalienável dos funcionários do fisco. Na ocasião, o que se defendeu não era o direito ao segredo, mas antes a desbunda, isto é, ninguém devia estar acima do cidadão comum na hora de sabermos dos seus segredos fiscais.
E sendo assim, que argumentos terão levado a Arrow Gloal a contratar Maria Luís Albuquerque?!... O que terá a  ex-Ministra de especial, para que seja contratada por uma empresa que compra dívidas aos bancos, num país onde estes estão intoxicados até ao pescoço? Dir-se-ia que é a experiência, ora a experiência aqui, não é mais do que o facto de ter estudado os dossiers, dossiers que porventura estarão cheios de segredos.
Pois é!... Dantes vendiam-se favores, mas parece que com a crise o grande negócio são agora os segredos. Os políticos levam os segredos para o privado, os gestores vendem os segredos à concorrência e depois a dedução é óbvia: nunca foi tão verdade, que o segredo é a alma do negócio. Indo mais longe: a venda de segredos virou negócio da China. "Pobres segredeiros" que mais dia menos dia, vão acabando no "xadrez". E ainda bem...